sábado, 25 de janeiro de 2014

Ao amor que foi e voltou. E foi.

Enquanto escrevo, o céu assim escuro
Eu sorvo uma vida esverdeada
E cato o tempo assim, mudo
Que me despiu essa madrugada

Saudade faz tão bem quanto o murro
Que a vida dá numa cotovelada
Desfaço a noite num sorriso puro
Que a muito tempo não encontrava

E teu olhar tão triste e baixo
Fala de um tempo antes de nós
Teu poema todo em que me encaixo
Faz de nós uma paixão atroz

E finjo que não sei
O que isso quer dizer
Eu e você sem lei
Num mundo ainda a se conceber.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

- Eu só quero, do fundo do coração, que você morra.

- Tá bom, tá bom. Combinado. Mas antes vem aproveitar um pouco de vida comigo? - 
Ela diz, piscando e dando aquele sorriso torto que ele ama. Ela sabe que ele sempre se entrega depois de um sorriso torto e um ombro desnudado.

- Droga.
Faz quase um ano.
Estes dias te vi, magro de sorrisos e gordo de amor.
Sorri.
É engraçado como as coisas aconteceram e foram acontecendo, e as decisões que eu tomei.
O mais engraçado é o quanto eu sinto a tua falta. Me falta como aquele dia que faltou cerveja e atravessamos a cidade pra buscar. É aquela necessidade urgente que a gente sentiu que eu sinto hoje por ti.
Me falta o olhar doce e o abraço apertado e aquele jeitinho de ir chegando e tomando conta do que era o meu pequeno pedaço de apartamento.
Me faltam os S's, os dós e os nós que nós mesmos fazíamos.

Outro dia te vi, e fumei mais um cigarro atravessado, ciente de que ele me traria de volta a realidade e de que eu estive sempre certa...

Não trouxe e eu não estava.

Tem alguma coisa em mim que foge do 'viveram felizes pra sempre'. E sempre fugiu.
Eu já tive coragem pra ir e vir, ser e não ser, estar sem você e viver com você. Hoje eu não sei bem se eu tenho qualquer coisa.
Eu só quero te ver feliz.


Que da minha sanidade cuido eu.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Das dores que tenho medo.

Quando brotou amor em mim, fiz poesia, fiz prosa, fiz música.
Andei por aí sorrindo, sambava com a noite, conhecia os donos dos bares das esquinas, banhava o corpo com a felicidade que existia nessa minha morada de amor.
Quando o amor foi arrancado de mim, eu chorei. Sofri como nunca tinha sofrido e até achei que tinham arrancado o meu coração, porque doía muito.
Jurei nunca mais.
E por isso, meu bem, eu fujo.
Quando meu coração começa a amolecer de novo vou logo dando um soco cruzado pra ele se aquietar.
Chega a ser uma fuga inconsciente, quando me dou conta estou a quilômetros de distância.
Fujo de investidas pesadas para algo mais sério, fujo tremendo quando ouço "quero casar com você".
Fujo de amores pra não sentir as dores.
Com você não foi assim, você sabe.
Tudo fluiu como aquela nossa bossa, nós tínhamos nossas noites de violão com Camelos e morcegos passando por nós. Tínhamos poesia, alegria. Ríamos tanto. Você, tão doce em meio ao meu azedume, assobiava mais uma canção, e mais outra, aceitando meus pedidos incansáveis.
Tínhamos tanto carinho pelo que éramos.

Só que eu me apaixonei.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Dedo na boca.

Éramos três
Eu, você e o segredo
E sorrindo malicioso
Você acariciava meu cabelo

Altivo, bonito e fumando alecrim
Dançava Elvis e sorria
Eu era rua baldia
Mas teus lábios passaram por mim

E rindo de quem nos provém
Fez-se o suspiro quase mudo.
Desfez a noite, o teu brinquedo,
Que iluminava tudo.

Menos o nosso segredo
Que hoje guardo com teu cheiro
No bolso gasto de pano
Da minha velha calça jeans.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Porque quis.

Nômade eu sou, 
Daqui pra lá, em um segundo eu vou.
O conforto que para muitos é tão essencial,
Até mim traz grades de metal.

Vejo a luz do sol,
o brilho da estrela
E da luz sigo o rastro,
Insisto em outro planeta

Seja feita a minha vontade
Sou deusa de mim mesma
E só a mim peço ajuda,
apenas eu posso fazer os milagres.

TE(a)MO,
ó minha eterna condição de aprendiz.
Se um dia fui triste,
foi justamente porque quis.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Tinha o olhar atento,
no intento.
Contemplava a boca,
de longe
Que ela já sabia,
era macia.
Desviou os olhos,
a tempo
Sabendo,
amor impossível:
Era a saudade,
a felicidade
e a vontade
todos os dias.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Anarco-amor

Não quero sua regra,
não quero seus nãos,
não quero você.
Vai e ama,
me deixa amar também,
que o amor é livre
E partir faz bem.
Depois volta, pronto pro café
Que eu fiz com um sorriso
Pensando na beleza de tudo isso
Liberdade que a gente tem
De se amar sem ser par,
Sem ser de ninguém.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Os exatos.

Que a senescência daquele ser já estava tomando conta, apesar da idade em flor.
Porque a lua na praia não deixou de ser bonita, nem o copo do botequim, ou o queijo empanado. Que os acordes das violas dos luais ainda ecoavam aos ouvidos e a poesia ainda soletrava ardida e febril e dedilhava no ar, e além disso a alma ainda fechava os bares do Rio, mas as pernas não.
Só e simplesmente por gostar de estar ali, sentada no sofá vendo a repetição do seriado dos anos 70.
Até que ouviu da janela um sussurro constante.
Era ela, tão somente ela, pedindo socorro naquela janela.
E o silêncio enraizado naquela sala nada mais era que o grito mudo implorando pelo mundo.
Juntou as pilhas de copos e pratos, lavou.
Vestiu o vestido já meio mofado, a sandália do verão passado e foi ver se encontrava sua alma já meio bêbada e alegre na mesa de um bar...

terça-feira, 9 de julho de 2013

Janta de inverno

Quando percebi que as conversas findaram
Inda havia um fiapo de esperança.
Que o amor ali era eterno,
Mas as recíprocas viviam em mim,
Num pra sempre de espera...
As flores murchavam
E a paciência seguia magrinha
Mas havia o trato
Que tudo se resolveria
Numa tarde de primavera
E assim seguia uma vida
Com desleixo e tristeza
Vivendo como quem sabe
Ter a morte sobre a mesa.

sábado, 1 de junho de 2013

Eu que te amei demais,
Não amo mais.
Não.

Só penso,
Que queria me enroscar nos teus círculos,
adornados círculos,

E abraçar as tuas formas, teus braços
aqueles que eu pouco toquei,
Pra conseguir de novo, dormir em paz.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Estranhos extremos.

