Mano,
É tanta saudade desse sorriso lindo e dessa doçura no olhar.
Tua presença grita na tua ausência!
Cada gosto, cheiro ou coisa que eu vejo e me lembre de ti, me faz pensar em como sou abençoada por Deus em ter um serzinho tão especial na minha vida.
Ontem mesmo me lembrei das tantas vezes que tu me fez travessuras, e em tantas outras que me fez mergulhar na doçura de uma infância querida bem tratada e cuidada pelos teus abraços e sorrisos, mano querido que me ensinou a arte da alegria e da estrepolia...
Um anjinho endiabrado, que muito levado, me fez hoje lembrar... Das muitas vezes que a culpa era minha e ele sorria ao ser castigado e das outras vezes que o teu sorvete era mais gelado e assim sendo me doava de bom grado.
Das vezes que eu merecia, e nem por isso teu rosto de raiva se enchia, de como aprendi contigo maninho querido, a viver a vida de um jeitinho mais levinho, bonitinho e sempre com um sorrisinho que é pra tristeza e a cara feia do pobre de espírito afugentar.
TE AMO.
(Antigo)
sábado, 24 de abril de 2010
quarta-feira, 14 de abril de 2010
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Contos de Rei Arthur.
Um dia, o jovem rei Arthur foi surpreendido pelo monarca do reino vizinho enquanto caçava em um bosque de sua propriedade. O Rei vizinho poderia tê-lo matado no ato, pois tal era o castigo para quem violasse as leis da propriedade, contudo se comoveu ante a juventude e a simpatia de Arthur e lhe ofereceu a liberdade, desde que no prazo de um ano trouxesse a resposta a uma pergunta difícil.
A pergunta era: O que realmente as mulheres querem? Semelhante pergunta deixaria perplexo até o homem mais sábio. Ao jovem Arthur pareceu impossível respondê-la. Todavia, aquilo era melhor do que a morte, de modo que regressou a seu reino e começou interrogar as pessoas. A princesa, a rainha, as prostitutas, os monges, os sábios, o palhaço da côrte, em suma, todos, e ninguém soube dar uma resposta convincente. Porém, todos o aconselharam a consultar a velha bruxa, porque somente ela saberia a resposta. O preço seria alto, já que a velha bruxa era famosa em todo o reino pelo exorbitante preço cobrado pelos seus serviços. Chegou o último dia do ano e Arthur não teve mais remédio, a não ser recorrer à feiticeira. Ela aceitou dar-lhe uma resposta satisfatória, com uma condição: ela queria casar-se com Gawain, o cavaleiro mais nobre da Mesa Redonda e o amigo mais íntimo do Rei Arthur! O jovem Arthur a olhou horrorizado: era feíssima, tinha um só dente, desprendia um fedor que causava náuseas até a um cachorro, fazia ruídos obscenos, nunca havia conhecido uma criatura tão repugnante! Se acovardou diante daperspectiva de pedir ao seu melhor amigo para assumir essa carga terrível. Não obstante, ao inteirar-se do pacto proposto, Gawain afirmou que não era um sacrifício excessivo em troca da vida de seu melhor amigo e a preservação da Mesa Redonda. Anunciadas as bodas, a velha bruxa, com sua sabedoria infernal, disse: "O que realmente as mulheres querem é serem soberanas de suas próprias vidas"! Todos souberam no mesmo instante que a feiticeira havia dito uma grande verdade e que o jovem Rei Arthur estaria salvo. Assim foi: ao ouvir a resposta, o monarca vizinho devolveu-lhe a liberdade. Porém, que bodas tristes foram aquelas! Toda a côrte assistiu e ninguém se sentiu mais desgarrado, entre o alivio e a angústia, que o próprio Arthur. Gawain se mostrou cortês, gentil e respeitoso. A velha bruxa usou de seus piores hábitos, comeu sem usar talheres, emitiu ruídos e um mau cheiro espantoso. Chegou a noite de núpcias, quando Gawain, já preparado para ir para a cama, aguardava sua esposa. Mas ela apareceu como a mais linda e charmosa mulher que um homem poderia imaginar! Gawain ficou estupefato e lhe perguntou o que havia acontecido. A jovem lhe respondeu com um sorriso doce: como havia sido cortês, com a metade do tempo ela se apresentaria com aspecto horrível e a outra metade com aspecto de uma linda donzela. Então ela lhe perguntou: Qual ele preferiria para o dia e qual para a noite? Que pergunta cruel! Gawain se apressou em fazer cálculos: poderia ter uma jovem adorável durante o dia para exibir a seus amigos e à noite na privacidade de seu quarto uma bruxa espantosa, ou quem sabe ter de dia uma bruxa e uma jovem linda nos momentos íntimos de sua vida conjugal. Vocês, o que teriam preferido? O que teriam escolhido?
O nobre Gawain respondeu que a deixaria escolher por si mesma. Ao ouvir a resposta de Gawain, ela anunciou que seria uma linda jovem de dia e de noite, porque ele a havia respeitado e permitido ser dona de sua vida.
Moral da história: Não importa se a sua mulher é bonita ou feia, chata ou compreensiva.
No fundo, sempre é uma bruxa.
Ela se transformará de acordo com a forma que você a tratar.
A pergunta era: O que realmente as mulheres querem? Semelhante pergunta deixaria perplexo até o homem mais sábio. Ao jovem Arthur pareceu impossível respondê-la. Todavia, aquilo era melhor do que a morte, de modo que regressou a seu reino e começou interrogar as pessoas. A princesa, a rainha, as prostitutas, os monges, os sábios, o palhaço da côrte, em suma, todos, e ninguém soube dar uma resposta convincente. Porém, todos o aconselharam a consultar a velha bruxa, porque somente ela saberia a resposta. O preço seria alto, já que a velha bruxa era famosa em todo o reino pelo exorbitante preço cobrado pelos seus serviços. Chegou o último dia do ano e Arthur não teve mais remédio, a não ser recorrer à feiticeira. Ela aceitou dar-lhe uma resposta satisfatória, com uma condição: ela queria casar-se com Gawain, o cavaleiro mais nobre da Mesa Redonda e o amigo mais íntimo do Rei Arthur! O jovem Arthur a olhou horrorizado: era feíssima, tinha um só dente, desprendia um fedor que causava náuseas até a um cachorro, fazia ruídos obscenos, nunca havia conhecido uma criatura tão repugnante! Se acovardou diante daperspectiva de pedir ao seu melhor amigo para assumir essa carga terrível. Não obstante, ao inteirar-se do pacto proposto, Gawain afirmou que não era um sacrifício excessivo em troca da vida de seu melhor amigo e a preservação da Mesa Redonda. Anunciadas as bodas, a velha bruxa, com sua sabedoria infernal, disse: "O que realmente as mulheres querem é serem soberanas de suas próprias vidas"! Todos souberam no mesmo instante que a feiticeira havia dito uma grande verdade e que o jovem Rei Arthur estaria salvo. Assim foi: ao ouvir a resposta, o monarca vizinho devolveu-lhe a liberdade. Porém, que bodas tristes foram aquelas! Toda a côrte assistiu e ninguém se sentiu mais desgarrado, entre o alivio e a angústia, que o próprio Arthur. Gawain se mostrou cortês, gentil e respeitoso. A velha bruxa usou de seus piores hábitos, comeu sem usar talheres, emitiu ruídos e um mau cheiro espantoso. Chegou a noite de núpcias, quando Gawain, já preparado para ir para a cama, aguardava sua esposa. Mas ela apareceu como a mais linda e charmosa mulher que um homem poderia imaginar! Gawain ficou estupefato e lhe perguntou o que havia acontecido. A jovem lhe respondeu com um sorriso doce: como havia sido cortês, com a metade do tempo ela se apresentaria com aspecto horrível e a outra metade com aspecto de uma linda donzela. Então ela lhe perguntou: Qual ele preferiria para o dia e qual para a noite? Que pergunta cruel! Gawain se apressou em fazer cálculos: poderia ter uma jovem adorável durante o dia para exibir a seus amigos e à noite na privacidade de seu quarto uma bruxa espantosa, ou quem sabe ter de dia uma bruxa e uma jovem linda nos momentos íntimos de sua vida conjugal. Vocês, o que teriam preferido? O que teriam escolhido?
O nobre Gawain respondeu que a deixaria escolher por si mesma. Ao ouvir a resposta de Gawain, ela anunciou que seria uma linda jovem de dia e de noite, porque ele a havia respeitado e permitido ser dona de sua vida.
Moral da história: Não importa se a sua mulher é bonita ou feia, chata ou compreensiva.
No fundo, sempre é uma bruxa.
Ela se transformará de acordo com a forma que você a tratar.
(Desconheço o autor)
quinta-feira, 8 de abril de 2010
terça-feira, 6 de abril de 2010
Enquanto é escuro lá fora e a chuva derruba o lar e a vida de alguém, você pode parar e olhar para o seu lado? Você pode dar a mão ou a passagem para alguém pulando uma poça? Você pode deixar para olhar seu umbigo depois que você chegar na sua casa quente, tomar o seu banho quente, tomar o seu café quente, enquanto as pessoas aqui fora não tem mais uma casa, estão à deriva num rio que deveria ser uma estrada...e já não sabem definir a palavra "quente". Quem é você, senão mais um suscetível a ser o próximo a pedir ajuda?
Eu fico apavorada, quando num momento em que todo mundo precisa de ajuda, as pessoas só pensam nelas mesmas.
Terrível!
Eu fico apavorada, quando num momento em que todo mundo precisa de ajuda, as pessoas só pensam nelas mesmas.
Terrível!
segunda-feira, 5 de abril de 2010
És tu, ó impiedoso vilão, o algoz que agora me fere os olhos tal qual punhal!
És tu, minha mente nublada de raiva e rancor.
És tu o amargo deste licor venenoso que me tira a vida.
Caio na noite cálida, com faces da cor da lua,
obra do veneno que sorvi com o gosto amargo da tua traição.
Me despeço da vida agora, como quem se despede de seu carrasco,
e faço de ti o único culpado desta juventude interrompida pelo amor
que não me deste e dedicaste a outra senhora.
Quando te vi no alpendre a soprar no pé do ouvido de Aurora tuas juras,
não pude mais continuar a viver.
Para sempre vou te amar,
Joana.
Inácio terminou de ler a carta com as mãos trêmulas e as lágrimas rolando maçãs abaixo.
Lembrou-se das duas noites anteriores, quando Aurora apareceu em sua casa para lhe pedir ajuda, pois estava apaixonada por seu primo, Felício, e não sabia como dizê-lo.
Ele, que conhecia Felício há tantas primaveras sabia que Aurora seria a candidata perfeita, e cochicou em seu ouvido o dia, a hora e o local que ele havia bolado um plano para os dois se encontrarem.
Assim que Aurora saiu Inácio riu sozinho e lembrou-se de sua linda e amada noiva, Joana. Iriam se casar dali a 2 meses, e ele estava muito feliz.
Mas agora, lendo aquela carta e vendo o miúdo, gelado e branco corpo de sua amada ao seus pés, nada mais tinha sentido. A culpa e as dúvidas foram como uma névoa em sua cabeça, deixando-o cada vez mais confuso.
Ele havia dado todas as provas de que a amava! No primeiro instante que a viu ele se apaixonou por ela, e ela sabia disso. Deu presentes, cartas, juras e a pediu em casamento uma semana depois de conhecê-la.
Como esta tenra criatura poderia ter cometido tal desatino apenas por ter visto uma cena comprometedora?
Oh, Deus, porque ela não havia falado com ele, batido nele, gritado, terminado o compromisso?
Tudo menos isso....
Pegou nas mãos de Joana com carinho, fechou seus olhos vagarosamente, disse um "eu te amo" pela última vez com o pesar que agora trazia em seu coração, e olhou para o céu, fazendo uma sentida interrogação que assolaria sua mente pelo resto de sua vida:
"- Oh, Deus! Será que algum dia um homem conseguirá provar a uma mulher que a ama?"
És tu, minha mente nublada de raiva e rancor.
És tu o amargo deste licor venenoso que me tira a vida.
Caio na noite cálida, com faces da cor da lua,
obra do veneno que sorvi com o gosto amargo da tua traição.
Me despeço da vida agora, como quem se despede de seu carrasco,
e faço de ti o único culpado desta juventude interrompida pelo amor
que não me deste e dedicaste a outra senhora.
Quando te vi no alpendre a soprar no pé do ouvido de Aurora tuas juras,
não pude mais continuar a viver.
Para sempre vou te amar,
Joana.
Inácio terminou de ler a carta com as mãos trêmulas e as lágrimas rolando maçãs abaixo.
Lembrou-se das duas noites anteriores, quando Aurora apareceu em sua casa para lhe pedir ajuda, pois estava apaixonada por seu primo, Felício, e não sabia como dizê-lo.
Ele, que conhecia Felício há tantas primaveras sabia que Aurora seria a candidata perfeita, e cochicou em seu ouvido o dia, a hora e o local que ele havia bolado um plano para os dois se encontrarem.
Assim que Aurora saiu Inácio riu sozinho e lembrou-se de sua linda e amada noiva, Joana. Iriam se casar dali a 2 meses, e ele estava muito feliz.
Mas agora, lendo aquela carta e vendo o miúdo, gelado e branco corpo de sua amada ao seus pés, nada mais tinha sentido. A culpa e as dúvidas foram como uma névoa em sua cabeça, deixando-o cada vez mais confuso.
Ele havia dado todas as provas de que a amava! No primeiro instante que a viu ele se apaixonou por ela, e ela sabia disso. Deu presentes, cartas, juras e a pediu em casamento uma semana depois de conhecê-la.
Como esta tenra criatura poderia ter cometido tal desatino apenas por ter visto uma cena comprometedora?
Oh, Deus, porque ela não havia falado com ele, batido nele, gritado, terminado o compromisso?
Tudo menos isso....
Pegou nas mãos de Joana com carinho, fechou seus olhos vagarosamente, disse um "eu te amo" pela última vez com o pesar que agora trazia em seu coração, e olhou para o céu, fazendo uma sentida interrogação que assolaria sua mente pelo resto de sua vida:
"- Oh, Deus! Será que algum dia um homem conseguirá provar a uma mulher que a ama?"
domingo, 4 de abril de 2010
quarta-feira, 31 de março de 2010
Sylvia.
Carlos era um bom homem.
Mas ele estava apaixonado por um robô.
Ou quase um robô.
Ele comprou pela internet um software, em que você cria o seu robô na tela do seu computador, e ele faz o que você quiser pra você, em vídeos. Como um tamagosh, ou uma realidade virtual.
Todas as noites ele ia para a tela do computador e despia seu robô, enquanto Marina dormia.
Ficava imaginando cenas eróticas com Sylvia,e ele tinha dado esse nome à ela inspirado em sua atriz pornô preferida.
Fez vídeos virtuais dela nua, e sua mente dava tropeços enquanto olhava pasmo aquele corpo escultural e aquela mulher depravada.
Oh, como queria poder tocá-la!
Enquanto isso, Marina dormia. Ela era boa esposa, carinhosa, prestativa, bonita e educada. E ela amava ele.
Mas Carlos já havia se apaixonado por seu robô.
Um dia Marina desconfiou.
Checou e confirmou: Carlos tinha uma namorada virtual, uma robõ nua e depravada que fazia sexo oral no vídeo quando e como ele queria!
Primeiro ela não disse nada. Ficou à espreita toda vez que ele ia pra frente daquele computador. As reações dele a fizeram corar de ódio e uma nuvem negra pairou sobre ela. Ficou assim mais uma semana, só observando ele nas madrugadas. Via ele rindo, se deliciando com as imagens e dizendo:
- Sylvinha, te amo minha gata gostosa!
No domingo, com as malas prontas anunciou o fim do casamento de 20 anos deles, e explicou o porquê.
Carlos, pasmo, perguntou como ela tinha coragem de terminar uma relação estável por causa de uma mulher que nem existe na vida dele!
Ele disse ainda: Meu amor, não faça isso comigo, Sylvia não existe na realidade. Não é muito melhor assim do que se eu saísse, entrasse na primeira porta e transasse com uma mulher de verdade, te traindo?
Marina, com os olhos estalados, olhou incrédula pra ele e simplesmente respondeu,
- Claro.
