quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Pedido negado.

De tudo que penso, o sentimento me muda.
Ontem te amei, hoje já acordei sem te gostar.
Tanto fiz em te elogiar que repudiei.
Você sempre igual, pontual em rimas sem par.
-
Eu a festejar o meu atraso, e você a me encarar.
Eu a procurar passar os ponteiros rapidamente,
Você num suspiro conta os segundos devagar.
Eu pele e cheiro, você relâmpago a se apagar.
-
Eu com medo do tempo não passar.
Mas você é o dono do tempo.
O mensageiro que veio me avisar.
Que hoje as horas serão do vento;
-
Oh, meu caro amigo!
Faz do meu castigo alento,
Meu relógio querido
Faça, por favor, as horas passar.

-
-
-


terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Para meus dois.

Eu gosto é da febre.
De olhar fixo e ver nuvens num olho vazio.
De chorar com o filme idiota, gritar na música desafinada.
De dormir agarrada no travesseiro.
De sentir vergonha.
De sentir saudade.
De sentir.
Eu gosto da amizade lunática.
Das fugas terrenas.
Dos botecos de beira de estrada.
Da sinuca morena.
Eu gosto é do trio calafrio.
Que encantou centenas.
Que cantou no frio.
Que sofreu no vazio.
E de sofrer, riu.
Que de fazer história nasceu.
Cresceu e se fez amor.
Que de criar diversão temeu a morte.
E da morte fez o que hoje crio.
Crio meu riso, crio minha sorte.
Hoje de histórias é contado e inventado o trio.
Porque ele aconteceu num moinho abandonado,
numa aventura sem pavio,
e como foi louvado..
Agora ninguém mais sabe,

...ninguém mais viu.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Cale a boca, Bárbara.

Agarra o tédio.
Esquece as asas.
Não fala mais nada.
Que a vida não pára.

Meu antigo remédio
Um pincel sem cor,
Com a dose errada,
Só causou mais riso e mais dor.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Somente minha

Não há razão para a próxima estação.
Nem malícia na lava do vulcão.
Não há mistério na fúria do furacão.
Nem gozo na beleza do pavão.

Há as razões de quem não tem moral.
Há malícia na pimenta ardida da sedução.
O mistério de ser atemporal.
E o gozo que embeleza a razão.

Há meu calo descuidado.
E que não haja mais machucados nele, então.
Cuidado com minhas rugas.
E com meus cabelos que ficam alvos em vão.

Só há na minha mente um motivo
De querer estar nesse mundo sem chão.
É estar serena comigo
É estar feliz, sozinha na multidão.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Anti-social

Ah, tô de saco cheio mesmo.
E olha que nem é o saco do papai noel.
E pra ser sincera, também não gosto do Natal.
É tudo lotado, e eu morro de pena daquele velho barbudo vestido de Internacional cheiooooo de roupas no calor de 40º e tendo que ouvir as barbaridades que as crianças falam. No colo dele.
Coitado.
Mas também tô de saco cheio de ter pena das pessoas.
O velho barbudo não faz mais que a obrigação.
Afinal, alguém tem que pôr comida na mesa.
Ninguém mandou não estudar.
Se tivesse estudado teria aprendido com os bons professores da escola pública do Brasil como ser corrupto e estaria colocando dinheiro na cueca numa sala gelada com ar condicionado e café fresco. Bem mais fácil. E todo mundo faz.
E tô de saco cheio de ter que dar presente pra todo mundo.
A coisa mais RI-DÍ-CU-LA que fizeram do Natal, que era (eraaaaaaaaa) uma data simbólica foi virar uma festa consumista de uma sociedade sem escrúpulos.
Aí tem amigo oculto, aniversários e mais os presentes de natal das criaturas que a gente tanto ama.
Éééé... essa cretina dessa sociedade também inventou que quando a gente ama alguém, só amor não basta, tem que ter objetos, matéria, presentes pra comprovar!
E como se já não bastasse tudo isso, a gente passa pelas ruas de uma cidade com 10 milhões de habitantes sem conseguir se mexer, como se fosse sardinha em lata.
Aí vem aquelas crianças mal educadas berrando no meio da rua sem olhar pra onde anda e te derrubando sem sequer olhar pra trás... como marginaizinhos à deriva.
Éééé... a mal educada da sociedade ensinou que "um tapinha" pra educar os filhos é abuso. Não pode.
E quer saber? Também tô de saco cheio dessa sociedade burra que não sabe absolutamente nada da convivência intersocial.
Tô de mal.

Insônia

Felicidade,

na minha pílula para dormir.

Inferno,

dentro desse espelho que me encara com dez olhos.

Amanhã,

a última chance do pássaro ferido.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Onde a voz é um sopro.



Tudo potencializado.
Paz, amor, felicidade.
Ciúme, bobice e altivez.

Ah, pois é.
Nas regras do coração,
obedece quem quer ou passa a vez.

Mas veja, é só por lazer
ela é só uma menina.
Não sabe nem o que fazer.

Faz errado mesmo sendo certo,
e quando certo vira erro calado.
Você bem sabe, nessa idade ainda não sabe viver.

A idade é que manda,
o dono da vida é o mais senhor.
Sábios só com barba branca,
Se a pele é lisa, não vira professor.

E a coitada tenta se explicar,
Dá meia volta na lua pra verem o que houve lá,
Mas com essa idade,
quem poderia nela acreditar?

Ah!
Mas a vida há de um dia mostrar.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Ex...ato.

Ah,
Quantas lágrimas!
Quantas lágrimas você guardou para o jantar.
Quantas memórias vivas que dizes esquecidas emudeceu teu paladar.
Quantas juras e olhadelas, sonetos e piscadelas me fizeste admirar.
Quantas visitas em teus sonhos ela pôde conquistar.
Quantas vezes na falsidade de frias palavras, a tua voz em falsete a me gaguejar.
Ah, meu amigo.
Quantas foram as tuas menores dividas que conseguiste pagar.
Quantos roubos diurnos e descarados de beijos taciturnos eu vivi a esperar.
Quantos golpes deferidos em desejos oprimidos se põs a me contar.
E a adaga prateada lentamente em meu corpo a matar.
Ah,
Quantas lágrimas,
Quantas lágrimas meu amigo,
Mas que guardaste pro jantar.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

O homem que eu amo.

Certa vez perguntei a um sábio:
Como faço para viver nesse mundo?
Como faço para crescer, caminhar, falar, me relacionar?
Como faço para ser bem sucedida?
Como posso amar e ser amada?

Entre essas e mais mil e doze perguntas que fiz, ele me respondeu com seu jeito calmo, tranquilo e sempre sereno, com voz mansa e sabedoria secular da alma:

- Minha filha, seja sempre quem você é.
Não mude pra agradar outros.
Seja sempre verdadeira.
Ame com toda a tua força pelo tempo que te convier.
Nunca perca a sua fé.
Seja correta e idônea em todas as situações.
Voe junto com tuas borboletas.
E por fim, viva sem se preocupar.
Se assim for, você chega lá.


O sabio homem disse essas palavras em muitos momentos de minha vida.
Além de sábio era anjo,
Quando ele me ensinou a não julgar os outros, eu ainda engatinhava.
Quando eu caí da bicicleta pela primeira vez e muito chorei, veio ele com passos largos e voz mansa me abraçar.
Quando eu tive a primeira desilusão amorosa na pré adolescência, ele me viu chorando escondida, e me abraçou mais uma vez.
Quando eu estive doente, veio o meu sábio com seus chás medicinais e me curou.
Num abraço ele me deu o mundo, num afago me fez conhecer o amor.
E é sempre esse abraço e esse colo que eu procuro quando me sinto em agonia.
E mesmo quando criança (e criança nunca tem problemas), eu gostava de me sentar no colo dele e ouvir aquela voz mansa com os meus ouvidos grudados na barriga dele.
Só pra ouvir, e dormir ouvindo o timbre daquela voz serena.
Sábio sereno dono do meu amor descompensado.
Professor, médico e juiz de meus passos sem compassos.
Um amor de sempre, e para sempre.
De meu amor que a ti foi subjugado com tuas armas de amor e paz.
Caro, idolatrado, estimado, namorado:
Pai.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Nada.

Nem sono nem fome nem febre.
Nem email nem comentário nem scrap.
Nem mensagens ou ligações.
Nem saudade nem recordações.
Um nada que me mortifica com a sua solidez exaltada.
Nada.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

As estrelas que eu queria para mim.

Impossível viver nesse mundo,
Andar com meus passos largos grudados no chão.
Se eu não posso me alar e tocar nas estrelas.

Eu não quero mais do mesmo,
Rotinear pelas esquinas todos os dias,
Se eu não posso viver minha insanidade construtiva.

Você goza de seus ruídos e sons,
Enquanto eu, paupérrima artista, produzo letras e fonemas,
E nada que eu goze é teu tom.

Eu quero uma sem-rotina diária,
Uma felicidade repentina.
E as ilusões rodando em verdade.

Eu quero sorrir em ciúme,
Sentir grande febre terçã,
Morrer numa ensolarada manhã.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Ter pra quem voltar.



É bom ter teus olhos sonolentos de manhã.
Mas chegar em casa cansada da vida, da morte e da razão,
e encontrar tuas mãos em aconchego,
teus braços em abraços

É ter tudo.
É medicina para minha sobrevivência.










(Te amo com o amor mais bonito que já vi nascer em mim)

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Homicida.

Crises diurnas de alter egos psicopatas.
Vingança analítica em embriagados corpos nus.
Verdade em teu doído arrependimento.
Frieza ao ouvir teu depoimento.
Sede e vontade de teu sangue derramado ao chão.
De te matar com a frieza de teu coração.
Mas não matar a ti em dura carne,
e sim dentro de teu ser que frio,
leva polaridade aos meus sóis.
Sim, dentro de tua crua alma que sofre.
Sim dentro de tuas feridas que não cicatrizam.
Sim, dentro do câncer que tu mesmo criaste.
Sim, como a tua tristeza que te arranca os pedaços.
Dentro de ti,
Eu quero te purificar com mais dor.
Linhas tênues que aos poucos te desenham.
Em gestos finos desenham teu corpo com giz no chão,
Para cair em um corpo que jaz em minha mão.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Brilhante

Pequeno diamante,
opaco e que brilha quando quer.
Reluz em minha vida de relance,
Revida meu olhar brilhoso de viés.