Aí você acorda mais um dia e percebe que tem muitas tarefas e em nenhuma delas você terá ajuda. Você toma o seu café sozinho, arruma a casa sozinho, leva seu filho para passear, tomar vacinas, e tudo bem, você não está realmente sozinho, porque tem a companhia de um pequeno de nove meses que ocupa o seu tempo e a sua mente com sentimentos bons e muito amor.
Mas na verdade, e apesar de não dizer isso nunca em voz alta, você queria alguém para conversar e que o respondesse, alguém que gostaria de ir ao mercado com você, alguém que dividiria os problemas com você, alguém que acorda e te beija todos os dias e que rouba as suas cobertas sem dó durante a noite. Alguém que quebra a sua xícara preferida e esconde os cacos no fundo do lixo pra você não ver que foi ele.
Você sente falta das conversas sem nexo, das risadas de madrugada, das saídas sem hora, da cumplicidade, das mãos dadas, da massagem nas costas, de dar nomes às pessoas na rua.
Você sente falta de alguém que saberia responder qual é mesmo o nome daquela música que você gosta daquele artista americano cabeludo, que começa assim...papapapa...
Então você fuma, e você come, e você bebe. Pra preencher um vazio que a poucos dias você nem sabia o que significava, mas agora você sabe.
Não quer admitir para ninguém, mas sabe.
Vai na cozinha umas 20 vezes por dia, come todos os bombons e quando acaba faz um brigadeiro de panela, mas não era doce que você queria, então você frita qualquer coisa e come.
Escreve a mensagem, exclui a mensagem, escreve a mensagem, manda a mensagem. Ai meu deus, putaqueopariu não devia, ou devia?
Pensa, pensa e não sabe o que fazer. As consequências das suas escolhas serão eternas e sérias. Mas então você lembra que o seu dever não é com ninguém mais além do seu filho e o seu coração, e então você deve seguir os dois.
Nessa nebulosidade em que se encontra a sua alma, você lê coisas que não devia e descobre que as pessoas são muito diferentes por fora e por dentro. Dentro de cada humano, há um humano diferente do que se vê pelos olhos. E falando em olhos, os seus não acreditam no que leem  e então repetem o processo.
Lê de novo, calma, não é isso, você entendeu tudo errado, respira. E mesmo assim, por mais difícil que seja,  é verdade, você relê, você estava certo da primeira vez e entra no seu corpo um gosto, um cheiro e um sentimento muito viscoso e nojento, a decepção.
Então aquelas poucas pessoas que ainda lhe serviam de alicerce, te fizeram cair. E no chão, você lamenta o fato de mais uma vez, ter de recomeçar. E recomeços são cruéis pelo trabalho que dão. Mas você é forte, ora bolas. Veja onde você está, uma mãe solteira que cria e cuida muito bem de um pequeno e ainda tem tempo de dizer tanta bobagem a um blog. Não seria esse novo re-começo que te faria mal, aliás, muito pelo contrário, se você respirar fundo vai sentir o ar puro que brindará o novo nos pulmões. A você e ao bebê.
Cansada de pensar, você resolve agir, mesmo sabendo que as pessoas são egoístas e não aceitarão a sua decisão pelo simples fato de que não é bom a elas. Pode ser bom a você, mas não a elas. E isso incomoda a você, profundamente, eu sei. Mas seja forte, aceite e assuma as suas decisões com garra, e ninguém lhe impedirá de ser feliz. Você quer, você pode.



sábado, 2 de fevereiro de 2013

Da inércia disfarçada.

Tá certo que reflexão ajuda a resolver muitos problemas. Protestar também é bom, expor sua opinião, isso ajuda a mover massas, a acender uma chama dentro de muitos seres.
Mas não adianta você ter toda uma crença virtual e não tirar a bunda do sofá.
Você reclama da tragédia, culpa o governo, mas não doa sangue, não pensa antes de votar, nem mesmo se informou sobre as vítimas, a casa noturna, que SM recebeu ajuda de outro país em sangue e pele, e que o dono da Kiss era bombeiro.
Você fala dos preconceitos, mas quando está na rua não percebe o tom dos olhos do gari, a cor da pele do mendigo ou os dentes brancos da menina pedindo pão.
Porque pra você, que sempre teve uma vida boa, que diz ter uma religião ou filosofia justa, é mais fácil fazer tudo em frente ao computador, com a bunda sentada e comendo a sua caesar salad, e pensar o que escrever no facebook enquanto está indo com seu fone de ouvido para a academia, pilates ou yoga.
E enquanto você está reclamando do calor, e depois do frio, e depois do sol, e depois da chuva, tem na porta da sua casa um cachorro morrendo de sede, de fome, de frio. E logo mais, na esquina um senhor que toma cachaça a um real pra não sentir mais fome, porque beber é mais barato que comer. E você aí, pedindo a Deus que chegue logo sexta-feira.
Então você posta no facebook uma foto de um menino na África, esquálido, falando sobre a injustiça da humanidade. Ah, consciência você tem?
Mas na hora de ajudar, de votar consciente, de acariciar, de adotar, de abraçar, de engolir o choro da mãe que veste o filho para o funeral, de levar o ferido ao hospital, de socorrer, de acudir alguém quando grita "socorro" ao invés de fugir, de dar uma moeda pra quem pede sem se perguntar pra quê ele quer, de dar comida a quem tem fome, abrigo a quem tem frio, carinho a quem tem vazio, apoio a quem não tem escada, cérebro e opinião a quem governa, de pintar a cara e pedir fim à corrupção, enfim de agir pelo grupo, aonde está você?
Sim, somos todos culpados pela tragédia de Santa Maria.
Mas mais do que isso, somos todos culpados pelas tragédias do dia a dia, aquelas que já nos são tão cotidianas que nem vemos mais passar. Somos culpados por fingir a cegueira e acreditar nela. Somos cegos pelo choque que sentimos ao vermos na tv uma notícia que também acontece no seu bairro, mas você não quer saber quando ´por perto, com medo de ter que ter responsabilidade social e ir ajudar.
Somos culpados por sermos inertes, afônicos e infelizmente, uma legião de indignados virtuais, apenas.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Do quanto eu te odeio

Os cabelos lisos no travesseiro,
O sorriso bonito na minha boca
O amargo da cerveja e o anseio
Te odeio

Voa o tempo do relógio
E com o sol, você se vai
Voltemos ao nosso ócio
Que por ti, sinto ódio.

Um abraço aconchegante
Uma barba desenhada
Um suspiro constante
Você é apaixonante

Que o ódio é desculpa
Pro amor não ficar
Pra eu não querer você
E pra nunca te implorar.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013


Ainda lembro o dia que te conheci,
Que cara estranho, eu pensava.
Mas você sorriu e eu amoleci.
Anos dessa amizade tão bonita
Dos teus conselhos tão gentis
Que mudaram a minha vida
Dos meus dias tão gris
Coloridos pelos teus vinis
Hoje sorrio por aí
Tá vendo aquele ali?
É pedaço de minh'alma
E dele sou aprendiz.


domingo, 13 de janeiro de 2013


A arte desfaz o pranto
E a noite traça o curso da solidão
O encontro da manhã, no entanto
Faz da poesia imensidão


A lágrima que cai
Faz da boca vale da morte
E leva de dentro do artista
Um amor que se esvai


Que a solidão é estratégia
Pro poeta não rezar
E fazer das palavras o cobertor
Do coração nu, sem par.

sábado, 12 de janeiro de 2013

A primeira vez que eu te conheci.

A primeira vez que eu te conheci, sim, porque eu te conheci muitas vezes em nosso pequeno percurso juntos. Mas nessa, eu me apaixonei.
Já uma das últimas vezes que eu te conheci, me decepcionei tanto. E tudo bem, você mudou, eu sei e eu também. Talvez a minha mudança tenha te decepcionado também. Talvez você tenha se magoado, e eu também me magoei.
Eu não sei se essa vai ser a última vez que eu te conheci. Algo me diz que não, porque sempre temos algo pra nos ligar, mas o que eu sei é que vai ser bem difícil te reconhecer mais uma vez.
Mas tudo bem, eu sempre espero o melhor de você. E sempre tenho mais um sorriso pra te dar, mesmo que não seja a melhor hora, o melhor momento, o merecido. Você também sempre sorri. Espero que você seja feliz, e entre da próxima vez.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Querido,
Estávamos nos divertindo tanto assim, sem compromisso, rindo e conversando sobre qualquer coisa.
Às vezes, no meio da bebedeira com amigos um lembrava do outro, e isso não era uma coisa ruim. Eu sabia dos teus podres e não comentava, tu sabia dos meus e sempre falava alguma coisa com risinhos maliciosos.
Éramos uma boa dupla de amigos.
Mas você foi tão babaca, querido. E desculpa te chamar assim, não é uma coisa que eu gostaria de fazer, te chamar de babaca, que é uma palavra tão parecida com outra que eu usava muito pra te chamar, bacana. Mas hoje só consigo pensar nessa e te peço perdão.
Eu não quero você pra mim e espero que não entenda mal quando eu digo isso, eu só queria continuar a nossa amizade tão cheia de cores e risos, os nossos dias desaprumados e encontros escondidos na calada da noite. E as conversas, ah, as conversas... tão cheias de cultura e arte!
Eu até queria ter escrito alguma coisa pra você antes, mas você sabe, eu tenho estado ocupada. Eu queria ter falado sobre a tua barba, o teu bafo, a língua meio enrolada e o jeito tímido de um bom artista. Eu queria ter dito sobre o teu beijo que começou tão devagar, aliás, tudo no início foi tão devagar que hoje você nem parece a mesma pessoa, tão sem vergonha!
Eu queria ter contado sobre aqueles dois cabelos brancos, que você disse que surgiram só depois que eu apareci. Queria ter contado sobre a sua experiência trêmula naquele dia em que eu virei café no travesseiro, mas essa eu sei, não posso contar.
Mas tudo isso agora ficou pra trás, junto com essa tua atitude babaca. Não é porque a gente não vai viver no mesmo teto que a gente não tem uma história. Essa coisa de juntar trapinhos, colocar anel e inventar apelidos cafonas um pro outro é meio demodê, você sabe, eu te contei que eu gostava disso antes, mas isso foi antes dessa minha nova fase que é tão [ma]dura e [ma]terna. Hoje eu só queria a nossa febre, e até a nossa cerveja quente que você virou num certo carro pequeno.
Ah, querido, eu gosto tanto de você. Na verdade eu sempre gostei, você sabe. Mas acontece que você é um bom amigo, um bom companheiro, e eu não quero nada mais do que isso nessa vida. Lembra aquele primeiro dia? Tanto a gente falou na tal cobrança, no tal apego, e hoje estamos aqui, sentados no mesmo lugar e inacreditavelmente na mesma situação daqueles de quem falávamos.
Eu não quero que você me entenda mal, e eu sei que você não me julga, eu lembro bem do que você disse. Sei lá, eu só queria era te dizer isso tudo, e já que você não vem mais, eu espero que as palavras vão até você.


sábado, 8 de dezembro de 2012

De dentro.

