domingo, 11 de julho de 2010

Meus pedaços, numa carta.

Não é fácil mesmo enxergar beleza na tristeza... tudo que ela me parece é um poço, não uma porta aberta.
Pois é a esta minha dor que não ameniza com os prazeres mundanos a que devo todas as minhas lágrimas, a esta dor que não tem nome, que eu não sei de onde veio, pronde vai, o que faz, onde me toca pra doer tanto que devo todos os meus dias cinzentos e meus dias negros mesmo, como aqueles em que a morte atrai todas as ilusões. A ela, essa ceifadora sem nome, que devo tudo isso, mas não a ti.(...)
E quando eu digo que meu lugar é no mundo e não é aqui, fazem de mim a palhaça do circo sem lona.
Quero sair. Nasci com a mente livre, sem essa gaiola de rotina que querem me impor. Eu nunca quis isso! Eu quero mais, eu quero ser diferente, eu quero ser eu em qualquer lugar, sem fantasias.


sexta-feira, 9 de julho de 2010

A vida é um contínuo destruir, e os sonhos a gente deixa tombar, já que se é inevitável.
Como se estivéssemos vendo nossa maloca caindo ao chão, com um cobertor e um travesseiro na mão, de tudo que nos restou.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O texto batido

Você não pode me dizer
O que traz  no peito
Você não pode compreender
A cicatriz e o desejo
Você vive a contemplar
Seu universo alheio
Solto ao ar
Não se preocupa com eu

Talvez um dia eu volte pra casa
Talvez, talvez...

Você teima em repetir
Sempre as mesmas palavras
Em um espelho doloroso
Num reflexo teimoso
Você me engana quando diz
Que não gosta do beijo
Que acabo diluir
Junto na tua comida

Talvez um dia eu volte pra casa
Talvez, talvez...



Letra e música de Stanis Soares.



Linda, linda! Gamei.

quarta-feira, 7 de julho de 2010




















Tenho sentido ojeriza frequentemente.
Um bom bocado de frio e calor por ninguém.
Tenho medo que eu a use espampanantemente.
De ficar no escuro e perder o trem.
Ainda bem que no fim nos acontece;
Uma Maria José ou um João Alguém.


segunda-feira, 5 de julho de 2010

Pretos olhos negros.

A quietude das minhas asas,
Meus sentimentos em rebeldia.

Sou agora a (cru)eldade devolvida;
Sou agora negação.

Não, não se mata um coração assim.
Você o deixou para sempre naquela rua baldia.

Não, que ninguém venha até mim.
Sou o algoz do jocoso sem saída.

Nos teus tenros olhos pretos o escuro.
Um negro fiel à tua melancolia.

E que não haja em mim mais agrura.
Minha mente cosmopolita, tenra ilusão.

Viver sem nascer, morrer por axiologia.
Engodo puro.



quinta-feira, 1 de julho de 2010

Afogado.

Faz tempo que teus olhos tinham luz.
E iluminavam os caminhos alheios, e os anseios.

Faz tempo que limpavam a passarela,
dos caminhantes sem prumo, sem rumo.

Hoje afogam-se em maresia, heresia.
Dos mares do teu corpo em tempestade.

Não demora agora, vai surgir do fogo meu pó
E de novo, ao fogo sucumbir sem gemido.

Faz tempo que meu lápis não tem mais ponta,
E que a verdade deu um nó, na boca.

Faz tempo que meu corpo só sente, pressente.
As dores de um surdo-cego caindo no mar.

Faz tempo que águas calmas me afogam, borbulham.
Dá-me um tempo, lento.

Dá-me um tempo pra morrer sem lamento,
Um tempo pra desforra, alforria.

Dá-me um tempo.
Tempo.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Quando quiser compartilhar da infelicidade alheia, dá uma passadinha rápida pelos arredores do meu coração. De mim sempre terá um sorriso largo e uma gargalhada alta, mas felicidade não.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A condição do ser gente.

As pessoas confundem as energias, morrem cegos e só vêem no clarão do último suspiro.
Envergonham-se pelo abraço do pai que não fala, mas cada prazer abdicado para pagar a próxima mensalidade do colégio é um grito de eu te amo.
Escondem-se para falar de amor, e se for que só seja no escuro de um quarto sem janelas.
E teimam nos erros incertos para um sorriso fulgaz.
Ficam sozinhos quando o mundo tem tantos outros sozinhos.
Se houvesse um gigante nos observando sem tomar partido, diria:
- Estão perdidos.
E eu sou uma delas, perdida.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Me descomplico com um futuro complicado de externas desventuras e um para sempre sempre lembrado no peito com uma lágrima sorridente e um sorriso descontente.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Mas eu choro até desidratar!
Quando não tem mais água no corpo pra chorar eu me olho no espelho e não me reconheço pelo olho inchado.
Os soluços ficam, mesmo quando não existem mais lágrimas.
E nada adianta, eu não consigo tirar ele de lá.
Ele vai continuar lá, ele está lá, dentro do inferno do meu coração.
E o pior é que ele sorri.
O coração é o músculo mais forte do corpo.
No meu caso, não. No meu caso, não.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

As fortes orações.

Retiro calmamente as pedrinhas de minha estrada;
Planto umas flores com fitas de cetim;
Minha sorte é meu trunfo;
Meu destino sempre só coube a mim.

Visito um avô em seu jazigo,
Levo uns cravos e rogo por mim.
Uma breve oração e cai uma lágrima
Tudo de mal chegando ao fim.

No mesmo instante cai um dos cravos,
E uma borboleta leve pousa no meu ombro.
Como um sinal mágico que me diz,
Veja, minha querida, a vida é simples assim.

domingo, 6 de junho de 2010

Caio F. e eu. Uma das melhores conversas unilaterais que já tive.

"Fico tão cansada às vezes, e digo pra mim mesma que está errado, que não é assim, que não é este o tempo, que não é este o lugar, que não é esta a vida. E fumo, e fico horas sem pensar absolutamente nada:
Claro, é preciso julgar a si próprio com o máximo de rigidez, mas não sei se você concorda, as coisas por natureza já são tão duras para mim que não me acho no direito de endurecê-las ainda mais."
 
 
"... tenho uma coisa apertada aqui no meu peito, um sufoco, uma sede, um peso, não me venha com essas história de atraiçoamos-todos-os-nossos-ideais, nunca tive porra de ideal nenhum, só queria era salvar a minha, veja só que coisa mais individualista elitista, capitalista, só queria ser feliz, cara."
 
"Menos pela cicatriz deixada, uma ferida antiga mede-se mais exatamente pela dor que provocou, e para sempre perdeu-se no momento em que cessou de doer, embora lateje louca nos dias de chuva."


"Seria tão bom se pudéssemos nos relacionar sem que nenhum dos dois esperasse absolutamente nada, mas infelizmente nós, a gente, as pessoas, têm, temos - emoções."


"Tenho uma vontade besta de voltar, às vezes. Mas é uma vontade semelhante à de não ter crescido"

"Fiquei tão só, aos poucos. Fui afastando essas gentes assim menores, e não ficaram muitas outras. Às vezes, nos fins de semana principalmente, tiro o fone do gancho e escuto, para ver se não foi cortado. Não foi."

"Não, meu bem, não adianta bancar o distante: lá vem o amor nos dilacerar de novo..."

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Numa conversa as pessoas nos plantam questionamentos. Cabe a nós respondê-los. E ultimamente eu não tenho conseguido.

Fica sempre aquele...

Será?
E se...?



Pois é.

terça-feira, 1 de junho de 2010

=)