Mas seus pensamentos diziam:
"como ele tem a coragem de desbravar um diálogo desses comigo? Então é isso realmente que ele quer, outra mulher além de mim apenas, e faz isso virtualmente pra que não escorregue na vida real? Será que ele não entende a minha humilhação ao perder para essa mulher sem gorduras e sem celulite que faz loucuras na cama? Será que ele não entende que eu perco toda a minha auto estima quando ele deixa de se deitar comigo para apenas olhar para ela? Será que eu não sou boa o bastante? Será que foi a minha barriga ou as minhas coxas grossas? Meu deus, o que foi que eu fiz de errado!?Há anos não ouço um elogio, ou um simples 'te amo' que saia dessa boca e esse tempo todo que eu me detonei achando que tinha que melhorar por ele, pra conquistar de novo os olhares dele, ele dizia isso a um robô."
Pegou as malas, confirmou a reserva no hotel e saiu.
E já que estava no hotel mesmo, resolveu que ia tirar umas férias.
Oh, mas Deus recompensa! Apesar da saudade de Carlos e do coração ferido por Sylvia, Marina estava vivendo os seus melhores dias de liberdade! Desde os tempos de solteira não sentia isso.
Tomava banhos de sol, banhos de piscina, água de côco, fazia sauna, massagem...tudo que podia.
Até que ela conheceu Ricardo.
Ricardo estava no mesmo hotel. Não era bonito, mas era engraçado e simpático. E principalmente, fazia ela se sentir uma princesa, dizia coisas doces a ela, como se ela fosse a mulher mais linda do mundo. Oh, fazia tempo que ela não se sentia tão adorada, e como toda mulher, adorou isso.
Começou a namorar Ricardo, e estava mais feliz do que nunca. Amou muito Carlos, mas ele não havia dado valor a ela, ou, pelo menos nunca demonstrou isso.
Marina e Ricardo foram morar juntos. Um dia, assistindo a um noticiário, viram Carlos na TV.
A notícia era:
"Homem com problemas mentais tenta entrar em computador"
Ele estava no hospital psiquiátrico machucado porque havia tentado este feito fantástico.
Depois que Marina se foi ele viu que Sylvia jamais poderia satisfazê-lo de verdade, e que sua ex-mulher era sim muito importante para ele. Viu que a vida real não tinha mais sentido sem Marina e "inventou" uma máquina para "entrar no computador" para poder viver com a sua ardente Sylvia.
Depois que Marina se foi ele viu que Sylvia jamais poderia satisfazê-lo de verdade, e que sua ex-mulher era sim muito importante para ele. Viu que a vida real não tinha mais sentido sem Marina e "inventou" uma máquina para "entrar no computador" para poder viver com a sua ardente Sylvia.
Pobre Carlos, viveu até o fim da vida no Pinel.
Vez em quando Marina levava frutas e doces a ele, conversava com ele, e mesmo louco ele sabia reconhecer isso e agradecia, às vezes chorava de saudade do tempo em que viviam juntos. Em momentos de lucidez pedia desculpas por ter estragado tudo, mas nesse ponto ele estalava o olho e dizia a ela:
-Ahhh... Mas que a Sylvia era muuuuito gostosa, isso ela era.
terça-feira, 30 de março de 2010
A jardineira.
Um dia eu me apaixonei por uma mulher.
De verdade.
Ela era tão bonita, doce e gentil!
E tinha um sorriso no rosto que deixava as flores tímidas. Ela tinha uma energia solar que aquecia o coração de quem a conhecia, e pra mim foi como uma mãe que me recebeu na vida dela de braços e coração abertos para que eu entrasse pela porta da frente e nunca mais saísse. Eu me apaixonei por ela como quem se apaixona pela vida.
Um amor desses fraternais quando a gente encontra uma alma irmã, mesmo sendo tão diferente de mim.
Ela é jardineira.
Ela tem quatro rosas mágicas, e que são extremamente valiosas. Ela todo dia acorda cedinho e antes mesmo de tomar o seu café da manhã, ela coloca luvas e vai até o seu canteiro, onde ela cuida, conversa e rega suas rosas. Vez ou outra ela encontra, numa de suas rosas, um afiado espinho que a faz sangrar, então ela sente dor e às vezes chora, mas basta lavar a ferida que ela volta a cuidar de suas rosas com um largo sorriso e todo aquele amor incondicional que ela guarda dentro dela.
Entrei na sua vida por acaso, e antes mesmo de conhecê-la, eu já havia me apaixonado pelo seu jardim. Como uma intrusa, e com uma grande dose de cara de pau, eu pedi a ela pra cuidar de uma de suas rosas.
No início foi assim: ela me ensinando a regar, eu trêmula a titubear.
Até que um dia sem menos nem mais eu me vi no meio do jardim, feito uma gérbera ao lado das rosas mágicas.
Ela havia me dado a dádiva de fazer parte daquele lindo jardim no quintal do coração dela.
Para as flores, o jardineiro é eterno.
E ela é.
Feliz aniversário Ana Maria Ramos Rosa.
A menina-mulher mais incrível que eu já conheci, e que me rega todos os dias.
segunda-feira, 29 de março de 2010
quinta-feira, 25 de março de 2010
quarta-feira, 17 de março de 2010
Era um apartamentico.
Desses bem pequenos e sem janelas.
Não cabiam as roupas no guarda-roupas e mal os dois podiam ficar de pé ao mesmo tempo no mesmo cômodo.
O que era engraçado era como um cubículo feito uma caixinha de fósforos podia dar tanta felicidade praqueles dois. Se viravam ali como se fosse um mundo colorido feito pra eles, e só pra eles.
Era como se aquela coisinha minúscula fosse um palco, um salão de danças, um atelier, um circo e algumas vezes até um ringue...
Era bagunçado, às vezes tinha louça na pia e toalha em cima da cama.
Mas foi ali que eles tiveram os melhores momentos entre os dois.
Foi ali que eles se conheceram a fundo, foi ali que tiveram a primeira briga feia, foi ali que choraram e riram, foi ali que se abraçaram, foi ali que falaram "eu te amo" com sinceridade absurda, foi ali que descobriram os defeitos mais secretos um do outro, e contaram segredos...
Há uns dias atrás os dois se entenderam de um jeito fascinante, como se um tivesse entrado dentro da alma do outro e entendido tudo.
Se olharam por um bom tempo e aceitaram juntos que agora ia ser amor pra valer, sem meias verdades e medidas desmedidas.
Era amor medidinho, pra não ter erro de transbordar ou faltar.
E desde então eles correm sérios riscos de não se largarem nunca mais...
Desses bem pequenos e sem janelas.
Não cabiam as roupas no guarda-roupas e mal os dois podiam ficar de pé ao mesmo tempo no mesmo cômodo.
O que era engraçado era como um cubículo feito uma caixinha de fósforos podia dar tanta felicidade praqueles dois. Se viravam ali como se fosse um mundo colorido feito pra eles, e só pra eles.
Era como se aquela coisinha minúscula fosse um palco, um salão de danças, um atelier, um circo e algumas vezes até um ringue...
Era bagunçado, às vezes tinha louça na pia e toalha em cima da cama.
Mas foi ali que eles tiveram os melhores momentos entre os dois.
Foi ali que eles se conheceram a fundo, foi ali que tiveram a primeira briga feia, foi ali que choraram e riram, foi ali que se abraçaram, foi ali que falaram "eu te amo" com sinceridade absurda, foi ali que descobriram os defeitos mais secretos um do outro, e contaram segredos...
Há uns dias atrás os dois se entenderam de um jeito fascinante, como se um tivesse entrado dentro da alma do outro e entendido tudo.
Se olharam por um bom tempo e aceitaram juntos que agora ia ser amor pra valer, sem meias verdades e medidas desmedidas.
Era amor medidinho, pra não ter erro de transbordar ou faltar.
E desde então eles correm sérios riscos de não se largarem nunca mais...
segunda-feira, 15 de março de 2010
Suave.
Passa agora a tempestade.
Voa pra longe, junto com a morna brisa que me toca, as lágrimas que um dia lhe chegaram e nunca caíram. E juntinho com o sol, que vem assim devagarzinho, vem de mansinho aquele amor medido direitinho, que cabe certinho dentro do meu e do teu coração.
quarta-feira, 10 de março de 2010
Uma vez eu tive um amigo muito querido.
Depois que peguei as malas e fui embora daquela cidade, ele nunca mais falou comigo.
Talvez eu precise pedir desculpas pela minha ausência, eu simplesmente saí voando sem olhar para trás. Fiz uma despedida e fui. A verdade é que eu sinto saudade das palavras reconfortantes que ele tinha sempre pra me dizer, das noites e noites afora que a madrugada ria com a gente, das nossas conversas intermináveis, dos momentos que só a gente viveu, felizes.
E tudo na vida que a gente passa a gente precisa aproveitar cada instante.
Porque passa como uma brisa, que vem de mansinho, nos toca e vai embora.
E é triste.
terça-feira, 9 de março de 2010
Espelho.ohlepsE
Vinte e um anos depois,
com uns quilinhos a mais, a pele mais branca, o cabelo mais comprido e as unhas mais mal cuidadas...
Aprendi a me aceitar.
Me olhei bem no espelho, e cada defeito que eu via tinha um lado positivo.
Gordurinhas, manchinhas, marcas, pintinhas...
Tudo o que há em minha pele é meu, e é lindo.
E pela primeira vez eu consigo dizer isso com sinceridade.
Esta semana pra mim tem sido muito feliz.
A partir do momento que eu passei a me aceitar, a me olhar no espelho do banheiro e no espelho da minha alma e ver beleza, tudo fluiu.
Os problemas que a gente têm são reflexos das nossas não-aceitações e dos nossos complexos.
Ainda tenho muitos complexos, mas são internos, não dá pra ver.
Tenho traumas, tenho marcas que não são na pele, são na alma...
Traumas secretos, que contei para uma unica pessoa, a pessoa que eu confio, a pessoa que eu gosto, a pessoa que eu converso, a pessoa que eu amo, e a pessoa que eu feri.
- Por orgulho, por medo de não-aceitação, por complexo, insegurança.-
E hoje eu escancaro um sorriso seguro pra mim mesma.
Me sentir capaz me torna melhor pra mim, melhor pra quem está a minha volta, porque só agora dá pra entender que qualquer problema que me cerca é um efeito de uma causa que EU cometi.
Tudo a minha volta é uma consequência do que eu fiz, do que eu faço, do que eu digo, do que eu sou.
E hoje eu sou feliz comigo, com os outros.
Tranquila, bonita, querida.
Eu posso, eu sou.
sexta-feira, 5 de março de 2010
Anjinho.
Quando ele queria, ia lá no guarda-roupas e tirava do cabide aquelas asas e aquela auréola... ele cuidava bem pra que ficassem bem branquinhos sempre, acho que colocava de molho no alvejante quando lavava.
Aí ele saía pela rua assim e ia conversar com seus amigos, com papai e mamãe, e como ele estava vestido daquele jeito, basicamente um santo, todos acreditavam nele, todos sentiam pena dele, todos eram a favor dele. Até auréola ele tem!!!
Já ela acordava todo dia igual; escabelada, desgrenhada e reclamando. Ia no guarda-roupa e pegava a primeira blusa que ela via, dava uma olhada por cima, via se estava mais ou menos limpa e saía. Quando ela queria conversar com seus amiguinhos ou com sua mamãe, ela falava a verdade. Não tinha medo de mostrar a sua roupinha doce e a sua fantasia assustadora, que ela usava uma ou outra vez, mas na maioria das vezes era um pouco das duas. Ela era meio errada, errava, andava torto e pedia desculpas, mas também queria receber.
Mas anjinho lá pede desculpas?
Anjo não é aquele ser que não precisa dar explicação e tem sempre razão?
Aí ela decidiu o seguinte, já que de qualquer jeito iam crucificá-la com palavras que foram soltas ao vento por ela usar um vestidinho bege meio sem graça ou uma roupa mais apimentada e a alma endiabrada,
que fosse por uma boa razão!
Quem vê anjo já foi pro céu.
Aí ele saía pela rua assim e ia conversar com seus amigos, com papai e mamãe, e como ele estava vestido daquele jeito, basicamente um santo, todos acreditavam nele, todos sentiam pena dele, todos eram a favor dele. Até auréola ele tem!!!
Já ela acordava todo dia igual; escabelada, desgrenhada e reclamando. Ia no guarda-roupa e pegava a primeira blusa que ela via, dava uma olhada por cima, via se estava mais ou menos limpa e saía. Quando ela queria conversar com seus amiguinhos ou com sua mamãe, ela falava a verdade. Não tinha medo de mostrar a sua roupinha doce e a sua fantasia assustadora, que ela usava uma ou outra vez, mas na maioria das vezes era um pouco das duas. Ela era meio errada, errava, andava torto e pedia desculpas, mas também queria receber.
Mas anjinho lá pede desculpas?
Anjo não é aquele ser que não precisa dar explicação e tem sempre razão?
Aí ela decidiu o seguinte, já que de qualquer jeito iam crucificá-la com palavras que foram soltas ao vento por ela usar um vestidinho bege meio sem graça ou uma roupa mais apimentada e a alma endiabrada,
que fosse por uma boa razão!
Quem vê anjo já foi pro céu.
Não sei receber elogio...
- Nossa, teu cabelo é tão lindo!
- Que é isso, tá enormeeee, cheio de pontas duplas, e antes ele era mais claro agora tá todo escuro, nada a ver..
- (...) ...
- Que é isso, tá enormeeee, cheio de pontas duplas, e antes ele era mais claro agora tá todo escuro, nada a ver..
- (...) ...
quinta-feira, 4 de março de 2010
terça-feira, 2 de março de 2010
Olhava pela janela do carro em pensamentos distantes.
Ouvia sem escutar as risadas dos outros que a acompanhavam, apenas olhava o nada. Nem paisagens, nem árvores, nem flores. Nada.
A mente submersa em seu próprio mundo, um jardim particular que ela gostava de ir todos os dias para tirar suas conclusões e refletir.
Chegou naquela casa grande e antiga, sorveu um gole de seu café quente e amargo enquanto ouvia aquela notas de Tom, e lembrava daqueles olhos que a encaravam naquela noite, desde a vinda dentro do carro. Aqueles olhos profundos que ela não conseguia tirar dos pensamentos. Havia tantas dúvidas que faziam a cabeça dela girar. Um "será" a perseguira durante toda a noite.
Mas ela sabia que não podia mais perder seu tempo pensando naqueles olhares. Tomou mais um gole de seu café e num fio de segundo deu uma olhadela, só por ver, e os olhos ainda não haviam parado de fitá-la.
Mas que diabos, ela pensou, e sorriu.
Lembrou do beijo... Aquele beijo apaixonado que ele havia dado nela sem que ela pudesse se defender, e ela adorou. Não podia, mas adorou aquele beijo cheio de paixão.
Ele também estava confuso pois era um desses rapazes como uns poucos que a gente vê, com sua imaculada moral. Ele gostava de fazer o que era certo e isso definitivamente não era, mas ele estava apaixonado e nada mais podia fazer pra se defender dessa paixão proibida.
Ela se sentia atraída por ele ao extremo, de modo que às vezes deixava isso aparecer para outros além dele, e isso estava ficando perigoso.
Deu mais uma olhadela, e os olhos continuavam ali no mesmo lugar, olhando pra ela com aquela admiração que a fazia corar. Baixou os olhos, não sabia mais o que fazer com aquela situação, ela era comprometida e ele não, mas ele sabia dos seus limites e mesmo assim, ou talvez por causa disso, ela achava que estava se apaixonando por ele também.
Sentia coisas estranhas na barriga quando ele entrava e a vontade de agarrá-lo se misturava com a vontade de não perder o noivo que ela tanto gostava.
Ouviu um sussurro em seu ouvido, um vulto por trás dela,
- Me encontra no jardim.
E ela foi, sorrateira ao encontro dele.
Beijaram-se como se o mundo fosse acabar ali, enquanto a reunião lá dentro continuava e o som alto das gargalhadas era ressoante. Voltou para dentro, trocou mais longos olhares com ele e pediu ao noivo para ir embora.
Dormiu e sonhou com ele, esse estranho que agora invadira sua mente.
Levantou cedo no outro dia, a cabeça girando de confusão, tomou um banho e foi trabalhar. Saiu junto com o noivo, como faziam todos os dias.
No ponto de ônibus seus caminhos se separavam e ela o beijou com vontade. Sentia-se culpada, ela gostava muito dele e em breve iam se casar. Era uma relação boa, apesar de meio turbulenta e afinal, ela o amava realmente.
No caminho para o seu trabalho recebeu uma mensagem de texto: "Já estou com saudades. Te espero as 17h aqui em casa. Beijos, linda!". Era ele. Ai, meu Deus, por que esse homem a atormentava? Porque mexia tanto com ela? Ele estava tirando a paz que ela sempre teve! E se o noivo descobrisse? Ai, meu Deus!
