domingo, 31 de outubro de 2010

Sonhos de Margarina...

...Eu já tive.

Já me vi com uma bela família, em torno da mesa de café da manhã, tal qual mostra o comercial. Mas na vida real os sorrisos harmônicos não são eternos.

Aprendi então a comemorar os instantes felizes. Uma noite, um café, uma bossa, um beijinho, o riso.

Aqueles instantes salvadores, cuja natureza efêmera não permite grandes vôos, muito embora nos deixem quase sempre no céu.

A vida é feita de instantinhos.


terça-feira, 26 de outubro de 2010

Metafórico.

Parei pra pensar no processo de perda da rastejante, ignorante e terminal taturana que pensava que seu fim tinha chegado quando na verdade ela estava se preparando para seu grande momento de amadurecimento.
Ela perderia todas aquelas patas e ganharia duas lindíssimas asas.Ela perderia peso e ganharia leveza. Ela só tinha a ganhar e a coitada se lamentava iludida e sofrida com a passagem.
Era o bom e velho jogo do "quem perde ganha". Do menos, é mais.
Claro que não é a primeira vez que passo por um processo desses, mas parece que a vida não dá folga: é como um videogame que cria maiores dificuldades quanto mais você vai vencendo.
Acho que a lição é conseguir aprender a viver sem depender de nada nem ninguém, mas ao mesmo tempo dependendo de tudo e de todos.
Em palavras mais simples, a solução é confiar em si mesmo e no processo que estamos passando no momento.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Boneca de lata.



A desagradava aquele percurso nítido em meio à multidão. Olhava o rosto dele vindo de longe, que com carinho lhe fitava. Mas a moldura que via em sua mente do quadro que iria surgir nos próximos minutos era de vidro e corte, sangramento e dor.
Ele sentou com ela na porta de um botequim qualquer já fechado. Ela apertou as pontas do casaco contra o peito, acendeu seu cigarro e sorriu, olhando para ele.
- Que foi? - Ele perguntou.
E ela pediu:
- Deixa eu ser tua amiga?
Ele deu uma alta gargalhada e a beijou ligeiramente.
- Mas que bobagem, nós já somos amigos, somos mais que amigos!
Ela sorriu com apenas um canto da boca e tragou em silêncio olhando para uma árvore qualquer, com cem milhões de pensamentos na cabeça.
- Não é isso, é que eu não quero isso pra mim. Essa relação que a gente tem tá ficando cada vez mais séria. E relacionamentos só complicam. Eu gosto tanto de você, mas não posso mais continuar com isso. Acho melhor sermos só amigos.
Lágrimas corriam nos olhos dele, que virou o rosto para que ela não visse a fragilidade que aquelas duras palavras haviam lhe causado, mas enfim a deu um beijo na bochecha, levantou e partiu com o coração quebrado e deixando o silêncio mudo e indiscreto tomarem conta dos pensamentos dela.
Ela sorriu, tragou seu cigarro e foi para casa dormir seu sono pesado.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

IGREJA CATÓLICA

1) Calou a boca na 2a guerra e não fez nada contra Hitler e Mussolinni. 
2) Apoiou a ditadura no Brasil abertamente 
3) Bento XVI até agora não fez NADA realmente contra os padres pedófilos. 
4) São contra o uso da camisinha. 
5) Recomendam voto em José Serra.
 
 
Nem Dilma, nem Serra, nem Igreja Católica.
Meu voto vai para a paz. O vazio. O branco invadindo as cidades como uma tsunami. Recomeço. Consciência. O povo precisa.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Caro Sr. X,

Lamentamos informar-lhe que você foi desclassificado e considerado desqualificado por perda de encanto mútuo, destruição da magia de primeiros encontros, infenso à paixão, corrobora o nosso asco por romantismo exarcebado. Obrigada pela tentativa, esperamos que tenha mais sucesso na sua próxima jornada em busca do surreal e inexistente conto de fadas. 
Att,
Empresas Bárbara's destroyers.
#prontofalei.

Yeah, yeah, yeah... babe.

Eu levo uma vida desregrada, com muito álcool e vida noturna.
Acordo às 4h da tarde de terça com o barulho do aspirador e uma dor de cabeça dos diabos. Só tenho flashbacks da noite anterior e fico sabendo o que fiz pelos amigos.
Não me assusto mais por ser abordada por pessoas desconhecidas que sabem até o nome do meu papagaio japonês sem asa e que não cansam de falar das altas conversas e filosofias que eu disse numa festa que nem sei qual é.
Eu não pergunto nem onde é a balada, mas o que vai ter pra beber e o quanto, e prefiro ficar na rua com uma garrafa de qualquer coisa na mão do que ir à exposição de um escultor do Alberjistão do Norte que todas as pessoas dizem ser maravilhosa. Conheci todos os namorados em festas e só quero ter como amigo as pessoas que conseguem virar vodca quente tão rápido quanto eu.
E, sim, meus queridos, eu tenho meu nome associado ao quanto eu bebo, eu conheço todos os donos dos bares, eu tenho conta neles. Eu conheço pessoas estranhas, pessoas loucas, pessoas felizes.
Eu não quero namorar, eu não quero casar, eu não quero me apaixonar, eu não quero um compromisso com ninguém. Hoje em dia, tenho fissura pela racionalidade sentimental.
Sim, sou taxada de LOUCA pela sociedade moralista. Mas uso meu livre arbítrio todo santo dia para fazer o que eu quero, para fazer bem para os outros, para ser feliz, e se eu estiver me fazendo mal, aguento as minhas consequências.
Que você fale, diga e pense, querido... o que bem entender de mim. Eu sei exatamente quem sou, e tenho muito orgulho, pois estes são os melhores anos da minha vida!
E lembre-se: A vida não deve ser uma viagem para o túmulo, com a intenção de chegar lá são e salvo, com um corpo atraente e bem preservado. Melhor enfiar o pé na jaca - Cerveja em uma mão - tira gosto na outra - com um corpo completamente gasto, totalmente usado, gritando: Valeu! Que viagem!