Hum...
Minha última postagem teve um efeito.
Eu não queria que tivesse, foi uma invenção maligna de minha cabeça e quero deixar claro que o suicídio é a coisa mais rídicula que existe no ser humano. Quem pode ser tão burro a ponto de tirar a própria vida? E tão egoísta?
Eu não tenho pena de quem faz isso, eu tenho raiva.
E a postagem foi pra mostrar como isso é estúpido.
Mas teve um efeito.
E foi maravilhoso.
Minha grande e antiga e eterna amiga Mari me ligou preocupada.
Deus sabe como foi bom falar com ela e ouvir a voz dela, aquela doce, gentil, amiga, fiel e sensata criaturinha!
Que saudades que eu tava.
A última vez que eu vi ela eu não estava me entendendo muito bem com a garrafa de vinho que eu já tinha sorvido...hehehe
Mas o fato é que eu senti saudades, muitas saudades de nós duas.
Fato.
E aí comecei a ler a minha agenda de 2004.
Oh! Como a gente viveu experiências maravilhosas e uma fase linda, e a gente dividiu isso tudo como amigas de verdade e de duas meninas-mulheres vivenciando novas experiências ...e que riram muuuuuito juntas!
O fato é que estou tendo um ataque de riso lendo a minha agenda, e devo isso a ela.
Depois de tanto tempo, graças a ela e as experiências que vivemos juntas, o dia de hoje se tornou um dia extremamente feliz!
Agradeço por tudo, e pela ligação de hoje, que me fez tão bem.
Tão bem quanto a ligação também doce, sincera e gentil da Rê Dihl! Me fez tão bem!
Eu parecia uma retardada quando desliguei o telefone, rindo sozinha. E minha mãe com cara de paisagem me perguntando:
- Quem era?
- Era a rê, mãe! Coisa mais querida!
Ai, que sentimento bom!
Meu Deus, obrigado por me fazer conhecer pessoas tão maravilhosas nessa jornada terrestre!
É fato que vi hoje também outro de meus amores, o Stanis, que passou por aqui.
Foi tão bom rever aquele rosto amigo e gentil!
Falamos pouco, mas  fiquei tão feliz!!
E quero deixar bem claro que estas coisas, estes gestos de vocês, prevalece em qualquer sentimento ruim... Porque enquanto a tristeza nos cava um buraco, a alegria nos leva ao céu... e não se fazem buracos no céu!
Estou no céu hoje.
Em paz.
Ahhhhh....obrigado, Deus! Obrigada Rê, Mari e Lalau!!!
Com um sorrisinho de nada vocês já me arrancam e estancam a dor e a saudade.
Muita felicidade!

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Insônia.

Havia roubado a caixa de remédios para dormir de sua mãe e tomou um para combater aquela lancinante falta de sono que deixava os sentimentos a flor da pele, e fazia as  lágrimas caírem soltas ao vento.
Eram 5h da manhã e o coração estava aos pedaços quando resolveu tomar a medicação, tomou e foi deitar com sua mãe.
Acordou no dia seguinte no meio da tarde, como se estivesse bêbada, sem ter muita noção de seus sentidos, sem lembrar de como havia dormido, mas havia! Isso era bom.
Estava com fome. Levantou.
Colocou um atum que estava aberto na geladeira no meio de um pão preto, encheu de catchup da melhor qualidade que seu papai comprava e comeu.
Foi para o computador, viu umas fotos e resolveu ver um filme na tv a cabo.
Sua mãe estava saindo para ir no médico, mas estranhamente sua mãe não falava com ela, nem olhava para ela.
Ela não ligou, preferia que ninguém soubesse da sua existência... Preferia não ver ninguém, nem saber de ninguém.
Queria mesmo era viver num submundo sozinha, longe de tudo.
Seu lindo cachorro preto estava no seu colo, dormindo, e ela se perguntava como podia ter ficado tanto tempo longe desse cachorro que ela amava tanto.
Estava com o cachorro, mas longe do homem que ela amava tanto. Como poderia aguentar?
Mas estranhamente dessa vez não doeu, nem sentiu a dor, nem uma lágrima se corrompeu.
O dia passou, o filme acabou, ninguém havia aparecido ou ligado, e quando o telefone tocou ela deixou tocar até cair.
Sua mãe voltou pra casa da consulta longa e exaustiva. Parecia não notar mais a sua presença naquela casa, simplesmente entrou, largou suas coisas na sala e entrou no quarto dela.
Ela viu que sua mãe falava sozinha no quarto e depois começou a gritar histérica, mas devia ser pelas roupas espalhadas e picadas em pedaços no chão, brincadeirinha de ontem a noite, na insônia desgraçada.
Como mamãe não parou de gritar e saiu correndo do quarto, ela resolveu perguntar o que estava acontecendo, mas ninguém a escutava, nem sequer notava a presença dela, e ela ignorou tudo e voltou pra frente da tv, se sentindo ridícula:
"Pronto, só porque voltei pra casa voltaram a me tratar como uma criança e não me contam mais nada", ela pensava.
Quando a polícia e a ambulância chegaram ela achou o cúmulo não saber o que se passava ali, na casa dela, e foi ver o que estava acontecendo.
Todos estavam entrando no quarto de novo, e quando ela entrou mais atrás só pode ouvir o paramédico dizendo ao policial:
- Foi suicídio ocasionado por excesso de medicação, pelo que pudemos constar... Ela teve uma overdose, e os frascos de Prozac e Rivotril estão aqui... vazios.
Sua mãe ajoelhada na porta chorava copiosamente e estava prestes a ter uma crise nervosa.
E ela estava vendo seu próprio corpo frágil e a pele muito branca naquela cama, sendo examinada pelos paramédicos, e via isso parada em pé da porta do quarto.
Então lembrou da noite anterior;
Tomou todo o frasco para que a dor parasse, a dor do sentimento corrompido. E parou.
Ela estava ali, morta vendo seu corpo estendido e estava feliz. A dor parou.
Deu gargalhadas que ecoaram pela eternidade.
Só o cachorro ouviu.
Não me contem piadas,
porque eu não vou rir delas.
Não me mostrem a luz da lua ou do sol,
Porque a minha própria luz se escondeu numa ratoeira dentro de mim.
Não me mostrem a beleza da vida,
Eu não vejo mais beleza em nada, e assim a morte se torna mais fascinante.
Não sintam pena de mim,
Eu não sinto, e acho que ninguém tem o direito de sentir isso de outra pessoa.
E por tudo que eu vivi,
Pelos dias felizes que eu passei,
Por um sorriso verdadeiro vindo de mim...
Por favor,

NÃO ME FAÇAM PERGUNTAS.
Eu jamais vou respondê-las,
e vou sair correndo quando elas forem feitas.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Só um pouco do que eu sinto e o que será até o meu fim... Te amo até o fim!








(I love you till the end - the pogues)

Te Amo Até o Fim - The pogues
Eu só quero ver você
Quando você estiver sozinha
Gostaria apenas de ter você se eu puder
Eu só quero estar lá
Quando a luz da manhã explode
No seu rosto, que se irradia
Eu não posso escapar
Eu te amo até o fim
Quero apenas dizer-lhe nada
Do que você não quer ouvir
Tudo o que eu quero, é para você dizer
Por que você não me leva
Para onde eu nunca estive antes
Eu sei que você quer me ouvir
Prender meu fôlego
Eu te amo até o fim
Só quero estar lá
Quando estivermos presos na chuva
Eu só quero ver você rir, não chorar
Eu só quero te sentir
Quando a noite colocar seu disfarce
Estou sem palavras, não me diga
Porque tudo o que consigo dizer:



Eu te amo até o fim

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Se tiver que ir, vai.


O que fica para trás, não sendo mentira,

não racha,

não rompe,

não cai.

Ninguém tira.

Já que vai, segue se depurando pelo trajeto,

para desembarcar passado a limpo,

sem máscara,

sem nada,

sem nenhum desafeto.

Quando chegar, sobe ao ponto mais alto do lugar,

onde a encosta do mundo faz a curva mais pendente.

E então acena.

De onde estiver, quero enxergar esse momento em que você vai constatar

que a vida vale grandemente a pena

terça-feira, 25 de maio de 2010

Por que que Deus criou a dor emocional?
Por que que a gente não podia ter só a dor física pra se proteger das coisas que machucam, e esse seria o mais próximo que a gente chegaria do inferno?
Mas não.
Ele inventou a maldita dor no peito, que abre um buraco entre o colo e o umbigo e faz a gente se sentir vazio.
VAZIO.
E aí como se isso já não bastasse esse buraco profundo começa a doer!!!
Meu Deus, de onde, mas de onde vem uma dor tão forte???
Quase dá um infarto em mim de tanto que dói!


Por que que Deus não nos fez todos iguais?
Por que eu tive que nascer cheia de idéias próprias e contestáveis e  cheia de mim?
E por que todo mundo é assim?
Por que a gente não podia ser uma séride de humanóides todos iguais que quando se apaixonassem poderiam se conectar com aqueles rabos-de-cavalo que a gente viu em Avatar e aí...pronto!
Seriam felizes para sempre, sem brigas, sem idéias diferentes... os dois seriam um, uma conexão interligada de um só pensamento, um só coração, uma só vida.
E quando o outro sentisse essa dor e esse vazio que eu agora tô sentindo, ela pudesse ser dividida, recortada no meio e compartilhada com o seu par (pelos rabos-de-cavalo) e aí tudo ficaria mais leve e mais fácil de aguentar.


Por que o mundo não pode ser utópico e cheio de flores e borboletas e céu azul e sol claro?
Por que tem que existir ratos, baratas, esgotos, cinza, preto, fedor, sujeira, dentes podres e flamenguistas?
Por queeeeeeeeeeeeeeeeee meu deus?
Eu não páro de me perguntar e questionar Deus.

Eu queria mesmo era morrer e viver no céu, onde não existe fossa, só sorrisos e amor.

Ah, o amor.

Por que mesmo que Deus inventou o amor?