Teu jeito tão tácito
Tua boca profana
Azedo, amargo, ácido
Me chama

Teus cachos vadios
O sorriso moreno
A mente febril
Por desapego

Diz que é verdade
Que o beijo roubado
Dura mais que o nosso bafo

E que minh'alma já conhece a tua
Do tempo antes da memória,
E que agora, a gente evolua.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Luz.

Amanhecia na janela.
- Bom dia, amor.

Não era ele quem dizia,
era ela.

Bastava ser só,
e sorria.

O verso se unia,
deu-se a resposta.

Maturado o coração,
amou-se então.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012


"Então, não vou desistir. Não, não vou
sucumbir antes que a gente se dê conta de
que a vida dá voltas. E eu serei forte. Mesmo
se tudo der errado. Quando eu estiver no
escuro ainda vou acreditar que alguém está
olhando por mim. Eu vi um raio de luz e ele
está brilhando em meu destino; brilhando o
tempo todo. E não terei medo. Não importa
o que as pessoas dizem, e não importa
quanto tempo vai levar... acredite em você
mesmo e você vai voar alto. E só isso
importa."

AUTOR DESCONHECIDO

domingo, 30 de setembro de 2012

Para o homem da minha vida.

O caboclo logo disse : "Pensa em um sol de pertinho, esse é o tamanho da luz dele, ele não é daqui é de lá" e apontou bem para o alto, " das esferas, zifia".
Um sorriso logo me acometeu e a preocupação, será que eu dou conta do recado?
"Ah, zifia, ele vai ser bem feliz cocê, essa mãezinha também tem muita luz".

Bom, ele já chegou em quietude, sem enjoar ou mudar minha rotina. Nada senti.
Até que exatamente no dia em que seriam formados os pulmões eu o senti, o descobri ali, fazendo parte de mim. E claro, parei de fumar. Tudo no tempo certo e do melhor jeito, como ele quis.
Chegou gritando vida, de olhos bem abertos. Quando veio ao meu colo ainda na sala de cirurgia, olhou bem dentro dos meus olhos, e no segundo dia, ele sorriu.
Dai em diante não parou mais.
Sorri todos os dias.
Nunca teve uma cólica nem chorou por mais de 5 minutos. Com quatro meses, o médico já se espantava porque fazia movimentos de 6 e 7. Sempre muito ativo e esperto, respondeu muito bem a todos os estímulos.
Acorda todo dia ao meu lado sorrindo e apertando as minhas bochechas. Quando consegue apertar o meu nariz dá gargalhadas de cair para trás.
Ele sempre me olha com aqueles olhinhos profundos e ri, ri muito.
Um príncipe de luz, com uma energia pouco vista por aqui.
Já tomei ciência junto com o papai, que você vai nos ensinar muitas coisas, que educar não é gritar ou dizer "porque eu quero", "porque não e pronto" e afins, e muito menos bater. Já temos em mãos nosso plano de educação para você, as conversas, os ensinamentos, a liberdade de escolha e de entender o porquê é errado fazer algumas coisas antes de brigar.
Faremos muitas brincadeiras e sujeira, lama, tinta, grama e comida saudável. 
Pouco açúcar, muito afeto.

Tudo é tão bonito com você. Te levo pra passear e nós olhamos as árvores, as ruas, o céu, o mar... E nós dois ficamos muito admirados com a beleza desse  mundo, e também com a imensidão de azul e verde.
Eta, mundão bonito, né filho?

Então eu observo lá fora e tem tanta coisa errada por lá, mas me sinto tão segura porque sei que o futuro está nas mãos de seres especiais como você, filho. 
Eu te abraço e já sei, vai ficar tudo bem.


sexta-feira, 11 de maio de 2012

"Eu nunca amei aquele cara, Lopes.
Eu tenho certeza que não.
Eu amei a mim mesma naquela verdade inventada.
Não era amor, era uma sorte.
Não era amor, era uma travessura.
Não era amor, era sacanagem.
Não era amor, eram dois travessos.
Não era amor, eram dois celulares desligados.
Não era amor, era de tarde.
Não era amor, era inverno.
Não era amor, era sem medo.
Não era amor...

 era melhor."

Martha Medeiros

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Do coração.

É tanto amor que tenho por ti, filho, que já penso nos teus olhinhos pequenos, no teu cabelo macio, nas tuas mãos frágeis me apontando um caminho tão bonito, tão sereno, tão certo. É tão bom transmutar meu ácido em doce. Refletir por você, melhorar por você, sonhar por você. És evolução, sintonia, nova era, és filho, amigo, irmão. Estarei aqui sempre, nos dias bonitos e nos dias frios, nas horas boas e no vazio, e sempre que cair, verás estendida a minha mão. Serei amor, ternura, educação. E sempre que precisar, serei a primeira a te dizer não. Para que sejas forte, firme e saiba bem o valor das coisas. Para que olhe o imaterial e veja o quanto é puro e precioso, enquanto o material é pó, vicioso. Você, meu filho, será fonte de alegria, pura energia, boa vibração, doce sintonia. E te prometo desde agora, que te farei feliz. E caminharemos juntos por entre as flores, rumo a evolução. Com amor, com carinho, com dedicação.

sábado, 17 de março de 2012

Hoje eu me sinto bruxa.
Sou fada, sou riso, sou chocolate.
Me sinto no céu, na cor do doce.
Me sinto toda, universal.
Sou dois, sou um, sou natural.
Hoje sinto amor, instinto bate.

Sinto riso, sinto chute,
te sinto hoje, meu filho.

Vem maturar tua mãe,
Trazer luz às sombras da poesia.
Vem dar vida.
Fazer de mim teus passos, tuas palavras,
tua alegria.
Vem filho,
que o amor já te espera.
Tua mãe já é melhor,
Teu choro já é música.
E tu já é pedaço de Deus,
nesta abandonada terra.

sábado, 10 de março de 2012

Das dores aqui vistas,
meras ilusões narcisistas.
Um fiapo de pó,
Pedaço de tempo.
Agora resta tudo que não é egoista.
Uma mão no bolso e
um olhar atento.
Amor aos montes,
chorar de rir.
E que tome tento.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Sabe de uma coisa…
eles também nos querem (o seu cigarro e o meu café)
mas preferem se esconder,
no escuro, vazio e frio, da noite.

Acham, que amor é isso.
ver-nos penar,
a ausência deles.

Nem me fale em amor…
que amor é isso.

Um Choro

Eu senti um monte de coisas acumulando dentro de mim, mas não sabia bem o quê. Frases que se repetiam, idéias fixas fazendo minha cabeça rodar. Fui ficando chata, rabugenta e triste, ao ponto de não conseguir ânimo para conversar nem coragem para sair. Eu sabia que devia haver um motivo, mas não prestei atenção a mim mesma. Isso não se deve fazer, deixar de olhar para si. De certa forma, eu sei tudo o que vai acontecer comigo, mas às vezes me recuso a parar para transformar em ordem coerente aquele punhado de impressões. Até que, domingo, fui traída duas vezes e minha alma se espalhou pelo chão. E quando aconteceu, eu percebi que eu já sabia que seria assim, mas tinha preferido me manter cega e burra, o que de certa forma me faz um pouco responsável também. Daí eu não parava de ouvir por dentro "você não aprende nunca", e só pensava que era a mais pura verdade, porque eu continuo acreditando nas pessoas, mesmo que elas dêem todos os motivos para eu desistir. E me magoa tanto, porque eu abri minha casa e meu coração, ofereci apoio e carinho e ouvi calada todas as confissões bárbaras que me rasgaram por dentro... E também guardei segredos doídos de pessoas que eu amo e me preocupei tanto, tanto e tão sinceramente... Então, sem motivos, quando eu fiquei um pouco frágil e pequena, me empurraram para o chão sem que eu percebesse. Ainda estou de joelhos, sem coragem de encarar pessoa capaz de gesto tão cruel. Da outra metade, já ouvi explicações e estou em processo de acalantamento de dor. Mas essa, ah, essa eu ainda não fui capaz...
Anteontem à noite quando não parecia tão próxima a hora da morte, recheei meu peito com estopa grossa e pensei que, estofado, não se ocuparia de outras bolas de algodão, de outros retalhos, de outros panos velhos, mas foi só mais um engano, um engano cotidiano, desses que acontecem nas tardes quentes em que prestamos mais atenção ao bolo que está sendo assado do que aos chiados estáticos da nossa pele.