sábado, 9 de outubro de 2010

Os traços e linhas daquela boca traçavam o percurso retilíneo e movimentado pela minha estrada de chão, chegando em linha reta aos meus desejos mais profundos e secretos.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

.


Choveu. como havia de ser, choveu.
Choveu. pra coroar todo o fluxo de pensamentos, pra lavar todos os nossos pecados. para nos trazer de volta antigos sabores, para nos fazer sentir alguma coisa quando toca coldplay e quando a gente vê tocar no barzinho aquela música de MPB que nos traz um gosto de cítrico na boca.
E aquele moço que falava estranho parado me olhando e riscando no papel com seu lápis os traços que ele via em mim. O grafite que me via era mais bonito que a pele propriamente dita que eu carregava.
A cerveja, o cigarro, o rock, a bossa.
O irmão de minha alma que me acompanhava, com seus olhos brilhantes de artista, e cantava as dores do mundo sem filosofia.
E um único gesto insensato trouxe aquele gosto de saudade na boca. Uma saudade de um lugar que não estava ali, de uma música que não poderia ser tocada, de um grupo de amigos que não chegaria nunca.
Um único gesto insensato havia me custado a sanidade naquela noite.
E havia ainda a vontade de vê-lo. Não sabia o que me afligia mais o coração, se era aquela vontade louca de ver ele, ou o abismo enorme que nos separava. Ele estava bem, mas do outro lado do país. Como era de se esperar, mais um ato insensato. E eu escrevi aquelas linhas em dois minutos, escrevendo tudo que meu coração bêbado poderia dizer. Em minutos, a resposta veio, com amor saindo por todos os cantos daquele aparelho tecnológico bendito.
E então a minha noite mudou.
Sem arrependimentos, apenas uma constatação.

Você é um grande homem. 
Eu sempre vou te amar.
Obrigada pelo amor dedicado.
Obrigada pela amizade.
Obrigada por perdoar os meus erros infantis.
Obrigada por todos aqueles anos maravilhosos comigo.
 Obrigada por ter me amado e cuidado de mim.
Obrigada por continuar cuidando.
E mesmo quando você não está aqui, você é o mais presente
nas noites de medo do escuro, nas praias, nas pescas, nos sushis.
Você é o homem dos sonhos.
E agradeço por ter participado da minha vida,
me ensinando e somando.
Juntos construímos só coisas boas.
O tempo acabou, mas o momento será eterno.



quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Não, meu bem, não adianta bancar o distante:    lá vem o amor nos dilacerar de novo...


[Caio F.]

E eu adoro.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Cócegas.Comer.Carinho.Cabelos.Caso.Carne.Cama.

O ser humano necessita do prazer.
Aquele bichinho que caminha pelo corpo, percorrendo as entranhas com suas garras que fazem cócegas.
Sem ele, nada feito, adeus mundo cruel e um tiro no pulso na cabeça para despedir-se.
É por isso que eu repito [e repito, e repito]:
Um brinde aos prazeres que a vida oferece. Aos atos mundanos.
E viva a manteiga! ;)


O mensageiro dos bons ventos.

Pela sua valentia e ousadia sem porém. Pela sua voz doce que canta, me encanta, e tudo bem. Me faz tremer diante dos teus olhos verdes, me faz sorrir e gargalhar diante da tua sem vergonhice.
Pelas cicatrizes da estrada, pela pele bronzeada, pelos beijos com sabor de morango mordido. Pelos teus pedaços sortidos que com calma eu roubo, pouco a pouco, como uma gatuna discreta, até chegar a hora certa que todos os teus pedaços estarão comigo.
Por tudo isso não sinto mais saudades daquele tempo em que meu corpo entrava em ebulição, em que eu acreditava na paixão, em que eu tinha esperanças, sonhos malucos e rendição.
Depois daqueles tempos, eu tive o meu tempo, e então, tive você.
Depois disso, as pessoas ficaram mais bonitas, os sorrisos mais sinceros, a esperança cor de águas claras, os sonhos mais concretos, a paixão na porta de casa, o vulcão em erupção, o rouxinol cantando a sua canção, os outdoors mostrando você.
O mensageiro indiscreto do meu bel-prazer.

;)

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Roda gigante.