PURA SA-CA-NA-GEM COM A PORRA DA HUMANIDADE!
AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!














quero morrer.

domingo, 23 de maio de 2010

Era como um ciclo vicioso,
ou um vício cicloso.
E seria eterno,
enquanto durasse.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Fuga (z)

Ei, Pasárgada, vou deixá-la outra vez.
Não preciso mais de sonhos e maluquices de quem não cresce.
Não preciso mais fingir felicidade e sorrir amarelo pra quem me olha.
Minha cordialidade devastou-se em teus rios,
E teus pássaros me levam de volta ao sossego.
Coisa mais chata era ter que fingir todo o tempo.
A boa moça, a querida e a sorridente.
Então me deu vontade de sair e estou aqui.
Numa realidade muito, mas muito contundente.
Se um dia eu fui o próprio rei,
quando construia castelos no ar e sonhava alto;
Hoje eu já não quero mais te reinar, Pasárgada.
Tudo que eu quero já está aqui comigo.
Eu não preciso mais chorar escondido.
Porque a tristeza se perdeu num vale verde no mato.
E por algum tempo ela perdeu meu rastro.
Até chegar o lancinante dia em que eu voltarei;
E irei tomar café com a tristeza em uma manhã fria.
Esperando passar a banda na minha frente que gritará:
- Pasárgada tem de volta seu rei!

terça-feira, 11 de maio de 2010

E daí hoje eu acordei toda inspiradíssima!
Cheia de idéias novas, projetos e milhões de luzinhas faíscantes dentro do meu cérebro!
Mas não tenho tempoooo pra parar o mundo e pôr minhas idéias no papel.
O dia é corrido demais aqui dentro desse escritório confortável e gelaaado e de noite a internet que eu roubava não pega mais.
Tenho passado meu tempo livre dormindo muito e vendo muitos filmes em dvds piratas que eu compro na esquina de casa.
E como todos podem ver, virei uma pessoa menos solícita e mais ilícita, que rouba a internet dos outros, compra dvd pirata e ainda fala tudo isso aqui, numa boa.
Nos finais de semana eu gosto de fugir do sol, passear um pouco e dormir mais um pouco e mais um pouco ainda.
(Sem internet é #$%@!)
Nada de muito novo no front, só as idéias que começaram a surgir, e me agonia muito não ter tempo pra colocá-las no ar.
Com a internet só no trabalho, mal consigo comentar nos blogs amigos, como o do Stanis, que teve uma das postagens mais incríveis de todos os tempos, dividida em dois blocos sensacionais,  e eu NÃO PUDEEE AINDA COMENTARRRRR... E eu me odeio por isso!
Não consigo responder meu orkut, meus emails e minha mãe deixou um enorme puxão de orelha público  dizendo que sou desnaturada por não responder os recados e os emails que ela manda.
Meus amigos não me mandam mais nada e já desistiram de me cutucar no facebook, porque eu nunca respondo.
Mas tenho tido tempo pra me ver, e adivinhem?
Tõ aprendendo beeeem devagarzinho a crescer na cabeça e no coração.
Tô aprendendo a ter paciência em cada coisa que eu for fazer, nem que seja plantar um pé de feijão, tô me forçando a aprender a ser mais gentil, mais educada e ser paciente comigo e com os outros.
Tô fazendo um esforço enormeee pra conseguir entender algumas pessoas que eu nem conheço direito e me fazem sofrer sem querer, (há de se entender, pessoas magoam sem querer o tempo todo), e eu tento mesmooo tentar entender, porque o tempo todo eu também magoo, sem perceber.
To aprendendo que tem gente que é anjo mesmo, que a gente vê só uma vez e se sente tocado, e a partir daí a gente sabe que a gente vai continuar a caminhada de outra perspectiva (uma mais feliz e menos solitária).
E eu acho sei que me odiar até as vísceras vez em quando é normal tanto quanto aqueles dias em que eu rio pro espelho.
To percebendo que tem tanta coisa que eu ainda tenho que aprender, perceber, discutir e fazer e que eu tenho tantos defeitos quanto um queijo que tem tantos furos.
E eu não sei se fico triste ou feliz por ter percebido tanta coisa sobre mim.
E eu descobri também que meu pai e minha mãe são meus heróis mais que nunca, porque eu nunca consegui aprender ou explicar como, mas cooooomo eles arrumavam tempo pra trabalhar, cuidar da casa, fazer compras, lavar roupas, se divertir e ainda cuidar de dois filhos capetas!?
Eu jamais teria conseguido.
Crescer exige tempo e habilidade?

Eu não sei,
to aprendendo também.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Fênix.



Como aquele pássaro forte eu renasci das minhas cinzas.
Me conheço, me emociono, te conheço.
Faço um mantra todos os dias de equilíbrio.
Fiz um acordo comigo de libertação.
E hoje sou, estou, (res)surgi.
Das cinzas quentes do meu vulcão.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Último.

Desisti do blog,
só vim dar uma meia-explicação,
pois não haverão mais postagens por aqui.
Não vou excluí-lo porque gosto de visitar o "painel" e ver as postagens incríveis dos amigos.
Obrigada pelos comentários sempre estimulantes, pelas visitações, e pelo simples marcador "lindo", que em um clique tanto me fez sorrir.

Beijos a todos.

Eu tenho vergonha pelas pessoas...



Eu tenho medo de gente "pseudo".

Pseudo-apaixonada;
Pseudo-amante;
Pseudo-mulher;
Pseudo-bruxa.

Medo sim.
Porque essas pessoas não sabem que fungos e monstros habitam dentro de suas mentes insanas.
Um belo dia elas olham para alguém e resolvem que ali está a solução de todos os problemas. 
Então sugam toda a energia e a alegria desta pessoa, como uma sanguessuga que só descrava os dentes da sua perna se você a queimar com um fósforo.
A pessoa se esvai do melhor jeito que a sanguessuga puder fazer:

Se você é sentimental, será uma escrava sentimental.
Se é alcoólico, será alcoolátra.
Se é pobre, ganhará tudo que puder te dar avareza.

Tudo isso para que você dependa da sua sanguessuga.
E você será submisso a ela.

Até que num outro belo dia você olha a sua volta e não vê mais ninguém.
Seus amores e amigos já foram embora, e sua sanguessuga já cansou de brincar de ioiô com seu corpo e com sua alma, e vai atrás da próxima paixonite-vítima que terá energias suficientes para seu vampirismo.

E você?


Será um eterno arrependido.

sábado, 24 de abril de 2010

Carta para meu irmão.

Mano,

É tanta saudade desse sorriso lindo e dessa doçura no olhar.


Tua presença grita na tua ausência!

Cada gosto, cheiro ou coisa que eu vejo e me lembre de ti, me faz pensar em como sou abençoada por Deus em ter um serzinho tão especial na minha vida.

Ontem mesmo me lembrei das tantas vezes que tu me fez travessuras, e em tantas outras que me fez mergulhar na doçura de uma infância querida bem tratada e cuidada pelos teus abraços e sorrisos, mano querido que me ensinou a arte da alegria e da estrepolia...

Um anjinho endiabrado, que muito levado, me fez hoje lembrar... Das muitas vezes que a culpa era minha e ele sorria ao ser castigado e das outras vezes que o teu sorvete era mais gelado e assim sendo me doava de bom grado.

Das vezes que eu merecia, e nem por isso teu rosto de raiva se enchia, de como aprendi contigo maninho querido, a viver a vida de um jeitinho mais levinho, bonitinho e sempre com um sorrisinho que é pra tristeza e a cara feia do pobre de espírito afugentar.

TE AMO.
 
 
 
(Antigo)
 
 
 

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Contos de Rei Arthur.