Quebrando os blocos de pedra que me cruzam,
Rasgando a dor que poderia me rasgar
Levando o silêncio obtuso
Trazendo flores azuis ao meu lar

Pequeno diamante,
que felicita minhas manhãs,
dá bom dia à minha vida,
visita minha história,
brilha em minha escuridão.

Oh, coração!
se encantou pelo teu brilho,
pelo pequeno diamante em ascensão

E assim estava escrito,
serás rei nesta terra,
serás dono de minha razão.
E o sucesso que te espera
Impaciente pela demora da tua mão

Pequeno diamante,
avaliado em ricas vidas,
validado em outra dimensão
Lapidado em cicatrizes,
Comprou meu amor em beijos e canção.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Solidez

De repente aquela música se tornou hino.
De repente o fundo se tornou ímã.
Num rompante a voz perdeu o ritmo.
Num tornado a chuva foi uma brisa.
Pelas ruas passos largos até o tudo.
Pelas praças cegos correndo sem trilha.
Aonde piso, cabeças gemendo com ânimo.
Aonde vôo, borboletas em morte.
Estou no imo do ser em negra alegria.
Estou passando pela corda bamba de teus dias.
No futuro tua máscara caindo aos pedaços.
No futuro meu rosto lavado em fria sorte.
No momento nada além de tudo.
Nas veias correndo aço de metal duro.
Do sentimento, nada vem de ti.
Do amor que cai do palco ao chão.
Das frases, tão duras ou vazias.
Tão delicadas e tardias.
Tão somente minhas.
E minhas serão sempre sólidas razões.
Razão de querer e desquerer.
De ter o descaso de meu ser.
De ser o medo de ter.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Sem ins(piração)

Tudo novo.
Tudo muda.
E eu a cortejar o passado.
Tudo de novo.
Nada muda.
E eu a festejar o vício.
Experientes noites me contaram:
o mundo é só.
E para mim não é o bastante.
Tudo crio.
Tudo mudo.
Mudo o lugar, me torno mudo.
E cálidas pétalas me mostram nada além de opaco branco.
Eu sem pincel.
Eu sem cor.
Eu sem pranto.
Clamo pela inspiração apática que me surgiu um dia.
E alvas são as idéias que não me surgem.
Tudo estorvo.
Tudo belo.
E minha janela se abre com meus olhos.
Diante da chuva, diante do tédio.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Bola de sabão.

Eu queria ser como bola de sabão.
Queria voar até o limite e explodir.
Ter um brilho natural em meu corpo abobadado.
E ver lá do alto as verdades das pessoas daqui.
Aqui eles só acham.

Elas acham que amam.
Acham que são amadas.
Acham que estão certas.

E fingem.
Fingem que acreditam.


Queria era ser uma bola de sabão de ácido.
Pra quando explodir em gotículas,
queimar a cabeça de uns poucos e bons.
:)

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Imaculada.

Olha que moça mais bonita, mais cheia de vida!
Ela canta a mocidade que enxagua seus olhos brilhantes.
Ela gira com seu vestido dourado, que contrasta com a pele de jaboramdi.
Gira no meio do baile, gira no meio da rua...
Ela olha pro céu e gira no meio da chuva.
Ninguém entende a sua natureza falante, brilhante!
Ninguém entende que o timbre de sua voz foi feito pra se destacar.
E quem entende, nunca mais quer a deixar.
Olha que moça mais bonita, mais cheia de vida!
Ela sabe ser mãe e filha, dona do mundo, dona da vida!
Em seus olhos cor de caju, ela vê as cores de seu mundo aquarelado.
E nada que não seja saudade a faz desmoronar.
E tudo que não seja correntes a faz crescer.
Madura, condizente, inteligente... Mas uma criança em formas triangulares.
E ninguém a entende, pois tem a pureza perfeita dos anjos em forma de alegria.
Mas olha que moça mais bonita, mais cheia de vida!
Com seus caracóis que voam com o vento, e escabelados a fazem rir.
Com o colo feito para o alento, e as mãos feitas para toda a minha dor arrancar.
Olha que graça essa m0ça,
gosta da festa, da vida, do amor e das borboletas.
Uma santa em formas vivas, uma moça, uma menina, uma mulher, uma mãe.
Uma em tantas, tantas em outras tantas, e pequena.
Olha que moça mais bonita,
que moça mais cheia de vida!
Seu nome é como ela, excêntrico por natureza e faz o mundo questionar:
Mas quem é essa moça tão bonita, tão mais cheia de vida!?
Ela é Mavis, a alegoria da alegria!

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Pequena

Se eu sou pequena,
sou assim desde menina
Gosto de meninices,
e de crises amenas
Gosto de tagarelices
e saudades morenas
Gosto de paixonites
e amor às centenas

Se sou assim risonha
eu sou desde pequena
Mas se me vejo triste,
sem gostar do que existe
Deixo de lado a bobice
e a pequena entra em cena.

Se eu sou meio mutante,
sou assim desde pequena.
Gosto do que é gritante,
Gosto da febre terrena.
Gosto do que é invisível,
Gosto da capela serena.

Fulgaz

E no entanto, tanto que a felicidade me faz visitas, por certos dias ela vem acompanhada de agonia e por outros dias a tristeza vem dizer que ela não teve tempo de me visitar.
E no entanto o tempo que eu tenho pra cuidar dela não é curto, mas às vezes só não dá vontade de cuidar.
Porque além de cuidar dela, de ser dela mãe e filha, o meu tempo é reservado para pensar alto, voar baixo e ir além do que se vê.
E no entanto, estes devaneios além de me deixarem com os pés travados no mesmo lugar, me tomam o tempo que eu tenho pra cuidar da felicidade, e me levam em busca de mais agonia.
Uma agonia de ter tudo e querer tudo diferente, de mudar tudo e querer de novo mudar.
Porque no entanto, eu gosto de tudo que tenho, gosto de tudo que tive.
Mas a coisa que eu mais gosto mesmo,
é o que não existe.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

6:30 am

Uma garrafa de água na mão
Um mau humor do cão
Uma ressaca sem dimensão.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Layla

Ela já conhece teu segredo
E fui eu que fiz menção de contar
Ela não quer nem te ver mais de longe
Repudiou teu desespero em colocá-la no altar

Ateus do amor como você
Formam seguidores como eu
E se já me colocou numa jaula
Farei da cela solitária teu par

Porque mulheres feridas como eu
Preferem provar do prato frio
E cegos cantadores como você
Vivem a perambular pelo breu

Enquanto me olha subir os degraus
Degusta o caminho ao fim do teu poço
Navegas por vidas que nunca serão tuas
Enquanto minha sede te torna osso.
____

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Bastardos Inglórios



Sobre o filme:
Uma França ocupada pelos nazistas.
Nazistas sádicos.
Judeus vingativos.
Sangue.
E fim.
_________________________

Well, well my dear Quentin.
Nada de novo no front...
Muito sangue, uma trilha sonora ótima, e a velha mente vingativa de Tarantino.
Brad Pitt toma conta da tela com seu papel tragicômico, e brilha.
Umas boas risadas. Boas.
No mais, as mirabolâncias de Tarantino.
Mas no fim, fiquei com o "if it".
E se tivesse sido assim?
Bom, é ver pra dizer.

Teu olhar

E então percebi as coisas que só eu percebo;

Teu olhar macio que caminha por mim.
Tua pele que é uma continuação da minha e nela se encontra.
Teu gosto de frutas da estação.
Teu posto de encantado.
Teu corpo, meu pecado.

Porque te amo com o amor mais bonito que já vi nascer em mim.

Em Gravataí.

A simplicidade pra mim é mais comovente, mais digna de créditos.
E se um belo dia uma tsunami passar pela sua casa e destruir todos os seus bens materiais.
Como, mas como você vai viver?
Suas lindas roupas reluzentes DG, seus óculos escuros da Gucci... de que te serviram tantos acréscimos, tanto investimento em... nada?
Como agora você poderá mostrar pra todos o seu final de semana no farol de Sta Marta, as suas fotos no meio do deserto do Saara, se seus cartões de crédito foram por água abaixo?
Afinal de contas, você pode.
E se você pode tudo, pode também comprar o barco, o iate, o Titanic...
Claro, isso se o papai concordar, já que o dinheiro é dele...já que foi ele quem trabalhou duro durante anos para sustentar os filhos que hoje gastam o dinheiro dele em pedras, pó e exibicionismo.

Coloque-me um rótulo, por favor!
Eu ainda não tenho!
Se ainda tiver "Eu sou o gatão da mulherada", "eu sou o riquinho da cidade" eu pago!
Coloque um risinho falso no meu rosto! Eu quero fingir ser amigo de todos pra fofocar depois!
Acontece que um belo dia uma Tsunami de juízo passa na vida destes "jovens' (alguns já nem tão jovens) que precisam se apoiar no tombo dos outros, ou gritar no meio da rua que foram passar o carnaval em Veneza, porque afinal de contas, eles podem, eles vivem em "The OC- Gravataí".
Eles podem falar mal dos "pobres coitados" que não vão com eles aos iates, às festinhas indecentes, às drogas, à forra e ao diabo que o carregue!

Quando no fundo, aquele "pobre coitado" do nerd que nada disso fazia e ficava em casa, estudando e jogando videogame provavelmente será o seu médico, o seu psiquiatra, ou o seu chefe na grande empresa, e será ele quem provavelmente terá o barco no meio da sua tsunami.
Caberá a ele decidir te emprestar ou não.


Cuide bem de quem você é.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O infeliz sábio do desespero.



Ele caminhava pela avenida com seu tênis rasgado
Subia cada dia na alegoria do seu trem lotado
Enquanto ela falava de tecidos mofados ele fingia que ouvia, e sorria
Seus pensamentos voavam em um céu lacrimejoso, e fingiam ter lei
E para todas as perguntas que ele ouvia, ele mentia...
E dizia:
"Está tudo bem,
Está tudo bem."

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Fez-se música.

As parcerias se dão quando duas almas se juntam em um coração.