Apagou a mensagem na hora.
Ela intercalava os pensamentos e os sentimentos confusos entre o noivo e o outro.
As 17h em ponto ela estava na casa dele, e entrou o beijando fogosamente. Ele havia preparado um lanche da tarde com pães e vinhos e eles ficaram lá até as 19h30min, quando ela voltou para casa, feliz, apaixonada, revigorada. Parecia que ele a fazia esquecer dos problemas.
Parecia que ele, de alguma maneira fazia a relação dela com o seu noivo melhorar.
Ela parava de se dedicar tanto ao relacionamento e seu noivo ao sentir isso, dedicava-se um pouco mais. Era exatamente o que eles precisavam há anos! Menos dela, mais dele.
Um mês depois ela se casou numa linda cerimônia, ele estava lá, como padrinho do noivo. Eles se olharam muitas vezes durante o casamento.
Ela continuou fazendo suas visitas semanalmente a ele, esse amigo colorido e cordial padrinho de seu noivo, e assim sua vida era satisfatória como nunca foi.
O coração dela não havia sido feito para amar um só homem, ela devia isso a ela mesma, já que ela jamais se permitira viver sem se dedicar demais ao outro.
E agora que ela se permitia, nada podia ser mais feliz.
Ela era boa o bastante sim, e enfim ela sabia.
Ouvia sem escutar as risadas dos outros que a acompanhavam, apenas olhava o nada. Nem paisagens, nem árvores, nem flores. Nada.
A mente submersa em seu próprio mundo, um jardim particular que ela gostava de ir todos os dias para tirar suas conclusões e refletir.
Chegou naquela casa grande e antiga, sorveu um gole de seu café quente e amargo enquanto ouvia aquela notas de Tom, e lembrava daqueles olhos que a encaravam naquela noite, desde a vinda dentro do carro. Aqueles olhos profundos que ela não conseguia tirar dos pensamentos. Havia tantas dúvidas que faziam a cabeça dela girar. Um "será" a perseguira durante toda a noite.
Mas ela sabia que não podia mais perder seu tempo pensando naqueles olhares. Tomou mais um gole de seu café e num fio de segundo deu uma olhadela, só por ver, e os olhos ainda não haviam parado de fitá-la.
Mas que diabos, ela pensou, e sorriu.
Lembrou do beijo... Aquele beijo apaixonado que ele havia dado nela sem que ela pudesse se defender, e ela adorou. Não podia, mas adorou aquele beijo cheio de paixão.
Ele também estava confuso pois era um desses rapazes como uns poucos que a gente vê, com sua imaculada moral. Ele gostava de fazer o que era certo e isso definitivamente não era, mas ele estava apaixonado e nada mais podia fazer pra se defender dessa paixão proibida.
Ela se sentia atraída por ele ao extremo, de modo que às vezes deixava isso aparecer para outros além dele, e isso estava ficando perigoso.
Deu mais uma olhadela, e os olhos continuavam ali no mesmo lugar, olhando pra ela com aquela admiração que a fazia corar. Baixou os olhos, não sabia mais o que fazer com aquela situação, ela era comprometida e ele não, mas ele sabia dos seus limites e mesmo assim, ou talvez por causa disso, ela achava que estava se apaixonando por ele também.
Sentia coisas estranhas na barriga quando ele entrava e a vontade de agarrá-lo se misturava com a vontade de não perder o noivo que ela tanto gostava.
Ouviu um sussurro em seu ouvido, um vulto por trás dela,
- Me encontra no jardim.
E ela foi, sorrateira ao encontro dele.
Beijaram-se como se o mundo fosse acabar ali, enquanto a reunião lá dentro continuava e o som alto das gargalhadas era ressoante. Voltou para dentro, trocou mais longos olhares com ele e pediu ao noivo para ir embora.
Dormiu e sonhou com ele, esse estranho que agora invadira sua mente.
Levantou cedo no outro dia, a cabeça girando de confusão, tomou um banho e foi trabalhar. Saiu junto com o noivo, como faziam todos os dias.
No ponto de ônibus seus caminhos se separavam e ela o beijou com vontade. Sentia-se culpada, ela gostava muito dele e em breve iam se casar. Era uma relação boa, apesar de meio turbulenta e afinal, ela o amava realmente.
No caminho para o seu trabalho recebeu uma mensagem de texto: "Já estou com saudades. Te espero as 17h aqui em casa. Beijos, linda!". Era ele. Ai, meu Deus, por que esse homem a atormentava? Porque mexia tanto com ela? Ele estava tirando a paz que ela sempre teve! E se o noivo descobrisse? Ai, meu Deus!
Apagou a mensagem na hora.
Ela intercalava os pensamentos e os sentimentos confusos entre o noivo e o outro.
As 17h em ponto ela estava na casa dele, e entrou o beijando fogosamente. Ele havia preparado um lanche da tarde com pães e vinhos e eles ficaram lá até as 19h30min, quando ela voltou para casa, feliz, apaixonada, revigorada. Parecia que ele a fazia esquecer dos problemas.
Parecia que ele, de alguma maneira fazia a relação dela com o seu noivo melhorar.
Ela parava de se dedicar tanto ao relacionamento e seu noivo ao sentir isso, dedicava-se um pouco mais. Era exatamente o que eles precisavam há anos! Menos dela, mais dele.
Um mês depois ela se casou numa linda cerimônia, ele estava lá, como padrinho do noivo. Eles se olharam muitas vezes durante o casamento.
Ela continuou fazendo suas visitas semanalmente a ele, esse amigo colorido e cordial padrinho de seu noivo, e assim sua vida era satisfatória como nunca foi.
O coração dela não havia sido feito para amar um só homem, ela devia isso a ela mesma, já que ela jamais se permitira viver sem se dedicar demais ao outro.
E agora que ela se permitia, nada podia ser mais feliz.
Ela era boa o bastante sim, e enfim ela sabia.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Concentração.
Ô mundão difícil.
Haja tato pra saber o que fazer em cada situação.
Eu juro que ainda não aprendi. Aí num rompante acontece o inimaginável e você começa a enxergar o fundo daquele poço que um dia você superou, e tudo bem... nada que um Prozac e uns pulsos cortados não resolva.
E quem é forte o bastante pra se conter com os empurrões ao abismo que a gente leva?
Tem uns e outros aí se achando forte, achando que o sofrimento não afeta as mentes humanas.
Até hoje não vi ninguém que tenha caído num abismo, ou simplesmente que tenha levado um tombo qualquer, levantar sem arranhões e marcas...
E tudo bem que as vezes a energia do corpo acabe, que a leveza que eu gosto tanto se transforme em toneladas, que o sorriso venha acompanhado de sarcasmo ou educação... Tudo bem.
Tudo bem que é obrigatório para ser humano não entender que as palavras que são ditas ficam encravadas na nossa carne, e quando desditas, levam um tempo pra cicatrizar...
então melhor não encostar, não lembrar, não mexer pra não sangrar. Mas mesmo assim até a mais serena das criaturas machuca as outras com palavras não pensadas.
Aí eu guardo as minhas fraquezas num potinho, e tento lacrar bem a tampa... Mas basta uma distração, uma bem pequenina, que ele abre mesmo assim, e surgem elas pra me maltratar e sou eu quem começo a querer me guardar num potinho longe de tudo.
Antes eu saía a gritar por alguém que me salvasse...de mim. Isso porque eu me sofro demais. Agora já me vesti toda de branco, respirei fundo e me fiz um acordo de paz. Me embebi em concentração pra tentar me fazer rir a toda hora e a todo custo... Mas descobri que também tem hora pra não rir.
E eu já fui uma dessas sozinhas sem-amor que jura que não precisa de ninguém pra ser feliz e saí em desatino por aí a beijar bocas vazias e cheias de tédio. Então eu olhei pra mim, olhei bem pra mim... e tinha um buraco vazio bem aqui dentro, que às vezes crescia e me fazia desaparecer. Acrescentei mais algumas clausulas no acordo... Melhor que paz é amor. E comecei a amar demais, demais mesmo. Intensa, eu fui e sou. Mas amar demais funciona? E se machucar? Voar alto só dá um tombo maior?
Então eu agora começo a entender porque existem essas pessoas meio invísiveis que a gente chama de "sem graça". Não são engraçadas, são tímidas e só vivem de trabalho e estudo, certinhas demais. É ó-bvio! Isso tudo é precaução... ninguém quer sofrer demais!!!!
E quem vive intensamente sofre mais que o normal, sofre até tomar veneno de rato e chora até vendo novela de Manoel Carlos.
É... haja concentração pra conseguir ter precaução e viver uma vida "sem graça" e sem dor.
Sem dor. Sem dor.
E eu já fui uma dessas sozinhas sem-amor que jura que não precisa de ninguém pra ser feliz e saí em desatino por aí a beijar bocas vazias e cheias de tédio. Então eu olhei pra mim, olhei bem pra mim... e tinha um buraco vazio bem aqui dentro, que às vezes crescia e me fazia desaparecer. Acrescentei mais algumas clausulas no acordo... Melhor que paz é amor. E comecei a amar demais, demais mesmo. Intensa, eu fui e sou. Mas amar demais funciona? E se machucar? Voar alto só dá um tombo maior?
Então eu agora começo a entender porque existem essas pessoas meio invísiveis que a gente chama de "sem graça". Não são engraçadas, são tímidas e só vivem de trabalho e estudo, certinhas demais. É ó-bvio! Isso tudo é precaução... ninguém quer sofrer demais!!!!
E quem vive intensamente sofre mais que o normal, sofre até tomar veneno de rato e chora até vendo novela de Manoel Carlos.
É... haja concentração pra conseguir ter precaução e viver uma vida "sem graça" e sem dor.
Sem dor. Sem dor.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Era um homem desses normais que a gente encontra por aí.
Acordava todo o dia cedo, tomava café, ia trabalhar. A mesma rotina, a mesma vida, e todo o dia, o mesmo dia.
Era bem sucedido, até gostava do que fazia, tinha uma grande família, tinha alguns amigos.
Não era sozinho, mas também não tinha um amor de tirar o fôlego desses que às vezes a gente vê surgir. Era aquilo que ele tinha, e pronto.
Depois de um tempo havia se conformado a passar os dias sem aquele friozinho na barriga que antes o fazia idolatrar a sua bem vivida vida. Depois de um tempo sem adrenalina ou coração aos pulos, passou a beber mais, comer mais, se exercitar menos e a gostar mais do que não é devidamente possível, e só não era porque agora ele tinha preguiça de correr atrás.
E depois de um tempo, esse tempo foi se tornando longo, as horas do dia cada vez maiores, e no fim do dia diminuía a vontade de voltar para a mesma casa em que ainda morava, onde sua mãe preparava um reconfortante jantar para eles dois, e às vezes para sua estonteante namorada, a quem ele adorava o sexo, e pronto.
Era um homem de meia idade, e tão bonito! Era inteligente e tinha uma sapequice que sapecava no olhar bonito do mar. E onde ele ia, elas iam atrás. Ele surgia na porta e todas elas olhavam no tempo em que suas mentes o imaginavam beijando os lábios delas. Elas o desejavam. Elas ficavam nervosas na presença dele.
Riam sem parar, falavam besteiras para provocá-lo, e algumas indiscretas faziam convites tentadores.
Ele gostava dessa adoração, fazia se sentir mais bonito, mas já tinha um tempo que ele não queria mais essa vida vazia de conquistas fulgazes. Ele era um homem de verdade, e ele não sabia, mas isso as deixava ainda mais loucas por ele.
Ele era um homem bom, e tinha um coração de ouro, um coração que agora estava sem muitas pretensões de pulsar forte como antigamente. Ele ainda não arriscava testar sua sorte.
No fundo ele queria correr pela chuva, gritar no meio do mato, se apaixonar pelo proibido, dançar em cima
do muro, beijar de cabeça pra baixo, rir até doer a barriga, dormir sem roupas, sentir no peito a sua vida.
Mas ele era apenas um homem, desses normais que a gente encontra por aí.
Isso porque sua conformidade se apossara dele, e dele fez despir.
Acordava todo o dia cedo, tomava café, ia trabalhar. A mesma rotina, a mesma vida, e todo o dia, o mesmo dia.
Era bem sucedido, até gostava do que fazia, tinha uma grande família, tinha alguns amigos.
Não era sozinho, mas também não tinha um amor de tirar o fôlego desses que às vezes a gente vê surgir. Era aquilo que ele tinha, e pronto.
Depois de um tempo havia se conformado a passar os dias sem aquele friozinho na barriga que antes o fazia idolatrar a sua bem vivida vida. Depois de um tempo sem adrenalina ou coração aos pulos, passou a beber mais, comer mais, se exercitar menos e a gostar mais do que não é devidamente possível, e só não era porque agora ele tinha preguiça de correr atrás.
E depois de um tempo, esse tempo foi se tornando longo, as horas do dia cada vez maiores, e no fim do dia diminuía a vontade de voltar para a mesma casa em que ainda morava, onde sua mãe preparava um reconfortante jantar para eles dois, e às vezes para sua estonteante namorada, a quem ele adorava o sexo, e pronto.
Era um homem de meia idade, e tão bonito! Era inteligente e tinha uma sapequice que sapecava no olhar bonito do mar. E onde ele ia, elas iam atrás. Ele surgia na porta e todas elas olhavam no tempo em que suas mentes o imaginavam beijando os lábios delas. Elas o desejavam. Elas ficavam nervosas na presença dele.
Riam sem parar, falavam besteiras para provocá-lo, e algumas indiscretas faziam convites tentadores.
Ele gostava dessa adoração, fazia se sentir mais bonito, mas já tinha um tempo que ele não queria mais essa vida vazia de conquistas fulgazes. Ele era um homem de verdade, e ele não sabia, mas isso as deixava ainda mais loucas por ele.
Ele era um homem bom, e tinha um coração de ouro, um coração que agora estava sem muitas pretensões de pulsar forte como antigamente. Ele ainda não arriscava testar sua sorte.
No fundo ele queria correr pela chuva, gritar no meio do mato, se apaixonar pelo proibido, dançar em cima
do muro, beijar de cabeça pra baixo, rir até doer a barriga, dormir sem roupas, sentir no peito a sua vida.
Mas ele era apenas um homem, desses normais que a gente encontra por aí.
Isso porque sua conformidade se apossara dele, e dele fez despir.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Bagunça.
Ok,ok... estou meio relapsa com tantas coisas!
Não respondo meus emails, não coloco cartão pra responder as mensagens, no orkut nem dou sinal de vida e além disso estou distante quilômetros e quilômetros dos pais e dos amigos.
Minha vida está meio bagunçada e eu não acho tempo nem coragem pra organizar as coisas. E por estar assim, as pessoas acham que eu sou fria.
Mas eu não sou não... Só estou começando uma nova vida, numa nova cidade, com um novo emprego, com uma nova casa, em um novo relacionamento, e apesar de ser tudo muito excitante é tudo muito complicado também, e nada fácil.
Mas eu posso sumir do mapa, e mesmo assim, quando eu voltar estarei com os mesmos sentimentos bonitos pelos meus amigos.
Desculpem se ando meio desligada, mas essa é minha principal característica.
;)
Não respondo meus emails, não coloco cartão pra responder as mensagens, no orkut nem dou sinal de vida e além disso estou distante quilômetros e quilômetros dos pais e dos amigos.
Minha vida está meio bagunçada e eu não acho tempo nem coragem pra organizar as coisas. E por estar assim, as pessoas acham que eu sou fria.
Mas eu não sou não... Só estou começando uma nova vida, numa nova cidade, com um novo emprego, com uma nova casa, em um novo relacionamento, e apesar de ser tudo muito excitante é tudo muito complicado também, e nada fácil.
Mas eu posso sumir do mapa, e mesmo assim, quando eu voltar estarei com os mesmos sentimentos bonitos pelos meus amigos.
Desculpem se ando meio desligada, mas essa é minha principal característica.