Um dia, o jovem rei Arthur foi surpreendido pelo monarca do reino vizinho enquanto caçava em um bosque de sua propriedade. O Rei vizinho poderia tê-lo matado no ato, pois tal era o castigo para quem violasse as leis da propriedade, contudo se comoveu ante a juventude e a simpatia de Arthur e lhe ofereceu a liberdade, desde que no prazo de um ano trouxesse a resposta a uma pergunta difícil.
A pergunta era: O que realmente as mulheres querem? Semelhante pergunta deixaria perplexo até o homem mais sábio. Ao jovem Arthur pareceu impossível respondê-la. Todavia, aquilo era melhor do que a morte, de modo que regressou a seu reino e começou interrogar as pessoas. A princesa, a rainha, as prostitutas, os monges, os sábios, o palhaço da côrte, em suma, todos, e ninguém soube dar uma resposta convincente. Porém, todos o aconselharam a consultar a velha bruxa, porque somente ela saberia a resposta. O preço seria alto, já que a velha bruxa era famosa em todo o reino pelo exorbitante preço cobrado pelos seus serviços. Chegou o último dia do ano e Arthur não teve mais remédio, a não ser recorrer à feiticeira. Ela aceitou dar-lhe uma resposta satisfatória, com uma condição: ela queria casar-se com Gawain, o cavaleiro mais nobre da Mesa Redonda e o amigo mais íntimo do Rei Arthur! O jovem Arthur a olhou horrorizado: era feíssima, tinha um só dente, desprendia um fedor que causava náuseas até a um cachorro, fazia ruídos obscenos, nunca havia conhecido uma criatura tão repugnante! Se acovardou diante daperspectiva de pedir ao seu melhor amigo para assumir essa carga terrível. Não obstante, ao inteirar-se do pacto proposto, Gawain afirmou que não era um sacrifício excessivo em troca da vida de seu melhor amigo e a preservação da Mesa Redonda. Anunciadas as bodas, a velha bruxa, com sua sabedoria infernal, disse: "O que realmente as mulheres querem é serem soberanas de suas próprias vidas"! Todos souberam no mesmo instante que a feiticeira havia dito uma grande verdade e que o jovem Rei Arthur estaria salvo. Assim foi: ao ouvir a resposta, o monarca vizinho devolveu-lhe a liberdade. Porém, que bodas tristes foram aquelas! Toda a côrte assistiu e ninguém se sentiu mais desgarrado, entre o alivio e a angústia, que o próprio Arthur. Gawain se mostrou cortês, gentil e respeitoso. A velha bruxa usou de seus piores hábitos, comeu sem usar talheres, emitiu ruídos e um mau cheiro espantoso. Chegou a noite de núpcias, quando Gawain, já preparado para ir para a cama, aguardava sua esposa. Mas ela apareceu como a mais linda e charmosa mulher que um homem poderia imaginar! Gawain ficou estupefato e lhe perguntou o que havia acontecido. A jovem lhe respondeu com um sorriso doce: como havia sido cortês, com a metade do tempo ela se apresentaria com aspecto horrível e a outra metade com aspecto de uma linda donzela. Então ela lhe perguntou: Qual ele preferiria para o dia e qual para a noite? Que pergunta cruel! Gawain se apressou em fazer cálculos: poderia ter uma jovem adorável durante o dia para exibir a seus amigos e à noite na privacidade de seu quarto uma bruxa espantosa, ou quem sabe ter de dia uma bruxa e uma jovem linda nos momentos íntimos de sua vida conjugal. Vocês, o que teriam preferido? O que teriam escolhido? 


 
O nobre Gawain respondeu que a deixaria escolher por si mesma. Ao ouvir a resposta de Gawain, ela anunciou que seria uma linda jovem de dia e de noite, porque ele a havia respeitado e permitido ser dona de sua vida.
 

Moral da história: Não importa se a sua mulher é bonita ou feia, chata ou compreensiva.
No fundo, sempre é uma bruxa.


Ela se transformará de acordo com a forma que você a tratar.





(Desconheço o autor)

terça-feira, 6 de abril de 2010

Enquanto é escuro lá fora e a chuva derruba o lar e a vida de alguém, você pode parar e olhar para o seu lado? Você pode dar a mão ou a passagem para alguém pulando uma poça? Você pode deixar para olhar seu umbigo depois que você chegar na sua casa quente, tomar o seu banho quente, tomar o seu café quente, enquanto as pessoas aqui fora não tem mais uma casa, estão à deriva num rio que deveria ser uma estrada...e já não sabem definir a palavra "quente". Quem é você, senão mais um suscetível a ser o próximo a pedir ajuda?



Eu fico apavorada, quando num momento em que todo mundo precisa de ajuda, as pessoas só pensam nelas mesmas.

Terrível!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

És tu, ó impiedoso vilão, o algoz que agora me fere os olhos tal qual punhal!
És tu, minha mente nublada de raiva e rancor.
És tu o amargo deste licor venenoso que me tira a vida.
Caio na noite cálida, com faces da cor da lua,
obra do veneno que sorvi com o gosto amargo da tua traição.
Me despeço da vida agora, como quem se despede de seu carrasco,
e faço de ti o único culpado desta juventude interrompida pelo amor
que não me deste e dedicaste a outra senhora.
Quando te vi no alpendre a soprar no pé do ouvido de Aurora tuas juras,
não pude mais continuar a viver.
Para sempre vou te amar,
Joana.


Inácio terminou de ler a carta com as mãos trêmulas e as lágrimas rolando maçãs abaixo.
Lembrou-se das duas noites anteriores, quando Aurora apareceu em sua casa para lhe pedir ajuda, pois estava apaixonada por seu primo, Felício, e não sabia como dizê-lo.
Ele, que conhecia Felício há tantas primaveras sabia que Aurora seria a candidata perfeita, e cochicou em seu ouvido o dia, a hora e o local que ele havia bolado um plano para os dois se encontrarem.
Assim que Aurora saiu Inácio riu sozinho e lembrou-se de sua linda e amada noiva, Joana. Iriam se casar dali a 2 meses, e ele estava muito feliz.
Mas agora, lendo aquela carta e vendo o miúdo, gelado e branco corpo de sua amada ao seus pés, nada mais tinha sentido. A culpa e as dúvidas foram como uma névoa em sua cabeça, deixando-o cada vez mais confuso.
Ele havia dado todas as provas de que a amava! No primeiro instante que a viu ele se apaixonou por ela, e ela sabia disso. Deu presentes, cartas, juras e a pediu em casamento uma semana depois de conhecê-la.
Como esta tenra criatura poderia ter cometido tal desatino apenas por ter visto uma cena comprometedora?
Oh, Deus, porque ela não havia falado com ele, batido nele, gritado, terminado o compromisso?
Tudo menos isso....
Pegou nas mãos de Joana com carinho, fechou seus olhos vagarosamente, disse um "eu te amo" pela última vez com o pesar que agora trazia em seu coração, e olhou para o céu, fazendo uma sentida interrogação que assolaria sua mente pelo resto de sua vida:
"- Oh, Deus! Será que algum dia um homem conseguirá provar a uma mulher que a ama?"

domingo, 4 de abril de 2010

"E quero que todos saibam que o meu verdadeiro código,
é o amor."



Francisco CÂNDIDO Xavier

quarta-feira, 31 de março de 2010

Sylvia.

Carlos era um bom homem.
Mas ele estava apaixonado por um robô.
Ou quase um robô.
Ele comprou pela internet um software, em que você cria o seu robô na tela do seu computador, e ele faz o que você quiser pra você, em vídeos. Como um tamagosh, ou uma realidade virtual.
Todas as noites ele ia para a tela do computador e despia seu robô, enquanto Marina dormia.
Ficava imaginando cenas eróticas com Sylvia,e ele tinha dado esse nome à ela inspirado em sua atriz pornô preferida.
Fez vídeos virtuais dela nua, e sua mente dava tropeços enquanto olhava pasmo aquele corpo escultural e aquela mulher depravada.
Oh, como queria poder tocá-la!
Enquanto isso, Marina dormia. Ela era boa esposa, carinhosa, prestativa, bonita e educada. E ela amava ele.
Mas Carlos já havia se apaixonado por seu robô.
Um dia Marina desconfiou.
Checou e confirmou: Carlos tinha uma namorada virtual, uma robõ nua e depravada que fazia sexo oral no vídeo quando e como ele queria!
Primeiro ela não disse  nada. Ficou à espreita toda vez que ele ia pra frente daquele computador. As reações dele a fizeram corar de ódio e uma nuvem negra pairou sobre ela. Ficou assim mais uma semana, só observando ele nas madrugadas. Via ele rindo, se deliciando com as imagens e dizendo:
- Sylvinha, te amo minha gata gostosa!
No domingo, com as malas prontas anunciou o fim do casamento de 20 anos deles, e explicou o porquê.
Carlos, pasmo, perguntou como ela tinha coragem de terminar uma relação estável por causa de uma mulher que nem existe na vida dele!
Ele disse ainda: Meu amor, não faça isso comigo, Sylvia não existe na realidade. Não é muito melhor assim do que se eu saísse, entrasse na primeira porta e transasse com uma mulher de verdade, te traindo?
Marina, com os olhos estalados, olhou incrédula pra ele e simplesmente respondeu,
- Claro.
Mas seus pensamentos diziam:
"como ele tem a coragem de desbravar um diálogo desses comigo? Então é isso realmente que ele quer, outra mulher além de mim apenas, e faz isso virtualmente pra que não escorregue na vida real? Será que ele não entende a minha humilhação ao perder para essa mulher sem gorduras e sem celulite que faz loucuras na cama? Será que ele não entende que eu perco toda a minha auto estima quando ele deixa de se deitar comigo para apenas olhar para ela? Será que eu não sou boa o bastante? Será que foi a minha barriga ou as minhas coxas grossas? Meu deus, o que foi que eu fiz de errado!?Há anos não ouço um elogio, ou um simples 'te amo' que saia dessa boca e esse tempo todo que eu me detonei achando que tinha que melhorar por ele, pra conquistar de novo os olhares dele, ele dizia isso a um robô."
Pegou as malas, confirmou a reserva no hotel e saiu.
E já que estava no hotel mesmo, resolveu que ia tirar umas férias.
Oh, mas Deus recompensa! Apesar da saudade de Carlos e do coração ferido por Sylvia, Marina estava vivendo os seus melhores dias de liberdade! Desde os tempos de solteira não sentia isso.
Tomava banhos de sol, banhos de piscina, água de côco, fazia sauna, massagem...tudo que podia.
Até que ela conheceu Ricardo.
Ricardo estava no mesmo hotel. Não era bonito, mas era engraçado e simpático. E principalmente, fazia ela se sentir uma princesa, dizia coisas doces a ela, como se ela fosse a mulher mais linda do mundo. Oh, fazia tempo que ela não se sentia tão adorada, e como toda mulher, adorou isso.
Começou a namorar Ricardo, e estava mais feliz do que nunca. Amou muito Carlos, mas ele não havia dado valor a ela, ou, pelo menos nunca demonstrou isso.
Marina e Ricardo foram morar juntos. Um dia, assistindo a um noticiário, viram Carlos na TV.
A notícia era:
"Homem com problemas mentais tenta entrar em computador"
Ele estava no hospital psiquiátrico machucado porque havia tentado este feito fantástico.
Depois que Marina se foi ele viu que Sylvia jamais poderia satisfazê-lo de verdade, e que sua ex-mulher era sim muito importante para ele. Viu que a vida real não tinha mais sentido sem Marina e "inventou" uma máquina para "entrar no computador" para poder viver com a sua ardente Sylvia.
Pobre Carlos, viveu até o fim da vida no Pinel.
Vez em quando Marina levava frutas e doces a ele, conversava com ele, e mesmo louco ele sabia reconhecer isso e agradecia, às vezes chorava de saudade do tempo em que viviam juntos. Em momentos de lucidez pedia desculpas por ter estragado tudo, mas nesse ponto ele estalava o olho e dizia a ela:
-Ahhh... Mas que a Sylvia era muuuuito gostosa, isso ela era.