E as coisas haviam mudado;

Antes era ela quem pedia e ele a decidir.
Agora ela que resolvia
se ia ou não ia.
Ela sabia o caminho do castelo,
e ele a lhe seguir.
Sorte dele ela ser diferente.
Antigamente ele formava cicatrizes
em tudo o que via.
Hoje ela faz curativos
em tudo que encontra, alumia.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Lágrima Vencida

Não é choro
Não é riso
É uma dor que já é bem vinda
Que faz parte dos meus dias
Que faz tempo que dói e arde
É uma lágrima vencida
Que espera vencer para aparecer
E que arde sem despedida.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Soneto de Natal

Nesses dias que antecedem a luz
São cruzes de esperança que nos carregam
O ar altivo de outubro, fuzz
Primavera de criança, que com um sorriso nos levam

Ah! Esses dias de bonança
Desventura é só em março
Mesmo que de aço seja feita a aliança
Mesmo que, de vazias panças, seja feito um laço

Tudo é pretexto pra festejo
Velar-se sozinho ou em cortejo
Abraçar um taxista
Ou na morena dar um beijo

É o mau que se acoa
Já com medo de tanto mau
É um olhar que de estorvo
Vira ano novo e natal

(E como somos brasileiros dura até o carnaval)


Tiago Rosa
14 para 15/10

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Soneto à Stanis Fialho

Aconteceu muito rápido
Li teus sonetos e me despi
Nua em pêlo mentalmente
Leu minha mente, em tua escrita me vi

Pois o poeta me sorri
Par em par me conta seus causos
Me tira a venda da ignorância
Bar em bar me toma o aplauso

Aprendo com ele o que não vi
Pois amigo assim não se compra
Não se vende, não se acha, raridade.

E estimo crescer assim
Como ele que sábio me encanta
E canta a beleza da nossa amizade

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Tudo de mim

Quem viu o passar do navio
Despediu-se em dor ao acenar
Cantou o triste canto do rouxinol
Glamourizou a saudade para sarar

Quem me viu ser flor a brotar
Tirando do bolso a desilusão
Maldizendo a atentada ironia
De ser um Condor calado na prisão

Tantas mazelas delicadas
Composturas postas à tua altura
Destreza que parece equivocada
E uma canção feita na madrugada

Quantos erros almejei alcançar
Pra tantas vielas tentei me lançar
E você parado estático em sua pose de mal
Me fez à contragosto adoçar o mundo real

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Qualquer coisa.

Além do que se vê
Qualquer coisa fere o amor
Destinos se cruzam em dor
Amores se perdem ao léu

Além de minhas palavras
Tua boca proferiu paixão doída
Uma nuvem subiu em despedida
Do que já foi em direção ao meu céu

O passado de rainha que se acabou
Trouxe uma coroa ressentida
Um cedro apagado em cores tímidas
Um coração que aos pedaços se desfez

Esfacelando-se em minhas mãos
Tu consegues ainda varrer do chão
E nos esgotos das avenidas atirar
Os restos de meu coração nu, sem par.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Além disso

Tua frieza me comove
E foste criado em república tropical
Tua tristeza te consome
Melhor seria um coração de metal

Aprendi a metalizar os sentimentos
Com fios de cobre duros e frios
Contigo aprendi a ser coração ao relento
Com sereno molhando a tez e os brios

E ao transportar-me em teu reboque sagrado
Mantive a fé diante de teu corpo gelado
O sentido da vida está no aprendizado da dor
O do meu sentimento aprende com teu amor

Seriam mantos de luz que te esperavam
Ou minha vida que comunicava-te meu senhor?
Foi você quem esquentou teus passos
Ou fui eu que num rompante perdi meu calor?

terça-feira, 22 de setembro de 2009

tenho medo de escrever o que daqui cavo,

encontrar luz repentina no escuro azul de mim

e tanto breu na ponta do iceberg alvo que estranhamente trago.

tenho medo de escrever as palavras sós que se unem em mim

e descobrir um conchavo de lendas se formando nos meus universais confins

tenho medo de estar só em um ímo amadurecido de dor

só, em meio ao atentado de meu grande amor.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Altar particular

Meu bem, que hoje me pede pra apagar a luz
E pôs meu frágil coração na cruz
Do teu penoso altar particular
Sei lá, a tua ausência me causou o caos
No breu de hoje, sinto que
o tempo da cura tornou a tristeza normal
Então, tu tome tento com meu coração
Não deixe ele vir na solidão
Encabulado por voltar a sós
Depois, que o que é confuso te deixar sorrir
Tu me devolva o que tirou daqui
Que o meu peito se abre e desata os nós

Se enfim, você um dia resolver mudar
Tirar meu pobre coração do altar
Me devolver como se deve ser
Ou então, dizer que dele resolveu cuidar
Tirar da cruz e o canonizar
Digo, faço melhor do que lhe parecer
Teu cais deve ficar em algum lugar assim
Tão longe quanto eu possa ver de mim
Onde ancoraste teu veleiro em flor
Sem mais, a vida vai passando no vazio
Estou com tudo a flutuar no rio
Esperando a resposta ao que chamo de amor
Estou com tudo a flutuar no rio
Esperando a resposta ao que chamo de amor
Estou com tudo a flutuar no rio
Esperando a resposta...



MAria GAdú.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

o dente

Meu violão quebrou um dente!
O pobre coitado nem diz "ré"

Meu violão, meu deleite
Em notas miúdas nem sabe o que é

Oh! Não sabe se é do samba, do jazz ou da paixão.
Falta lhe uma corda como me falta uma canção.

Meu violão perdeu um dente.
Dente de leite, deleite sem chão.

Meu violão perdeu uma corda.
Acorda do sonho do violão.

Fases.

Mãe, por que as flores morrem?






Mamãe, por que o meu irmãozinho é diferente de mim?

Mamãe, por quê a tia Lúcia tem o rosto todo marcado? O que que ela fez?

Mamãe! Por que, mas por que os meninos são tão diferentes das meninas?




Mamãe, por quê eu gosto tanto do meu colega de aula?

Mãe, por que meu corpo sente essas coisas na presença dele?

Mãe.... Por que eu o amo tanto?




Mamãe, por quê ele ainda não me pediu em casamento?

Mamãe, por quê meu filho chora tanto à noite?

Mãe, por que agora o futebol é mais importante do que eu?



Mamãe, por quê o sexo não é mais frequente?

Mãezinha, por quê minha pele não têm mais vida?

Mãe, por que fazer quimioterapia dói tanto?






Mãe,
Por que a vida passou tão rápido?

Mãe,
Por que agora são meus filhos que perguntam, e eu a responder por você?

Mãe,
Por que esta cama de hospital agora é minha última pergunta, se nem resposta posso ter?

domingo, 13 de setembro de 2009

Antigo ao antigo - Gravataí.



Um conselho?
Não confie nas pessoas.
Principalmente aquelas que se julgam "Do bem"...
As pessoas são dissimuladas, falsas...e quando você menos espera: Pronto, naquela festa, naquele encontro, naquele vestiário de academia elas difamaram a tua moral, o teu ser, sem nem sequer saber direito quem é você.
As pessoas só sabem com quem você já namorou [principalmente se foi alguém que elas estão de olho], com quem você se relaciona, as roupas que você usa, se você engordou, emagreceu, tomou aquele pileque e se divertiu.
Ser autêntico e feliz hoje em dia em Gravataí é tarefa para mestres! Mas sigo viviendo meus dias, com minha loucurinha saudável, com meu sorriso sempre escancarado para quem for, com minha voz mansa. Deixo estas pessoas (que infelizmente atraem para elas mesmas a negatividade que produzem com a maledicência) viverem a vidinha fútil que querem viver.Sei que não sendo do "kuklo" vou ser alvo mais algumas tantas vezes. Mas sei também que tenho harmonia, serenidade e paz suficiente para não receber esta negatividade, e para seguir ainda assim sendo querida com estas pessoas, dando ois simpáticos e sinceros, mandando recados no orkut. Pois esta é a minha forma de viver, e é assim que me sinto bem. Deste modo atraio muito mais pessoas verdadeiramente "do bem" para o meu lado, fazendo com que minha vida seja cada vez mais plena e feliz..se é que isso é possivel. Por isto confie apenas naqueles que sorriem com os olhos, que têm clareza na alma, que gostam de saber do teu dia-a-dia. Amigos de verdade são poucos, mas é fácil reconhecê-los! Por isto viva sua vida se importando com o que aqueles que te amam vão pensar...e não no vizinho, nos bonitinhos. Pois é quem te ama que vai pensar primeiro em você, e depois no que é certo ou errado...

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Como são nunca serão.

Ele não sabe.

Acordou às 7h como todo dia fazia, irritou-se ao perceber a chuva que caía e ao lembrar os lagos que se formariam nas ruas daquela grande metrópole. Não tinha guarda-chuvas e resolveu pegar um táxi, que demorou mais de 15min para passar e a sensação das roupas molhadas pela espera davam a ele a nostalgia da cama quente e do braço que estava o abraçando a poucos minutos.
O taxímetro estava alterado, e ele percebeu que a cada metro percorrido a sua carteira esvaziava-se, deixando-o com uma nuvem negra na cabeça por saber que nada podia fazer, já que a chuva lá fora que não cessava. Olhou pela janela e sentiu saudade do dia quente e ensolarado que havia deixado seu final de semana perfeito, enquanto o taxista dava pitacos sobre a chuva e os alagamentos, mas a única coisa que ele podia responder eram alguns resmungos monossilábicos por obrigação, e não parava de pensar em como a vida era injusta por estar chovendo, por ele não estar na cama junto com sua esposa, pela sujeira da cidade que alagava tudo, pela roupa cara molhada, pelo café que não havia tomado, pelo taxista safado, pela pobreza, pela política, a física e a matemática.

Mas ele ainda não sabia.

Quando chegou na empresa ele soube. Dois moleques, na faixa dos dez anos o abordaram. Era um assalto, e depois de entregar seus pertences os garotos gentilmente perguntaram, apontando suas armas brancas:
-"Tio, cê qué um furo ou um beliscão?"
Medo. Furo ou beliscão? Que raio de assalto é esse? Quem esses dois moleques pensam que são pra tirar tudo que eu comprei com anos de trabalho duro e ainda me perguntar essa merda? Medo. Medo. Medo de duas crianças.
Pensou rapidamente na família, nos filhos e na esposa. Logo concluiu que ganhar um beliscão seria certamente mais ameno que um furo.