Àa vezes a gente cansa da hipocrisia do mundo, da falsidade das pessoas, de ter que sorrir quando se quer mesmo é socar e dar um tiro de bazuca. 
Às vezes o trabalho maravilhoso fica chato e a gente finge que aguenta enquanto estamos tendo uma síncope por dentro.
Às vezes a gente sente vontade (muita, mas muita vontade) de colocar pasta de dente no travesseiro daquele colega de apartamento que tem em seu coraçãozinho os sete pecados capitais e cospe fogo aos quatro cantos do mundo.
O que fazer?
Colocar os pés num balde de água quente e pedir ao papai do céu paciência. (Sim, meus queridos, pa-ci-ên-cia, porque se ele me der forças eu bato até matar).
Porque em pouquíssimo tempo vai chegar a hora que uma coisa simples, porém incrível particularmente pra mim vai acontecer e eu  vou sorrir e relaxar, gozando cada minuto daquele momento celeste. A paz que estas tenras e doces horas me trazem acalmam e clarificam as águas do meu oceano. E eu já não ligarei mais para todo aquele resto que me inquietava.
A vida é assim meio roda gigante, só nos resta abrir os braços e aproveitar o frio na barriga quando estamos no ponto alto dela. 
E assim seremos grandes.
E assim sempre teremos forças para suportar o ponto mais baixo da nossa roda da vida.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

J’aurais besoin d’un aller simple, s’il vous plait.

Era fria como um destes continentes árticos que faz nossa pele agulhar de dor.
Tinha cubos de gelo incrustados na carne, e sentia orgulho de ser assim.
Ela era também fulgaz como aquele vento frio que bagunça nossos cabelos e faz nosso nariz ficar vermelho.
Perpendicular a isso, era afável. Intensa.
Doava carinhos demais, palavras doces, sorrisos. Gostava de recebê-los.
Tinha sempre estes dois lados, e os dois eram fortes demais para que um aparecesse mais que o outro, então os dois eram predominantes. Ela era duas, e estas duas tinham pólos opostos.
Difícil entendê-la.
Era agridoce. Discreta e estabanada. Intensa e sutil. Um pouco louca, um pouco sanidade. Um quadro típico metamórfico de dualidades reversas. E adorava ser isso.
Era aventureira, gostava do perigo, do risco, de se atirar de um avião com um pára-quedas e de cair em queda livre. Amava sentir correndo em suas veias a adrenalina. Idolatrava o prazer de viver intensamente.
Mas com amor não podia .Não queria. Temia.
Ela era a fuga do fulgaz prazer que o amor oferecia. Era fugitiva.
Não era do tipo que andava de mãos dadas como discretas algemas cabíveis na sociedade. Não gostava de receber flores bonitas que já estavam morrendo com o passar das horas. Não queria a luz das velas que se apagariam com o sopro de um sussurro.
Quando isso acontecia, ela desaparecia.
Deixando para trás algumas lembranças doces do seu jeito maluco, dos seus rastros de lama no tapete, do perfume de flores no casaco, dos fios de cabelo no sofá, da música que cantava sem saber, das gargalhadas banais, da alegria medonha de quem faz o errado parecer certo e faz o certo de forma errada.
Estas lembranças ficariam guardadas nas memórias ou nas gavetas de alguém.
E ela voltaria a aparecer, gargalhar, cantar pelas avenidas de outro alguém.
E quando tudo parecesse maravilhoso de novo naquele novo mundo, algo a inquietaria, a faria mover os pés, as pernas e os braços sem olhar para trás em direção ao cais, ao aeroporto.
Mostrando o passaporte ela novamente diria sorrindo:

- Preciso de uma passagem só de ida, por favor.









(Mas hoje eu acordei com vontade de correr. De ir embora, de ficar. De nunca mais ter que brigar e fazendo tudo que eu prometi nunca mais fazer.
Minha dualiade não machuca ninguém mais do que a mim. Eu sou confusa, perdida, intrusa em mim mesma. Sei o que é certo mas acabo fazendo tudo errado. Eu sou o erro encarnado. O medo, o anseio, a tia do menino de olhos azuis que precisa sempre sorrir de volta.
Eu quero que passe logo, quero ser jovem pra sempre, quero ter maturidade, quero parar de me machucar e de machucar quem gosta de mim. Quero parar de me defender atacando e de chorar em propagandas de margarina..
Não quero ser eu.)

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Intrínseco

Seus olhos esbanjam luz. .
Um brilho amistoso que convida a se banhar naquelas águas calmas de intolerância.
Olhos pretos que clarificam sua alma de artista.
No timbre, temperança, contentamento, exuberância.
Como um pavão que ao desfilar pelas alamedas enfeitiça os caminhantes de tal jeito que não conseguiam parar de o olhar.
Esguio, numa pintura plena de poderes brancos e mágicos gestos, que fazem os nós desatar.
Um alforriado, dourado,  atento aos que nada têm, teme pelos que avarentam o que ele retém.
Virtuoso, vicioso, vicariante, vicinal ao majestoso.
Lânguida face concomitante à sua bravura dura como diamante.
Externa o que lhe convém, grita com o que não lhe cai bem. Ama e aquece aquele que lhe alumia.
Esfria o fogo e o brilho de quem no breu vive cada dia.
Às vezes maré cheia, às vezes esvazia.
Corre pelas ruas a cantar com os bispos, mendigos e prostitutas.
Corre pelo mar a nadar nu gritando pela liberdade da poesia.
Revoluciona as mentes com a maturidade da sua filosofia.
É belo e technicolor.
É poesia transbordante;
Meu sol, meu astro flamejante.
Tanta vida ele cria e mantém.
Luminoso na fronte azul do crepúsculo.
E quando me perguntam: É teu irmão?
Dou um sorriso orgulhoso e digo:
Sim,
de alma,
de coração.