terça-feira, 30 de março de 2010

A jardineira.

Um dia eu me apaixonei por uma mulher.
De verdade.
Ela era tão bonita, doce e gentil!
E tinha um sorriso no rosto que deixava as flores tímidas. Ela tinha uma energia solar que aquecia o coração de quem a conhecia, e pra mim foi como uma mãe que me recebeu na vida dela de braços e coração abertos para que eu entrasse pela porta da frente e nunca mais saísse. Eu me apaixonei por ela como quem se apaixona pela vida.
Um amor desses fraternais quando a gente encontra uma alma irmã, mesmo sendo tão diferente de mim.
Ela é jardineira.
Ela tem quatro rosas mágicas, e que são extremamente valiosas. 
Ela todo dia acorda cedinho e antes mesmo de tomar o seu café da manhã, ela coloca luvas e vai até o seu canteiro, onde ela cuida, conversa e rega suas rosas. Vez ou outra ela encontra, numa de suas rosas, um afiado espinho que a faz sangrar, então ela sente dor e às vezes chora, mas basta lavar a ferida que ela volta a cuidar de suas rosas com um largo sorriso e todo aquele amor incondicional que ela guarda dentro dela.
Entrei na sua vida por acaso, e antes mesmo de conhecê-la, eu já havia me apaixonado pelo seu jardim. Como uma intrusa, e com uma grande dose de cara de pau, eu pedi a ela pra cuidar de uma de suas rosas.
No início foi assim: ela me ensinando a regar, eu trêmula a titubear.
Até que um dia sem menos nem mais eu me vi no meio do jardim, feito uma gérbera ao lado das rosas mágicas.
Ela havia me dado a dádiva de fazer parte daquele lindo jardim no quintal do coração dela.
Para as flores, o jardineiro é eterno.
E ela é.
Feliz aniversário Ana Maria Ramos Rosa. 
A menina-mulher mais incrível que eu já conheci, e que me rega todos os dias.

segunda-feira, 29 de março de 2010






"...Ela é a menina do nariz arrebitado,

Ela é a dona do pó de pirlimpimpim.

Ela decide se o ruim será bom,

ou se o bom será ruim.

Ela é a dona do pó de pirlimpimpim..."

quinta-feira, 25 de março de 2010


Ele dormia sentado,
Ela dormia sempre.
Ele acordava à noite,
ela de manhãzinha.
Ele lua, ela sol.
Ele ouvidos, ela dissabor.
Ele paz, ela furacão.
Ela peixe, ele anzol.
Ele música, ela televisão.
Ele café, ela sabor.
Ele força, ela vulcão.

Ele amor,
ela mais amor.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Era um apartamentico.
Desses bem pequenos e sem janelas.
Não cabiam as roupas no guarda-roupas e mal os dois podiam ficar de pé ao mesmo tempo no mesmo cômodo.
O que era engraçado era como um cubículo feito uma caixinha de fósforos podia dar tanta felicidade praqueles dois. Se viravam ali como se fosse um mundo colorido feito pra eles, e só pra eles.
Era como se aquela coisinha minúscula fosse um palco, um salão de danças, um atelier, um circo e algumas vezes até um ringue...
Era bagunçado,  às vezes tinha louça na pia e toalha em cima da cama.
Mas foi ali que eles tiveram os melhores momentos entre os dois.
Foi ali que eles se conheceram a fundo, foi ali que tiveram a primeira briga feia, foi ali que choraram e riram, foi ali que se abraçaram, foi ali que falaram "eu te amo" com sinceridade absurda, foi ali que descobriram os defeitos mais secretos um do outro, e contaram segredos...
Há uns dias atrás os dois se entenderam de um jeito fascinante, como se um tivesse entrado dentro da alma do outro e entendido tudo.
Se olharam por um bom tempo e aceitaram juntos que agora ia ser amor pra valer, sem meias verdades e medidas desmedidas.
Era amor medidinho, pra não ter erro de transbordar ou faltar.
E desde então eles correm sérios riscos de não se largarem nunca mais...

segunda-feira, 15 de março de 2010

Suave.

Passa agora a tempestade. 
Voa pra longe, junto com a morna brisa que me toca, as lágrimas que um dia lhe chegaram e nunca caíram. E juntinho com o sol, que vem assim devagarzinho, vem de mansinho aquele amor medido direitinho, que cabe certinho dentro do meu e do teu coração.

quarta-feira, 10 de março de 2010


 

Uma vez eu tive um amigo muito querido.
Depois que peguei as malas e fui embora daquela cidade, ele nunca mais falou comigo.
Talvez eu precise pedir desculpas pela minha ausência, eu simplesmente saí voando sem olhar para trás. Fiz uma despedida e fui.
A verdade é que eu sinto saudade das palavras reconfortantes que ele tinha sempre pra me dizer, das noites e noites afora que a madrugada ria com a gente, das nossas conversas intermináveis, dos momentos que só a gente viveu, felizes.
E tudo na vida que a gente passa a gente precisa aproveitar cada instante. 
Porque passa como uma brisa, que vem de mansinho, nos toca e vai embora.
E é triste.

terça-feira, 9 de março de 2010

Espelho.ohlepsE



Vinte e um anos depois,

com uns quilinhos a mais, a pele mais branca, o cabelo mais comprido e as unhas mais mal cuidadas...

Aprendi a me aceitar.
Me olhei bem no espelho, e cada defeito que eu via tinha um lado positivo.
Gordurinhas, manchinhas, marcas, pintinhas...
Tudo o que há em minha pele é meu, e é lindo.
E pela primeira vez eu consigo dizer isso com sinceridade.
Esta semana pra mim tem sido muito feliz.
A partir do momento que eu passei a me aceitar, a me olhar no espelho do banheiro e no espelho da minha alma e ver beleza, tudo fluiu.
Os problemas que a gente têm são reflexos das nossas não-aceitações e dos nossos complexos.
Ainda tenho muitos complexos, mas são internos, não dá pra ver.
Tenho traumas, tenho marcas que não são na pele, são na alma...
Traumas secretos, que contei para uma unica pessoa, a pessoa que eu confio, a pessoa que eu gosto, a pessoa que eu converso, a pessoa que eu amo, e a pessoa que eu feri.
- Por orgulho, por medo de não-aceitação, por complexo, insegurança.-

E hoje eu escancaro um sorriso seguro pra mim mesma.
Me sentir capaz me torna melhor pra mim, melhor pra quem está a minha volta, porque só agora dá pra entender que qualquer problema que me cerca é um efeito de uma causa que EU cometi.
Tudo a minha volta é uma consequência do que eu fiz, do que eu faço, do que eu digo, do que eu sou.
E hoje eu sou feliz comigo, com os outros.
Tranquila, bonita, querida.
Eu posso, eu sou.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Anjinho.