De nada adiantou; Promover um canto confortável e macio para alguém, criar teias intrincadas de sentimentos, furtar para si o que ela tem de mais genuíno e doar para ela o que você tem de mais quente, de mais borbulhante, de mais perigoso; isso não adianta nada, os tecidos seguem agregando seus pedaços perdidos no mundo, incorporando para si os milhões de fios de seda, de algodão, de lã, de linho e constituindo lá dentro a estopa que protege meu peito das friagens, das bruscas quedas de temperatura, das ventanias, das geadas e de toda a sorte de variações climáticas possíveis.
dessa vez, e só dessa vez, você não era pano, era o contrário disso, era o delírio de uma tarde sem sedativos, era a tentativa do último gole de cachaça que faz voltar à terra todo o resto do litro, era a gota de chuva que pega singularmente na nuca e escorre pelas costas por dentro do casaco, era saudade que deita o mais forte dos homens em febre terçã.

- você ventou em mim.

Iminência

O quase é corrosivo o suficiente para me causar dor. A incerteza e o talvez são crueis demais. Palavra contra palavra, eu não quero acreditar. Prefiro continuar submersa na argila. Não posso suportar o confronto pueril que me faria pequena demais, pequena demais para continuar. O grito continuará estancado logo abaixo de minhas cordas vocais, serei forte e cuidadosa para não deixá-lo escapar. Por mais que meu coração sufoque, por mais que o enjôo tome conta de mim, não vou me submeter. Estou cansada demais, carente demais, sozinha demais.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Como pode uma mulher pedir fidelidade, se quando ela está solteira se vê aos beijos com o namorado da melhor amiga?
Como pode um homem pedir fidelidade, se quando ele está solteiro se vê aos beijos com a professora casada?

Colheita é igual a cultivo.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Das mentiras.

Não, eu não posso cobrar.
Já menti tantas vezes, mas nenhuma para você.
No início foi tudo meio duro, meio frio.
Eu não queria ter  você.
Queria continuar afogada em minha solidão.
Mas veio você com um jeito tão doce, uma alma tão carente, um carinho tão gentil.
E eu não pude dizer não.
Mas hoje, você me olha nos olhos e insalubre, me conta coisas tortas, como o passo da borboleta.
Logo você, que anda sempre em linha reta?
E triste, eu baixo a cabeça e aceno como quem acredita.

Triste, eu ando vagarosa por estes dias.
Triste, eu olho para você.

Tantas coisas lindas você me deu.
Tantas pessoas lindas você me trouxe.

Não, eu não culpo você.
Culpo a mim.

E arrasto os dias tentando decidir.
Tentando não adoecer.
Tentando continuar sem perecer.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A hipnose da imprensa.

              A chamada gripe asiática ou suína e, finalmente, H1N1 foi alvo do cômputo obsessivo do total de casos, acompanhado por estatísticas diárias e 'em tempo real' - números não corroborados por nenhum órgão de imprensa, diga-se de passagem, que se contentaram em reproduzir os informes oficiais. Apesar da perturbação que causou, a doença mereceu, nos meses subsequentes ao anúncio da vacina, apenas cobertura irrisória da imprensa. A partir de argumentos alarmistas, informações modificadas e tendenciosas, insufladas por grandes corporações, governos e detentores de poder, vimos a população ser escancaradamente manipulada, tendo sido instaurada uma espécie de neurose coletiva sem precedentes.
            Curiosamente, a suposta epidemia foi notícia durante tempo suficiente para favorecer as mesmas megaempresas que confortavelmente 'descobriram' a cura, o produto salvacionista patenteado e sintetizado por elas próprias, que começou a ser vendido no momento exato em que as massas responderam ao estímulo hipnótico, passando inclusive a exigir de seus governos a encomenda e a aquisição de lotes da droga. Que timing incrivel tem a ciência farmacológica, não?
            Sem o saber, o povo se deixou induzir pelos veículos de comunicação, enquanto as contas bancárias dos institutos de pesquisas, dos grandes laboratórios, como também dos políticos que estavam por detrás da manipulação mental cresciam soberbamente.

Será que todos sabem que, com a saúde financeira seriamente comprometida, os grandes grupos de comunicação ao reor do mundo hoje extraem suas pautas praticamente das mesmas fontes- três ou quatro agências mundiais de notícias, que abastecem todos os veículos? É muito mais barato remunerar estas agências do que desenvolver apuração própria, com correspondentes ao redor do globo; isso é inegável.




Trecho retirado do excelente livro:
A marca da besta, de Robson Pinheiro.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Num pedaço de pau em cima daquela árvore
Em meio ao barulho quieto do mato
Entre aquelas folhas verdes e molhadas
Do sereno que passou e deixou rastro

Canta um pobre solitário na quietude
Um rouxinol  triste fugindo do sol
Nas asas, fogo, e um cordão no pescoço
Seu canto chora por ser só, o rouxinol

E sua voz entorna um pranto
Sua música dança entre as dálias
Entrega melancolia pelo pântano
Contorna o fluxo das águas

Mas o pobre pássaro ainda canta
Num suspiro melodioso, voa com dor
E morre no primeiro acorde, no primeiro pulo
Morre sem saber o que é o amor.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

PO- éticas/líticas.

Somos espectros,
mecanismos,
organismos inteligentes
perigosos.
Máquinas de orgulho,
Artistas da vaidade,
Máscaras do engulho,
Poetas da disparidade.

Egoístas.
O eu caminha à frente.
Dissimulados.
A verdade se faz ausente.

Somos feios, porém narcisistas.
Somos podres, porém maquiados.
Somos meramente fruto de um universo paciente.
E assim que o gigante acordar, seremos escravos.
Escravos de nossa mente doente.

Putrefarão-se as agulhas, adagas e adornos.
Caírão os sugadores, senadores e subornos.
Equipararão-se os mendigos, magnatas e subalternos.

Reinarão os artistas, os poetas e os loucos.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Chove, chove, chove.
A chuva vem para esta cidade despreparada, onde tudo entope, tudo cái, tudo fica aos pedaços.
Mas a chuva sempre vem.
Depois daqueles maravilhosos dias de sol, ela vem.
Mas será que é lá fora que chove, ou é aqui dentro que está doendo?

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Das dores.

Você não sabe, mas hoje mais uma vez, eu comecei a escrever e na metade apaguei tudo, arrependida de retomar a escrita por você.
Quantas palavras se perderam no tempo, e em frágeis flores de algodão que se consomem com o vento, elas caíram antes de chegar a você.
Vamos vivendo com a ausência, em meio ao desespero da sociedade, a angústia da humanidade, cercados de regras sociais das quais não queremos seguir.
Não nos vimos, não nos conhecemos, apenas passamos um pelo outro em metrôs lotados prestando mais atenção na música do fone de ouvido do que em qualquer fantasma que por ali passava vestido de pessoa.
Não te conheço, e também não sei quem eu sou. Mas acho que no lugar onde estou estraguei a chance de ficarmos juntos desta vez.
Minha esperança é que leia minhas palavras, ou meu desespero, ou a tristeza espampanante em meu rosto, e talvez, algum dia, me encontre aqui nesta praia cheia, onde me encontro vazia.
(Out/10)
....
Com a falsa perspectiva de que só nós reencontraríamos na morte, as esperanças de ter você aqui, nesta vida já me escorregavam pelos dedos como a areia da praia em que estou sentada escrevendo isso.
Porém, em um pedido de socorro atendido pelo universo, nos encontramos.
Esta mesma praia em que vim parar pelo destino, era sua casa desde sempre.
E hoje vivemos juntos, arrecadando gestos de ternura em meio ao desespero da sociedade, a angústia da humanidade, cercados de regras sociais das quais não queremos seguir.
Sorrisos não são mais falsos. Gritos em mesas de bar não são mais necessários. Viver com você só me faz ser mais eu, mais sutil.
Hoje enfim pude completar esta carta, há tanto tempo já escrita, que nem lembro mais do gosto das lágrimas que me escorriam. Eram doces ou ardis?
Só me lembro da tarde de sol no Arpoador, o papel e a caneta na mão, e depois, a lembrança de você caminhando até mim, me trazendo redenção.