Uma pequena homenagem ao meu querido, Matheus Ocon.

Amarelado

Hoje encontrei teu cheiro
Numa camiseta cinza
Perdida em meu armário
Tinha o odor embolorado
Ocre musguento e fétido
De amor esquecido há tempos
Na geladeira

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Deixa tua boca comigo

Quero bebê-la de vez em quando sempre

Molhar minha vida em tua saliva

Ter companhia para me descobrir.
Hoje combinamos 

de nos amar,

só até ontem.


segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Amolenga.

Acordou com os braços dele enroscados, amarrados nela. Suspiros e sorrisos, cócegas e pés gelados.
Abraços com jeito de borboletas no estômago. Beijos com sabor de chocolate em calda quente.O coração entregue, fremente.
Gargalhadas que há tempos não via em si. Sons de um coração saltitante. Cores e luzes brilhantes. Era ela alegria. Era ela maçã verde. Era agora radiante.
E nesse súbito e desencontrado encontro, onde nada mais existia, exceto os pares de retina apaixonados, mais ainda, as bocas que se suplicavam.
Os olhos ficaram para depois. Santos retificados, e o amor que chegou de pronto no tempo das canções.
Beijos com um só riso, ela se aconchegou logo em quase nada - e que era tudo - Fez de um abraço, paraíso.
Ainda que tivesse anos para aproveitar à beira mar, sozinha no aprendizado do seu ser, caminhou na direção dessa descoberta nele, e decifrou aquela beleza quente e morena de ter. De um jeito tão pouco usual, encontrou ele a descobrindo numa esfera real, encontrou açúcar, doçura, carinhos e seda pura.  Olhos fechadinhos e sabor de fruta madura.
Nesse lugar deles a poesia não está nos versos, mas sim em cada gesto e no universo daquele olhar.
Ela veio do ar, ela veio para amar.
.
.
Ele também.

domingo, 26 de setembro de 2010

Para me entender, taí o manual:

A mulher de aquário

Quando estão amando (veja bem, eu disse a-man-do mesmo) as aquarianas são extremamente fiéis. Pode confiar. Bem, mas não vivemos num mundo perfeito né verdade? 
Compensando sua dedicação, a aquariana é dotada de um alheamento e falta de emoção em relação às pessoas, que é de se apostar todas as suas fichas como ela não está tão afim de você. Mas ela está. Basta deixar que ela se envolva com sua deliciosa lista de 6 bilhões de assuntos que ela precisa pesquisar e descobrir. Bem como seus outros 6 bilhões de amigos (um em cada canto do universo). O maior erro que você poderia cometer na sua vida seria amarrar os pés das discípulas do vento, ao pé de uma cama.
Acostume-se. 
Passe a encarar com naturalidade o fato de que ela pratica capoeira, lê livros em cima da árvore (não embaixo), e decide passar as férias trabalhando como voluntária da Cruz Vermelha. Lembra quando você a viu na TV amarrada na árvore que iam derrubar? Pois então. Ache normal. 
Ela é a única por onde passa a idéia de perseguir uma estrela cadente, enquanto todos os outros estão concentrados em realizar pedidos. E olha que eu ainda não cheguei no principal.
A aquariana não pertence a ninguém porque ela é de domínio público. Elas insistem e precisam ser livres. No entanto, a pessoa que aceita os seus termos, terá sua profunda admiração e devotamento. Ela sabe que não é fácil.
Devo dizer que paixão realmente não é o forte delas
São como borboletas:
imprevisíveis, vivendo de acordo com seu próprio código, em sua trajetória singular. 

No fim da história, ela sofre de um medo secreto de se apaixonar demasiadamente por alguém e acabar negligenciando o mundo e todas as outras pessoas que precisam dela, e vice-versa.
Seu temperamento, bem como o amor que dedica, é definidamente impessoal. A aquariana ama mais a humaninade do que o ser humano
Então elas não demonstram o que estão sentindo muito facilmente
As palavras com as quais elas expressam o seu amor são frustrantemente limitadas. 
Ela pode ser como um flamingo posudo e elegante nas mais diversas situações, mas em matéria de amor ela se transforma num ogro estabanado
É muito comum que ela viva confundindo amor e amizade tamanho seu desligamento com questões de espécies mais quentes, digamos assim. 
Há muita coisa linda e maravilhosa pra se ver por ai do que sua cara todos os dias, é o que ela pensa.
É dificil, eu sei. Mas se você está apaixonado por uma mulher dessas há de reconhecer: nunca você acreditou tanto em mágica como acredita agora. É nítido como as aquarianas realmente se destacam. As aquarianas são a cereja do bolo simplesmente porque elas não fazem parte daquele lugar.
Ela é internacional, onde quer que ela esteja.
Não é ótimo? Você pode ter um produto importado, que prevê o futuro, sabe de tudo que está acontecendo e que ainda te ama nos dias em que você se sente menos amado, e é carinhosa como uma gatinha manhosa. Tudo isso pelo preço de você não ser tão conservador e reservar sempre uma boa mente aberta. Elas são perfeitas artistas e grandes mulheres.
 