Quando ele queria, ia lá no guarda-roupas e tirava do cabide aquelas asas e aquela auréola... ele cuidava bem pra que ficassem bem branquinhos sempre, acho que colocava de molho no alvejante quando lavava.
Aí ele saía pela rua assim e ia conversar com seus amigos, com papai e mamãe, e como ele estava vestido daquele jeito, basicamente um santo, todos acreditavam nele, todos sentiam pena dele, todos eram a favor dele. Até auréola ele tem!!!
Já ela acordava todo dia igual; escabelada, desgrenhada e reclamando. Ia no guarda-roupa e pegava a primeira blusa que ela via, dava uma olhada por cima, via se estava mais ou menos limpa e saía. Quando ela queria conversar com seus amiguinhos ou com sua mamãe, ela falava a verdade. Não tinha medo de mostrar a sua roupinha doce e a sua fantasia assustadora, que ela usava uma ou outra vez, mas na maioria das vezes era um pouco das duas. Ela era meio errada, errava, andava torto e pedia desculpas, mas também queria receber.
Mas anjinho lá pede desculpas?
Anjo não é aquele ser que não precisa dar explicação e tem sempre razão?
Aí ela decidiu o seguinte, já que de qualquer jeito iam crucificá-la com palavras que foram soltas ao vento por ela usar um vestidinho bege meio sem graça ou uma roupa mais apimentada e a alma endiabrada,
que fosse por uma boa razão!
Quem vê anjo já foi pro céu.

Não sei receber elogio...

- Nossa, teu cabelo é tão lindo!
- Que é isso, tá enormeeee, cheio de pontas duplas, e antes ele era mais claro agora tá todo escuro, nada a ver..
- (...) ...

quinta-feira, 4 de março de 2010


os psiquiatras afirmam que uma em cada quatro pessoas tem alguma deficiência mental. Fique de olho em três dos seus amigos. Se eles parecerem normais, o retardado é você!

terça-feira, 2 de março de 2010

Olhava pela janela do carro em pensamentos distantes.
Ouvia sem escutar as risadas dos outros que a acompanhavam, apenas olhava o nada. Nem paisagens, nem árvores, nem flores. Nada.
A mente submersa em seu próprio mundo, um jardim particular que ela gostava de ir todos os dias para tirar suas conclusões e refletir.
Chegou naquela casa grande e antiga, sorveu um gole de seu café quente e amargo enquanto ouvia aquela notas de Tom, e lembrava daqueles olhos que a encaravam naquela noite, desde a vinda dentro do carro. Aqueles olhos profundos que ela não conseguia tirar dos pensamentos. Havia tantas dúvidas que faziam a cabeça dela girar. Um "será" a perseguira durante toda a noite.
Mas ela sabia que não podia mais perder seu tempo pensando naqueles olhares. Tomou mais um gole de seu café e num fio de segundo deu uma olhadela, só por ver, e os olhos ainda não haviam parado de fitá-la.
Mas que diabos, ela pensou, e sorriu.
Lembrou do beijo... Aquele beijo apaixonado que ele havia dado nela sem que ela pudesse se defender, e ela adorou. Não podia, mas adorou aquele beijo cheio de paixão.
Ele também estava confuso pois era um desses rapazes como uns poucos que a gente vê, com sua imaculada moral. Ele gostava de fazer o que era certo e isso definitivamente não era, mas ele estava apaixonado e nada mais podia fazer pra se defender dessa paixão proibida.
Ela se sentia atraída por ele ao extremo, de modo que às vezes deixava isso aparecer para outros além dele, e isso estava ficando perigoso.
Deu mais uma olhadela, e os olhos continuavam ali no mesmo lugar, olhando pra ela com aquela admiração que a fazia corar. Baixou os olhos, não sabia mais o que fazer com aquela situação, ela era comprometida e ele não, mas ele sabia dos seus limites e mesmo assim, ou talvez por causa disso, ela achava que estava se apaixonando por ele também.
Sentia coisas estranhas na barriga quando ele entrava e a vontade de agarrá-lo se misturava com a vontade de não perder o noivo que ela tanto gostava.
Ouviu um sussurro em seu ouvido, um vulto por trás dela,
- Me encontra no jardim.
E ela foi, sorrateira ao encontro dele.
Beijaram-se como se o mundo fosse acabar ali, enquanto a reunião lá dentro continuava e o som alto das gargalhadas era ressoante. Voltou para dentro, trocou mais longos olhares com ele e pediu ao noivo para ir embora.
Dormiu e sonhou com ele, esse estranho que agora invadira sua mente.
Levantou cedo no outro dia, a cabeça girando de confusão, tomou um banho e foi trabalhar. Saiu junto com o noivo, como faziam todos os dias.
No ponto de ônibus seus caminhos se separavam e ela o beijou com vontade. Sentia-se culpada, ela gostava muito dele e em breve iam se casar. Era uma relação boa, apesar de meio turbulenta e afinal, ela o amava realmente.
No caminho para o seu trabalho recebeu uma mensagem de texto: "Já estou com saudades. Te espero as 17h aqui em casa. Beijos, linda!". Era ele. Ai, meu Deus, por que esse homem a atormentava? Porque mexia tanto com ela? Ele estava tirando a paz que ela sempre teve! E se o noivo descobrisse? Ai, meu Deus!
Apagou a mensagem na hora.
Ela intercalava os pensamentos e os sentimentos confusos entre o noivo e o outro.
As 17h em ponto ela estava na casa dele, e entrou o beijando fogosamente. Ele havia preparado um lanche da tarde com pães e vinhos e eles ficaram lá até as 19h30min, quando ela voltou para casa, feliz, apaixonada, revigorada. Parecia que ele a fazia esquecer dos problemas.
Parecia que ele, de alguma maneira fazia a relação dela com o seu noivo melhorar.
Ela parava de se dedicar tanto ao relacionamento e seu noivo ao sentir isso, dedicava-se um pouco mais. Era exatamente o que eles precisavam há anos! Menos dela, mais dele.
Um mês depois ela se casou numa linda cerimônia, ele estava lá, como padrinho do noivo. Eles se olharam muitas vezes durante o casamento.
Ela continuou fazendo suas visitas semanalmente a ele, esse amigo colorido e cordial padrinho de seu noivo, e assim sua vida era satisfatória como nunca foi.
O coração dela não havia sido feito para amar um só homem, ela devia isso a ela mesma, já que ela jamais se permitira viver sem se dedicar demais ao outro.
E agora que ela se permitia, nada podia ser mais feliz.
Ela era boa o bastante sim, e enfim ela sabia.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Concentração.

Ô mundão difícil.
Haja tato pra saber o que fazer em cada situação. 
Eu juro que ainda não aprendi. Aí num rompante acontece o inimaginável e você começa a enxergar o fundo daquele poço que um dia você superou, e tudo bem... nada que um Prozac e uns pulsos cortados não resolva.
E quem é forte o bastante pra se conter com os empurrões ao abismo que a gente leva?
Tem uns e outros aí se achando forte, achando que o sofrimento não afeta as mentes humanas.
Até hoje não vi ninguém que tenha caído num abismo, ou simplesmente que tenha levado um tombo qualquer, levantar sem arranhões e marcas...

E tudo bem que as vezes a energia do corpo acabe, que a leveza que eu gosto tanto se transforme em toneladas, que o sorriso venha acompanhado de sarcasmo ou educação... Tudo bem. 

Tudo bem que é obrigatório para ser humano não entender que as palavras que são ditas ficam encravadas na nossa carne, e quando desditas, levam um tempo pra cicatrizar... 
então melhor não encostar, não lembrar, não mexer pra não sangrar. Mas mesmo assim até a mais serena das criaturas machuca as outras com palavras não pensadas.

Aí eu guardo as minhas fraquezas num potinho, e tento lacrar bem a tampa... Mas basta uma distração, uma bem pequenina, que ele abre mesmo assim, e surgem elas pra me maltratar e sou eu quem começo a querer me guardar num potinho longe de tudo.

Antes eu saía a gritar por alguém que me salvasse...de mim. Isso porque eu me sofro demais. Agora já me vesti toda de branco, respirei fundo e me fiz um acordo de paz. Me embebi em concentração pra tentar me fazer rir a toda hora e a todo custo... Mas descobri que também tem hora pra não rir.

E eu já fui uma dessas sozinhas sem-amor que jura que não precisa de ninguém pra ser feliz e saí em desatino por aí a beijar bocas vazias e cheias de tédio. Então eu olhei pra mim, olhei bem pra mim... e tinha um buraco vazio bem aqui dentro, que às vezes crescia e me fazia desaparecer. Acrescentei mais algumas clausulas no acordo... Melhor que paz é amor. E comecei a amar demais, demais mesmo. Intensa, eu fui e sou. Mas amar demais funciona? E se machucar? Voar alto só dá um tombo maior?