(Fev/11)

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Contigo aprendi, enfim.


Eu te amo como você é, como você busca achar seu próprio modo especial para se relacionar com o mundo. Eu honro suas escolhas para aprender do modo que você sente que é certo para você.
Eu sei que é importante que você seja a pessoa que você quer ser e não alguém que os outros ou eu pensamos que você deveria ser. Eu percebo que eu não posso saber o que é melhor para você, embora talvez às vezes eu pense que eu saiba. Eu não tenho estado no mesmo lugar que você, vendo a vida do seu ângulo. Eu não sei o que você escolheu aprender ou como escolheu aprender, com quem ou em que período de tempo.
Neste lugar onde eu estou, eu vejo que há muitas maneiras para perceber e experimentar as diferentes facetas de nosso mundo. Eu aceito, sem reservas, as escolhas que você faz em cada momento. Eu não faço nenhum julgamento disto. Se eu negasse seu direito à sua evolução, então eu negaria o direito para todos os outros e para mim mesmo.
E com grande amor eu reconheço seu direito de determinar seu futuro. É em humildade que eu me curvo à percepção de que o modo que eu vejo como melhor para mim não tem que significar que também é certo para você. Eu sei que você é conduzido como eu sou, seguindo a excitação interna para saber seu próprio caminho.
Eu sei que as muitas raças, religiões, costumes, nacionalidades e convicções dentro de nosso mundo, nos trazem riqueza e nos permitem o benefício de ensinamentos de tal diversidade. Eu sei que cada um de nós aprende de nosso próprio modo.
Eu não só o amarei se você se comportar da forma que eu acho que você deve ou acreditar nas coisas que eu acredito. Eu o amarei por ser quem você é, pelas suas convicções e personalidade marcantes. Pelo seu jeito de agir. Eu te amarei por ter escolhido me amar.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Onde está o amor?

Estou perdida. Nas minhas palavras, na minha vida.
Não sei quem eu sou, para onde vou, não sei a hora exata de partir.
Mas sei que nada é permanente, que ao meu redor há o caos e a forte mordida da cobra.
As pessoas estão tão frágeis, frágeis como leve copo de cristal perante a maldade.
A cidade mostrando suas paisagens implorando para que a olhem e sintam um pouco mais de paz.
Mas são todos tão egoístas. Todos tão perfeitos em si, tão mergulhados em seu próprio orgulho que não aceitam mais aprender uns com os outros. Todos com tanto medo de perdoar, de se entregar, de amar que mergulham em um mar de frustrações e reclamações, bolando ardis estratagemas para arremessar outros ao seu próprio lodo.
Pessoas que conhecíamos e não reconhecemos mais.
Somos julgados uns pelos outros pelo simples fato de perdoar quem estava errado, somos levados à fogueira gelada e intrépida do ódio por sermos empáticos, somos taxados, rotulados e alvos de injúrias e palavras que afetam tanto nosso corpo quanto nossa alma, pelo simples fato de querermos uma vida de paz perante aos outros, perante ao mundo, perante a nós mesmos.
Como um vírus que se propaga, o ódio é lançado de um em um e forma uma sociedade em que cão mata cão, em que "olho por olho e dente por dente" não se torna só viável, mas sim necessário para que sobrevivam.
Eu não vou nem comentar sobre a política corrupta, sobre os policiais que só protegem aqueles que dão propina, sobre os juízes assassinos que mandam matar outros juízes, sobre os deputados que exalam de sua boca o fétido preconceito, sobre a Comlurb que só tira o lixo de frente de restaurantes da Av. Copacabana mediante propina, e quando a polícia é acionada, mais propina, sobre os donos de morro assassinos, corruptos, lagartos de um submundo que dão um frio tiro na testa tomando o café da manhã, sobre a crise das pessoas que não sabem estar no poder e quando chegam lá, só querem mais.
Não, eu definitivamente não vou falar sobre isso, eu estou falando sobre nós, reles trabalhadores na sociedade. Porque foi daqui que saíram todos eles, foi aqui que tudo começou.
Onde estão os pais que ensinavam os filhos a respeitar o coleguinha?
Onde estão os pais que davam tanto amor e carinho que o filho passava isso adiante?
Onde estão os pais que ensinavam a não ter preconceito? A respeitar o professor?
As nossas crianças estão sendo o fruto de pais perdidos, sem valores, sem moral, sem ética, que nada tem a ensinar a uma criança.
Tanto que elas acham normal dar um tiro pelas costas no professor em sala de aula, elas acham normal matar a menininha de 13 anos que disse "não" ao pedido de namoro, elas acham normal começar a fazer sexo com 10 anos.
A sociedade de amanhã está se tornando mais perigosa ainda que a que temos hoje. Nossos adultos de amanhã estão despreparados para viver. Despreparados para amar, para respeitar uns aos outros.
Condições básicas que eram ensinadas a nós desde que nascíamos, parecem perdidas em um passado romântico.
Amigos, DESPERTEM!
Somos nós os responsáveis por isto, somos nós que estamos em frente a televisão olhando os crimes hediondos feitos pelas pessoas com naturalidade. ISTO NÃO É NATURAL!
Temos que lutar para fazer o mundo sobreviver, para ensinar uns aos outros, para que não tenhamos vergonha de sermos ensinados por outros. O amor universal é uma lei, devemos ser capazes de amar uns aos outros assim como somos capazes de respirar.
Se cada um fizesse sua parte, nós estaríamos iniciando um "movimento do bem". Para os que estão cansados demais para levantar da cadeira e fazer alguma coisa pelo mundo, já vou dizendo: não é dificil!
Basta tratar os outros como você gostaria de ser tratado, com sorrisos, com simpatia, sem enganar, sem cobrar mais por um serviço... o nome disso é empatia.
Basta não ter medo de mostrar as pessoas que elas estão erradas, chamar num cantinho e dizer bem baixinho o que ela fez, sem que ninguém mais ouça. O nome disso é sabedoria.
Basta não aceitar certas facilidades, como um dinheirinho a mais para dar mais atenção e crédito a certo cliente. O nome disso é ética.
Basta ensinar ao filhinho, que os outros humanos são iguaizinhos a ele, e que não se deve fazer mal, pois existe sim o certo e o errado. E é errado machucar alguém. O nome disso é respeito.
Basta despir-se de preconceitos criados pelos monstros da sociedade do século passado, que são o machismo e a escravidão, pois todos somos iguais perante a Deus. O nome disso é igualdade.
Basta viver acreditando que cada ser humano deve ser respeitado como ele é, e vivendo sua vida de maneira que não afete negativamente a dos outros. Se você fizer coisas boas às pessoas, você vai receber coisas boas delas, isto é um ciclo do bem que deveria ser compreendido, pois ele transforma vidas. Aceite cada um como ele é, faça coisas boas, doe sorrisos, seja gentil.
O nome disso é amor.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Para você.

Que a tua sorte seja a sorte de um rei, que tua rainha seja a dona do bem, que teu amor seja canalizado num só raio, e ilumine teu quarto, tua vida, tua carreira, teu sucesso.
Que o passado seja colocado de lado, para que possamos dar as mãos e em unissono cantar uma bonita oração. Que sejamos antes de amigos ou inimigos, irmãos.
Que tua luta em voz alta seja cessada, trocada por sussuros aureados de bondade.
Que teu caminho seja pleno de uma afinação perfeita em calmaria.
Que a força da fé mate a saudade.
Que os corações de todos nós vibrem em perfeita sintonia.
Que esta pequena prece por você te traga , iluminada, a verdade.
Do todo unido em busca de uma nova realidade.

domingo, 17 de julho de 2011

Absurdos cobertos.