;)
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Num pedaço de pau em cima daquela árvore
Em meio ao barulho quieto do mato
Entre aquelas folhas verdes e molhadas
Do sereno que passou e deixou rastro
Canta um pobre solitário na quietude
Um rouxinol triste fugindo do sol
Nas asas, fogo, e um cordão no pescoço
Seu canto chora por ser só, um rouxinol
E sua voz entorna um pranto
Sua música dança entre as dálias
Entrega melancolia pelo pântano
Contorna o fluxo das águas
Mas o pobre pássaro ainda canta
Num suspiro melodioso, voa com dor
E morre no primeiro acorde, no primeiro pulo
Morre sem saber o que é o amor
Em meio ao barulho quieto do mato
Entre aquelas folhas verdes e molhadas
Do sereno que passou e deixou rastro
Canta um pobre solitário na quietude
Um rouxinol triste fugindo do sol
Nas asas, fogo, e um cordão no pescoço
Seu canto chora por ser só, um rouxinol
E sua voz entorna um pranto
Sua música dança entre as dálias
Entrega melancolia pelo pântano
Contorna o fluxo das águas
Mas o pobre pássaro ainda canta
Num suspiro melodioso, voa com dor
E morre no primeiro acorde, no primeiro pulo
Morre sem saber o que é o amor
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Tenho por ti uma adoração que me é estranha.
Gosto de te pôr perto das minhas estrelas,
aonde as crianças estão penduradas em cordas.
Gosto de te olhar por muito tempo e te ouvir falar,
aonde a tua voz é uma rua baldia.
Gosto de imaginar as coisas que eu não sei,
aonde o sonho é um sopro que se esvai.
E me vejo caindo num abismo de ilusões,
mas gosto de me ver assim,
quando minh'alma também cai.
Gosto de te pôr perto das minhas estrelas,
aonde as crianças estão penduradas em cordas.
Gosto de te olhar por muito tempo e te ouvir falar,
aonde a tua voz é uma rua baldia.
Gosto de imaginar as coisas que eu não sei,
aonde o sonho é um sopro que se esvai.
E me vejo caindo num abismo de ilusões,
mas gosto de me ver assim,
quando minh'alma também cai.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Ora, veja só.
Te encontrei na rua depois daqueles nossos dias
Te vi me olhar, pairando em agonia.
Me despedi da conformidade e quis de novo sofrer por você.
Ora veja só,
De novo por ti me perdi. Meus sonhos, cadê?
Tua pele quase prateada e eu a te espiar de viés;
Como criança atrás da porta descobrindo segredos antigos de uma mulher.
Ora, veja só.
Meu samba e minha vida agora sem tua metade.
Minha pele a se apaixonar cada vez mais por essa saudade.
E em meu peito, essa dulcissima e doída dor.
Ora, veja só.
Eu a escrever teu nome em cada conto com louvor.
Eu a pisar no meu calo antigo, criando novas feridas.
Gostando do que sentia, por só assim estar contigo.
Ora, veja só.
Quantas vezes teus olhos me farão encontrar a luz?
E vou cavar em mim o que já não existe.
Por você serei cego carregando esta cruz.
Ora, veja só.
E se me pedires pra ficar, amor, digo não.
Ou todos esses meus ternos e duros dias de sofrimento,
Teria eu metricamente sofrido, e vivido, e aprendido, em vão.
.
Te encontrei na rua depois daqueles nossos dias
Te vi me olhar, pairando em agonia.
Me despedi da conformidade e quis de novo sofrer por você.
Ora veja só,
De novo por ti me perdi. Meus sonhos, cadê?
Tua pele quase prateada e eu a te espiar de viés;
Como criança atrás da porta descobrindo segredos antigos de uma mulher.
Ora, veja só.
Meu samba e minha vida agora sem tua metade.
Minha pele a se apaixonar cada vez mais por essa saudade.
E em meu peito, essa dulcissima e doída dor.
Ora, veja só.
Eu a escrever teu nome em cada conto com louvor.
Eu a pisar no meu calo antigo, criando novas feridas.
Gostando do que sentia, por só assim estar contigo.
Ora, veja só.
Quantas vezes teus olhos me farão encontrar a luz?
E vou cavar em mim o que já não existe.
Por você serei cego carregando esta cruz.
Ora, veja só.
E se me pedires pra ficar, amor, digo não.
Ou todos esses meus ternos e duros dias de sofrimento,
Teria eu metricamente sofrido, e vivido, e aprendido, em vão.
.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Épico?
Não há hipocrisia no meu andar, no meu penar.
É isso aí mesmo, a gente na condição de humano faz as coisas certas e as coisas erradas.
Eu guardo dentro de mim um bem e um mal.
Uma metade lago e outra furacão.
Um pouco de tristeza, um pouco de frieza, um pouco de candura.
Eu sou assim mesmo,
Metade força, metade ternura.
Metade seguir a linha reta,
Metade fugir com a loucura.
E não nego a minha condição.
Todo mundo tem um monstro.
E quem acha não tem, não enxerga que está sendo ele nesse momento.
Então não me venha com falsos moralismos, que comigo não funciona.
Não me venha falar de prisões e afetos,
Que não há mocinho e vilão em qualquer história.
Tudo que há,
É o lado que você prefere acreditar.
Julgue a ti mesmo,
o resto é sacanagem.
É isso aí mesmo, a gente na condição de humano faz as coisas certas e as coisas erradas.
Eu guardo dentro de mim um bem e um mal.
Uma metade lago e outra furacão.
Um pouco de tristeza, um pouco de frieza, um pouco de candura.
Eu sou assim mesmo,
Metade força, metade ternura.
Metade seguir a linha reta,
Metade fugir com a loucura.
E não nego a minha condição.
Todo mundo tem um monstro.
E quem acha não tem, não enxerga que está sendo ele nesse momento.
Então não me venha com falsos moralismos, que comigo não funciona.
Não me venha falar de prisões e afetos,
Que não há mocinho e vilão em qualquer história.
Tudo que há,
É o lado que você prefere acreditar.
Julgue a ti mesmo,
o resto é sacanagem.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Eu apenas queria que você soubesse
Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo presa na poeira
Eu apenas queria que você soubesse
Que esta menina hoje é uma mulher
E que esta mulher é uma menina
Que colheu seu fruto, flor do seu carinho
Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também
E que a atitude de recomeçar é todo dia e toda hora
É se respeitar na sua força e fé
E se olhar bem fundo até o dedão do pé
Eu apenas queria que você soubesse
Que essa criança brinca nesta roda
E não teme o corte das novas feridas
Pois tem a saúde que aprendeu com a vida.
Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo presa na poeira
Eu apenas queria que você soubesse
Que esta menina hoje é uma mulher
E que esta mulher é uma menina
Que colheu seu fruto, flor do seu carinho
Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também
E que a atitude de recomeçar é todo dia e toda hora
É se respeitar na sua força e fé
E se olhar bem fundo até o dedão do pé
Eu apenas queria que você soubesse
Que essa criança brinca nesta roda
E não teme o corte das novas feridas
Pois tem a saúde que aprendeu com a vida.
Gonzaguinha
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Teus olhos fixos nos meus.
Me deu uma vontade de sorrir.
E eu ri, meio envergonhada.
Sem saber o que fazer tentando me aparecer pra que você notasse.
Não consegui ler as linhas nubladas de teu olhar.
Sou eu muito devassa, ou só notei o que você não disse?
Você é um mistério que me encanta.
Eu sei que estou insana e essa idéia me atinge como punhal.
E essa paixão descarada se mascara quando se intimida com teu olhar.
Há em você essa beleza inteligente, estranha.
Que me olha, me encara, me deixando nua.
Minha cabeça girando com idéias sobre você.
Sobre tua voz suave e teu corpo que me chama.
Sobre essa beleza e a tua compostura.
Uma postura de rei.
E estranhamente me apaixonei.
Me deu uma vontade de sorrir.
E eu ri, meio envergonhada.
Sem saber o que fazer tentando me aparecer pra que você notasse.
Não consegui ler as linhas nubladas de teu olhar.
Sou eu muito devassa, ou só notei o que você não disse?
Você é um mistério que me encanta.
Eu sei que estou insana e essa idéia me atinge como punhal.
E essa paixão descarada se mascara quando se intimida com teu olhar.
Há em você essa beleza inteligente, estranha.
Que me olha, me encara, me deixando nua.
Minha cabeça girando com idéias sobre você.
Sobre tua voz suave e teu corpo que me chama.
Sobre essa beleza e a tua compostura.
Uma postura de rei.
E estranhamente me apaixonei.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Crescer dá trabalho.
A gente aprende a projetar um plano de ação pra nossa vida. E é frustrante.
E a gente nem pode usar mais as nossas asas e sair a voar pelo mundo nas manhãs de sol!
A gente sempre é mal compreendido.
Não importa com quantas letras você explicar, sempre haverá alguém que vai entender de outra forma e se magoar.
A gente tem que aprender a ganhar dinheiro.
Pra conseguir pouco, trabalhar muito. Essa é a regra.
E a maioria das vezes, as pessoas não fazem o que querem ou o que gostam, mas a sobrevivência é necessária, então julgam que a felicidade vem logo ali, do ladinho da conformidade.
A gente sempre acaba ficando triste.
Adulto tem mania de ficar triste com tudo. Inventou a depressão quando precisou chamar a atenção e conseguiu definí-la como doença. Adorou.
E ai começou a sentir isso por qualquer motivo.
Pela pobreza, pela guerra, pelo terremoto, pelo emprego, pela chuva, pela lama, pelo amor.
Ah, o amor...
Ainda tem isso, o coração entregue.
A gente entrega o coração pra alguém, e a partir desse momento, não importa quem seja e se você é correspondido, você nunca mais viverá seguro.
Sempre haverá perguntas ambulantes em sua cabeça; Se o outro te ama, se ele está feliz, se você o faz bem, se o sexo é bom, se ele pretende ficar com você por muito tempo...
Bendita hora que Deus inventou a infância!
A melhor fase da vida na terra.
Onde a gente só obedece papai e mamãe.
Sem responsabilidades, sem escolhas, sem renúncias.
Mas é esse perrengue que nos dá valor, moral, ética.
É ele que nos dá liberdade de seguir nosso caminho sem medo.
É ele que faz a insegurança do amor ser só um detalhe, e o amor ser um aprendizado que nos molda com a forma sublime de diamantes lapidados com sabedoria.
E tem muita gente grande que ainda não cresceu, que vive na asa do papai, que não sabe aprender com as durezas da vida, com a dor ou com palavras ásperas.
As pessoas crescem de tamanho de acordo com seu modo de vida.
Tem pessoas pequenininhas que são gigantes!
E pessoas com alma de criança, mas que sabem lidar muito bem com o mundo dos adultos.
Crescer é chato sim, e trabalhoso, mas constrói um caráter e formula uma vida de sucesso.
E a gente nem pode usar mais as nossas asas e sair a voar pelo mundo nas manhãs de sol!
A gente sempre é mal compreendido.
Não importa com quantas letras você explicar, sempre haverá alguém que vai entender de outra forma e se magoar.
A gente tem que aprender a ganhar dinheiro.
Pra conseguir pouco, trabalhar muito. Essa é a regra.
E a maioria das vezes, as pessoas não fazem o que querem ou o que gostam, mas a sobrevivência é necessária, então julgam que a felicidade vem logo ali, do ladinho da conformidade.
A gente sempre acaba ficando triste.
Adulto tem mania de ficar triste com tudo. Inventou a depressão quando precisou chamar a atenção e conseguiu definí-la como doença. Adorou.
E ai começou a sentir isso por qualquer motivo.
Pela pobreza, pela guerra, pelo terremoto, pelo emprego, pela chuva, pela lama, pelo amor.
Ah, o amor...
Ainda tem isso, o coração entregue.
A gente entrega o coração pra alguém, e a partir desse momento, não importa quem seja e se você é correspondido, você nunca mais viverá seguro.
Sempre haverá perguntas ambulantes em sua cabeça; Se o outro te ama, se ele está feliz, se você o faz bem, se o sexo é bom, se ele pretende ficar com você por muito tempo...
Bendita hora que Deus inventou a infância!
A melhor fase da vida na terra.
Onde a gente só obedece papai e mamãe.
Sem responsabilidades, sem escolhas, sem renúncias.
Mas é esse perrengue que nos dá valor, moral, ética.
É ele que nos dá liberdade de seguir nosso caminho sem medo.
É ele que faz a insegurança do amor ser só um detalhe, e o amor ser um aprendizado que nos molda com a forma sublime de diamantes lapidados com sabedoria.
E tem muita gente grande que ainda não cresceu, que vive na asa do papai, que não sabe aprender com as durezas da vida, com a dor ou com palavras ásperas.
As pessoas crescem de tamanho de acordo com seu modo de vida.
Tem pessoas pequenininhas que são gigantes!
E pessoas com alma de criança, mas que sabem lidar muito bem com o mundo dos adultos.
Crescer é chato sim, e trabalhoso, mas constrói um caráter e formula uma vida de sucesso.
"Neste mundo não tem professor
Pra matéria do amor ensinar
Nem tão pouco se encontra doutor"
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Feliz aniversário.

Onde estão minhas bruxas, minhas ninfas aladas?
Onde estão minhas fadas, meus duendes e unicórnios?
Cadê os príncipes, os castelos e as princesas feitas de mel em minhas histórias açucaradas?
Onde está a magia dos magos encantados que me fizeram ter asas?
Onde está meu mundo vivo, colorido e que é fantástico e de alegria?
Onde estão os elfos que me tiram da agonia?
- A tua idade os assassina, minha filha. -
- E se eu tivesse esquizofrenia,
mesmo assim os mataria? -
É que eu vivo na esquisitice.
Tão diferente de tanta gente com pé no chão.
E meus contos de fada se desfazem em vão.
Pergunto onde eles estão?
E quando observo o mundo pelos meus olhos esquisitos,
lá estão.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Um desejo que se personifica em formas, sussurros e sentidos.
Uma olhadela pelo vão da porta, e a solidão a dois que não é muda.
Contornos facetados como cristais, que reluzem em meus olhos, cegando a razão.
Quiçá largos sorrisos desfoquem minha linha reta em tuas mãos.
Compro num suspiro o fôlego que não resiste a tua tentação.
Além dela, o amor que pulsa de nossos corações.
Um tum tum dourado inundado de cinquenta novas ilusões.
Parceladas em bocas que se juntam, se cruzam, matizes aguadas.
A ti meu corpo, minha alma,
Meu tudo.
Uma olhadela pelo vão da porta, e a solidão a dois que não é muda.
Contornos facetados como cristais, que reluzem em meus olhos, cegando a razão.
Quiçá largos sorrisos desfoquem minha linha reta em tuas mãos.
Compro num suspiro o fôlego que não resiste a tua tentação.
Além dela, o amor que pulsa de nossos corações.
Um tum tum dourado inundado de cinquenta novas ilusões.
Parceladas em bocas que se juntam, se cruzam, matizes aguadas.
A ti meu corpo, minha alma,
Meu tudo.
sábado, 16 de janeiro de 2010
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Era uma vez, numa terra muito distante, uma linda princesa independente e cheia de auto-estima que, enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas, se deparou com uma rã.
Então, a rã pulou para o seu colo e disse: - Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Mas uma bruxa má lançou-me um encanto e eu transformei-me nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir um lar feliz no teu lindo castelo. A minha mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavarias as minhas roupas, criarias os nossos filhos e viveríamos felizes para sempre...
E então, naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava:
Então, a rã pulou para o seu colo e disse: - Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Mas uma bruxa má lançou-me um encanto e eu transformei-me nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir um lar feliz no teu lindo castelo. A minha mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavarias as minhas roupas, criarias os nossos filhos e viveríamos felizes para sempre...
E então, naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava:
- Nem fo...den...do!
(Luís Fernando Veríssimo)
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
A morte.
Apesar de tudo,
a morte foi uma ilusão.
Tens que amá-la como ama a vida, pois a morte é renovação.
Tudo que se tem, tudo que existe, começa a morrer no instante que nasceu.
Pois nada é permanente.
Tudo está em contínua mudança, a cada instante, a cada momento.
Não poderia nem mesmo existir a permanência, porque o próprio conceito de permanência depende da existência da impermanência para ter algum significado.
Não se conhece o quente se não experimentar o frio.
Observa isto com atenção. Contempla esta verdade.
A morte é uma ilusão.
Nossas vidas serão eternas na memória de quem tocamos.
Assim seremos eternos;
Nossos nomes serão contemplados nas mentes de nossos netos.
Nossas fotos estarão nas estantes de nossos filhos.
A morte é tão somente um passo importante da renovação da vida.
Aonde deixamos de coexistir em dura carne, e passamos a existir em quentes corações.
Com carinho,
com amor.
a morte foi uma ilusão.
Tens que amá-la como ama a vida, pois a morte é renovação.
Tudo que se tem, tudo que existe, começa a morrer no instante que nasceu.
Pois nada é permanente.
Tudo está em contínua mudança, a cada instante, a cada momento.