Quando acordou no hospital deu um grito de dor... A cabeça parecia um turbilhão de imagens e lembranças que não queriam ressurgir. Não lembrou.
Onde estava? Por quê? Que dor cruel era esta que sentia no peito?
E só soube gritar pelo nome da esposa, num grito sufocado de desespero. Ao ver a imagem dela surgindo na porta, saudável e viva só sentiu vontade de chorar. Mais nada além de chorar, e nem sabia o porquê. Mas ele viu as rugas de preocupação da esposa, e foi só então que conseguiu perguntar o que havia acontecido.
Ela contou que o encontraram na rua da Alfândega, sangrando muito e desacordado, com os dois mamilos arrancados por um possível alicate... Foi então que ele lembrou do "beliscão".
E estranhamente ele acomeçou a agradecer a Deus por não ter escolhido o furo.
Estranhamente o efeito do alicate atingiu seu cérebro, que começava a não dar a mínima importância pra chuvas, lodo e lama. Estranhamente ele ali agradecia pela esposa, pelos filhos e por estar vivo para eles.
O mundo agora tinha vida, uma vida que ele ainda não tinha visto, perdendo oportunidades de fazê-lo colorido. E agora tudo era cor. Quão graves eram problemas cotidianos? Por quê ele deixara tanto tempo passar sem ver, querendo estar sempre nos lugares em que não podia estar? Não, a vida não era pequena como ele a fazia.


Ele enfim, descobriu.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Soa amor aos.

Aos amigos que cá estão
A juventude é minha mão

Aos amigos que lá ficaram
A saudade e o medo da razão

A quem me fez relicário
O altar particular me guarda acima do chão

Ao meu jovem e lerdo coração
Que tento ensinar a saudade

Que fica em comunhão com o silêncio
Pois só soa amor aos amigos de verdade.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Bençãos

Porque a promessa que me fizeram nunca se cumpriu
E quem não fez promessas meu riso descobriu

E hoje ele não quer mais sair do lugar
Uma boca sempre aberta sem pestanejar

E ainda há o amor sem dor, o amor com mel
Pensei que haveria menos acima do céu

Tão atônita e ingênua fui de não crer em bem algum
E a vida, sem vergonha, me provou que em amar não há mal nenhum..

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Não, não me venha mais falar de amor.
Quantas vezes eu te disse que amigos são como irmãos.
Não, não me venha falar de amor
Quantas vezes te falei sobre as dores de meu coração.

Não me peça o que nunca será teu, não podes ganhar.
Não invente mais milagres que não fiz, na mesa do bar.
Me deixa te ver como quietude no cansaço, abraço na dor.
E não me santifiques mais, pois sou demônio ator.

Te chamo e reclamo de falsário,
Age tal como amigo imaginário
Te digo agora, esqueça.

E se ainda assim pensares em mim,
Se ainda assim vieres de novo falar de amor.
Eu serei o motivo da tua ilusória dor.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Era um menino correndo na rua
Desorientado em negra escuridão
Era o menino olhando pra lua
Pegou o bonde, pairou na solidão

Era um menino descobrindo verdades
Não sabia a cor da massa do pão
Comia pó porque tinha saudades
Afogava no poço as mágoas do coração

Era o homem do sorriso brilhante
Salvou o menino, tirou do chão
Era o homem que eu tanto amava
Herói da noite porque matou a tentação

Era o homem que me olhava
Me convidada e eu ia sem dizer não
Faíscas de meu olho tirava
E mostrou as cores, amou então.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Sem sono.


E eu aqui sem sono pensando em ti. A luz na janela me remete àquele momento em que te vi dormir.
Eu parada na porta a olhar o sossego em teu sono, e de manso deitei ao teu lado, por não resistir. O som de pluma que fiz foi suficiente para te fazer abrir o olho e sorrir aquele sorriso dourado de grego que fez com que me apaixonasse por ti. Sorriu, e voltou a dormir, como se o mundo todo estivesse em teus sonhos e o lá fora pudesse esperar.
Foi com essa paz que tomei a decisão mais importante da minha vida:
Eu não iria te abandonar.
Seguiria teus passos a cada nova estrada, pedregosa ou florida.
E faria tudo para não perder a sensação de borboletas na barriga que esse sorriso provocava em mim.
E foi assim que percebi. A fragilidade e a felicidade que teu sorriso libertino me trouxe. A vontade de jogar os grãos de rotina no ar e sair voando.
Deve ainda estar dormindo o sono dos anjos, e eu aqui, sem sono a olhar pela luz artificial pela janela, cheia de saudades e desejos, continuo construindo castelos no ar, continuo a olhar-te dormir,
continuo a me apaixonar por ti.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Pequena.

E no fim, a morte foi uma ilusão,
Onde se aguardava uma visão de ti.

Tens que pintar os nomes das coisas na pele,
Tens que usar as mãos para colorir os dias.

Não te ausentes mais do meu corpo,
Porque gastas a tinta que pinta o sonho.

E tuas palavras de amor,
Têm vida para além dos meus escritos

São o repositório das músicas,
Presas no tempo dos acordes iniciais.

E no fim caminhei só,
Com passos de pássaros passando.

Caminhei pelos meus pés,
Feito alma crua desandando.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Sem saco para bobagens.

Danem-se os quilogramas,
Os fascistas, os fantasmas e os anarquistas!

Danem-se as puritanas,
As quengas e as moralistas.

Dane-se a falsa verdade,
O namorado pela metade.

Dane-se a porra da saudade,
A pena, a pressa e a vontade.

Dane-se o coração burro,
A prática do sexo sem amizade.

Dane-se o pudor,
A vida malvivida da atualidade

Dane-se o verso simples
A castidade, a maldade e a comodidade.

Cansei da curiosidade,
Cansei de ti, de mim, de minha fragilidade.

Cansei de cansar, de acreditar,
E fiz da morte fertilidade.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Da metade que falta
Me lambuzo de dúvidas

Da promessa futura
Me enchem de lamúrias

E já não sei qual o caminho
Desconheço dos limites da verdade

E se é certo ou errado
Só faço o que tenho vontade

E verdade seja dita,
O amanhã cabe a mim

Da metade que falta
Me lambuzo de certeza.

Da promessa futura
Me encho de firmeza.

De março,



Pílula para dormir, é a felicidade.
Iludes a ti mesmo com sonhos em vão,
promessas que irão,
fatos que virão,
dores que voltarão.


Teu gosto em mim, é a felicidade.
Sorrio em mim mesma,
com lábios que me tocam,
cheiros que sufocam,
cores que não desbotam,
nossos corpos que de frio se chocam.

terça-feira, 14 de julho de 2009


A saudade da tua juventude por certo não virá nos próximos anos.
Mas sim quando declinar o sol da tua mocidade,
E as lembranças vierem povoar as tardes calmas de tua existência.
Lembre-se de mim,
Não como um grande amor.
Mas como alguém que viveu na época de teus melhores sonhos.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Test for taste.

Estranho.
Esse gosto vermelho na minha boca.
Gosto da tua boca na minha sedenta, sedentária.
Boca.
Gosto escuro de ausência com saudade.
Gosto de ausência sem novidade.
Alquimista.
Que mistura do meu gosto com teu gosto
Na minha boca vivendo sem vida.
Morte morrida.

sexta-feira, 10 de julho de 2009



Era uma prisão branca.
Toda branca e com luzes fluorescentes também brancas.
Faltavam alguns dias para sair dali.
Por sorte, a pena fora diminuida pelo meu bom comportamento e eu seria transferida.
Já tinha me acostumado com a vida naquele lugar.
Havia poucos anos que estava ali, mas já parecia ser minha casa, minha gente, minha família.
E agora eu estava quase livre. Mais feliz do que nunca, mas de certa maneira eu ia sentir falta daquela brancura toda.
O cárcere não era privado, e as colegas de cela não calavam a maldita boca um segundo sequer. Até me deram um apelido bonitinho...
Mal sabiam elas que naqueles momentos agoniantes em que uma delas abria a boca e não fechava mais eu sentia uma intensa vontade de esfaqueá-la com qualquer objeto pontiagudo que eu achasse por ali. Mas não podia. Eu estava indo. Faltava pouco.
Hoje por um momento me vi só naquela cela branca.
Olhei ao meu redor e fiquei a imaginar como pude aguentar tanto tempo nesse branco, enquanto eu sou multicores.
Uma prisão branca, que ofusca qualquer uma das minhas luzes coloridas.
Por quanto tempo apaguei minhas luzes e vivi a seguir a luz branca deles?
Mas eu estou indo.
E agora eu vou para o azul, e meu coração pula enquanto danço.
Meu sorriso apareceu em meio ao branco. Uma luz se acendeu, a felicidade se estendeu, compareceu, transpareceu, renasceu!
Encontrei o meu disjuntor.
Pois descobri que meu novo colega de cela, nessa tal prisão azul, vive cheio de luzes, rodeado de novas cores. Perguntei como e me disseram:
Ora, pois!
Ele é irmão de Willy Wonka, e fez-se dono dos maiores arco-íris!
:)

quarta-feira, 8 de julho de 2009



E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace

E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste

E quando eu estiver fogo
Suavemente se encaixe

E quando eu estiver bobo
Sutilmente disfarce

Mas quando eu estiver morto
Suplico que não me mate dentro de ti

Mesmo que o mundo acabe enfim
Dentro de tudo
Que cabe em ti

(Skank)

segunda-feira, 6 de julho de 2009

That's enough!


Não cabe dentro do bolso o fato mundano,
vou comprar um pedaço de veludo
e ter mais chiqueza no tal do engano.



domingo, 5 de julho de 2009


Ah, fumarás demais, beberás em excesso, aborrecerás todos os amigos com tuas histórias desesperadas, noites e noites a fio permanecerás insone, a fantasia desenfreada e o sexo em brasa, dormirás dias adentro, noites afora, faltarás ao trabalho, escreverás cartas que não serão nunca enviadas, consultarás búzios, números, cartas e astros, pensarás em fugas e suicídios em cada minuto de cada novo dia, chorarás desamparado atravessando madrugadas em tua cama vazia, não consegurás sorrir nem caminhar alheio pelas ruas sem descobrires em algum jeito alheio o jeito exato dele, em algum cheiro estranho o cheiro preciso dele(...)

- Caio F. -





Música do dia: Painkiller (Turin Brake)

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Photo



Lembro tudo,
na ausência

Memórias cheias,
como fotografias vivas

Numa bolsa azul,
o bilhete do cinema.