Recebi do Lú.

sábado, 25 de setembro de 2010

Ele a beija.


Ela: Eu não posso fazer isso. Ter você é como se eu comprasse um novo par de sapatos, mas que não servisse em meus pés.


Ele: Então vamos ficar um tempo descalços,

;)

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Um pouco de cor

No meu mundo particular os pássaros cantam Chico Buarque, as árvores têm frutos doces e coloridos, o sol brilha e rege a orquestra do céu, para os pássaros acompanhar.
A grama é de algodão macio pra todo mundo, quando quiser, deitar. Chocolates e batatas fritas são tão permitidas que têm em cada esquina, junto com os expressos de café e as manjubinhas.
Tem rios terapeuticos e medicinais. Os mares são templos de meditação. Todos os animais são sagrados e de estimação, todas as cores são fluorescentes cores de tentação.
As flores não murcham, viram borboletas, que no céu lançam boa sorte a quem as notar, as vê passar. O arco-íris tem tesouros mágicos, desses que a gente encontra quando é criança, pra todo mundo brincar.
O teletransporte existe, feito pra não ter saudade e pro mundo todo encontrar o seu lugar sem dor nem despedida.
Lá, todos são artistas natos, feitos para encantar.  Existem grandes saraus onde todo mundo é respeitado e bem sucedido.  Chaplin anda pelas ruas a desfilar.
Nem escambo, nem dinheiro. A moeda é o amor.
As crianças brincam e correm sozinhas pela cidade. Desbravando novos horizontes além do portão de ferro, e as pessoas são felizes.
Lá, indiretas não existem, apesar da juventude ser a característica de todos. Pequenos jovens, grandes homens brincalhões, alguns com rugas, outros com cordões.
E sendo todos jovens, amam, criam, cantam, gritam e tem energia suficiente para quando o potinho de felicidade acabar, começar tudo de novo, e de novo recriar sua feliz-idade, com mais maturidade.
Lá, a loucura é sanidade, que traz ao meu mundo a banalidade do riso farto, grande e corriqueiro.
Rotina? Não tem pressa de chegar, não.
Até porque, lá tem um grande furacão, e as pessoas saem a percorrer este mundo por vontade.
Sem remorso, julgamento ou torpor. Apenas a consciência da solidez, solitude. Apenas respeito, filosofia e educação. Jovens construtores sociais de sua própria evolução.
Todos necessários, só morrem com um hino de louvor quando todos os seus sonhos forem concretizados, quando todas as promessas forem cumpridas, quando terminar aquele dia utópico em que te tornas um sábio senhor.
Lá, apenas amor.





segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Podres poderes.

Alguém poderia me explicar a misteriosa prisão e iminente morte de Yves Hublet?
"Estava com câncer" - foi a informação simplória da administração do presídio.
Por ser um cara de evidente coragem ao levar à público seu desafeto com o governo e os escândalos do mensalão, Yves nunca mais teve sossego e teve que sair do Brasil, se refugiando na Bélgica.
A passeio pelo país, Yves foi para Curitiba e depois para Brasília antes de voltar a Bélgica.
Foi abordado no aeroporto, algemado e preso, com a "suposta" alegação de estar armado.

[ironia] Sim, porque o aeroporto de Curitiba deixaria alguém embarcar armado. [/ironia]

Depois de preso, ficou tragicamente doente dentro do presídio sem que nenhum familiar soubesse, morreu, sem que nenhum familar soubesse e foi cremado sem que nenhum familiar soubesse.
[Num país onde a cremação custa rios de dinheiro e só é feita nos casos em que a família impõe tal circunstância]

VIVA A DITADURA DEMOCRACIA!
VIVA A LIBERDADE DE REPRESSÃO EXPRESSÃO!
VIVA O BRASIL!

domingo, 19 de setembro de 2010

Paralelos no infinito.