Não poderia nem mesmo existir a permanência, porque o próprio conceito de permanência depende da existência da impermanência para ter algum significado.
Não se conhece o quente se não experimentar o frio.
Observa isto com atenção. Contempla esta verdade.
A morte é uma ilusão.
Nossas vidas serão eternas na memória de quem tocamos.
Assim seremos eternos;
Nossos nomes serão contemplados nas mentes de nossos netos.
Nossas fotos estarão nas estantes de nossos filhos.
A morte é tão somente um passo importante da renovação da vida.
Aonde deixamos de coexistir em dura carne, e passamos a existir em quentes corações.
Com carinho,
com amor.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Lágrimas na chuva.

Foram tantas as vezes que tentei te fazer ver a razão.
De mostrar a paixão que caiu como uma luva.
De te fazer entender o porquê dessa desilusão.
Mas foram como lágrimas na chuva.
Não viu a diferença da água que escorre para a água que morre.
Não quis perceber a dor do meu olhar.
Não quis ver a falta que a falta faz.
Só percebeu que a chuva caía devagar.
E cansada, desisti de te tentar.
Então foi você que chegou perto sem avisar.
Na minha vez de te dizer, de me mostrar e de te ter.
Eu não te quis, e eu nem sei o porquê.
Foi quando as lágrimas na chuva vieram de você.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Sem mais,
Fique remoendo tua saudade ativista dentro de ti.
Das luzes que iluminaram teus anos que passaram.
Que eu vou livre seguir as tintas
Que começam a pintar um quadro em branco,
sem moldura.
Porque a minha vida é mais que um passado arrependido.
Não é como a tua.
A minha vida é um futuro promissor.
É amanhã viajar e pisar na lua.
Saudade pra mim é uma boa lembrança que ficou,
Pra você é um amor que ainda não passou.
E se nossas idéias continuam perpendiculares,
Vá em frente comigo,
ou continue de ré na tua solidão.
Sozinho.
Das luzes que iluminaram teus anos que passaram.
Que eu vou livre seguir as tintas
Que começam a pintar um quadro em branco,
sem moldura.
Porque a minha vida é mais que um passado arrependido.
Não é como a tua.
A minha vida é um futuro promissor.
É amanhã viajar e pisar na lua.
Saudade pra mim é uma boa lembrança que ficou,
Pra você é um amor que ainda não passou.
E se nossas idéias continuam perpendiculares,
Vá em frente comigo,
ou continue de ré na tua solidão.
Sozinho.
Subconsciência egoísta.
Porque escravizar as pessoas numa opinião?
Ou isso ou aquilo. Escolha.
Eu posso discutir idéias altruístas tanto quanto egoístas defendendo os dois lados.
Posso gostar de Gandhi e de Bush.
Tudo é diferente, mas são os mesmos átomos, a mesma matéria prima do universo.
As diferenças são para unir, acrescentar, embelezar.
O cara que inventou a palavrinha "ou" fez muito bem em fazê-la tão pequena.
Porque é isso.
As coisas são minimamente diferentes.
Tudo vem da mesma essência, vive com o objetivo de sobreviver.
E mesmo assim, a gente vive a nossa vida inteira falando mal de tantas pessoas, e sem sequer lembrarmos que podíamos ser nós no lugar delas, a gente concorda com o falatório e se revolta, ou, morre rindo.
Quem nesse mundo consegue se destacar, sofre as consequências de um preconceito ridículo que todo (e quando eu digo todo me incluo nisso), todo o ser humano carrega cruelmente dentro de si.
Seria tão melhor se as pessoas fossem mais empáticas antes de falar;
Antes de falar mal daquele presidente,
Daquele músico que você chama de vagabundo,
Daquela atriz que você chama de gostosa,
Daquela menina que voou atrás de um amor.
E se for você o político e estiver fazendo O MÁXIMO, sem conseguir parar as bombas de ódio que as pessoas te enviam?
E se for o seu filho o músico e estiver se saindo muito bem, e lutando pelos seus objetivos sem se importar em passar trabalho, mas nunca conseguindo romper a ignorância de todos que o colocam invariavelmente na testa o título de "vagabundo"?
E se aquela atriz gostosa for a sua filha, uma moça muito bela, muito direita, inteligente e recatada, e você não achar justo que a tenham colocado esse rótulo?
E se a menina que voou for a sua esposa? Se ela tivesse ouvido todos os "nãos" para não ir atrás de você, você teria sido feliz?
Estranho como quando mudamos a perspectiva para o nosso lado, o preconceito some.
Ou isso ou aquilo. Escolha.
Eu posso discutir idéias altruístas tanto quanto egoístas defendendo os dois lados.
Posso gostar de Gandhi e de Bush.
Tudo é diferente, mas são os mesmos átomos, a mesma matéria prima do universo.
As diferenças são para unir, acrescentar, embelezar.
O cara que inventou a palavrinha "ou" fez muito bem em fazê-la tão pequena.
Porque é isso.
As coisas são minimamente diferentes.
Tudo vem da mesma essência, vive com o objetivo de sobreviver.
E mesmo assim, a gente vive a nossa vida inteira falando mal de tantas pessoas, e sem sequer lembrarmos que podíamos ser nós no lugar delas, a gente concorda com o falatório e se revolta, ou, morre rindo.
Quem nesse mundo consegue se destacar, sofre as consequências de um preconceito ridículo que todo (e quando eu digo todo me incluo nisso), todo o ser humano carrega cruelmente dentro de si.
Seria tão melhor se as pessoas fossem mais empáticas antes de falar;
Antes de falar mal daquele presidente,
Daquele músico que você chama de vagabundo,
Daquela atriz que você chama de gostosa,
Daquela menina que voou atrás de um amor.
E se for você o político e estiver fazendo O MÁXIMO, sem conseguir parar as bombas de ódio que as pessoas te enviam?
E se for o seu filho o músico e estiver se saindo muito bem, e lutando pelos seus objetivos sem se importar em passar trabalho, mas nunca conseguindo romper a ignorância de todos que o colocam invariavelmente na testa o título de "vagabundo"?
E se aquela atriz gostosa for a sua filha, uma moça muito bela, muito direita, inteligente e recatada, e você não achar justo que a tenham colocado esse rótulo?
E se a menina que voou for a sua esposa? Se ela tivesse ouvido todos os "nãos" para não ir atrás de você, você teria sido feliz?
Estranho como quando mudamos a perspectiva para o nosso lado, o preconceito some.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Aprendi.
Nenhum homem é digno de uma mulher.
Nenhum.
Mas toda mulher é generosa o suficiente para amar um homem.
Nenhum.
Mas toda mulher é generosa o suficiente para amar um homem.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Pedido negado.
De tudo que penso, o sentimento me muda.
Ontem te amei, hoje já acordei sem te gostar.
Tanto fiz em te elogiar que repudiei.
Você sempre igual, pontual em rimas sem par.
-
Eu a festejar o meu atraso, e você a me encarar.
Eu a procurar passar os ponteiros rapidamente,
Você num suspiro conta os segundos devagar.
Eu pele e cheiro, você relâmpago a se apagar.
-
Eu com medo do tempo não passar.
Mas você é o dono do tempo.
O mensageiro que veio me avisar.
Que hoje as horas serão do vento;
-
Oh, meu caro amigo!
Faz do meu castigo alento,
Meu relógio querido
Faça, por favor, as horas passar.
-
-
-
Ontem te amei, hoje já acordei sem te gostar.
Tanto fiz em te elogiar que repudiei.
Você sempre igual, pontual em rimas sem par.
-
Eu a festejar o meu atraso, e você a me encarar.
Eu a procurar passar os ponteiros rapidamente,
Você num suspiro conta os segundos devagar.
Eu pele e cheiro, você relâmpago a se apagar.
-
Eu com medo do tempo não passar.
Mas você é o dono do tempo.
O mensageiro que veio me avisar.
Que hoje as horas serão do vento;
-
Oh, meu caro amigo!
Faz do meu castigo alento,
Meu relógio querido
Faça, por favor, as horas passar.
-
-
-
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Para meus dois.
Eu gosto é da febre.
De olhar fixo e ver nuvens num olho vazio.
De chorar com o filme idiota, gritar na música desafinada.
De dormir agarrada no travesseiro.
De sentir vergonha.
De sentir saudade.
De sentir.
Eu gosto da amizade lunática.
Das fugas terrenas.
Dos botecos de beira de estrada.
Da sinuca morena.
Eu gosto é do trio calafrio.
Que encantou centenas.
Que cantou no frio.
Que sofreu no vazio.
E de sofrer, riu.
Que de fazer história nasceu.
Cresceu e se fez amor.
Que de criar diversão temeu a morte.
E da morte fez o que hoje crio.
Crio meu riso, crio minha sorte.
Hoje de histórias é contado e inventado o trio.
Porque ele aconteceu num moinho abandonado,
numa aventura sem pavio,
e como foi louvado..
Agora ninguém mais sabe,
...ninguém mais viu.
De olhar fixo e ver nuvens num olho vazio.
De chorar com o filme idiota, gritar na música desafinada.
De dormir agarrada no travesseiro.
De sentir vergonha.
De sentir saudade.
De sentir.
Eu gosto da amizade lunática.
Das fugas terrenas.
Dos botecos de beira de estrada.
Da sinuca morena.
Eu gosto é do trio calafrio.
Que encantou centenas.
Que cantou no frio.
Que sofreu no vazio.
E de sofrer, riu.
Que de fazer história nasceu.
Cresceu e se fez amor.
Que de criar diversão temeu a morte.
E da morte fez o que hoje crio.
Crio meu riso, crio minha sorte.
Hoje de histórias é contado e inventado o trio.
Porque ele aconteceu num moinho abandonado,
numa aventura sem pavio,
e como foi louvado..
Agora ninguém mais sabe,
...ninguém mais viu.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Cale a boca, Bárbara.
Agarra o tédio.
Esquece as asas.
Não fala mais nada.
Que a vida não pára.
Meu antigo remédio
Um pincel sem cor,
Com a dose errada,
Só causou mais riso e mais dor.
Esquece as asas.
Não fala mais nada.
Que a vida não pára.
Meu antigo remédio
Um pincel sem cor,
Com a dose errada,
Só causou mais riso e mais dor.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Somente minha
Não há razão para a próxima estação.
Nem malícia na lava do vulcão.
Não há mistério na fúria do furacão.
Nem gozo na beleza do pavão.
Há as razões de quem não tem moral.
Há malícia na pimenta ardida da sedução.
O mistério de ser atemporal.
E o gozo que embeleza a razão.
Há meu calo descuidado.
E que não haja mais machucados nele, então.
Cuidado com minhas rugas.
E com meus cabelos que ficam alvos em vão.
Só há na minha mente um motivo
De querer estar nesse mundo sem chão.
É estar serena comigo
É estar feliz, sozinha na multidão.
Nem malícia na lava do vulcão.
Não há mistério na fúria do furacão.
Nem gozo na beleza do pavão.
Há as razões de quem não tem moral.
Há malícia na pimenta ardida da sedução.
O mistério de ser atemporal.
E o gozo que embeleza a razão.
Há meu calo descuidado.
E que não haja mais machucados nele, então.
Cuidado com minhas rugas.
E com meus cabelos que ficam alvos em vão.
Só há na minha mente um motivo
De querer estar nesse mundo sem chão.
É estar serena comigo
É estar feliz, sozinha na multidão.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Anti-social
Ah, tô de saco cheio mesmo.
E olha que nem é o saco do papai noel.
E pra ser sincera, também não gosto do Natal.
É tudo lotado, e eu morro de pena daquele velho barbudo vestido de Internacional cheiooooo de roupas no calor de 40º e tendo que ouvir as barbaridades que as crianças falam. No colo dele.
Coitado.
Mas também tô de saco cheio de ter pena das pessoas.
O velho barbudo não faz mais que a obrigação.
Afinal, alguém tem que pôr comida na mesa.
Ninguém mandou não estudar.
Se tivesse estudado teria aprendido com os bons professores da escola pública do Brasil como ser corrupto e estaria colocando dinheiro na cueca numa sala gelada com ar condicionado e café fresco. Bem mais fácil. E todo mundo faz.
E tô de saco cheio de ter que dar presente pra todo mundo.
A coisa mais RI-DÍ-CU-LA que fizeram do Natal, que era (eraaaaaaaaa) uma data simbólica foi virar uma festa consumista de uma sociedade sem escrúpulos.
Aí tem amigo oculto, aniversários e mais os presentes de natal das criaturas que a gente tanto ama.
Éééé... essa cretina dessa sociedade também inventou que quando a gente ama alguém, só amor não basta, tem que ter objetos, matéria, presentes pra comprovar!
E como se já não bastasse tudo isso, a gente passa pelas ruas de uma cidade com 10 milhões de habitantes sem conseguir se mexer, como se fosse sardinha em lata.
Aí vem aquelas crianças mal educadas berrando no meio da rua sem olhar pra onde anda e te derrubando sem sequer olhar pra trás... como marginaizinhos à deriva.
Éééé... a mal educada da sociedade ensinou que "um tapinha" pra educar os filhos é abuso. Não pode.
E quer saber? Também tô de saco cheio dessa sociedade burra que não sabe absolutamente nada da convivência intersocial.
Tô de mal.
E olha que nem é o saco do papai noel.
E pra ser sincera, também não gosto do Natal.
É tudo lotado, e eu morro de pena daquele velho barbudo vestido de Internacional cheiooooo de roupas no calor de 40º e tendo que ouvir as barbaridades que as crianças falam. No colo dele.
Coitado.
Mas também tô de saco cheio de ter pena das pessoas.
O velho barbudo não faz mais que a obrigação.
Afinal, alguém tem que pôr comida na mesa.
Ninguém mandou não estudar.
Se tivesse estudado teria aprendido com os bons professores da escola pública do Brasil como ser corrupto e estaria colocando dinheiro na cueca numa sala gelada com ar condicionado e café fresco. Bem mais fácil. E todo mundo faz.
E tô de saco cheio de ter que dar presente pra todo mundo.
A coisa mais RI-DÍ-CU-LA que fizeram do Natal, que era (eraaaaaaaaa) uma data simbólica foi virar uma festa consumista de uma sociedade sem escrúpulos.
Aí tem amigo oculto, aniversários e mais os presentes de natal das criaturas que a gente tanto ama.
Éééé... essa cretina dessa sociedade também inventou que quando a gente ama alguém, só amor não basta, tem que ter objetos, matéria, presentes pra comprovar!
E como se já não bastasse tudo isso, a gente passa pelas ruas de uma cidade com 10 milhões de habitantes sem conseguir se mexer, como se fosse sardinha em lata.
Aí vem aquelas crianças mal educadas berrando no meio da rua sem olhar pra onde anda e te derrubando sem sequer olhar pra trás... como marginaizinhos à deriva.
Éééé... a mal educada da sociedade ensinou que "um tapinha" pra educar os filhos é abuso. Não pode.
E quer saber? Também tô de saco cheio dessa sociedade burra que não sabe absolutamente nada da convivência intersocial.
Tô de mal.
Insônia
Felicidade,
na minha pílula para dormir.
Inferno,
dentro desse espelho que me encara com dez olhos.
Amanhã,
a última chance do pássaro ferido.
na minha pílula para dormir.
Inferno,
dentro desse espelho que me encara com dez olhos.
Amanhã,
a última chance do pássaro ferido.
domingo, 13 de dezembro de 2009
Onde a voz é um sopro.

Tudo potencializado.
Paz, amor, felicidade.
Ciúme, bobice e altivez.
Ah, pois é.
Nas regras do coração,
obedece quem quer ou passa a vez.
Mas veja, é só por lazer
ela é só uma menina.
Não sabe nem o que fazer.
Faz errado mesmo sendo certo,
e quando certo vira erro calado.
Você bem sabe, nessa idade ainda não sabe viver.
A idade é que manda,
o dono da vida é o mais senhor.
Sábios só com barba branca,
Se a pele é lisa, não vira professor.
E a coitada tenta se explicar,
Dá meia volta na lua pra verem o que houve lá,
Mas com essa idade,
quem poderia nela acreditar?
Ah!
Mas a vida há de um dia mostrar.
Paz, amor, felicidade.
Ciúme, bobice e altivez.
Ah, pois é.
Nas regras do coração,
obedece quem quer ou passa a vez.
Mas veja, é só por lazer
ela é só uma menina.
Não sabe nem o que fazer.
Faz errado mesmo sendo certo,
e quando certo vira erro calado.
Você bem sabe, nessa idade ainda não sabe viver.
A idade é que manda,
o dono da vida é o mais senhor.