Depois de teu assassinato, sai em disparada sem olhar para trás.
As vozes tristes e sombrias de um fantasma recém atingido ainda ecoavam em meu ouvido.
Seu corpo havia morrido, mas você não.
Como presença palpável você me seguia, e por descuido, eu te deixei me assombrar.
Sua matéria espanpanante me entrelaçava e sugava, e eu não podia mais me desvencilhar.
De nada adiantou uma mortal espada, um enterro sombrio numa fortaleza.
Sua presença sempre estaria em mim, e me assombraria em cada minuto desatento em que minha guarda estivesse baixa.
O quão tolos somos nós, em achar que podemos matar nossos próprios fantasmas?
Pois deles somos feitos, e com eles somos ensinados.
Foi assim que descobri que não adianta te matar.
O ódio não pode ser vencido, apenas ignorado.
Pois ignoro-te, fantasma pueril de minha alma, servindo a senhora de teu destino,
a honestidade.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Absurdos descobertos.

Somos como Musashi e Sasaki.

Por isso ontem eu a chamei, a senhora de teu destino.
Ela veio.
E me contou quem você é de verdade.
E os segredos seus e dela.
Chorei.
Puxei minha espada, te matei.
E nas sombras de um enorme castelo, finalmente eu te enterrei.

sábado, 2 de julho de 2011

Ou sont-ils a present, a present mes vingts ans?

E hoje eu acordei com uma falta,
uma saudade,
uma vontade de reviver momentos,
de criar uma máquina do tempo.
Ah, se eu pudesse.
Ah. Se eu soubesse.
Me falta o cheiro, o abraço.
Me falta o colo, a conversa.
Me falta a tranquilidade daquele bar...
Me falta a música, o riso, a omnisciência dos bêbados.
Me falta o café, o vinho barato.
Me falta o apelido, o afeto, o arpejo do violão.
A rua dos dois algarismos, os vinis do melhor amigo, a última mesa que canta música para se ouvir.
Me faltam os passos tortos e felizes, a magreza da maldade.
Me falta tudo, menos vontade.

_______________________________________________
Ontem ainda, eu tinha vinte anos
Acariciava o tempo e brincava de viver
Como se brinca de namorar
E vivia a noite
Sem considerar meus dias que escorriam no tempo
Eu fiz tantos projetos que ficaram no ar
Alimentei tantas esperanças que bateram asas
Que permaneço perdido sem saber aonde ir
Os olhos procurando o céu mas, o coração posto na terra
Desperdiçava o tempo acreditando que o fazia parar
E para retê-lo, e até ultrapassá-lo
Eu só fiz correr e me esfacelar
Ignorando o passado, que conduz ao futuro
Eu desprendia de mim qualquer conversação
E opinava que eu queria o melhor
Por criticar o mundo com desenvoltura
Ontem ainda eu tinha vinte anos
Mas perdi meu tempo a cometer loucuras
Que não me deixa, no fundo nada realmente concreto
Além de algumas rugas na fronte e o medo do tédio
Porque meus amores morreram antes de existir
Meus amigos partiram e não mais retornarão
Por minha culpa eu criei o vazio em torno a mim
E gastei minha vida e meus anos de juventude
Do melhor e do pior, descartando o melhor
Imobilizei meus sorrisos e congelei meus choros
Onde estão agora, meus vinte anos?


[Aznavour]

sexta-feira, 1 de julho de 2011

domingo, 29 de maio de 2011

Não roubarás.

"Caio, devolve já o lápis do Pedrinho!"
-Mas, mãe, é tão bonito!

"Caio, DEVOLVE AGORA o dinheiro da minha carteira!"
-Mas, mãe, é pro meu lanche!

"Caio, CADÊ O MEU CARTÃO DE CRÉDITO?"
-Mas, mãe, são pros livros da facul!

"Caio, que tipo de amigo você é? Achei que éramos sócios nisso!"
-Olha, querida, eu fiz tudo, a alma desse negócio sou eu, fui EU o criador da idéia e sou EU a capa que vende isto. Portanto, eu MEREÇO todo o dinheiro que lucramos, er...quer dizer, que lucrei.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Mavis.

Há quem diga que a felicidade exarcebada é um modo de voltar a ser criança.
Há quem diga que é uma máscara.
Aliás, há tantos para dizer, sem sequer entender!
Pois eu digo que não é nem um, nem outro.
Felizes demais são aqueles com o jeito MAVIS DE SER.
...Um jeito que a maioria das pessoas não entende.
Pois elas não entendem como uma pessoa pode acordar todos os dias dando BOOOM DIAAAA às flores do jardim.
Como alguém pode fazer da vida uma festa de criança, com balões, parabéns e bolo de chocolate.
Como alguém pode amar tanto o ser humano.
Não entendem que este alguém tem capacidade de lembrar momentos passados, não com tristezas, mas com alegrias, como se aqueles momentos ainda fossem acontecer.
Não entendem este alguém que se ajuda e se deixa ajudar, alguém que sabe ler e entender os olhos dos outros e que ama o sol tanto quanto a lua e as estrelas.
Pessoas assim como tu, que vibram de maneira feliz a cada dia, que extraem um sorriso do mais carrancudo ser, só por passar saltitando, são pessoas especiais!
Feito "doutores da alegria", que vieram ao mundo somente para sorrir, para FAZER sorrir.

E é isso que a maioria não entende, pois queriam ter cada molécula do seu corpo vibrando em alegria a cada dia, assim como as tuas.
Por isso se algum dia alguém te julgar, faça o que tu faz melhor... Sorria.
Com certeza é só disso que elas precisam.

Eu te amo mãe.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

O sorriso do dálmata.

Pois sim, confesso que mudei.
Os dias passaram, vi a geada pela janela, vi a chuva que corria dos meus olhos, vi os filmes que me desabaram, vi o frio que enfraquecia minha coberta e enfim, me vi levantar da cama.
Vi sim, com muita vergonha, as mentiras que contei, as gafes que cometi, os passos tortos, o copo cheio, os neurônios às traças.
Encontrei a verdade dentro de mim, e acima de tudo, a sinceridade para com os outros. Saí. Fui por aí comemorar o meu encontro com uma melhorada eu. Uma eu mais especial.
No dia que vi o dálmata não fazia idéia de como minha vida ia mudar. Tudo ainda estava meio confuso, meio preto e branco, igualzinho o pêlo do cão.
E mais uma vez eu deixei a correnteza me levar. Só que dessa vez adicionada em mim minhas novas características.
E não é que funcionou?
Desde o dia em que vi o dálmata eu falei a verdade, mesmo aquela que dói, porque faz alguém chorar. E doída ou não, eu falei.
Então eu passei a ser um pouco mais racional em algumas ações.
Claro que minhas asinhas libertárias ainda estão aqui! Porém, a diferença agora é que eu não preciso mais voar para ser livre e nem ir às nuvens harpo-sonoras para ter paz. Hoje em dia, a liberdade e a paz fazem parte de mim, estão em mim como um todo que me completa, aonde quer que eu esteja.
Tanto entendimento e organização em tão pouco tempo para uma cabeça como a minha!
Parece que foi ontem que o, ou melhor, A dálmata se aconchegou em meu colo pela primeira vez. Estávamos na sala, e era a primeira vez que eu a via, eu estava muito nervosa e com muitas dúvidas, então delicadamente ela subiu no sofá e me afagou, colocando a cabeça em meu colo, o que me acalmou profundamente.
Bonito mesmo foi quando ela sorriu pra mim... Simples assim, abriu a boca, mostrou os dentes, balançou o rabo e sorriu. Me fazendo sentir pertencente àquele lugar.
E é de maneira simples que pretendo aprender tanto mais sobre essa
minha passagem terrena.
E há tanto ainda a ser aprendido!
O mundo é um lugar tão bom de morar... existem pessoas tão boas que fazem tanta difereça em nossas vidas. Tantos corpos emanando boas energias, tanta gente dando a mão, se despindo de preconceitos, ajudando quem pode como pode.
Podem me chamar de Pollyana, de hipócrita, de cega, mas eu acho que a verdadeira cegueira está em quem vê só o sensacionalismo Global, a tragédia natural, o terrorismo pessoal.
Há tanto tão mais bonito e colorido pra se enxergar!
Como o simples sorriso de um dálmata, que por pura coincidência, se chama "Hope".

domingo, 17 de abril de 2011

Meditação.

E aqui, na paisagem panorâmica de minha mente em quietude, percebo que no silêncio profundo de minhas montanhas, o canto da cigarra perfura até as rochas.

sábado, 16 de abril de 2011

Chaos

Na mente suburbana
O raio de luz em frente
O cálice sagrado no céu
A palavra mente

Assobios e sussurros
Uma louca noite
A melancia estragada
O gozo e o escuro

Mentiras no chapéu
Falsidade na maquiagem
O sorriso congelado
O olho ao léu

Uma escura manhã
O doce veneno da cobra
Um suposto prazer
O pacto com Leviatã

...