Num bolso vazio,
o sentimento que me sorri.

E andas teimosamente
nas minhas noites

Junto com o beija-flor que vi,
no meu templo de amor.

Que espera batendo asas,
Com imensa glória.

Que canta com o sossego,
Que ilumina minha memória.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

SÓ-RISO


A boca mais bonita que já vi
Inundada de um riso aguado
Que mata minha vontade sedenta
De viver leve com asas que construí
.
Ontem sonhei que a tocava
Com suavidade e vigor
Teus lábios molhados agridoces
Me trouxeram a cura, e a dor
.
Me fazes quase louca
Com a falta do calor
Me fazes quase seca
De tanto que dou meu amor
-
E de repente, traz o riso
Como quem traz o céu e o mar
A vida se enche de sorrisos
Te vejo e começo a brilhar.

domingo, 28 de junho de 2009



Os teus olhos são frios como espadas
E claros como os trágicos punhais
Têm brilhos cortantes de metais
E fulgores de lâminas geladas.


Vejo neles imagens retratadas
De abandonos cruéis e desleais
Fantásticos desejos irreais
E todo o oiro e o sol das madrugadas


Mas não te invejo, amor, essa indiferença
Que viver neste mundo sem amar
É pior que ser cego de nascença


Tu invejas a dor que vive em mim
E quanta vezes dirás a soluçar:
"Ah! Quem me dera, irmã, amar assim!"




Frieza - de Florbela Espanca,

(que conheci graças a um lindo elogio de meu bom amigo Stanis. Obrigada.)

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Do coração,



Desprendeu o nó
Não aperta e não dói.

Prendeu no meu pé,
a corda de uma nota só.

E assim me mantenho ligada
Ao que distante me prende.

Não são correntes, são flores
que de meu riso dependem.

Mas os dias desiguais me limitam,
Dias normais me surpreendem.

Quis atropelar o calendário,
E só a parcimônia é o que consigo.

Do calor eu fiz sorriso,
Da saudade, meu paraíso.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Ambiguidade.

Tenho estado calado.
Um ser alado.
No peito nu,
dois lados.
A menina angelical.
O ódio destilado.
A pressa me impregna,
de tal modo que paro.
Meio morta, meio interrogação.
Ninguém agora faz a menção
Dos dias desiguais que se passam.
A porta do quarto que não fecha.
O buraco da fechadura macabro
Que aos poucos me revela.
E o destino que é traçado,
naquele mapa amassado
Foi descoberto, foi amaldiçoado.
Por mil bruxas e profetas
Que ao meu lado,
De anjos andam disfarçados.




terça-feira, 23 de junho de 2009

O vento.


Queria que fosse você
Quando ele me beija,
Quando ele me faz tocar,
Quando ele bagunça meus cabelos com paixão.
Queria, como ele, voar,
voar até você,
e peço para ele me levar,
Nas suas incessantes viagens no ar.
Mas inútil soa,
Voar com o vento
é o mesmo que não ir a nenhum lugar.

domingo, 21 de junho de 2009

Partida



Acontece que agora
Eu encontrei este espaço
Entre o amor e a dor
Entre a cruz e a majestade

Por dias e noites indaguei
Que sentimento ardente seria este
E vieram anjos que disseram:
"Chame, oh Deus, de saudade."

É por isto, senhoras e senhores
Da cidade pequena com língua grande
Das casas com ouvidos gigantes
Com avidez pela novidade

Que lhes digo, estou de partida
Vou e não volto para este circo brilhante
Deixo para trás o futuro que não chegou
Os dias contados de um caminhante

Deixo a inveja, a cobiça e algumas cartas de amor
Deixo a rotina, o amor de uns, a razão que não me quis
Vou-me de mochila, de ansiedade, e piso no acelerador
Vou com a sina de ser mais que aprendiz

Vou e vou de uma vez,
Por isso dou esta festa
Não chore e conte até três
Beba com pressa, depressa

Brinda ao deboche e ao calor
Que o álcool afrouxa o entendimento
Das coisas do coração, da paixão, do amor
Aprisiona a mente e devora o pensamento

Faz o melhor papel de apaziguador
Não toque, não impeça, não minta assim
Me deixa ir e ser feliz, por favor
Que agora me despeço de ti e de mim

quarta-feira, 17 de junho de 2009



Ultimamente,

Bocas compostas por morfina,

A saudade que aparece clandestina,

Cálidas flores em botões distribuídas,

O mar azul que nos espera, com clareza genuína,

Um paraíso afrodisíaco no quarto, em despedida.

O enlaçe de duas mãos que se vão, de saída.

Ultimamente, a nossa vida.

segunda-feira, 15 de junho de 2009



Hoje acordei cega.
Um estranho branco que inibe minha retina do escuro
Há uns fios suturados que aos cílios me prega
Queria ver além do ponto rosa em meio ao branco opaco
Me esmagando em um intenso torpor quase mudo

Hoje acordei muda
Os lábios grudados com cola tenaz
Queria falar além do que falo com doçura
Almejei a acidez sem ser capaz

Hoje acordei surda
Queria escutar outra coisa além da suavidade cantante desta cor
Acordes que dançam pelos cantos de meu coração
Melodias que mágicas me retiram toda a dor

E enquanto abobalhada não tenho meios para agir
Nem sei mais distinguir frio de calor
Dilata-se o ponto fixo e me encara, se entrega
E assim de cega, surda, muda e boba

Me fez o amor

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Paulatinamente
O rapaz cor-de-rosa
rouba minha pele
e suga de canudo a minha mente

Perdido e taciturno
Retira de dentro do âmago
A carne daquele órgão
Que iníquo fere fundo

A madrugada veste
o moribundo profano
E tua tez enrugada despe
o meu gasto terno de pano

Estátuas que restaram
Numa pedra que me reconforte
Corpos que empedraram
Na gélida foice da morte

O demente me causa invídia
Pois se mutila com terror
Passa a faca na sanidade
E dos pedaços ainda resta a verdade

Me retire deste espaço
Num furgão de sete cores
Pega a vela e ajoelha
Reza por minh'alma e minhas dores

Fiz de ti, do tato, de tudo meu algoz
Meu gemido de dor só sussurra
Que a felicidade é uma pílula pra dormir que fissura
Porque já não sai mais daqui esta voz

Estou de volta ao meu túmulo negro
De lá te mando flores secas de onde jaz
Vá sorrindo e não me olhe, ou volta
Senta aqui nessa terra e sente a paz

Arranca minhas tripas, minhas vísceras
Faz delas um nó e joga no chão
Pica, mói e dê aos porcos de ração
Não seja covarde e faça delas sua refeição

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Ó meu amor,
volta pra mim,
não me deixa com saudade,
me vinha com facilidade
e me fazia escritora.
Tanto tempo me fez companhia,
tantos anos de poesia.
Agora se foi, quando o amor chegou
(e justo agora!)
Volta pra mim,
volta pra mim,
Maldita , bendita...
Cadê tu, inspiração!?

terça-feira, 2 de junho de 2009

Talvez um voltasse, talvez o outro fosse. Talvez um viajasse, talvez outro fugisse. Talvez trocassem cartas, telefonemas noturnos, dominicais, cristais e contas por sedex (...) talvez ficassem curados, ao mesmo tempo ou não. Talvez algum partisse, outro ficasse. Talvez um perdesse peso, o outro ficasse cego. Talvez não se vissem nunca mais, com olhos daqui pelo menos, talvez enlouquecessem de amor e mudassem um para a cidade do outro, ou viajassem junto para Paris (...) talvez um se matasse, o outro negativasse. Seqüestrados por um OVNI, mortos por bala perdida, quem sabe. Talvez tudo, talvez nada.


de Caio F.

sexta-feira, 29 de maio de 2009




Sou mal educada, ardida
Erro tudo de uma vez

Volto pro edredom e me despeço da altivez
Peço desculpas ao desdém e te penso com sabor

O calo calado do meu travesseiro afofado
Me dá o acalento e não dá nenhum calor

O fogo de meus gestos mal planejados
Arde em ti, arde em mim, causa dor

E arrependo, volto, tento o espelho sem rancor
Olho e arrepio com a paz que dá tua arte

Procuro meu lugar nesta cidade
E me acho noutro mundo além de Marte, ameaçador

Apimentada e áspera, quase apática, sem cor
Chega de timidez, me despe que vou me mostrar

O sentido, o sentimento, o amor
O queimado do meu colorido abrasador


terça-feira, 26 de maio de 2009

Parece até que vivo
Como se fosse o último dia

Amanhã a terra vira baldia

Parece até que achou na capela
O meu manual de instruções

Há tempo perdido em ilusões

Meu parecer é enganado
Ou tiro amanhã meu brevê

Pego a primeira borboleta
Calço minha sete léguas

E me vou pra onde nada se vê.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

If it...