Sábios só com barba branca,
Se a pele é lisa, não vira professor.
E a coitada tenta se explicar,
Dá meia volta na lua pra verem o que houve lá,
Mas com essa idade,
quem poderia nela acreditar?
Ah!
Mas a vida há de um dia mostrar.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Ex...ato.
Ah,
Quantas lágrimas!
Quantas lágrimas você guardou para o jantar.
Quantas memórias vivas que dizes esquecidas emudeceu teu paladar.
Quantas juras e olhadelas, sonetos e piscadelas me fizeste admirar.
Quantas visitas em teus sonhos ela pôde conquistar.
Quantas vezes na falsidade de frias palavras, a tua voz em falsete a me gaguejar.
Ah, meu amigo.
Quantas foram as tuas menores dividas que conseguiste pagar.
Quantos roubos diurnos e descarados de beijos taciturnos eu vivi a esperar.
Quantos golpes deferidos em desejos oprimidos se põs a me contar.
E a adaga prateada lentamente em meu corpo a matar.
Ah,
Quantas lágrimas,
Quantas lágrimas meu amigo,
Mas que guardaste pro jantar.
Quantas lágrimas!
Quantas lágrimas você guardou para o jantar.
Quantas memórias vivas que dizes esquecidas emudeceu teu paladar.
Quantas juras e olhadelas, sonetos e piscadelas me fizeste admirar.
Quantas visitas em teus sonhos ela pôde conquistar.
Quantas vezes na falsidade de frias palavras, a tua voz em falsete a me gaguejar.
Ah, meu amigo.
Quantas foram as tuas menores dividas que conseguiste pagar.
Quantos roubos diurnos e descarados de beijos taciturnos eu vivi a esperar.
Quantos golpes deferidos em desejos oprimidos se põs a me contar.
E a adaga prateada lentamente em meu corpo a matar.
Ah,
Quantas lágrimas,
Quantas lágrimas meu amigo,
Mas que guardaste pro jantar.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
O homem que eu amo.
Certa vez perguntei a um sábio:
Como faço para viver nesse mundo?
Como faço para crescer, caminhar, falar, me relacionar?
Como faço para ser bem sucedida?
Como posso amar e ser amada?
Entre essas e mais mil e doze perguntas que fiz, ele me respondeu com seu jeito calmo, tranquilo e sempre sereno, com voz mansa e sabedoria secular da alma:
- Minha filha, seja sempre quem você é.
Não mude pra agradar outros.
Seja sempre verdadeira.
Ame com toda a tua força pelo tempo que te convier.
Nunca perca a sua fé.
Seja correta e idônea em todas as situações.
Voe junto com tuas borboletas.
E por fim, viva sem se preocupar.
Se assim for, você chega lá.
O sabio homem disse essas palavras em muitos momentos de minha vida.
Além de sábio era anjo,
Quando ele me ensinou a não julgar os outros, eu ainda engatinhava.
Quando eu caí da bicicleta pela primeira vez e muito chorei, veio ele com passos largos e voz mansa me abraçar.
Quando eu tive a primeira desilusão amorosa na pré adolescência, ele me viu chorando escondida, e me abraçou mais uma vez.
Quando eu estive doente, veio o meu sábio com seus chás medicinais e me curou.
Num abraço ele me deu o mundo, num afago me fez conhecer o amor.
E é sempre esse abraço e esse colo que eu procuro quando me sinto em agonia.
E mesmo quando criança (e criança nunca tem problemas), eu gostava de me sentar no colo dele e ouvir aquela voz mansa com os meus ouvidos grudados na barriga dele.
Só pra ouvir, e dormir ouvindo o timbre daquela voz serena.
Sábio sereno dono do meu amor descompensado.
Professor, médico e juiz de meus passos sem compassos.
Um amor de sempre, e para sempre.
De meu amor que a ti foi subjugado com tuas armas de amor e paz.
Caro, idolatrado, estimado, namorado:
Pai.
Como faço para viver nesse mundo?
Como faço para crescer, caminhar, falar, me relacionar?
Como faço para ser bem sucedida?
Como posso amar e ser amada?
Entre essas e mais mil e doze perguntas que fiz, ele me respondeu com seu jeito calmo, tranquilo e sempre sereno, com voz mansa e sabedoria secular da alma:
- Minha filha, seja sempre quem você é.
Não mude pra agradar outros.
Seja sempre verdadeira.
Ame com toda a tua força pelo tempo que te convier.
Nunca perca a sua fé.
Seja correta e idônea em todas as situações.
Voe junto com tuas borboletas.
E por fim, viva sem se preocupar.
Se assim for, você chega lá.
O sabio homem disse essas palavras em muitos momentos de minha vida.
Além de sábio era anjo,
Quando ele me ensinou a não julgar os outros, eu ainda engatinhava.
Quando eu caí da bicicleta pela primeira vez e muito chorei, veio ele com passos largos e voz mansa me abraçar.
Quando eu tive a primeira desilusão amorosa na pré adolescência, ele me viu chorando escondida, e me abraçou mais uma vez.
Quando eu estive doente, veio o meu sábio com seus chás medicinais e me curou.
Num abraço ele me deu o mundo, num afago me fez conhecer o amor.
E é sempre esse abraço e esse colo que eu procuro quando me sinto em agonia.
E mesmo quando criança (e criança nunca tem problemas), eu gostava de me sentar no colo dele e ouvir aquela voz mansa com os meus ouvidos grudados na barriga dele.
Só pra ouvir, e dormir ouvindo o timbre daquela voz serena.
Sábio sereno dono do meu amor descompensado.
Professor, médico e juiz de meus passos sem compassos.
Um amor de sempre, e para sempre.
De meu amor que a ti foi subjugado com tuas armas de amor e paz.
Caro, idolatrado, estimado, namorado:
Pai.
sábado, 5 de dezembro de 2009
Nada.
Nem sono nem fome nem febre.
Nem email nem comentário nem scrap.
Nem mensagens ou ligações.
Nem saudade nem recordações.
Um nada que me mortifica com a sua solidez exaltada.
Nada.
Nem email nem comentário nem scrap.
Nem mensagens ou ligações.
Nem saudade nem recordações.
Um nada que me mortifica com a sua solidez exaltada.
Nada.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
As estrelas que eu queria para mim.
Impossível viver nesse mundo,
Andar com meus passos largos grudados no chão.
Se eu não posso me alar e tocar nas estrelas.
Eu não quero mais do mesmo,
Rotinear pelas esquinas todos os dias,
Se eu não posso viver minha insanidade construtiva.
Você goza de seus ruídos e sons,
Enquanto eu, paupérrima artista, produzo letras e fonemas,
E nada que eu goze é teu tom.
Eu quero uma sem-rotina diária,
Uma felicidade repentina.
E as ilusões rodando em verdade.
Eu quero sorrir em ciúme,
Sentir grande febre terçã,
Morrer numa ensolarada manhã.
Andar com meus passos largos grudados no chão.
Se eu não posso me alar e tocar nas estrelas.
Eu não quero mais do mesmo,
Rotinear pelas esquinas todos os dias,
Se eu não posso viver minha insanidade construtiva.
Você goza de seus ruídos e sons,
Enquanto eu, paupérrima artista, produzo letras e fonemas,
E nada que eu goze é teu tom.
Eu quero uma sem-rotina diária,
Uma felicidade repentina.
E as ilusões rodando em verdade.
Eu quero sorrir em ciúme,
Sentir grande febre terçã,
Morrer numa ensolarada manhã.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Ter pra quem voltar.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Homicida.
Crises diurnas de alter egos psicopatas.
Vingança analítica em embriagados corpos nus.
Verdade em teu doído arrependimento.
Frieza ao ouvir teu depoimento.
Sede e vontade de teu sangue derramado ao chão.
De te matar com a frieza de teu coração.
Mas não matar a ti em dura carne,
e sim dentro de teu ser que frio,
leva polaridade aos meus sóis.
Sim, dentro de tua crua alma que sofre.
Sim dentro de tuas feridas que não cicatrizam.
Sim, dentro do câncer que tu mesmo criaste.
Sim, como a tua tristeza que te arranca os pedaços.
Dentro de ti,
Eu quero te purificar com mais dor.
Linhas tênues que aos poucos te desenham.
Em gestos finos desenham teu corpo com giz no chão,
Para cair em um corpo que jaz em minha mão.
Vingança analítica em embriagados corpos nus.
Verdade em teu doído arrependimento.
Frieza ao ouvir teu depoimento.
Sede e vontade de teu sangue derramado ao chão.
De te matar com a frieza de teu coração.
Mas não matar a ti em dura carne,
e sim dentro de teu ser que frio,
leva polaridade aos meus sóis.
Sim, dentro de tua crua alma que sofre.
Sim dentro de tuas feridas que não cicatrizam.
Sim, dentro do câncer que tu mesmo criaste.
Sim, como a tua tristeza que te arranca os pedaços.
Dentro de ti,
Eu quero te purificar com mais dor.
Linhas tênues que aos poucos te desenham.
Em gestos finos desenham teu corpo com giz no chão,
Para cair em um corpo que jaz em minha mão.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Brilhante
Pequeno diamante,
opaco e que brilha quando quer.
Reluz em minha vida de relance,
Revida meu olhar brilhoso de viés.
Quebrando os blocos de pedra que me cruzam,
Rasgando a dor que poderia me rasgar
Levando o silêncio obtuso
Trazendo flores azuis ao meu lar
Pequeno diamante,
que felicita minhas manhãs,
dá bom dia à minha vida,
visita minha história,
brilha em minha escuridão.
Oh, coração!
se encantou pelo teu brilho,
pelo pequeno diamante em ascensão
E assim estava escrito,
serás rei nesta terra,
serás dono de minha razão.
E o sucesso que te espera
Impaciente pela demora da tua mão
Pequeno diamante,
avaliado em ricas vidas,
validado em outra dimensão
Lapidado em cicatrizes,
Comprou meu amor em beijos e canção.
opaco e que brilha quando quer.
Reluz em minha vida de relance,
Revida meu olhar brilhoso de viés.
Quebrando os blocos de pedra que me cruzam,
Rasgando a dor que poderia me rasgar
Levando o silêncio obtuso
Trazendo flores azuis ao meu lar
Pequeno diamante,
que felicita minhas manhãs,
dá bom dia à minha vida,
visita minha história,
brilha em minha escuridão.
Oh, coração!
se encantou pelo teu brilho,
pelo pequeno diamante em ascensão
E assim estava escrito,
serás rei nesta terra,
serás dono de minha razão.
E o sucesso que te espera
Impaciente pela demora da tua mão
Pequeno diamante,
avaliado em ricas vidas,
validado em outra dimensão
Lapidado em cicatrizes,
Comprou meu amor em beijos e canção.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Solidez
De repente aquela música se tornou hino.
De repente o fundo se tornou ímã.
Num rompante a voz perdeu o ritmo.
Num tornado a chuva foi uma brisa.
Pelas ruas passos largos até o tudo.
Pelas praças cegos correndo sem trilha.
Aonde piso, cabeças gemendo com ânimo.
Aonde vôo, borboletas em morte.
Estou no imo do ser em negra alegria.
Estou passando pela corda bamba de teus dias.
No futuro tua máscara caindo aos pedaços.
No futuro meu rosto lavado em fria sorte.
No momento nada além de tudo.
Nas veias correndo aço de metal duro.
Do sentimento, nada vem de ti.
Do amor que cai do palco ao chão.
Das frases, tão duras ou vazias.
Tão delicadas e tardias.
Tão somente minhas.
E minhas serão sempre sólidas razões.
Razão de querer e desquerer.
De ter o descaso de meu ser.
De ser o medo de ter.
De repente o fundo se tornou ímã.
Num rompante a voz perdeu o ritmo.
Num tornado a chuva foi uma brisa.
Pelas ruas passos largos até o tudo.
Pelas praças cegos correndo sem trilha.
Aonde piso, cabeças gemendo com ânimo.
Aonde vôo, borboletas em morte.
Estou no imo do ser em negra alegria.
Estou passando pela corda bamba de teus dias.
No futuro tua máscara caindo aos pedaços.
No futuro meu rosto lavado em fria sorte.
No momento nada além de tudo.
Nas veias correndo aço de metal duro.
Do sentimento, nada vem de ti.
Do amor que cai do palco ao chão.
Das frases, tão duras ou vazias.
Tão delicadas e tardias.
Tão somente minhas.
E minhas serão sempre sólidas razões.
Razão de querer e desquerer.
De ter o descaso de meu ser.
De ser o medo de ter.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Sem ins(piração)
Tudo novo.
Tudo muda.
E eu a cortejar o passado.
Tudo de novo.
Nada muda.
E eu a festejar o vício.
Experientes noites me contaram:
o mundo é só.
E para mim não é o bastante.
Tudo crio.
Tudo mudo.
Mudo o lugar, me torno mudo.
E cálidas pétalas me mostram nada além de opaco branco.
Eu sem pincel.
Eu sem cor.
Eu sem pranto.
Clamo pela inspiração apática que me surgiu um dia.
E alvas são as idéias que não me surgem.
Tudo estorvo.
Tudo belo.
E minha janela se abre com meus olhos.
Diante da chuva, diante do tédio.
Tudo muda.
E eu a cortejar o passado.
Tudo de novo.
Nada muda.
E eu a festejar o vício.
Experientes noites me contaram:
o mundo é só.
E para mim não é o bastante.
Tudo crio.
Tudo mudo.
Mudo o lugar, me torno mudo.
E cálidas pétalas me mostram nada além de opaco branco.
Eu sem pincel.
Eu sem cor.
Eu sem pranto.
Clamo pela inspiração apática que me surgiu um dia.
E alvas são as idéias que não me surgem.
Tudo estorvo.
Tudo belo.
E minha janela se abre com meus olhos.
Diante da chuva, diante do tédio.
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Bola de sabão.
Eu queria ser como bola de sabão.
Queria voar até o limite e explodir.
Ter um brilho natural em meu corpo abobadado.
E ver lá do alto as verdades das pessoas daqui.
Aqui eles só acham.
Elas acham que amam.
Acham que são amadas.
Acham que estão certas.
E fingem.
Fingem que acreditam.
Queria era ser uma bola de sabão de ácido.
Pra quando explodir em gotículas,
queimar a cabeça de uns poucos e bons.
:)
Queria voar até o limite e explodir.
Ter um brilho natural em meu corpo abobadado.
E ver lá do alto as verdades das pessoas daqui.
Aqui eles só acham.
Elas acham que amam.
Acham que são amadas.
Acham que estão certas.
E fingem.
Fingem que acreditam.
Queria era ser uma bola de sabão de ácido.
Pra quando explodir em gotículas,
queimar a cabeça de uns poucos e bons.
:)
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Imaculada.
Olha que moça mais bonita, mais cheia de vida!
Ela canta a mocidade que enxagua seus olhos brilhantes.
Ela gira com seu vestido dourado, que contrasta com a pele de jaboramdi.
Gira no meio do baile, gira no meio da rua...
Ela olha pro céu e gira no meio da chuva.
Ninguém entende a sua natureza falante, brilhante!
Ninguém entende que o timbre de sua voz foi feito pra se destacar.
E quem entende, nunca mais quer a deixar.
Olha que moça mais bonita, mais cheia de vida!
Ela sabe ser mãe e filha, dona do mundo, dona da vida!
Em seus olhos cor de caju, ela vê as cores de seu mundo aquarelado.
E nada que não seja saudade a faz desmoronar.
E tudo que não seja correntes a faz crescer.
Madura, condizente, inteligente... Mas uma criança em formas triangulares.
E ninguém a entende, pois tem a pureza perfeita dos anjos em forma de alegria.
Mas olha que moça mais bonita, mais cheia de vida!
Com seus caracóis que voam com o vento, e escabelados a fazem rir.
Com o colo feito para o alento, e as mãos feitas para toda a minha dor arrancar.
Olha que graça essa m0ça,
gosta da festa, da vida, do amor e das borboletas.
Uma santa em formas vivas, uma moça, uma menina, uma mulher, uma mãe.
Uma em tantas, tantas em outras tantas, e pequena.
Olha que moça mais bonita,
que moça mais cheia de vida!
Seu nome é como ela, excêntrico por natureza e faz o mundo questionar:
Mas quem é essa moça tão bonita, tão mais cheia de vida!?
Ela é Mavis, a alegoria da alegria!
Ela canta a mocidade que enxagua seus olhos brilhantes.
Ela gira com seu vestido dourado, que contrasta com a pele de jaboramdi.