E segue escolhendo
O próximo a morrer
Seja em vida, seja em morte
Em seu bel prazer

Um menino meio bobo
Tão pequeno, tão vazio
Sai pelo mundo matando
E nem vê que caiu

Se olhasse no espelho
Veria a carência, o desespero
Um pouco de ego e duas caras
Um frio e gelado medo

Caos e confusão
Cinzenta e insalubre mente
Piedade de todos ao olharem
Para o bobo menino doente

Fugiu de casa e dos amigos
Para que ninguém visse e soubesse
Do psicopata frio interno
E do suicídio iminente.

terça-feira, 29 de março de 2011

Canção do desespero.

Ouvi o gemido da dor incessante
Ouvi o fio da navalha no apogeu
Corri em busca da dor lacrimejante
Encontrei com sangue as mãos d'um ateu

Ouvi ao longe o seco estampido
Caminhei dentre a curiosa multidão
Olhei com gosto o rosto do mendigo
Morto de graça pelo policial ladrão

Fui ao quarto de um apático senhor
Família reunida em contínua oração
Uma vida cansada de luxos, gula e dor
Agora anestesiada com a minha canção

Segui o passo do garoto ligeiro
Correndo pelas ruas com seu carrão
Pegou o túnel escuro sem freio
E perdeu sua vida por opção

Estou cansada do ser humano imprudente
Que menospreza a vida e tenta me enganar
Estou cansada de encontrar crianças
Que cedo demais tenho que buscar

Quero sossego, quero férias!
Minha foice cegou de tanto trabalhar
Gosto do sangue das pessoas intrépidas
Mas dos inocentes quero cessar

E num apelo desesperado em poesia
Peço, dêem um pouco de atenção à vida
Pois esta, minha rival conhecida
Está numa rede a descansar

Enquanto eu, poderosa Morte
Nem suspiro, nem respiro
Apenas espero teu ansioso pedido
Para, num sorriso, te ceifar.


segunda-feira, 14 de março de 2011

É uma direta, e não uma indireta.

Passos largos para pessoas de refrações pequenas
Inóspitas decisões, que se tomadas por sí divagam
Sutileza exorbitante na busca da razão desconhecida
Perfeito sistema auditivo que busca o desdém.

Lógica da razão de um só que se aproveita
Anos de convivência reduzido a uma frase ou ditame
Convés da injustiça, doloroso Platão, seu criador
Pense por sí só desiludido feitor.

Lembra do passado, dos ditos e feitos
Acha em tua mente as respostas ja respondidas por outrem
Eleva teu espirito e foge da mentira desvairada
Mentira essa não só dita para ti, mas como para mim

Pessoa maravilhosa essa tua amiga, que tem objetivo claro
Preto no branco sempre o percorreu, observado
Não atingindo-o apela desesperado para o fruto de tua inocência
Acorda pessoa vivida, não caia em truques fajutos

Entenda que existe uma única versão, a verdade
Em meu mundo, negar verdade não existe, ciente
Atitude de um homem é aceitar o erro e o acerto

E lembre-se, não é uma indireta mas sim uma direta.



(Eric Araujo)

quarta-feira, 9 de março de 2011

Das gavetas.

Teve sol e teve chuva.
Eram santos e pagões.
Escolhiam as vestes para o dia.
Eram lagoas, outrora vulcões.
Nunca haverá alteregos tão opostos
Como tinham aqueles dois.

quarta-feira, 2 de março de 2011

O encontro da manhã.

São sete horas da manhã e eu estou tomando um forte café.
Vou para a janela olhar a praia, e o mundo lá fora já acordou.
Menos eu.
Ele pára ao meu lado e eu não olho em sua direção, com medo dele desaparecer outra vez.
Só vejo a ponta de sua longa e brilhante túnica alva, com o canto do olho.
Árabe, moreno, e de traços muito bem definidos, ele nada diz.
Apenas me toca com seu silêncio e compreensão, com sua magnitude e luz.
Fitando o nada, minha mente começa a trabalhar ligeiramente, vasculhando gavetas do subconsciente.
Eu tenho que fazer alguma coisa, eu sei que eu tenho, mas não me lembro o quê. Não consigo lembrar!
Este é o homem que caminha ao meu lado mesmo quando eu não quero, mesmo quando sinto vergonha de mim.
Esteve comigo no meu Chernobyl, e me deu a mão mesmo sabendo que os fluidos radioativos provinham de meu corpo e mente.
Agora, neste instante pausado da manhã, ele estava aqui ao meu lado para me dizer alguma coisa da qual eu não conseguia escutar.
Decidi então sair da janela, me retirar da podridão e da poluição lá de fora para me focar na podridão fétida que provinha de mim.
Um fio tênue de luz, como uma linha de nylon nos envolvia, traçando uma linha de amor que nos fazia pai e filha, mestre e aprendiz.
Havia muitos anos em que eu não via ele, mesmo ele estando ao meu lado.
E agora ele estava aqui, com sua enorme e brilhante presença desnuda para minhas pobres pupilas.
Chorei. Sorri. Emocionei.
Então decidi caminhar na busca de mim mesma, e descobrir a chave do meu mistério:
O que eu tenho que fazer? Sei que tenho que fazer alguma coisa, mas não consigo me lembrar o quê.
Vamos então ter uma longa conversa de 48 horas.
Sei que vou levar grandes lições de moral por ter ficado estagnada tanto tempo, mas que me sirva de lição.
Preciso caminhar, preciso ir, preciso seguir em frente...
Meus passos estão pesados tamanha a carga que carrego...
Devo deixar tudo para trás, devo abandonar o peso e carregar só o que é leve e o que poderá me nutrir daqui em diante.
Fechei  meus olhos, mas a luz continuava lá.
Que agora eu possa me levantar, que eu possa seguir, que eu tenha força e coragem para continuar.
Que os corpos se levantem da preguiça,
Que as mentes acordem do sono pesado,
Que o altruísmo renasça nos corações,
Que haja fé,
Que não haja religião superior a verdade,
Que os mestres dêem lições verdadeiras aos alunos,
Que a bondade perdure mesmo nas sombras,
Que ninguém tenha medo do amanhã,
Que você também acredite,
Que os próximos dias sejam de paz,
E que a paz esteja com você.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Causidicus.

De terno de linho,
uma pasta na mão
Fones no ouvido,
olhar ao chão.
Levanta a cabeça,
dança com minh'alma,
que gira pra te ver chegar.
Processa meu corpo,
por tanto te amar.


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Nem todo frio que sentes, é culpa desse inverno.

Pode ser que parte dele seja do inverno passado,
que ainda gela em ti.



terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Na verdade a culpa é sua, meu caro. Se você não queria uma mulher que sambasse, jamais deveria tê-la chamado para dançar.
Veja o meu caso, nós dois sambamos, nós dois bebemos, nós dois cantamos, nós dois sentamos, nós dois rimos e nós dois também vamos embora juntos.
Porque isso é o que o amor faz.
Mas você meu caro, esqueça essa coisa de poder. Isso não existe, você só terá alguém do seu lado desse jeito que você me disse que almeja, se souber entrar na dança. Se sambar também, sem esperar nada em troca.
Se você sambar, ela vai sentir prazer em dançar a valsa que você tanto gosta e ela detesta.
É simples assim.
Com o tempo você vai notar que para você vai ser tão prazeroso o samba quanto a valsa.
E você vai ver, aos poucos você vai notar... que nenhum dos dois vai ter poder, que não haverá brigas sobre quem pode mais.
Meu caro, você vai ver que amar é tão simples quanto sambar.
Basta se entregar.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Quinoterapia :)

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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Antes de partir.

 Eu não costumava ser assim. Eu até falava bastante de mim antigamente, adorava explicar as minhas teorias e falar do meu passado. Mesmo porque o meu passado é uma delícia. Não sei se foi um fato pontual que me calou por enquanto. Também não sei se é só por enquanto. Mas o meu passado continua bonito, continua mesmo. Eu é que fiquei um pouquinho mais medrosa. Cuidadosa, talvez. Prometo que qualquer dia desses eu falo um pouco mais. Só que não gosto de falar muito. Eu sempre me arrependo depois, fico achando que estou nua. Que você pode rir da minha participação insignificante no mundo. Ou que você pode achar tudo isso um pouco bagunçado demais, você que é arrumadinho. Eu amo você, e quando eu gosto de alguém eu fico morrendo de medo de ouvir "eu preciso ir embora." Pra mim isso é pior do que um "eu nunca te amei." Eu supero não-amores, mas despedidas eu não sei. Fica tudo meio engasgado, eu fico perdida no meio da rua da minha cabeça. Quantas vezes já escrevi sobre adeuses? Eu acabo indo embora antes de ser abandonada, não consigo. Devem ter sido muitos desencontros. Tenho medo de virar aquelas pessoas que não se apegam, porque tiveram que desapegar demais. Mas com você é diferente. Eu já não posso mais partir de você, se algo acontecer, acho que é você que terá que ir. Será que você vai mesmo embora? Se for, não deixe de perguntar mais uma ou duas coisas sobre mim, para você eu quero falar.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A leveza da minha alma.