Sábado na solidão.
Tomou um banho, se arrumou, olhou no espelho e sorriu.
Saiu de casa, pegou aquele elevador lerdo, deu bom dia ao porteiro e foi para a rua.
Sol a pino, calor desértico e sufocante. Pássaros, graças aos deuses, pássaros.
Mecanicamente pegou o metrô e foi até lá onde as lembranças dele povoavam.
Enquanto ouvia os sons do metrô caiu em si e já estava naquele mesmo bairro de antes.
Lembranças que por muito tempo povoaram seus sonhos adentravam sua mente agora como um furacão. Cada cheiro, cada florzinha e cada pessoa que trabalhava por ali lhe davam aquela sensação de frio na barriga como quando encontramos algo que amamos depois de muito tempo.
Caminhou o dia todo por lá, sentou no banco daquela praça, entrou pela primeira vez naquela igreja, comeu pipoca, tomou um café, até que cansou.
Levantou preparado para pegar aquele metrô de volta pra casa.
Quando ia embora, ouviu um grito:
- Roberto!
Olhou pra trás, e era ela. Ela, ela, ela, a sua.
Incrédulo, com o coração em disparada, as mãos suando, o tremor, o calor e a emoção daquela hora tenra e cálida.
Nem nos seus sonhos mais bonitos essa cena aconteceria. Ela estava ali, bem à sua frente, e tudo o que ele pode dizer foi um fraco e fino "oi".
Como traduzir o silêncio deste encontro?
Olharam-se por minutos, num encantamento contente de quem se encontra depois de ter se perdido há anos, como a magia do encontro de paralelos que se cruzam no infinito.
Ele sempre procurava ela nas coisas boas, e quando não achava, ele a inventava nos detalhes dos caminhos em que andava, para nunca ter que esquecê-la.
E agora com ela ali na sua frente, apenas a quietude.
Fios de segundos e o silêncio se quebrou com um sorriso, do sorriso um riso mais que liso, e um beijo.
Haviam os dois guardado as promessas em baús cadeados e jogado ao fundo do mar, como tesouros escondidos de rainhas francesas, e nada mais faria com que se encontrasse a chave destes baús, a menos que mergulhadores os encontrassem e o tesouro ficaria em algum museu, perdido para sempre em fotografias.
Aquele beijo despertou os sentimentos reprimidos, os detalhes esquecidos, uma saudade revigorada e um coração batendo forte no tempo do vento.
Caía o orgulho com a noite, e o amor se mostrava conforme a lua. Sem dor, sem tédio, sem crise, sem rasgar o passado, apenas o álcool e o riso, a fórmula do amor.


(Depois de muito tempo, este foi o primeiro dia das nossas novas vidas.)


quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Indiretas

Porque gastas tantas palavras definindo o amor? Porque espera do outro que seja assim ou assado, que o outro seja sereno, tranquilo, paciente e perfeito, porque defines que somente isso é amar? Não vê que todos somos errados e tortos? Não percebe que erramos para acertar? Não vê que somos todos crus? Por que tantas palavras definindo o amor coladas nas minhas portas e janelas, como pequenas injeções de indiretas para mim? Amor é aquilo que a gente sente. E ponto. Os nossos atos diante desse sentimento dirão se ficaremos com ele ou não, mas isso chama-se causa e consequência. Amor é apenas amor. O sentido, o sentimento, o calor

terça-feira, 14 de setembro de 2010

French

Café da manhã em Copacabana
Água de côco, caldo de cana
Sentada na areia a diluir felicidade
Secretando com Deus minhas vontades
Uma nuvem negra tapa o sol
Um desconhecido falando enrolado
Do jeito engraçado, simpático
Pragmático, me olhava nos olhos
Do jeito malicioso
E dizia:
- Je suis fatigué -
Pura coincidência, sabia?
Eu ria,  matando minha agonia.
Matando a poesia que o mar fazia

Fotografias

Almoço naquele mesmo botequim de antigamente.
Um conterrâneo fanfarrão servindo toda a gente.

Uma senhorinha simpática que senta e conversa comigo.
Coisas que aconteciam no Rio antigo.

As árvores que reconheço.
Os momentos lembrados, padeço.

As memórias antigas, queridas, repentinas.
O calor, a praia, o frío na barriga.

O fio da navalha no coração.
Migalha do teu pão.
Engraçado, mas ontem a noite te encontrei.
Voamos de mãos dadas por um arvoredo e rimos com a cosquinha que o vento nos fez.
Tanto amor, senti.
Engraçado como tudo tinha aquela atmosfera de perfeição que só se estraga quando os olhos abrem com o grito do despertador.
Adorei te ver esta noite.

sábado, 11 de setembro de 2010

Concentração.

Ô mundão difícil.

Haja tato pra saber o que fazer em cada situação.
Eu juro que ainda não aprendi. Aí num rompante acontece o inimaginável e você começa a enxergar o fundo daquele poço que um dia você superou, e tudo bem... nada que um Prozac e uns pulsos cortados não resolva.
E quem é forte o bastante pra se conter com os empurrões ao abismo que a gente leva?
Tem uns e outros aí se achando forte, achando que o sofrimento não afeta as mentes humanas.
Até hoje não vi ninguém que tenha caído num abismo, ou simplesmente que tenha levado um tombo qualquer, levantar sem arranhões e marcas...

E tudo bem que as vezes a energia do corpo acabe, que a leveza que eu gosto tanto se transforme em toneladas, que o sorriso venha acompanhado de sarcasmo ou educação... Tudo bem.

Tudo bem que é obrigatório para ser humano não entender que as palavras que são ditas ficam encravadas na nossa carne, e quando desditas, levam um tempo pra cicatrizar... então melhor não encostar, não lembrar, não mexer pra não sangrar. Mas mesmo assim até a mais serena das criaturas machuca as outras com palavras não pensadas.

Aí eu guardo as minhas fraquezas num potinho, e tento lacrar bem a tampa... Mas basta uma distração, uma bem pequenina, que ele abre mesmo assim, e surgem elas pra me maltratar e sou eu quem começo a querer me guardar num potinho longe de tudo.

Antes eu saía a gritar por alguém que me salvasse...de mim. Isso porque eu me sofro demais. Agora já me vesti toda de branco, respirei fundo e me fiz um acordo de paz. Me embebi em concentração pra tentar me fazer rir a toda hora e a todo custo... Mas descobri que também tem hora pra não rir.