Então eu agora começo a entender porque existem essas pessoas meio invísiveis que a gente chama de "sem graça". Não são engraçadas, são tímidas e só vivem de trabalho e estudo, certinhas demais. É ó-bvio! Isso tudo é precaução... ninguém quer sofrer demais!!!!
E quem vive intensamente sofre mais que o normal, sofre até tomar veneno de rato e chora até vendo novela de Manoel Carlos.
É... haja concentração pra conseguir ter precaução e viver uma vida "sem graça" e sem dor.

Sem dor. Sem dor.


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Era um homem desses normais que a gente encontra por aí.
Acordava todo o dia cedo, tomava café, ia trabalhar. A mesma rotina, a mesma vida, e todo o dia, o mesmo dia.
Era bem sucedido, até gostava do que fazia, tinha uma grande família, tinha alguns amigos.
Não era sozinho, mas também não tinha um amor de tirar o fôlego desses que às vezes a gente vê surgir. Era aquilo que ele tinha, e pronto.
Depois de um tempo havia se conformado a passar os dias sem aquele friozinho na barriga que antes o fazia idolatrar a sua bem vivida vida. Depois de um tempo sem adrenalina ou coração aos pulos, passou a beber mais, comer mais, se exercitar menos e a gostar mais do que não é devidamente possível, e só não era porque agora ele tinha preguiça de correr atrás.
E depois de um tempo, esse tempo foi se tornando longo, as horas do dia cada vez maiores, e no fim do dia diminuía a vontade de voltar para a mesma casa em que ainda morava, onde sua mãe preparava um reconfortante jantar para eles dois, e às vezes para sua estonteante namorada, a quem ele adorava o sexo, e pronto.
Era um homem de meia idade, e tão bonito! Era inteligente e tinha uma sapequice que sapecava no olhar bonito do mar. E onde ele ia, elas iam atrás. Ele surgia na porta e todas elas olhavam no tempo em que suas mentes o imaginavam beijando os lábios delas. Elas o desejavam. Elas ficavam nervosas na presença dele.
Riam sem parar, falavam besteiras para provocá-lo, e algumas indiscretas faziam convites tentadores.
Ele gostava dessa adoração, fazia se sentir mais bonito, mas já tinha um tempo que ele não queria mais essa vida vazia de conquistas fulgazes. Ele era um homem de verdade, e ele não sabia, mas isso as deixava ainda mais loucas por ele.
Ele era um homem bom, e tinha um coração de ouro, um coração que agora estava sem muitas pretensões de pulsar forte como antigamente. Ele ainda não arriscava testar sua sorte.
No fundo ele queria correr pela chuva, gritar no meio do mato, se apaixonar pelo proibido, dançar em cima
do muro, beijar de cabeça pra baixo, rir até doer a barriga, dormir sem roupas, sentir no peito a sua vida.
Mas ele era apenas um homem, desses normais que a gente encontra por aí.
Isso porque sua conformidade se apossara dele, e dele fez despir.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Bagunça.

Ok,ok... estou meio relapsa com tantas coisas!
Não respondo meus emails, não coloco cartão pra responder as mensagens, no orkut nem dou sinal de vida e além disso estou distante quilômetros e quilômetros dos pais e dos amigos.
Minha vida está meio bagunçada e eu não acho tempo nem coragem pra organizar as coisas. E por estar assim, as pessoas acham que eu sou fria.
Mas eu não sou não... Só estou começando uma nova vida, numa nova cidade, com um novo emprego, com uma nova casa, em um novo relacionamento, e apesar de ser tudo muito excitante é tudo muito complicado também, e nada fácil.
Mas eu posso sumir do mapa, e mesmo assim, quando eu voltar estarei com os mesmos sentimentos bonitos pelos meus amigos.
Desculpem se ando meio desligada, mas essa é minha principal característica.
;)

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Num pedaço de pau em cima daquela árvore
Em meio ao barulho quieto do mato
Entre aquelas folhas verdes e molhadas
Do sereno que passou e deixou rastro

Canta um pobre solitário na quietude
Um rouxinol  triste fugindo do sol
Nas asas, fogo, e um cordão no pescoço
Seu canto chora por ser só, um rouxinol

E sua voz entorna um pranto
Sua música dança entre as dálias
Entrega melancolia pelo pântano
Contorna o fluxo das águas

Mas o pobre pássaro ainda canta
Num suspiro melodioso, voa com dor
E morre no primeiro acorde, no primeiro pulo
Morre sem saber o que é o amor

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Tenho por ti uma adoração que me é estranha.
Gosto de te pôr perto das minhas estrelas,
aonde as crianças estão penduradas em cordas.
Gosto de te olhar por muito tempo e te ouvir falar,
aonde a tua voz é uma rua baldia.
Gosto de imaginar as coisas que eu não sei,
aonde o sonho é um sopro que se esvai.

E me vejo caindo num abismo de ilusões,
mas gosto de me ver assim,
quando minh'alma também cai.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Ora, veja só.
Te encontrei na rua depois daqueles nossos dias
Te vi me olhar, pairando em agonia.
Me despedi da conformidade e quis de novo sofrer por você.
Ora veja só,
De novo por ti me perdi. Meus sonhos, cadê?
Tua pele quase prateada e eu a te espiar de viés;
Como criança atrás da porta descobrindo segredos antigos de uma mulher.
Ora, veja só.
Meu samba e minha vida agora sem tua metade.
Minha pele a se apaixonar cada vez mais por essa saudade.
E em meu peito, essa dulcissima e doída dor.
Ora, veja só.
Eu a escrever teu nome em cada conto com louvor.
Eu a pisar no meu calo antigo, criando novas feridas.
Gostando do que sentia, por só assim estar contigo.
Ora, veja só.
Quantas vezes teus olhos me farão encontrar a luz?
E vou cavar em mim o que já não existe.
Por você serei cego carregando esta cruz.
Ora, veja só.
E se me pedires pra ficar, amor, digo não.
Ou todos esses meus ternos e duros dias de sofrimento,
Teria eu metricamente sofrido, e vivido, e aprendido, em vão.



.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Épico?

Não há hipocrisia no meu andar, no meu penar.
É isso aí mesmo, a gente na condição de humano faz as coisas certas e as coisas erradas.

Eu guardo dentro de mim um bem e um mal.
Uma metade lago e outra furacão.
Um pouco de tristeza, um pouco de frieza, um pouco de candura.
Eu sou assim mesmo,
Metade força, metade ternura.
Metade seguir a linha reta,
Metade fugir com a loucura.
E não nego a minha condição.
Todo mundo tem um monstro.
E quem acha não tem, não enxerga que está sendo ele nesse momento.
Então não me venha com falsos moralismos, que comigo não funciona.
Não me venha falar de prisões e afetos,
Que não há mocinho e vilão em qualquer história.
Tudo que há,
É o lado que você prefere acreditar.
Julgue a ti mesmo,
o resto é sacanagem.

E dai acontece que o queridinho da história sempre tem razão.
Ele é o mocinho.


Mas alguém já foi ver o que ele fez para o vilão?

E se o vilão de agora antes fosse mocinho?

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Eu apenas queria que você soubesse
Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo presa na poeira
Eu apenas queria que você soubesse
Que esta menina hoje é uma mulher
E que esta mulher é uma menina
Que colheu seu fruto, flor do seu carinho
Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também
E que a atitude de recomeçar é todo dia e toda hora
É se respeitar na sua força e fé
E se olhar bem fundo até o dedão do pé
Eu apenas queria que você soubesse
Que essa criança brinca nesta roda
E não teme o corte das novas feridas
Pois tem a saúde que aprendeu com a vida.



Gonzaguinha

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Teus olhos fixos nos meus.
Me deu uma vontade de sorrir.
E eu ri, meio envergonhada.
Sem saber o que fazer tentando me aparecer pra que você notasse.
Não consegui ler as linhas nubladas de teu olhar.
Sou eu muito devassa, ou só notei o que você não disse?
Você é um mistério que me encanta.
Eu sei que estou insana e essa idéia me atinge como punhal.
E essa paixão descarada se mascara quando se intimida com teu olhar.
Há em você essa beleza inteligente, estranha.
Que me olha, me encara, me deixando nua.
Minha cabeça girando com idéias sobre você.
Sobre tua voz suave e teu corpo que me chama.
Sobre essa beleza e a tua compostura.
Uma postura de rei.
E estranhamente me apaixonei.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Qualquer um pode fazer qualquer coisa.

Ora, Deus criou a força de vontade!

Crescer dá trabalho.