Talvez passos largos em linhas tortuosas
Me tropecem e desabem
E o chão não me acolhe
Não acarinha

Pois se a dúvida viesse mascarada
fantasiada em laços e fitas de Veneza
Num festival ilusório de alegria
Eu iria

Pois se o medo viesse trancado
Num baú de recordações
Com sete chaves e cadeados japoneses
Eu faria

E se a mala estivesse pronta
Com roupas, futuro, amor
E secretas certezas minhas
Eu deixaria

Mas num fiapo de pó tudo se perde
O mosaico colorido e o grafite da verdade
Sem ilusão a vida vira tédio
Sem fé o meu monstro vira caridade

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Sei de cor cada lugar teu
Que é atado em mim, a cada lugar meu
tento entender o rumo que a vida nos faz tomar
tento esquecer a mágoa
aguardar só o que é bom de guardar

Pensa em mim, protege o que te dou
eu penso em ti e dou-te o que de melhor eu sou
sem ter defesas que me façam falhar
nesse lugar mais dentro
onde só chega quem não tem medo de naufragar

Fica em mim que hoje o tempo dói
como se arrancassem tudo o que já foi
e até o que virá e até o que eu sonhei
diz-me que vais guardar e abraçar
tudo o que eu te dei

Mesmo que a vida mude os nossos sentidos
e o mundo nos leve pra longe de nós
e que um dia o tempo pareça perdido
e tudo se desfaça num gesto só

Eu vou guardar cada lugar teu
ancorado em cada lugar meu
e hoje apenas isso me faz acreditar
que eu vou chegar contigo
onde só chega quem não tem medo de naufragar.

quarta-feira, 13 de maio de 2009



Na verdade costumo encontrar-te sempre mesmo em cima das minhas pálpebras, a escorregar para a aflição.
As mais das vezes descortino a tua imagem por detrás do coração, imersa no desejo de te afogares nele.
E, eu confesso, deixo-te ficar lá, mesmo quando lá me arranha.

terça-feira, 12 de maio de 2009




Ser mulher é um troço complicadíssimo,
temos que ser livres para provarmos que somos capazes,
mas temos que levar junto as correntes que nos
prendem a milhares de anos de submissão.

segunda-feira, 11 de maio de 2009



Tenho um fogo dentro de mim.
Como que uma força que está inundando o meu corpo
Sinto que tenho que voltar para os meus mundos.
Ali sou realmente eu, e realmente feliz.
Fico seca por dentro quando me abandono
Quando deixo de aqui vir e me distancio das minhas telas mentais.
Não tenho ainda vontade de pintar.
Tenho apenas vontade de aqui vir, meu atelier particular.
Deixar as palavras caírem do meu coração.
Sem muita vontade ou desejo de filtrar seja o que for.
Aqui realmente posso ser eu.
Muitas vezes quando aqui venho choro.
E hoje tenho vontade de rir.
Rir apenas por rir!
Porque rir, assim como chorar faz um bem.
Lava-me o espírito.
Tudo fica parecendo mais claro.
Ultimamente tenho andado sempre pela sombra.
E já começava a ter saudades do sol,
Foi quando iluminou-se meu dia com aquela cálida luz repentina,
Dourada, amada, lavada.
Uma luz que me fez rir. Uma luz musical, teatral.
Vinha de algum lugar que eu não reconhecia.
Depois que fui perceber...era de dentro de mim que surgia. Dilatava-se do âmago ao externo numa fração de segundo.

sábado, 9 de maio de 2009

Pura beleza e não vaidade.

Mas eu te possuirei mais que ninguém
porque poderei partir
E todas as lamentações do mar,
do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente,
a tua voz serenizada.


Vinícius de Moraes

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Do pancake,




Não mais se pintou.
Ele sabia dos porquês dela.
Ficou feliz.
Aquilo era bom.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Sem palavras.

Sem nada pra dizer.
Um buraco vazio com quantidade de massa suficiente para ocupar todo o meu cérebro e pesar na mente.
Enquanto esse vazio invade, a diversão é por conta do que acontece fora do meu universo, quando tenho monstros por todos os lados num mundo surrealmente racional e real. Estou cercada de vampiros gelados e lobos-homens escaldantes.
O sino toca. Bém, bém, bém.
O que faz meu coração disparar, e meus olhos que estavam fitando um vazio, enquanto minha mente não parava de atirar milhões de pensamentos furtivos sobre mim, piscaram.
Acorda, Bárbara.
Não vai ficar diferente, eu sei que não. Então tá na hora de acordar.
Os monstros continuam lá fora, com suas decisões tomadas. Tá na hora de escolher entre certeza ou eterna dúvida.
O monstro que mente é o que mata, ou o que mata é o que sorriu demais?
Pára, pára, pára de pensar.
Mas não adianta. A mente não obedece.
Pelo menos dessa vez o corpo, e só o corpo, obedeceu, e ficou ímóvel como pedra. Gelado.
Nem pude soprar uma tentativa de fala, nem pude esboçar um sorriso quando ela entrou. Eu já sabia sobre o que a conversa seria, no fundo eu já sabia.
A ceifadora já estava falando, vomitando aquelas palavras que ardiam em mim, formigavam em todo o meu corpo, mesmo já sendo esperadas.
E ela contava indignada toda aquela história, que me parecia ter me acontecido em uma vida passada - num tempo remoto - numa ânsia e numa fúria falando [da ausência de] respeito do monstro em questão com ela, e conseqüentemente comigo. Monstros sempre mentem, pensei. E era uma verdade imutável.
A sensação de deja vú e o desconforto da situação me nausearam. Num olhar fulminante de raiva consegui calar a boca daquela selvagem surtada toda de preto com sua foice dourada.
Abri os olhos, irradiando paz.
Não, não seria como da outra vez, desta vez eu poderia ser nobre, poderia ser pacífica. Poderia ser eu, sem surtos. E fui.
Levantei, dando às costas para ela. Que se dane, eu pensei. Se quisesse me acertar com esta foice já o teria feito.
Fui em direção da janela, e a abri. O sol tirou a escuridão daquela sala fétida e mofada.
A entidade escura se encolheu medrosa em meio a tanta luz, mais a luz que irradiava de mim do que da janela.
Fui em direção a ela, com a decisão tomada, e disse:
- Faça rapidamente.
- Não está na hora - ela disse com um sorriso torto.
- JÁ! - e meu grito ecoou fazendo os morcegos levantarem vôo contrariados.
Ela me olhou com um misto de prazer e medo. Queria, mas não podia.

E senti, alegremente.
A foice me dividia bem ao meio, me causando uma sensação dourada ardida, logo depois ela me retalhou, toda a minha existência em pedaços ao chão. Sucesso.
Ao longe eu ouvia os vampiros e lobisomens, eles poderiam saber o que se passava aqui, no meu diálogo com a amiga morte.
Se eles se concentrassem em mim, por um segundo. Conjecturando, conclui que continuaria secreto. Meu corpo pálido espalhado pelo chão.
O meu sorriso de adeus.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

O amplexo soturno. O ósculo taciturno.




Aquelas vias de acesso entre as ruas e vielas estavam me tonteando. Me sentia nauseada com tanta gente, com tantos carros e com tanto mundo ali, naquela avenida. Do outro lado, esperando para atravessar, três garotos de boné e tênis riam dos sapatos de jacaré daquela jovem senhora parada ali, pacientemente e educadamente fingindo, naquele momento, que tinha sérios problemas auditivos. Me senti enojada com tamanha falta de respeito de um bando de moleques que mal sabia o que significava uma parcimônia abusando da paciência das pessoas educadas.
Sempre me perguntei o porquê de tamanha falta de educação entre as massas sociais, e acho que a resposta está no ego do ser humano. Na vontade gigante de levar a vida do jeito que "as vítimas" da chacota levam. Acho que por isso nunca me importei muito com as palavras de invasão ofensiva que já me lançaram com flecha certeira.
O bandinho desrespeitoso atravessou a rua, entre passos largos e risos altos, distorcidos. A jovem senhora olhava com desdém os rapazes, que colocaram seus capuzes por cima do boné e quase me derrubaram na correria afoita de, quem sabe, alcançar a porta aberta do elevador para o andar da malandragem. Eu fitava a rua quando um passarinho amarelo pousou suave quase aos meus pés. Eu queria fugir, sair desse concreto e correr para aquele meu jardim particular que vou quando canso de tudo, onde só há verde e sorriso, flor e perfume de paz. Eu divagava sobre tudo o que via e viajava alada sobre o meu infinito íntimo - além do entendimento -. Foi quando o vi.
Ele estava ali,na minha frente e em pleno sol, o meu milagre particular. Ele olhva para mim. Então o vazio de concreto que já estava quase que dominando o meu cérebro sumiu, num rompante de loucura tudo sumiu de minha cabeça, como muros indo ao chão. Como se eu tivesse planado daquela rua cheia para o meu jardim, e estivéssemos só eu e ele.
Naquele dia ensolarado, no meio da rua eu via o quanto ele era bonito, mas ele não sorria.
Aquela força permanente como um ímã que sempre me arrastava para o lado dele fincava-me o peito com força, e meus pés já se mexiam em sua direção sem que eu pudesse me negar ou contestar, nem mesmo discutir sobre a decisão de andar até lá. O milagre realmente aconteceu quando não movi nenhum centímetro de meu corpo, apesar de estar a segundos de fazer isso, e vi...
Embasbacada, mas vi que era ele quem vinha em minha direção. Vampiro de olhos castanhos, quase flutuava, mesmo que caminhasse vorazmente, chegando até mim. Iniciou-se o fim da Era do Gelo, e começava a brotar da terra as flores da mesozóica.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Bem feitinha.




Sobre o amor, e o desamor, sobre a paixão,
Sobre ficar, sobre desejar, como saber te amar,
Sobre querer, sobre entender, sem esquecer,
Sobre a verdade e a ilusão,
Quem afinal é você?

Quem de nós vai mostrar realmente o que quer?
O coração nesse furacão, ilhado onde estiver,
O meu querer é complicado demais,
Quero o que não se pode explicar aos normais,

Sobre o porquê de tantos porquês,
E responder,
Entre a razão e a emoção
Eu escolhi você.














- Catedral -

Eu realmente não gosto de Catedral, e seu estilinho sem estilo. Mas nunca tinha parado pra ler algumas das letras com a perspectiva de agora.
E confesso, são bem feitinhas. Prontofalei.

terça-feira, 28 de abril de 2009



Depois de dias dormindo pouco e sem sonhar acordada a fada ignorante voltou a sentir palpitações, ouvir vozes imaginárias e sentir os pés molhados.
Seu sonho desde criança sempre foi se tornar uma fada madrinha, mas se depois de todos esses anos de estudo ela continua sendo incapaz de realizar seus próprios desejos, como poderia então sair por aí com uma varinha na mão realizando os desejos das outras pessoas?




Quase tudo que se tem deve-se a outros olhos e mãos além da nossa. A minha felicidade depende de muitos, não só de mim. Varinhas de condão só fazem moedas surgirem e pombos sumirem. Truque. Tudo é um grande truque da carrasca que corta nossos pescoços paulatinamente: A ilusão.

sábado, 25 de abril de 2009

A caixinha

Vou apresentar para vocês uma caixinha. Uma caixa parecida com tantas outras que encontramos por aí.

Essa caixinha, no entanto, é bastante especial, pois guarda um tesouro. Um tesouro invisível.

Esse tesouro não é de piratas, não são moedas nem dinheiro vivo. É algo ainda mais valioso e precioso.

Dentro da caixinha, meus amigos, fica uma das virtudes mais importantes para a vida em sociedade: a paciência.

Quando possuem este tesouro, guardado, com todo cuidado, nesta incrível caixinha, as pessoas retiram dela, sempre que precisam, uma boa dose de paciência.