E eu já fui uma dessas sozinhas sem-amor que jura que não precisa de ninguém pra ser feliz e saí em desatino por aí a beijar bocas vazias e cheias de tédio. Então eu olhei pra mim, olhei bem pra mim... e tinha um buraco vazio bem aqui dentro, que às vezes crescia e me fazia desaparecer. Acrescentei mais algumas clausulas no acordo... Melhor que paz é amor. E comecei a amar demais, demais mesmo. Intensa, eu fui e sou. Mas amar demais funciona? E se machucar? Voar alto só dá um tombo maior?

Então eu agora começo a entender porque existem essas pessoas meio invísiveis que a gente chama de "sem graça". Não são engraçadas, são tímidas e só vivem de trabalho e estudo, certinhas demais. É ó-bvio! Isso tudo é precaução... ninguém quer sofrer demais!!!!
E quem vive intensamente sofre mais que o normal, sofre até tomar veneno de rato e chora até vendo novela de Manoel Carlos.
É... haja concentração pra conseguir ter precaução e viver uma vida "sem graça" e sem dor.

Sem dor. Sem dor.



REPOSTAGEM do dia 26/02/2010

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Menina das meias trocadas

Guarde minhas meias
Como a minha saudade
Guarde o gosto do meu beijo
Com o cheiro da minha vontade

Menino de all star
Com o jeito meigo no sorriso
Com as mãos de um amante
E a perfeita pureza que carrega no olhar

És leve como o vento, grande como o mar
E tem asas de pássaros alegres
Perdidos no mundo,
Entregues ao tempo, soltos ao ar

Menino de xadrez,
Com sonhos não tão meninos
Beleza na trágica juventude
No teu cenho liso, solidez

Amo como os poetas amargos
Que somem durante o dia
E à noite, no entanto
Me entrego aos teus encantos.

E sonho contigo, corro perigo.
Meu pranto.

sábado, 4 de setembro de 2010

Não, Bárbara.

Tanta gente que nada de mim sabe a me olhar e dizer tantos nãos!

- Não, Bárbara, você não foi, você não fez, você não está fazendo.
- Não Bárbara, aquilo não era legal, aquilo não era dor... aquilo nunca foi amor.
Que eu paro e penso: Quem são eles? Quantos erros já cometeram? tentando fazer a mesmíssima coisa que eu, você e todo mundo tem tentado: SER FELIZ.
Quem são para me dizer que o meu peito rasgado não era dor?
Que as coisas que por ele eu senti nunca foram amor?
Mas eu vou, ainda que cheia de julgamentos e negações.
E cada "não" atravessado na minha estrada será um passo a mais que eu darei em minha existência.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Manjericão

Não me aprisione
Não tente me fazer ficar.
Não me queira,
Não me questione,
Nem tente por mim se apaixonar.
Eu vou te fazer chorar.

Eu sou assim, ardida
Cruel e sem coração
Sou intensa partida
Sou só manjericão
Numa vida bandida
E magôo sem notar.

Eu não choro, não sinto
Não vejo flores no jardim
Não falo de amor
E não vejo motivos
De você falar por mim.

Desapareço sem saudade
Sou vulcão que arde no fim
O divã da insanidade
E no silêncio de uma prece
Sou nuvem que desaparece

Música Interior

Tem dia que eu fico vazia. Não aquele vazio melancólico que te faz dizer "estou com um vazio no peito". Um vazio devagar que gela por dentro, faz querer mergulhar no chão. Fechar os olhos e dançar, dançar, dançar loucamente, dançar, fumar, dançar, beber, dançar, entrar na música, ser a música, embalar meu próprio corpo que dança, cair exausta em uma piscina gelada e ficar lá no fundo por horas, horas, horas. Sem morrer. Vazio não é vontade de morrer. Vazio não é vontade de nada. Vazio é vontade de sentir. Já sei. Vazio deve ser o não-sentir e a ânsia de sentir que acompanha o não-sentir. Não quero você agora. Mais tarde, quem sabe. Não agora. Sinto sono e a vontade agoniada de dançar. O sono fecha os meus olhos até a metade. Não devia ter dormido tão tarde ontem, meu corpo já não agüenta. Pouco mais de duas décadas e os anos já começam a pesar. Que injusto! Talvez não, corrijo. Há alguns séculos as pessoas não esperavam viver muito mais que três décadas e eu exigindo a eternidade! Mas eu não quero viver para sempre, isso não é verdade. Eu só quero dançar e dormir. Estou sem conseguir me importar. Quero um pause. Faz calor e os passarinhos não calam. Quero dar uma volta de carro e enfiar minha cabeça para fora da janela, sentir o vento embaraçar meu cabelo e não me importar. Hmmmm. A fome. Enfim, sinto algo. Acho que vou almoçar.

A minha razão.

Bobo é quem vive sem insanidade. Pacato, chato, sutil demais.