Gira no meio do baile, gira no meio da rua...
Ela olha pro céu e gira no meio da chuva.
Ninguém entende a sua natureza falante, brilhante!
Ninguém entende que o timbre de sua voz foi feito pra se destacar.
E quem entende, nunca mais quer a deixar.
Olha que moça mais bonita, mais cheia de vida!
Ela sabe ser mãe e filha, dona do mundo, dona da vida!
Em seus olhos cor de caju, ela vê as cores de seu mundo aquarelado.
E nada que não seja saudade a faz desmoronar.
E tudo que não seja correntes a faz crescer.
Madura, condizente, inteligente... Mas uma criança em formas triangulares.
E ninguém a entende, pois tem a pureza perfeita dos anjos em forma de alegria.
Mas olha que moça mais bonita, mais cheia de vida!
Com seus caracóis que voam com o vento, e escabelados a fazem rir.
Com o colo feito para o alento, e as mãos feitas para toda a minha dor arrancar.
Olha que graça essa m0ça,
gosta da festa, da vida, do amor e das borboletas.
Uma santa em formas vivas, uma moça, uma menina, uma mulher, uma mãe.
Uma em tantas, tantas em outras tantas, e pequena.
Olha que moça mais bonita,
que moça mais cheia de vida!
Seu nome é como ela, excêntrico por natureza e faz o mundo questionar:
Mas quem é essa moça tão bonita, tão mais cheia de vida!?
Ela é Mavis, a alegoria da alegria!
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Pequena
Se eu sou pequena,
sou assim desde menina
Gosto de meninices,
e de crises amenas
Gosto de tagarelices
e saudades morenas
Gosto de paixonites
e amor às centenas
Se sou assim risonha
eu sou desde pequena
Mas se me vejo triste,
sem gostar do que existe
Deixo de lado a bobice
e a pequena entra em cena.
Se eu sou meio mutante,
sou assim desde pequena.
Gosto do que é gritante,
Gosto da febre terrena.
Gosto do que é invisível,
Gosto da capela serena.
sou assim desde menina
Gosto de meninices,
e de crises amenas
Gosto de tagarelices
e saudades morenas
Gosto de paixonites
e amor às centenas
Se sou assim risonha
eu sou desde pequena
Mas se me vejo triste,
sem gostar do que existe
Deixo de lado a bobice
e a pequena entra em cena.
Se eu sou meio mutante,
sou assim desde pequena.
Gosto do que é gritante,
Gosto da febre terrena.
Gosto do que é invisível,
Gosto da capela serena.
Fulgaz
E no entanto, tanto que a felicidade me faz visitas, por certos dias ela vem acompanhada de agonia e por outros dias a tristeza vem dizer que ela não teve tempo de me visitar.
E no entanto o tempo que eu tenho pra cuidar dela não é curto, mas às vezes só não dá vontade de cuidar.
Porque além de cuidar dela, de ser dela mãe e filha, o meu tempo é reservado para pensar alto, voar baixo e ir além do que se vê.
E no entanto, estes devaneios além de me deixarem com os pés travados no mesmo lugar, me tomam o tempo que eu tenho pra cuidar da felicidade, e me levam em busca de mais agonia.
Uma agonia de ter tudo e querer tudo diferente, de mudar tudo e querer de novo mudar.
Porque no entanto, eu gosto de tudo que tenho, gosto de tudo que tive.
Mas a coisa que eu mais gosto mesmo,
é o que não existe.
E no entanto o tempo que eu tenho pra cuidar dela não é curto, mas às vezes só não dá vontade de cuidar.
Porque além de cuidar dela, de ser dela mãe e filha, o meu tempo é reservado para pensar alto, voar baixo e ir além do que se vê.
E no entanto, estes devaneios além de me deixarem com os pés travados no mesmo lugar, me tomam o tempo que eu tenho pra cuidar da felicidade, e me levam em busca de mais agonia.
Uma agonia de ter tudo e querer tudo diferente, de mudar tudo e querer de novo mudar.
Porque no entanto, eu gosto de tudo que tenho, gosto de tudo que tive.
Mas a coisa que eu mais gosto mesmo,
é o que não existe.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Layla
Ela já conhece teu segredo
E fui eu que fiz menção de contar
Ela não quer nem te ver mais de longe
Repudiou teu desespero em colocá-la no altar
Ateus do amor como você
Formam seguidores como eu
E se já me colocou numa jaula
Farei da cela solitária teu par
Porque mulheres feridas como eu
Preferem provar do prato frio
E cegos cantadores como você
Vivem a perambular pelo breu
Enquanto me olha subir os degraus
Degusta o caminho ao fim do teu poço
Navegas por vidas que nunca serão tuas
Enquanto minha sede te torna osso.
____
E fui eu que fiz menção de contar
Ela não quer nem te ver mais de longe
Repudiou teu desespero em colocá-la no altar
Ateus do amor como você
Formam seguidores como eu
E se já me colocou numa jaula
Farei da cela solitária teu par
Porque mulheres feridas como eu
Preferem provar do prato frio
E cegos cantadores como você
Vivem a perambular pelo breu
Enquanto me olha subir os degraus
Degusta o caminho ao fim do teu poço
Navegas por vidas que nunca serão tuas
Enquanto minha sede te torna osso.
____
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Bastardos Inglórios

Sobre o filme:
Uma França ocupada pelos nazistas.
Nazistas sádicos.
Judeus vingativos.
Sangue.
E fim.
_________________________
Well, well my dear Quentin.
Nada de novo no front...
Muito sangue, uma trilha sonora ótima, e a velha mente vingativa de Tarantino.
Brad Pitt toma conta da tela com seu papel tragicômico, e brilha.
Umas boas risadas. Boas.
No mais, as mirabolâncias de Tarantino.
Mas no fim, fiquei com o "if it".
E se tivesse sido assim?
Bom, é ver pra dizer.
Teu olhar
E então percebi as coisas que só eu percebo;
Teu olhar macio que caminha por mim.
Tua pele que é uma continuação da minha e nela se encontra.
Teu gosto de frutas da estação.
Teu posto de encantado.
Teu corpo, meu pecado.
Porque te amo com o amor mais bonito que já vi nascer em mim.
Teu olhar macio que caminha por mim.
Tua pele que é uma continuação da minha e nela se encontra.
Teu gosto de frutas da estação.
Teu posto de encantado.
Teu corpo, meu pecado.
Porque te amo com o amor mais bonito que já vi nascer em mim.
Em Gravataí.
A simplicidade pra mim é mais comovente, mais digna de créditos.
E se um belo dia uma tsunami passar pela sua casa e destruir todos os seus bens materiais.
Como, mas como você vai viver?
Suas lindas roupas reluzentes DG, seus óculos escuros da Gucci... de que te serviram tantos acréscimos, tanto investimento em... nada?
Como agora você poderá mostrar pra todos o seu final de semana no farol de Sta Marta, as suas fotos no meio do deserto do Saara, se seus cartões de crédito foram por água abaixo?
Afinal de contas, você pode.
E se você pode tudo, pode também comprar o barco, o iate, o Titanic...
Claro, isso se o papai concordar, já que o dinheiro é dele...já que foi ele quem trabalhou duro durante anos para sustentar os filhos que hoje gastam o dinheiro dele em pedras, pó e exibicionismo.
Coloque-me um rótulo, por favor!
Eu ainda não tenho!
Se ainda tiver "Eu sou o gatão da mulherada", "eu sou o riquinho da cidade" eu pago!
Coloque um risinho falso no meu rosto! Eu quero fingir ser amigo de todos pra fofocar depois!
Acontece que um belo dia uma Tsunami de juízo passa na vida destes "jovens' (alguns já nem tão jovens) que precisam se apoiar no tombo dos outros, ou gritar no meio da rua que foram passar o carnaval em Veneza, porque afinal de contas, eles podem, eles vivem em "The OC- Gravataí".
Eles podem falar mal dos "pobres coitados" que não vão com eles aos iates, às festinhas indecentes, às drogas, à forra e ao diabo que o carregue!
Quando no fundo, aquele "pobre coitado" do nerd que nada disso fazia e ficava em casa, estudando e jogando videogame provavelmente será o seu médico, o seu psiquiatra, ou o seu chefe na grande empresa, e será ele quem provavelmente terá o barco no meio da sua tsunami.
Caberá a ele decidir te emprestar ou não.
Cuide bem de quem você é.
E se um belo dia uma tsunami passar pela sua casa e destruir todos os seus bens materiais.
Como, mas como você vai viver?
Suas lindas roupas reluzentes DG, seus óculos escuros da Gucci... de que te serviram tantos acréscimos, tanto investimento em... nada?
Como agora você poderá mostrar pra todos o seu final de semana no farol de Sta Marta, as suas fotos no meio do deserto do Saara, se seus cartões de crédito foram por água abaixo?
Afinal de contas, você pode.
E se você pode tudo, pode também comprar o barco, o iate, o Titanic...
Claro, isso se o papai concordar, já que o dinheiro é dele...já que foi ele quem trabalhou duro durante anos para sustentar os filhos que hoje gastam o dinheiro dele em pedras, pó e exibicionismo.
Coloque-me um rótulo, por favor!
Eu ainda não tenho!
Se ainda tiver "Eu sou o gatão da mulherada", "eu sou o riquinho da cidade" eu pago!
Coloque um risinho falso no meu rosto! Eu quero fingir ser amigo de todos pra fofocar depois!
Acontece que um belo dia uma Tsunami de juízo passa na vida destes "jovens' (alguns já nem tão jovens) que precisam se apoiar no tombo dos outros, ou gritar no meio da rua que foram passar o carnaval em Veneza, porque afinal de contas, eles podem, eles vivem em "The OC- Gravataí".
Eles podem falar mal dos "pobres coitados" que não vão com eles aos iates, às festinhas indecentes, às drogas, à forra e ao diabo que o carregue!
Quando no fundo, aquele "pobre coitado" do nerd que nada disso fazia e ficava em casa, estudando e jogando videogame provavelmente será o seu médico, o seu psiquiatra, ou o seu chefe na grande empresa, e será ele quem provavelmente terá o barco no meio da sua tsunami.
Caberá a ele decidir te emprestar ou não.
Cuide bem de quem você é.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
O infeliz sábio do desespero.

Ele caminhava pela avenida com seu tênis rasgado
Subia cada dia na alegoria do seu trem lotado
Enquanto ela falava de tecidos mofados ele fingia que ouvia, e sorria
Seus pensamentos voavam em um céu lacrimejoso, e fingiam ter lei
E para todas as perguntas que ele ouvia, ele mentia...
E dizia:
"Está tudo bem,
Está tudo bem."
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
E as coisas haviam mudado;
Antes era ela quem pedia e ele a decidir.
Agora ela que resolvia
se ia ou não ia.
Ela sabia o caminho do castelo,
e ele a lhe seguir.
Sorte dele ela ser diferente.
Antigamente ele formava cicatrizes
em tudo o que via.
Hoje ela faz curativos
em tudo que encontra, alumia.
Agora ela que resolvia
se ia ou não ia.
Ela sabia o caminho do castelo,
e ele a lhe seguir.
Sorte dele ela ser diferente.
Antigamente ele formava cicatrizes
em tudo o que via.
Hoje ela faz curativos
em tudo que encontra, alumia.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Lágrima Vencida
Não é choro
Não é riso
É uma dor que já é bem vinda
Que faz parte dos meus dias
Que faz tempo que dói e arde
É uma lágrima vencida
Que espera vencer para aparecer
E que arde sem despedida.
Não é riso
É uma dor que já é bem vinda
Que faz parte dos meus dias
Que faz tempo que dói e arde
É uma lágrima vencida
Que espera vencer para aparecer
E que arde sem despedida.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Soneto de Natal
Nesses dias que antecedem a luz
São cruzes de esperança que nos carregam
O ar altivo de outubro, fuzz
Primavera de criança, que com um sorriso nos levam
Ah! Esses dias de bonança
Desventura é só em março
Mesmo que de aço seja feita a aliança
Mesmo que, de vazias panças, seja feito um laço
Tudo é pretexto pra festejo
Velar-se sozinho ou em cortejo
Abraçar um taxista
Ou na morena dar um beijo
É o mau que se acoa
Já com medo de tanto mau
É um olhar que de estorvo
Vira ano novo e natal
(E como somos brasileiros dura até o carnaval)
Tiago Rosa
14 para 15/10
São cruzes de esperança que nos carregam
O ar altivo de outubro, fuzz
Primavera de criança, que com um sorriso nos levam
Ah! Esses dias de bonança
Desventura é só em março
Mesmo que de aço seja feita a aliança
Mesmo que, de vazias panças, seja feito um laço
Tudo é pretexto pra festejo
Velar-se sozinho ou em cortejo
Abraçar um taxista
Ou na morena dar um beijo
É o mau que se acoa
Já com medo de tanto mau
É um olhar que de estorvo
Vira ano novo e natal
(E como somos brasileiros dura até o carnaval)
Tiago Rosa
14 para 15/10
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Soneto à Stanis Fialho
Aconteceu muito rápido
Li teus sonetos e me despi
Nua em pêlo mentalmente
Leu minha mente, em tua escrita me vi
Pois o poeta me sorri
Par em par me conta seus causos
Me tira a venda da ignorância
Bar em bar me toma o aplauso
Aprendo com ele o que não vi
Pois amigo assim não se compra
Não se vende, não se acha, raridade.
E estimo crescer assim
Como ele que sábio me encanta
E canta a beleza da nossa amizade
Li teus sonetos e me despi
Nua em pêlo mentalmente
Leu minha mente, em tua escrita me vi
Pois o poeta me sorri
Par em par me conta seus causos
Me tira a venda da ignorância
Bar em bar me toma o aplauso
Aprendo com ele o que não vi
Pois amigo assim não se compra
Não se vende, não se acha, raridade.
E estimo crescer assim
Como ele que sábio me encanta
E canta a beleza da nossa amizade
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Tudo de mim
Quem viu o passar do navio
Despediu-se em dor ao acenar
Cantou o triste canto do rouxinol
Glamourizou a saudade para sarar
Quem me viu ser flor a brotar
Tirando do bolso a desilusão
Maldizendo a atentada ironia
De ser um Condor calado na prisão
Tantas mazelas delicadas
Composturas postas à tua altura
Destreza que parece equivocada
E uma canção feita na madrugada
Quantos erros almejei alcançar
Pra tantas vielas tentei me lançar
E você parado estático em sua pose de mal
Me fez à contragosto adoçar o mundo real
Despediu-se em dor ao acenar
Cantou o triste canto do rouxinol
Glamourizou a saudade para sarar
Quem me viu ser flor a brotar
Tirando do bolso a desilusão
Maldizendo a atentada ironia
De ser um Condor calado na prisão
Tantas mazelas delicadas
Composturas postas à tua altura
Destreza que parece equivocada
E uma canção feita na madrugada
Quantos erros almejei alcançar
Pra tantas vielas tentei me lançar
E você parado estático em sua pose de mal
Me fez à contragosto adoçar o mundo real
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Qualquer coisa.
Além do que se vê
Qualquer coisa fere o amor
Destinos se cruzam em dor
Amores se perdem ao léu
Além de minhas palavras
Tua boca proferiu paixão doída
Uma nuvem subiu em despedida
Do que já foi em direção ao meu céu
O passado de rainha que se acabou
Trouxe uma coroa ressentida
Um cedro apagado em cores tímidas
Um coração que aos pedaços se desfez
Esfacelando-se em minhas mãos
Tu consegues ainda varrer do chão
E nos esgotos das avenidas atirar
Os restos de meu coração nu, sem par.
Qualquer coisa fere o amor
Destinos se cruzam em dor
Amores se perdem ao léu
Além de minhas palavras
Tua boca proferiu paixão doída
Uma nuvem subiu em despedida
Do que já foi em direção ao meu céu
O passado de rainha que se acabou
Trouxe uma coroa ressentida
Um cedro apagado em cores tímidas
Um coração que aos pedaços se desfez
Esfacelando-se em minhas mãos
Tu consegues ainda varrer do chão
E nos esgotos das avenidas atirar
Os restos de meu coração nu, sem par.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Além disso
Tua frieza me comove
E foste criado em república tropical
Tua tristeza te consome
Melhor seria um coração de metal
Aprendi a metalizar os sentimentos
Com fios de cobre duros e frios
Contigo aprendi a ser coração ao relento
Com sereno molhando a tez e os brios
E ao transportar-me em teu reboque sagrado
Mantive a fé diante de teu corpo gelado
O sentido da vida está no aprendizado da dor
O do meu sentimento aprende com teu amor
Seriam mantos de luz que te esperavam
Ou minha vida que comunicava-te meu senhor?