Paciência com os colegas. Com os pais. Com os professores. Com o trânsito barulhento. Com a fila imensa. Com os gatos miando, de madrugada.

O mais interessante é que as pessoas que têm essa caixinha estão sempre com ela cheiinha e, mesmo gastando com todo tipo de pessoa e de situação, ela nunca se esvazia. Além disso, como vivem tranqüilas e são pacíficas, essas pessoas têm maiores chances de serem felizes.

Apesar de conter tão valioso tesouro, essa caixinha é acessível a todos nós. Basta que, nas nossas preces, peçamos a Deus: “Senhor, dai-me paciência”.


Ele nunca nega esse tipo de pedido!




Tenho um baú.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Níveis de consciência.


Melhorar o sorriso,
Praticar o afeto, a compaixão,
Ser caridoso,
Desapegar-se da tristeza, do ódio, do rancor,
Apaixonar-se pelo amor, pela felicidade, pela vida.
Brilhar o olho com a fagulha de paz e amor que tens dentro de ti.
De nada adianta leitura e estudo,
se não houver prática.


A tristeza é doença que, se agasalhada, piora a febre de qualquer aflição.
A sua sombra densa altera o contorno dos fatos e das coisas, apresentando fantasmas onde existe vida e desencanto no lugar em que está a esperança. Ela responde pela instalação de males sutis que terminam por desequilibrar o organismo físico e a maquinaria emocional.

Luta contra a tristeza, reeducando-te mentalmente.

O ódio é um câncer que ataca os nervos e te faz agir de forma instintiva, ferindo aqueles que ama. O ódio perturba, transtorna e transforma o ser, desequilibrando a alma e provocando dor e arrependimento assim que a consciência desperta.

Luta contra o ódio, reeducando-te mentalmente.

O rancor é um espinho que crava no coração em um lugar quase que inalcançável. Gostaria de arrancar das carnes da alma este espinho cravado que te faz sofrer, e, por não conseguir, deixa se abater. O rancor adoece o corpo e a alma de quem o guarda, e provoca tristeza, iniciando o ciclo de dor novamente.

Luta contra o rancor, reeducando-te mentalmente.

Liberte-se dos grilhões.


Com carinho,

:)

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Passa também...



O branco. Como se tivessem aberto um buraco bem no centro das minhas idéias. O grande branco expansivo começou a me inundar, machucar, incomodar. Fechei os olhos e deitei no chão. O meu grito de adeus.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

domingo, 19 de abril de 2009

Assim.




Eu sempre fui assim.
Cheia de vontades. Cheia de capacidades. Cheia do melhor de tudo. Cheia de ideias. Cheia de (in)certezas. Cheia de fraquezas. Cheia de defeitos. Cheia de estabanações. Cheia de amor. Nunca cheia de mim.

Eu sempre quis parecer assim.
Cheia de força. Cheia de coragem. Cheia de resistência. Cheia de grandeza. Cheia de tudo o que torna as pessoas invencíveis. Mas nunca cheguei a vencer a mim.

Eu sempre tranquei aqui dentro assim.
Cheia de palavras por escrever. Cheia de uma vida inteira que nunca saiu de cadernos trancados em segredos sem chave. Cheia de amores perdidos. De erros imperdoáveis. De mágoas inesquecíveis. De palavras ditas que me cortaram a retalhos. Cheia de gente que nunca foi como a inventei. Cheia de histórias que nunca aconteceram como pensei. Mas nunca cheguei a viver nada de mim.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Achei!



O traço do percurso da borboleta,
O pirlimpimpim da varinha da fada,
A coragem de olhar nos olhos do cego,
A trança que me leva à janela do castelo.
A seda trançada em meio ao cetim brilhoso.
A nota mágica que se esconde no violão,
O riso dos meus hábitos estouvados.
O cheiro do grão do café na manhã fria.
A mordaça que inibe a peçonha da jararaca.
A ervilha debaixo do travesseiro da princesa.
Os sapatinhos vermelhos que me levaram de novo à Oz.

quinta-feira, 16 de abril de 2009



Ama, bebe e cala.

Carta

Eu odeio a sensatez, odeio pés no chão, odeio harmonia, odeio equilíbrio, odeio relacionamentos saudáveis, odeio pessoas bem sucedidas, odeio abstêmios, odeio pessoas seguras de si, odeio famílias, odeio amor eterno, odeio deus, odeio o SUS, odeio férias perfeitas, odeio a educação, odeio o bom senso, odeio sorrisos de fotos, odeio solidariedade, odeio altruismo, odeio a felicidade, odeio o cristianismo, odeio movimentos sociais, odeio a fé, odeio a paz, odeio qualidade de vida, odeio a sanidade, odeio casamentos, odeio poupanças... São mentiras enormes e tão bem disfarçadas que fazem a humanidade correr atrás disso a vida toda, como idiotas que realmente são. Mentiras que fazem todos se sentirem culpados porque não as atingem! Ninguém está aqui para ser feliz ou para mudar o mundo. Quero viver, simplesmente. Quero deixar a vida passar, sentí-la invadindo meus pulmões, ora como um carinho, ora como um soco. Beijar você, beijar você... Mergulhar em livros, filmes, festas, copos de cerveja e seu corpo. Quero uma overdose de vida! Não vou mudar nada, não vou fazer diferença, não quero um mundo melhor, não quero viver com qualidade, não quero chegar aos oitenta anos, não quero ter sucesso. Ofereça-te a ti mesmo, o mais é nada.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Me lavaram o palato!
Mostrei a cúspide, sorri.
Das papilas eu senti.
Das pupilas revivi o que vi.





No bar -
bobagens ditas.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Do fastio total:

Da cerveja quente que não chama,
do telefone que não reclama,
do chá gelado que arde,
da música do gueto que me encarde,
das bocas que não se calam,
dos cheiros que não exalam,
da febre ardida que não esquenta,
do tempo frio que não venta,
de menos dor e mais tédio,
de menos amor e mais remédio,
de menos calor e mais assédio,

de menos eu e mais o alter ego.

segunda-feira, 13 de abril de 2009



Anteontem à noite quando não parecia tão próxima a hora da morte, recheei meu peito com estopa grossa e pensei que, estofado, não se ocuparia de outras bolas de algodão, de outros retalhos, de outros panos velhos, mas foi só mais um engano, um engano cotidiano, desses que acontecem nas tardes quentes em que prestamos mais atenção ao bolo que está sendo assado do que aos chiados estáticos da nossa pele.

De nada adiantou promover um canto confortável e macio para alguém, criar teias intrincadas de sentimentos, furtar para si o que ela tem de mais genuíno e doar para ela o que você tem de mais quente, de mais borbulhante, de mais perigoso;
Isso não adianta nada, os tecidos seguem agregando seus pedaços perdidos no mundo, incorporando para si os milhões de fios de seda, de algodão, de lã, de linho e constituindo lá dentro a estopa que protege meu peito das friagens, das bruscas quedas de temperatura, das ventanias, das geadas e de toda a sorte de variações climáticas possíveis.
Dessa vez, e que se ressalte: só dessa vez, você não era pano, era o contrário disso, era o delírio de uma tarde sem sedativos, era a tentativa do último gole de cachaça que faz voltar à terra todo o resto do litro, era a gota de chuva que pega singularmente na nuca e escorre pelas costas por dentro do casaco, era saudade que deita o mais forte dos homens em febre terçã.

- você ventou em mim.

sábado, 11 de abril de 2009



Não espere de mim,
uma coisa que você não me dá.
Mas espere assim, como criança que espera o natal,
quando eu enfim notar a nota que tua voz dá,
e se for a minha,
nao espere de mim,
porque já terá.


Então ele chorou. Não sabe ainda que depois de tudo, acabou.
Sente, pensa, dói, ama.
E é triste, mas ele não fez questão de mudar esse quadro de dor.
No dia do fim, ele estava feliz. Viu que ela estava diferente e perguntou:
-Tu tá estranha, que tu tem?
E ela disse.
Foi má, e admite, mas era o único jeito.
Ela deixou uma ou duas lágrimas azedas.
Foi-se, não olhou para trás, não mais fez questão de olhares.
Abdicava a profundeza prazerosa de uma mente excessivamente hesitante.
Ele copiosamente chorou, riu, gritou, gargalhou, fugiu, brigou, escandalizou.
Precisava do tempo de novo -de novo- admitia, para poder se curar, de novo, de uma nova cicatriz, inesperavelmente aquela nova chaga, que ali não parava de sangrar, e parecia que ele não fazia questão de tentar estancar.
Ele tinha dificuldade em entender. Não sabendo os motivos, fundia o cardíaco mental em pensamentos dessa vez pouco culpados, a não ser talvez pelos próprios excessos de si mesmo. Está cansado de culpa, de compreensão, de valor. Está cansado de tanta auto-piedade.
Então ele começou a maltratá-la. Passou a verbalizar, contar histórias, colocá-la no circo dos horrores como a mulher ogra.
Mas ali dentro daquele coração a chaga ainda não estancou. E ele se arrepende.
Lembra do passado e dos planos que tinha. Do anel que comprou, do pedido que por pouco fez.
E manda e-mails. Sem resposta.
Liga. Sem resposta.
Apela para a família dela. Sem resposta.
Uma resposta que ele esperava receber, nem que fosse um não dito com toda a raiva de um esbravejado rosto de porcelana.
Mas ele sabe que ela não se importa, que ela cala, que ela não escandaliza, grita ou machuca como ele fez. Apesar de ela saber que o silêncio é a pior resposta e a mais doída que um ser humano pode receber, e por isso ela o fez. Silêncio. Ela é má.
Ela cansa da insistência. Ele cansa de insistir, mas persiste.
Não há mais palavras que saiam da boca dele, mas ele tem um turbilhão de idéias e tanto a dizer, que desaba a chorar.
E ela é má. Má.
Vira as costas e vai embora.
Meu Deus, como essa mulher ficou má! Ela não era assim, ela tinha sentimentos, não podia ver ninguém chorar, chorava junto, não podia com dor, com tédio, com desigualdade, era a boneca com o coração de ouro e agora virou um robô.
Mas ele tinha culpa nisso tudo e sabia, sabia também que nada mais podia ser como antes e mais uma vez chorou com o coração apertado, porque fazia questão de lembrar dos anos vividos pra morrer mais uma vez.
Não sabia se porque era páscoa, e em feriados a única família que ele tinha era a dela, principalmente na páscoa, quando fazia e comia as coisas que amava junto dela.
Não sabia se era por isso ou se estava ficando mais sensível com o passar dos dias.
Mas ele a queria de volta.
Ia fazer de tudo pra ter.
Afinal, como uma vez ela disse, não é o amor que é uma fatia de maçã; é a paixão, que oxida, fica marrom, apodrece e morre.
E de amor ele sentia e entendia.
Mas ela tinha ficado má.
Aprendeu com as pessoas que conhceu, com os dias que vieram e com as coisas que ouviu, que para a sobrevivencia, devia ser má.
E ela estava.
Cruel, bruxa, frívola e má.