Sumida. Reclusa. Incomunicável.
Colocando as minhas coisas no lugar. Arrumando minha bagunça, organizando o quarto da minha alma. Tirando um tempo para me estudar.
Varrendo o chão, tirando o pó.
São nestes dias silenciosos de faxina, onde as coisas velhas, as bicicletas de rodinhas, as flores murchas e os papéis velhos são jogados fora sem dó. Emagreci onde eu estava mais pesada.
Agora cansei de limpar. Tudo está brilhando. Tudo pronto para despejar aqui novas idéias, novos projetos, novos sentimentos.
Alguns não joguei fora. Foram reciclados. E estes estão muito bem guardados.
No mais, flores na janela, vento na varanda, cheiro de hortelã na cozinha, mirra plantada no jardim, incenso aceso na sala e calça jeans no armário.
Nunca estive tão em paz.


sábado, 22 de janeiro de 2011

O homem que era menino.

O vento que soprou e parou na janela era forte e suave. As avenidas correndo ali embaixo, as luzes reacendendo e a vida que passava tão depressa, tão forte.
Já é dia 6. Já são doze horas. Já está na hora. E há horas a hora já passou.
Na janela em frente, mais um a observar. O movimento, a ação, o grito, o sol que tanto brilha e num segundo a noite chega. Hora de deitar.
Mas o sono ficou lá fora, junto com a paisagem. A noite traz companhia ao concreto, ao asfalto, e às cadeiras daquele restaurante simpático em frente.
Cansado pela perda de meu sagrado sono, apenas observo o pincel de Rembrant no sorriso da moça loira que bebe a cachaça barata do outro lado da rua. Penso que deveria ir falar com ela.
Vou dormir.
Acordo. Me encontro em mais um dia, e os ponteiros viram atemporais quando a janela se fecha.
Ah, o tempo. Em que fase da vida obtemos a noção de tempo? Esta coisa invisível e palpável.  Olho para o relógio. Meu relógio não é o tempo, mas um mensageiro pragmático dele.
E esta noção real de tempo vai mudando ao longo dos anos, pois eis que cada um tem seu próprio tempo, seu tempo psicológico.
O passar das horas por exemplo. Para mim, naquele momento, pareciam dias.
Eu estava ali do outro lado do vidro sem vida, num corpo também sem vida afogado em ilusões. Mas o vidro era meu amigo, e me protegia dos perigos de tão extensa e movimentada avenida. Mesmo nos dias mais bonitos, que era quando a avenida tinha um movimento atípico de felicidade momentânea, eu não saía de lá. Apenas observava os sorrisos, e também sorria. Pensando que talvez algum dia eu pudesse sair.
E assim passaram-se os anos que eu não vi. Na avenida as pessoas que eu não conheci. No sorriso da menina, a doçura que eu não provei.
Decidi então lavar o corpo e esfregar bem, para ver se os medos escorreriam pelo ralo. Amanhã, eu pensei, amanhã eu saio para viver.
Acordei animado com tamanha atitude em encarar o mundo real e desistir do meu mundinho. Acordei pensando no sorriso de Mona Lisa da moça loira do restaurante. Acordei pensando em viver.
Mas antes que eu pudesse alcançar a porta de saída senti uma dor muito intensa, súbita e fulminante no meio do peito e por mais que eu lutasse contra ela, ela tomou conta de meu corpo e me derrubou ao chão.
Sem ninguém para pedir socorro e sem voz para gritar, meu desespero foi abafado pela dor e pela visão turva.
E foi assim que eu morri, há dois passos de começar a viver...

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Submerso.

Na verdade costumo encontrar-te sempre mesmo em cima das minhas pálpebras, a escorregar para a aflição.
As mais das vezes descortino a tua imagem por detrás do coração, imersa no desejo de te afogares nele.
E, eu confesso, deixo-te ficar lá, mesmo quando lá me arranha.

 
 
 
 
Re-postagem, de algum dia no passado.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A graduação

Ela olhava aquela foto cor-de-rosa e agradecia. Agradecia a ele, aquele homem fantástico que foi seu professor, seu mestre.

No início ela não havia entendido o sentido do aprendizado nem a didática daquele pequeno grande homem barbudo que mostrava as coisas agindo, e não falando ou escrevendo, como a maioria dos professores. Não entendia bem os testes malucos, que testavam na verdade sua capacidade, seus atos. Foi reprovada muitas vezes. Sofreu e fez sofrer com a rebeldia de uma aluna desobediente.

Porém, após as aulas terminarem, ela sentiu muita falta dele.

Descobriu a verdade certa vez quando sentada na areia num momento crucial de sua vida um outro grande homem lhe diria uma das coisas mais importantes que ela precisava ouvir. Sentiu-se confortável e segura. Neste momento, ela fitava e desnudava sem escrúpulos as ondas em sua dança para Iemanjá, e conseguia entender tudo aquilo que o antigo professor, agora gravado na memória e na foto rosa, havia lhe dito.

Nas aulas, tudo isso era apontado de maneira sutil sem que ela percebesse. A vontade dela em ser o que queria, sua rebeldia, seu fantasioso riso gritante, suas frágeis mentiras, a vaidade que ela tinha em dizer 'te amo' milhares de vezes e acariciar cem vezes seguidas a mesma bochecha, achando que este era o certo. Tudo uma grande ilusão de uma cabeça infantil em um corpo de mulher.

Seu mestre só queria ensiná-la a crescer, e em sua infinita sabedoria fez isso de modo extraordinário:  fez com que ela entendesse por suas ações, por suas reações, pelo tempo despendido de sua vida. Ela entendeu, e foi nesse momento sentada na areia de mãos dadas com alguém que ela se descobriu mais velha. A idade era a mesma, mas ela já sentia a primeira ruga de seu longo caminho.

Não sentia mais a necessidade de dizer "eu" o tempo todo. Não precisava nem queria rir à plenos pulmões na mesa do bar. Não queria mais sorrir para quem não merecia. Não gostava mais de ser imprudente com sua responsabilidade. Aprendia a agir com mais racionalidade, menos impulsividade. Basicamente entendeu coisas muito importantes. Entendeu que quando se ama de verdade, não se deve tentar provar isso para a outra pessoa a todo minuto com palavras ou gestos fulgazes, mas sim nos momentos em que esta pessoa realmente precisar de você ao lado dela.

Entendeu que amor não são lençóis, beijos e brigas. Mas sim companhia, crescimento, soma.
E mesmo depois de tanto tempo sem aquelas importantes aulas que ela tanta amava com sua paixão juvenil, e sem o professor com quem ela ria e gritava, como toda mulher jovem que parece um avestruz com cãibra, ela agora havia aprendido a lição mais importante que o professor da foto rosa poderia ter ensinado: ela gostava dela. Não havia mais razão para ser insegura.

Ela, pela primeira vez juntou o preto e o branco, o frio e o quente, o doce e o salgado. Virou equilíbrio, virou harmonia...
Como a harmonia daquela bossa que o professor cantou no primeiro dia de aula, e que agora ela escutava, enquanto lembrava dele com carinho e olhava seu diploma, o sucesso.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Nau[frágil].

Eu não sei exatamente quem eu sou. Nem se o rumo que tomei é o caminho certo pra seguir. Eu não sei bem como tudo começou, nem se ainda tenho coragem de partir. Ficar? Já nem sei mais onde estou. Já nem sei quantas cervejas tenho que tomar para vestir o sorriso guardado no armário. Não lembro qual foi a última vez que sorri sem que me pedissem, ou que disse palavras doces sem pensar no frio e ocre, que normalmente é nublado pela vodca quente. A verdade é que para o mundo, nada é o bastante. Ele sempre quer algo de mim, algo em troca pelo seu trabalho árduo. Ele sobrevive a mim, contanto que eu corresponda a altura. E eu vou.