Foi você quem esquentou teus passos
Ou fui eu que num rompante perdi meu calor?
E foste criado em república tropical
Tua tristeza te consome
Melhor seria um coração de metal
Aprendi a metalizar os sentimentos
Com fios de cobre duros e frios
Contigo aprendi a ser coração ao relento
Com sereno molhando a tez e os brios
E ao transportar-me em teu reboque sagrado
Mantive a fé diante de teu corpo gelado
O sentido da vida está no aprendizado da dor
O do meu sentimento aprende com teu amor
Seriam mantos de luz que te esperavam
Ou minha vida que comunicava-te meu senhor?
Foi você quem esquentou teus passos
Ou fui eu que num rompante perdi meu calor?
terça-feira, 22 de setembro de 2009
tenho medo de escrever o que daqui cavo,
encontrar luz repentina no escuro azul de mim
e tanto breu na ponta do iceberg alvo que estranhamente trago.
tenho medo de escrever as palavras sós que se unem em mim
e descobrir um conchavo de lendas se formando nos meus universais confins
tenho medo de estar só em um ímo amadurecido de dor
só, em meio ao atentado de meu grande amor.
encontrar luz repentina no escuro azul de mim
e tanto breu na ponta do iceberg alvo que estranhamente trago.
tenho medo de escrever as palavras sós que se unem em mim
e descobrir um conchavo de lendas se formando nos meus universais confins
tenho medo de estar só em um ímo amadurecido de dor
só, em meio ao atentado de meu grande amor.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Altar particular
Meu bem, que hoje me pede pra apagar a luz
E pôs meu frágil coração na cruz
Do teu penoso altar particular
Sei lá, a tua ausência me causou o caos
No breu de hoje, sinto que
o tempo da cura tornou a tristeza normal
Então, tu tome tento com meu coração
Não deixe ele vir na solidão
Encabulado por voltar a sós
Depois, que o que é confuso te deixar sorrir
Tu me devolva o que tirou daqui
Que o meu peito se abre e desata os nós
Se enfim, você um dia resolver mudar
Tirar meu pobre coração do altar
Me devolver como se deve ser
Ou então, dizer que dele resolveu cuidar
Tirar da cruz e o canonizar
Digo, faço melhor do que lhe parecer
Teu cais deve ficar em algum lugar assim
Tão longe quanto eu possa ver de mim
Onde ancoraste teu veleiro em flor
Sem mais, a vida vai passando no vazio
Estou com tudo a flutuar no rio
Esperando a resposta ao que chamo de amor
Estou com tudo a flutuar no rio
Esperando a resposta ao que chamo de amor
Estou com tudo a flutuar no rio
Esperando a resposta...
MAria GAdú.
E pôs meu frágil coração na cruz
Do teu penoso altar particular
Sei lá, a tua ausência me causou o caos
No breu de hoje, sinto que
o tempo da cura tornou a tristeza normal
Então, tu tome tento com meu coração
Não deixe ele vir na solidão
Encabulado por voltar a sós
Depois, que o que é confuso te deixar sorrir
Tu me devolva o que tirou daqui
Que o meu peito se abre e desata os nós
Se enfim, você um dia resolver mudar
Tirar meu pobre coração do altar
Me devolver como se deve ser
Ou então, dizer que dele resolveu cuidar
Tirar da cruz e o canonizar
Digo, faço melhor do que lhe parecer
Teu cais deve ficar em algum lugar assim
Tão longe quanto eu possa ver de mim
Onde ancoraste teu veleiro em flor
Sem mais, a vida vai passando no vazio
Estou com tudo a flutuar no rio
Esperando a resposta ao que chamo de amor
Estou com tudo a flutuar no rio
Esperando a resposta ao que chamo de amor
Estou com tudo a flutuar no rio
Esperando a resposta...
MAria GAdú.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
o dente
Meu violão quebrou um dente!
O pobre coitado nem diz "ré"
Meu violão, meu deleite
Em notas miúdas nem sabe o que é
Oh! Não sabe se é do samba, do jazz ou da paixão.
Falta lhe uma corda como me falta uma canção.
Meu violão perdeu um dente.
Dente de leite, deleite sem chão.
Meu violão perdeu uma corda.
Acorda do sonho do violão.
O pobre coitado nem diz "ré"
Meu violão, meu deleite
Em notas miúdas nem sabe o que é
Oh! Não sabe se é do samba, do jazz ou da paixão.
Falta lhe uma corda como me falta uma canção.
Meu violão perdeu um dente.
Dente de leite, deleite sem chão.
Meu violão perdeu uma corda.
Acorda do sonho do violão.
Fases.
Mãe, por que as flores morrem?
Mamãe, por que o meu irmãozinho é diferente de mim?
Mamãe, por quê a tia Lúcia tem o rosto todo marcado? O que que ela fez?
Mamãe! Por que, mas por que os meninos são tão diferentes das meninas?
Mamãe, por quê eu gosto tanto do meu colega de aula?
Mãe, por que meu corpo sente essas coisas na presença dele?
Mãe.... Por que eu o amo tanto?
Mamãe, por quê ele ainda não me pediu em casamento?
Mamãe, por quê meu filho chora tanto à noite?
Mãe, por que agora o futebol é mais importante do que eu?
Mamãe, por quê o sexo não é mais frequente?
Mãezinha, por quê minha pele não têm mais vida?
Mãe, por que fazer quimioterapia dói tanto?
Mãe,
Por que a vida passou tão rápido?
Mãe,
Por que agora são meus filhos que perguntam, e eu a responder por você?
Mãe,
Por que esta cama de hospital agora é minha última pergunta, se nem resposta posso ter?
Mamãe, por que o meu irmãozinho é diferente de mim?
Mamãe, por quê a tia Lúcia tem o rosto todo marcado? O que que ela fez?
Mamãe! Por que, mas por que os meninos são tão diferentes das meninas?
Mamãe, por quê eu gosto tanto do meu colega de aula?
Mãe, por que meu corpo sente essas coisas na presença dele?
Mãe.... Por que eu o amo tanto?
Mamãe, por quê ele ainda não me pediu em casamento?
Mamãe, por quê meu filho chora tanto à noite?
Mãe, por que agora o futebol é mais importante do que eu?
Mamãe, por quê o sexo não é mais frequente?
Mãezinha, por quê minha pele não têm mais vida?
Mãe, por que fazer quimioterapia dói tanto?
Mãe,
Por que a vida passou tão rápido?
Mãe,
Por que agora são meus filhos que perguntam, e eu a responder por você?
Mãe,
Por que esta cama de hospital agora é minha última pergunta, se nem resposta posso ter?
domingo, 13 de setembro de 2009
Antigo ao antigo - Gravataí.

Um conselho?
Não confie nas pessoas.
Principalmente aquelas que se julgam "Do bem"...
Não confie nas pessoas.
Principalmente aquelas que se julgam "Do bem"...
As pessoas são dissimuladas, falsas...e quando você menos espera: Pronto, naquela festa, naquele encontro, naquele vestiário de academia elas difamaram a tua moral, o teu ser, sem nem sequer saber direito quem é você.
As pessoas só sabem com quem você já namorou [principalmente se foi alguém que elas estão de olho], com quem você se relaciona, as roupas que você usa, se você engordou, emagreceu, tomou aquele pileque e se divertiu.
Ser autêntico e feliz hoje em dia em Gravataí é tarefa para mestres! Mas sigo viviendo meus dias, com minha loucurinha saudável, com meu sorriso sempre escancarado para quem for, com minha voz mansa. Deixo estas pessoas (que infelizmente atraem para elas mesmas a negatividade que produzem com a maledicência) viverem a vidinha fútil que querem viver.Sei que não sendo do "kuklo" vou ser alvo mais algumas tantas vezes. Mas sei também que tenho harmonia, serenidade e paz suficiente para não receber esta negatividade, e para seguir ainda assim sendo querida com estas pessoas, dando ois simpáticos e sinceros, mandando recados no orkut. Pois esta é a minha forma de viver, e é assim que me sinto bem. Deste modo atraio muito mais pessoas verdadeiramente "do bem" para o meu lado, fazendo com que minha vida seja cada vez mais plena e feliz..se é que isso é possivel. Por isto confie apenas naqueles que sorriem com os olhos, que têm clareza na alma, que gostam de saber do teu dia-a-dia. Amigos de verdade são poucos, mas é fácil reconhecê-los! Por isto viva sua vida se importando com o que aqueles que te amam vão pensar...e não no vizinho, nos bonitinhos. Pois é quem te ama que vai pensar primeiro em você, e depois no que é certo ou errado...
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Como são nunca serão.
Ele não sabe.
Acordou às 7h como todo dia fazia, irritou-se ao perceber a chuva que caía e ao lembrar os lagos que se formariam nas ruas daquela grande metrópole. Não tinha guarda-chuvas e resolveu pegar um táxi, que demorou mais de 15min para passar e a sensação das roupas molhadas pela espera davam a ele a nostalgia da cama quente e do braço que estava o abraçando a poucos minutos.
O taxímetro estava alterado, e ele percebeu que a cada metro percorrido a sua carteira esvaziava-se, deixando-o com uma nuvem negra na cabeça por saber que nada podia fazer, já que a chuva lá fora que não cessava. Olhou pela janela e sentiu saudade do dia quente e ensolarado que havia deixado seu final de semana perfeito, enquanto o taxista dava pitacos sobre a chuva e os alagamentos, mas a única coisa que ele podia responder eram alguns resmungos monossilábicos por obrigação, e não parava de pensar em como a vida era injusta por estar chovendo, por ele não estar na cama junto com sua esposa, pela sujeira da cidade que alagava tudo, pela roupa cara molhada, pelo café que não havia tomado, pelo taxista safado, pela pobreza, pela política, a física e a matemática.
Mas ele ainda não sabia.
Quando chegou na empresa ele soube. Dois moleques, na faixa dos dez anos o abordaram. Era um assalto, e depois de entregar seus pertences os garotos gentilmente perguntaram, apontando suas armas brancas:
-"Tio, cê qué um furo ou um beliscão?"
Medo. Furo ou beliscão? Que raio de assalto é esse? Quem esses dois moleques pensam que são pra tirar tudo que eu comprei com anos de trabalho duro e ainda me perguntar essa merda? Medo. Medo. Medo de duas crianças.
Pensou rapidamente na família, nos filhos e na esposa. Logo concluiu que ganhar um beliscão seria certamente mais ameno que um furo.
Quando acordou no hospital deu um grito de dor... A cabeça parecia um turbilhão de imagens e lembranças que não queriam ressurgir. Não lembrou.
Onde estava? Por quê? Que dor cruel era esta que sentia no peito?
E só soube gritar pelo nome da esposa, num grito sufocado de desespero. Ao ver a imagem dela surgindo na porta, saudável e viva só sentiu vontade de chorar. Mais nada além de chorar, e nem sabia o porquê. Mas ele viu as rugas de preocupação da esposa, e foi só então que conseguiu perguntar o que havia acontecido.
Ela contou que o encontraram na rua da Alfândega, sangrando muito e desacordado, com os dois mamilos arrancados por um possível alicate... Foi então que ele lembrou do "beliscão".
E estranhamente ele acomeçou a agradecer a Deus por não ter escolhido o furo.
Estranhamente o efeito do alicate atingiu seu cérebro, que começava a não dar a mínima importância pra chuvas, lodo e lama. Estranhamente ele ali agradecia pela esposa, pelos filhos e por estar vivo para eles.
O mundo agora tinha vida, uma vida que ele ainda não tinha visto, perdendo oportunidades de fazê-lo colorido. E agora tudo era cor. Quão graves eram problemas cotidianos? Por quê ele deixara tanto tempo passar sem ver, querendo estar sempre nos lugares em que não podia estar? Não, a vida não era pequena como ele a fazia.
Ele enfim, descobriu.
Acordou às 7h como todo dia fazia, irritou-se ao perceber a chuva que caía e ao lembrar os lagos que se formariam nas ruas daquela grande metrópole. Não tinha guarda-chuvas e resolveu pegar um táxi, que demorou mais de 15min para passar e a sensação das roupas molhadas pela espera davam a ele a nostalgia da cama quente e do braço que estava o abraçando a poucos minutos.
O taxímetro estava alterado, e ele percebeu que a cada metro percorrido a sua carteira esvaziava-se, deixando-o com uma nuvem negra na cabeça por saber que nada podia fazer, já que a chuva lá fora que não cessava. Olhou pela janela e sentiu saudade do dia quente e ensolarado que havia deixado seu final de semana perfeito, enquanto o taxista dava pitacos sobre a chuva e os alagamentos, mas a única coisa que ele podia responder eram alguns resmungos monossilábicos por obrigação, e não parava de pensar em como a vida era injusta por estar chovendo, por ele não estar na cama junto com sua esposa, pela sujeira da cidade que alagava tudo, pela roupa cara molhada, pelo café que não havia tomado, pelo taxista safado, pela pobreza, pela política, a física e a matemática.
Mas ele ainda não sabia.
Quando chegou na empresa ele soube. Dois moleques, na faixa dos dez anos o abordaram. Era um assalto, e depois de entregar seus pertences os garotos gentilmente perguntaram, apontando suas armas brancas:
-"Tio, cê qué um furo ou um beliscão?"
Medo. Furo ou beliscão? Que raio de assalto é esse? Quem esses dois moleques pensam que são pra tirar tudo que eu comprei com anos de trabalho duro e ainda me perguntar essa merda? Medo. Medo. Medo de duas crianças.
Pensou rapidamente na família, nos filhos e na esposa. Logo concluiu que ganhar um beliscão seria certamente mais ameno que um furo.
Quando acordou no hospital deu um grito de dor... A cabeça parecia um turbilhão de imagens e lembranças que não queriam ressurgir. Não lembrou.
Onde estava? Por quê? Que dor cruel era esta que sentia no peito?
E só soube gritar pelo nome da esposa, num grito sufocado de desespero. Ao ver a imagem dela surgindo na porta, saudável e viva só sentiu vontade de chorar. Mais nada além de chorar, e nem sabia o porquê. Mas ele viu as rugas de preocupação da esposa, e foi só então que conseguiu perguntar o que havia acontecido.
Ela contou que o encontraram na rua da Alfândega, sangrando muito e desacordado, com os dois mamilos arrancados por um possível alicate... Foi então que ele lembrou do "beliscão".
E estranhamente ele acomeçou a agradecer a Deus por não ter escolhido o furo.
Estranhamente o efeito do alicate atingiu seu cérebro, que começava a não dar a mínima importância pra chuvas, lodo e lama. Estranhamente ele ali agradecia pela esposa, pelos filhos e por estar vivo para eles.
O mundo agora tinha vida, uma vida que ele ainda não tinha visto, perdendo oportunidades de fazê-lo colorido. E agora tudo era cor. Quão graves eram problemas cotidianos? Por quê ele deixara tanto tempo passar sem ver, querendo estar sempre nos lugares em que não podia estar? Não, a vida não era pequena como ele a fazia.
Ele enfim, descobriu.
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Soa amor aos.
Aos amigos que cá estão
A juventude é minha mão
Aos amigos que lá ficaram
A saudade e o medo da razão
A quem me fez relicário
O altar particular me guarda acima do chão
Ao meu jovem e lerdo coração
Que tento ensinar a saudade
Que fica em comunhão com o silêncio
Pois só soa amor aos amigos de verdade.
A juventude é minha mão
Aos amigos que lá ficaram
A saudade e o medo da razão
A quem me fez relicário
O altar particular me guarda acima do chão
Ao meu jovem e lerdo coração
Que tento ensinar a saudade
Que fica em comunhão com o silêncio
Pois só soa amor aos amigos de verdade.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Bençãos
Porque a promessa que me fizeram nunca se cumpriu
E quem não fez promessas meu riso descobriu
E hoje ele não quer mais sair do lugar
Uma boca sempre aberta sem pestanejar
E ainda há o amor sem dor, o amor com mel
Pensei que haveria menos acima do céu
Tão atônita e ingênua fui de não crer em bem algum
E a vida, sem vergonha, me provou que em amar não há mal nenhum..
E quem não fez promessas meu riso descobriu
E hoje ele não quer mais sair do lugar
Uma boca sempre aberta sem pestanejar
E ainda há o amor sem dor, o amor com mel
Pensei que haveria menos acima do céu
Tão atônita e ingênua fui de não crer em bem algum
E a vida, sem vergonha, me provou que em amar não há mal nenhum..
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