Um dia, uma dona de casa buscava gravetos para o fogão à lenha para fazer o almoço para sua família. Cortando o galho de uma árvore tombada, seu machado caiu no rio. A mulher suplicou a Deus que lhe ajudasse. Ele apareceu e perguntou:

- Por que você está chorando?
A mulher respondeu que seu machado havia caído no rio.
E Deus entrou no rio, de onde tirou um machado de ouro, e perguntou:
É este seu machado?
A nobre mulher respondeu:
-Não.
Deus entrou novamente no rio e tirou um machado de prata:
-É este o seu?
- Também não, respondeu a dona de casa
Deus voltou ao rio e tirou um machado de madeira, e perguntou
- É este teu machado?
- Sim, respondeu a nobilíssima mulher.

Deus estava contente com a sinceridade da mulher, e mandou-a de volta para casa, dando-lhe os três machados de presente.
Um dia, a mulher e seu amantíssimo marido estavam passeando no campos quando ele tropeçou e caiu no rio. A infeliz mulher, então, suplicou a Deus por ajuda. Ele apareceu e perguntou
-Mulher, por que você está chorando?
A mulher respondeu que seu esposo caíra no rio.
Imediatamente Deus mergulhou e tirou o Rodrigo Santoro, e perguntou:
- É este seu marido?
- Sim, sim, respondeu a mulher.
E Deus se enfureceu.
Mulher mentirosa!!! - exclamou.
Mas a mulher rapidamente se explicou:
-Deus, perdoe, foi um mal-entendido. Se eu dissesse que não, então o Senhor tiraria o Gianecchini do rio; depois, se eu dissesse que não era ele, o Senhor tiraria meu marido; e quando eu dissesse que sim, era ele, o Senhor mandaria eu ficar com os três. Mas eu sou uma humilde mulher, e não poderia cometer trigamia... Só por isso eu disse 'Sim' para o primeiro deles.
E Deus achou justo, e a perdoou.
Moral da história:

Mulher mente de um jeito que até Deus acredita.


(Autor desconhecido)

sexta-feira, 10 de abril de 2009



O bom da sexta santa,

é comer um quilo de camarão sem culpa, abusar do salmão até ficar laranja, experimentar fazer pirão de peixe e salada de batata com bacalhau.

É não estar nem aí para as convenções, não ir a igreja porque não faz sentido, se o sentido da morte não encontramos em uma batina ou numa hóstia (aquele pãozinho sem fermento que é abençoado pelas mãos de alguém tão pecador quanto eu).

Como um discurso decorado em latim pode me fazer entender a magnitude da vida, a grandeza de Deus, o sentido do amor, o valor da fé?

O lado bom da diocese é que depois de enforcarem bruxas, pobres e ateus e ditarem as regras de cristo com derramamento de sangue e dízimos, foi que eles dominaram as américas e inventaram feriados.

Para mim, todas as sextas são santas...

Mas já que se tem uma data no calendário em que não se trabalha e nem se come carne para celebrar, que se deguste!

E nada melhor para isso do que uma noite, graças a Deus, mal dormida, um café bem quente de manhã e nada de culpa no coração. Nada melhor do que chegar em casa com a cara amassada, o pé dormindo e o sorriso surgindo.

Se a sexta santa também é chamada de sexta da paixão, porque não?





_______________

E o mais legal, é que se eu tivesse escrito isso há alguns séculos, vocês estariam na frente da igreja matriz com tomates podres na mão, me assistindo subir no palanque da guilhotina. Santa religião católica!

quinta-feira, 9 de abril de 2009



Nada posso te dar que já não exista em você mesmo.
Não posso te abrir outro mundo de imagens,
além daquele que há em tua própria alma.
Nada posso te dar, a não ser
a oportunidade,
o impulso,
a chave!
Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo,
e isso é tudo.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Versos bobos

Construí uma redoma de energia.
Que não me deixa evaporar.
Capta tudo, mas nada entra.
Fala e olha, mas nada exporta.

A redoma me protege.
Dos miasmas terrenos.
Da angústia, falsidade.
Da louca, louca vontade.

É uma energia imantada.
Só chega perto quem atrai.
Pólos iguais se repulsam.
E meu pólo negativo não se distrai.

E ela tem umas figuras,
Imagens, desenhos e sons.
Pra quando o tédio fizer companhia
Eu não sinta minha habitual alergia.

A redoma me livrou a cara
Umas duas ou três vezes de evaporar
Quando quebrou deixei ela num canto
E de novo senti a injeção na jugular

Mas me concentrei
Com gosto e esmero a consertei
Me veio cheiro de mar e gosto de céu
Riso escondido tirou o véu.

Agora coleciono energias
Pra redoma não embaçar
Há necessidade interior de luz
Diamante dos amantes
Estilhaçados, alçados ao céu ao léu.
Imóveis, suspensos no ar.

Vou é me esbaldar
No que a redoma me traz
Pitonisar oxigênio relutante,
Despertar com sorriso cativante,
Espetar risos em faces duras
Pronunciar sons estimulantes

segunda-feira, 6 de abril de 2009

.

Levanta não, te pago outra vodca, quer? Só pra deixar eu falar mais na roda. Você é muito garoto, não entende dessas coisas.
Deixa você passar dos trinta, trinta e cinco, ir chegando nos quarenta e não casar e nem ter esses monstros que eles chamam de filhos, casa própria nem porra nenhuma. Acordar no meio da tarde, de ressaca, olhar sua cara arrebentada no espelho. Sozinho em casa, sozinho na cidade, sozinho no mundo. Vai doer tanto, menino. Ai como eu queria tanto agora ter uma alma portuguesa para te aconchegar ao meu seio e te poupar essas futuras dores dilaceradas. Como queria tanto saber poder te avisar: vai pelo caminho da esquerda, boy, que pelo da direita tem lobo mau e solidão medonha. (...)
Dá minha jaqueta, boy, que faz um puta frio lá fora e quando chega essa hora da noite eu me desencanto. Viro outra vez aquilo que sou todo dia, fechada sozinha perdida no meu quarto, longe da roda e de tudo: uma criança assustada.
Então me vens e me chega e me invades e me tomas e me pedes e me perdes e te derramas sobre mim com teus olhos sempre fugitivos e abres a boca para libertar novas histórias e outra vez me completo assim, sem urgências, e me concentro inteiro nas coisas que me contas, e assim calado, e assim submisso, te mastigo dentro de mim enquanto me apunhalas com lenta delicadeza deixando claro em cada promessa que jamais será cumprida, que nada devo esperar além dessa máscara colorida, que me queres assim porque assim que és...




(Caio F. Abreu)
;)

quinta-feira, 2 de abril de 2009

A valsa dos corações partidos.





Eu costumava dançar.

Eis que um dia meu pas de deux saiu torto, dei um nó nas sapatilhas com as polainas e eu caí.

Não quis mais aquele bailarino fazendo duo comigo.

Ele não acompanhava mais meus passos e compassos.

Foi a primeira vez que parti um coração.

Quando aconteceu, me senti livre daquela coisa toda forçada na marra, classuda que é o ballet, e pendurei as sapatilhas no cantinho do quarto.

Fui fazer jazz e street dance, que tinha a essência surtada como eu.

Gostei.

Mas enquanto isso aquele coração partido, que eu parti com o fio da navalha das minhas palavras, dançava ao som da tristeza de Astor Piazolla.

Virei demais a cabeça pra tentar enxergar aquela dança confusa em meio à tristeza arredia, me esquecendo que eu também dançava, e torci o tornozelo, desabando ao chão.

No chão percebi que naquele palco ao lado já não era mais Astor Piazolla, e sim uma música sangrenta, enchendo de ódio aquele lugar.

Eu já havia ouvido falar naquela música, diziam que ela tocava nos confins da Amazônia, Patagônia, e nos becos escuros dos corações solitários.

Mas nunca havia visto aquela coisa tão feia, gritante e desesperada em minha vida.

Parei de dançar.

Comecei a só olhar, e chorar.

Como um dançarino podia encenar aquilo? Quis apagar as luzes do meu palco e não mais voltar.

Foi então que mais uma luz se acendeu naquela arena.

Outro palco, outro dançarino.

Comecei a olhar e deu vontade de, de novo, dançar.

Que dança confusa, triste, mas bonita esse dançarino faz!

Notas que desconheço, piruetas incrivelmente errantes e um certo desapego àquela dança harmoniosa que me fez corar.

Dançava sutil, leve, calmo como uma música erudita.

Certeiro e concentrado como uma obra composta por Brahms.

Olhei por certo tempo, incrédula.

Fechei os olhos para ouvir o som daquela dança, e quando dei por mim, todas as luzes estavam acesas de novo.

Onde mesmo coloquei as sapatilhas?

Vamos valsar?

Iniciamos uma dança só de risadas, alegre como samba e com um ritmo elevado como o sapateado.

E foi então que me lembrei da morbidez do outro cenário, olhei em volta e uma suave luz amarelada envolvia aquele palco do lado de lá.

A música era melancólica dessa vez, de Edith Piaf cantando em cabarés, embalado não por uma dança, mas apenas por um movimento de cabeça do dançarino triste, que fitava minha nova dança feliz.

E do palco do lado de lá ele desceu, e pôs-se a ovacionar.

Eu nada entendia.

Ele ovacionava a mim posta a dançar e cantar!

Mas e eu quem era?

Não a artista. Não a dançarina. Não a cantora! Não a platéia, não a autora.

Só a moça que não queria parar de bailar e tinha medo da sapatilha de ponta quebrar.
Eu queria mesmo era impressionar o outro moço bailarino que devolveu a dança ao meu calcanhar.