A gente aprende a projetar um plano de ação pra nossa vida. E é frustrante.
E a gente nem pode usar mais as nossas asas e sair a voar pelo mundo nas manhãs de sol!


A gente sempre é mal compreendido.
Não importa com quantas letras você explicar, sempre haverá alguém que vai entender de outra forma e se magoar.

A gente tem que aprender a ganhar dinheiro.
Pra conseguir pouco, trabalhar muito. Essa é a regra.
E a maioria das vezes, as pessoas não fazem o que querem ou o que gostam, mas a sobrevivência é necessária, então julgam que a felicidade vem logo ali, do ladinho da conformidade.


A gente sempre acaba ficando triste.
Adulto tem mania de ficar triste com tudo. Inventou a depressão quando precisou chamar a atenção e conseguiu definí-la como doença. Adorou.
E ai começou a sentir isso por qualquer motivo.
Pela pobreza, pela guerra, pelo terremoto, pelo emprego, pela chuva, pela lama, pelo amor.

Ah, o amor...

Ainda tem isso, o coração entregue.
A gente entrega o coração pra alguém, e a partir desse momento, não importa quem seja e se você é correspondido, você nunca mais viverá seguro.
Sempre haverá perguntas ambulantes em sua cabeça; Se o outro te ama, se ele está feliz, se você o faz bem, se o sexo é bom, se ele pretende ficar com você por muito tempo...

Bendita hora que Deus inventou a infância!
A melhor fase da vida na terra.
Onde a gente só obedece papai e mamãe.
Sem responsabilidades, sem escolhas, sem renúncias.

Mas é esse perrengue que nos dá valor, moral, ética.
É ele que nos dá liberdade de seguir nosso caminho sem medo.
É ele que faz a insegurança do amor ser só um detalhe, e o amor ser um aprendizado que nos molda com a forma sublime de diamantes lapidados com sabedoria.
E tem muita gente grande que ainda não cresceu, que vive na asa do papai, que não sabe aprender com as durezas da vida, com a dor ou com palavras ásperas.
As pessoas crescem de tamanho de acordo com seu modo de vida.
Tem pessoas pequenininhas que são gigantes!
E pessoas com alma de criança, mas que sabem lidar muito bem com o mundo dos adultos.
Crescer é chato sim, e trabalhoso, mas constrói um caráter e formula uma vida de sucesso.










"Neste mundo não tem professor

Pra matéria do amor ensinar
Nem tão pouco se encontra doutor"

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Feliz aniversário.



Onde estão minhas bruxas, minhas ninfas aladas?
Onde estão minhas fadas, meus duendes e unicórnios?
Cadê os príncipes, os castelos e as princesas feitas de mel em minhas histórias açucaradas?
Onde está a magia dos magos encantados que me fizeram ter asas?
Onde está meu mundo vivo, colorido e que é fantástico e de alegria?
Onde estão os elfos que me tiram da agonia?
- A tua idade os assassina, minha filha. -
- E se eu tivesse esquizofrenia,
mesmo assim os mataria? -
É que eu vivo na esquisitice.
Tão diferente de tanta gente com pé no chão.
E meus contos de fada se desfazem em vão.
Pergunto onde eles estão?
E quando observo o mundo pelos meus olhos esquisitos,
lá estão.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Um desejo que se personifica em formas, sussurros e sentidos.
Uma olhadela pelo vão da porta, e a solidão a dois que não é muda.
Contornos facetados como cristais, que reluzem em meus olhos, cegando a razão.
Quiçá largos sorrisos desfoquem minha linha reta em tuas mãos.
Compro num suspiro o fôlego que não resiste a tua tentação.
Além dela, o amor que pulsa de nossos corações.
Um tum tum dourado inundado de cinquenta novas ilusões.
Parceladas em bocas que se juntam, se cruzam, matizes aguadas.
A ti meu corpo, minha alma,
Meu tudo.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Há na vaidade um veneno poderoso que envenena o próprio espelho.
Sem espelho sadio, quem é você?

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Era uma vez, numa terra muito distante, uma linda princesa independente e cheia de auto-estima que, enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas, se deparou com uma rã.

Então, a rã pulou para o seu colo e disse: - Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Mas uma bruxa má lançou-me um encanto e eu transformei-me nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir um lar feliz no teu lindo castelo. A minha mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavarias as minhas roupas, criarias os nossos filhos e viveríamos felizes para sempre...


E então, naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava:

- Nem fo...den...do!




(Luís Fernando Veríssimo)

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

A morte.

Apesar de tudo,
a morte foi uma ilusão.
Tens que amá-la como ama a vida, pois a morte é renovação.
Tudo que se tem, tudo que existe, começa a morrer no instante que nasceu.
Pois nada é permanente.
Tudo está em contínua mudança, a cada instante, a cada momento.
Não poderia nem mesmo existir a permanência, porque o próprio conceito de permanência depende da existência da impermanência para ter algum significado.
Não se conhece o quente se não experimentar o frio.
Observa isto com atenção. Contempla esta verdade.
A morte é uma ilusão.
Nossas vidas serão eternas na memória de quem tocamos.
Assim seremos eternos;
Nossos nomes serão contemplados nas mentes de nossos netos.
Nossas fotos estarão nas estantes de nossos filhos.
A morte é tão somente um passo importante da renovação da vida.
Aonde deixamos de coexistir em dura carne, e passamos a existir em quentes corações.
Com carinho,
com amor.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Lágrimas na chuva.




Foram tantas as vezes que tentei te fazer ver a razão.
De mostrar a paixão que caiu como uma luva.
De te fazer entender o porquê dessa desilusão.
Mas foram como lágrimas na chuva.

Não viu a diferença da água que escorre para a água que morre.
Não quis perceber a dor do meu olhar.
Não quis ver a falta que a falta faz.
Só percebeu que a chuva caía devagar.

E cansada, desisti de te tentar.
Então foi você que chegou perto sem avisar.
Na minha vez de te dizer, de me mostrar e de te ter.
Eu não te quis, e eu nem sei o porquê.

Foi quando as lágrimas na chuva vieram de você.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Sem mais,

Fique remoendo tua saudade ativista dentro de ti.
Das luzes que iluminaram teus anos que passaram.
Que eu vou livre seguir as tintas
Que começam a pintar um quadro em branco,
sem moldura.
Porque a minha vida é mais que um passado arrependido.
Não é como a tua.
A minha vida é um futuro promissor.
É amanhã viajar e pisar na lua.
Saudade pra mim é uma boa lembrança que ficou,
Pra você é um amor que ainda não passou.
E se nossas idéias continuam perpendiculares,
Vá em frente comigo,
ou continue de ré na tua solidão.
Sozinho.

Subconsciência egoísta.

Porque escravizar as pessoas numa opinião?
Ou isso ou aquilo. Escolha.
Eu posso discutir idéias altruístas tanto quanto egoístas defendendo os dois lados.
Posso gostar de Gandhi e de Bush.
Tudo é diferente, mas são os mesmos átomos, a mesma matéria prima do universo.
As diferenças são para unir, acrescentar, embelezar.
O cara que inventou a palavrinha "ou" fez muito bem em fazê-la tão pequena.
Porque é isso.
As coisas são minimamente diferentes.
Tudo vem da mesma essência, vive com o objetivo de sobreviver.
E mesmo assim, a gente vive a nossa vida inteira falando mal de tantas pessoas, e sem sequer lembrarmos que podíamos ser nós no lugar delas, a gente concorda com o falatório e se revolta, ou, morre rindo.
Quem nesse mundo consegue se destacar, sofre as consequências de um preconceito ridículo que todo (e quando eu digo todo me incluo nisso), todo o ser humano carrega cruelmente dentro de si.
Seria tão melhor se as pessoas fossem mais empáticas antes de falar;

Antes de falar mal daquele presidente,
Daquele músico que você chama de vagabundo,
Daquela atriz que você chama de gostosa,
Daquela menina que voou atrás de um amor.

E se for você o político e estiver fazendo O MÁXIMO, sem conseguir parar as bombas de ódio que as pessoas te enviam?
E se for o seu filho o músico e estiver se saindo muito bem, e lutando pelos seus objetivos sem se importar em passar trabalho, mas nunca conseguindo romper a ignorância de todos que o colocam invariavelmente na testa o título de "vagabundo"?
E se aquela atriz gostosa for a sua filha, uma moça muito bela, muito direita, inteligente e recatada, e você não achar justo que a tenham colocado esse rótulo?
E se a menina que voou for a sua esposa? Se ela tivesse ouvido todos os "nãos" para não ir atrás de você, você teria sido feliz?

Estranho como quando mudamos a perspectiva para o nosso lado, o preconceito some.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Aprendi.

Nenhum homem é digno de uma mulher.
Nenhum.
Mas toda mulher é generosa o suficiente para amar um homem.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010