quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Era um homem desses normais que a gente encontra por aí.
Acordava todo o dia cedo, tomava café, ia trabalhar. A mesma rotina, a mesma vida, e todo o dia, o mesmo dia.
Era bem sucedido, até gostava do que fazia, tinha uma grande família, tinha alguns amigos.
Não era sozinho, mas também não tinha um amor de tirar o fôlego desses que às vezes a gente vê surgir. Era aquilo que ele tinha, e pronto.
Depois de um tempo havia se conformado a passar os dias sem aquele friozinho na barriga que antes o fazia idolatrar a sua bem vivida vida. Depois de um tempo sem adrenalina ou coração aos pulos, passou a beber mais, comer mais, se exercitar menos e a gostar mais do que não é devidamente possível, e só não era porque agora ele tinha preguiça de correr atrás.
E depois de um tempo, esse tempo foi se tornando longo, as horas do dia cada vez maiores, e no fim do dia diminuía a vontade de voltar para a mesma casa em que ainda morava, onde sua mãe preparava um reconfortante jantar para eles dois, e às vezes para sua estonteante namorada, a quem ele adorava o sexo, e pronto.
Era um homem de meia idade, e tão bonito! Era inteligente e tinha uma sapequice que sapecava no olhar bonito do mar. E onde ele ia, elas iam atrás. Ele surgia na porta e todas elas olhavam no tempo em que suas mentes o imaginavam beijando os lábios delas. Elas o desejavam. Elas ficavam nervosas na presença dele.
Riam sem parar, falavam besteiras para provocá-lo, e algumas indiscretas faziam convites tentadores.
Ele gostava dessa adoração, fazia se sentir mais bonito, mas já tinha um tempo que ele não queria mais essa vida vazia de conquistas fulgazes. Ele era um homem de verdade, e ele não sabia, mas isso as deixava ainda mais loucas por ele.
Ele era um homem bom, e tinha um coração de ouro, um coração que agora estava sem muitas pretensões de pulsar forte como antigamente. Ele ainda não arriscava testar sua sorte.
No fundo ele queria correr pela chuva, gritar no meio do mato, se apaixonar pelo proibido, dançar em cima
do muro, beijar de cabeça pra baixo, rir até doer a barriga, dormir sem roupas, sentir no peito a sua vida.
Mas ele era apenas um homem, desses normais que a gente encontra por aí.
Isso porque sua conformidade se apossara dele, e dele fez despir.

Um comentário:

  1. Senta a pua minina Bárbula
    É isso ai! não deixa a gente na saudade.
    bj

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