Quem não tem uma saudade alva com pinceladas pretas?
Quem não sofre, quem não se esconde no quarto e põe aquela maldita música só pra chorar um pouquinho mais, pra se olhar no espelho e ver que a dor inchou a pele e manchou o coração, e que o buraco que se abriu (e que só a gente pode sentir) é tão fundo que chega nos pulmões e faz o ar faltar?
Quem, depois, não descobriu que existe muita estopa neste mundo que tape esse buraco? E que depois de descobrí-la a gente ri dos tempos em que chorávamos alto, do tempo que ainda doía.
Quem não faz uma loucura como sumir no mundo e ir para a Indonésia ou Scandinávia, porque queria se encontrar? E descobre depois que a gente só se encontra quando está em casa, com coisas que amamos, com as pessoas que amamos, nas situações que amamos. E que as aventuras nos servem, e muito, para uma boa aula na faculdade da vida.

E qual o louco que não é feliz?
Cada louco inventa a sua realidade, mas que seja uma dessas que faça com que os dias sejam de sol, e as noites de lua cheia.
Que se faça o que se quer, que não se tenha medo de realizar os sonhos, as vontades, de dizer a verdade, de sair pelo mundo a gritar, a dançar no meio da rua com seu par, a amar, a se apaixonar sempre e mais, e ser feliz com a sua própria fantasia, sem se importar se o mundo o aponta, o enfrenta ou o atormenta.
Mas ainda tem tanta gente querendo se encaixar. Querendo pagar o pato pra ser aceito, vendendo a alma ao diabo pra ter respeito que eu nem sei mais quem é o louco na verdade.
Tem tanta gente em emprego chato pra ficar rico, tem tanta gente tentando comprar o carro do ano porque é bonito, tem tanta menina que ainda nem seio tem e faz sexo com desconhecido, e tem tanto menino de rua dando sorriso, que eu nem sei mais que é o bobo e quem é o banido.
Melhor excluído, do que bem sucedido e sem felicidade.
Só sei que nunca é tarde demais pra se ter paz.
De nada adianta ser um pássaro quando se está num cativeiro montado por você mesmo.
Liberte-se. Sonhe. Enriqueça [o coração].



Eu tenho vivido sem moderação.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

"Levas uma rosa ao peito
E tens um andar que é teu...
Antes tivesses o jeito
De amar alguém, que sou eu"

(Fernando Pessoa)

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Murchas gérberas.

Triste sol da manhã,
Hoje surgiu para me sufocar
Deu-me mágoas num vulcão
E um reluzente clarão no mar.

Quem dera versos simples assim
Pudessem essa tristeza expressar
Tristeza soluçante que me rasga
Trazendo o infinito aguado da dor

Não há culpa, não há fé na desculpa
Não há senhor poente neste dia, doutor.
Quem dera os minutos passassem
Como águas ligeiras de um rio no vendaval

Quem dera fosse este o escrito
O mais sincero descrito
Que poderia ser dito inteiro
Hoje no meu funeral.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Elos rompidos.

Queria ter uma pedra nos pés
Pra não mais voar por aí,
Pra não perder mais restos,
Pedaços de mim que eu deixo escapar
Queria ficar e mais vezes te abraçar
Abraços perdidos, abraços partidos
Queria ter a chance de me desculpar
Com os elos rompidos que trazem meu olhar
Claro, eu estou indo embora.
E não há mais a chance
De eu me perder neste teu olhar.
Será?

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Rasgando o vestido rosa de cetim.

Houve aquele tempo de cegueira
Em que eu só obedecia
Não ousei, não ultrapassei.
Nada fiz fora da tua lei

Em tuas normas me criei
Com suas regras eu cresci
Dentro das leis eu me mantive
Em troca, nenhum louro recebi.

Nem ao menos em pensamentos,
Eu conseguia me libertar.
Eram grilhões nas asas coladas,
E uma arma na língua afiada a me maltratar.

Hoje coloquei fogo nas amarras,
Me despi no meio da praça,
Zombei da desgraça, ganhei graça.
Tomei um porre e fui nadar no mar.

Me embriaguei de atitudes,
Comprei minhas escolhas com teu ouro,
Arrumei as malas com as minhas virtudes
E mudei o timbre para discursar.

Hoje provei que ser adulto
Não significa estar certo ou errado.
Mas significa tomar cada decisão
Sem ter medo do resultado.

Sem ter medo de errar.




.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Anistiada No Amor;
Angústia No Alheio;
Amplexo No Amigo;
Ambiguidade No Anseio.
Tantas juntas em uma incostante revolução.
És 'tuana',
baiana,
mil anas,
Ana.
Anda pelos morros com a finésse de seu berço,
Dança até o chão nos bailes de quem tem dinheiro.
Feita para chocar, para iludir, para gritar e ser amada.
Para enlouquecer o pobre que não tem da insanidade um grão.
És tu, Ana.
Um dia de carnaval,
A graça que a vida tem pra ofertar,
Mil gargalhadas em um funeral
És tu a força que me faz levantar
És tu Ana,
profana,
urbana,
soberana.
Foi queimada viva, acusada
desceu ao inferno e já não teme nada
E retornou inteira, fabulosa.
absolutamente poderosa.
És tu, Ana.
No final, canta seu louvor
Sem arrepender os passos tortos.
Serás sempre a sutil tempestade,
Carregando o sonho, doando amor.

.
E de repente eu escuto aquela voz.
Tremi.
Eu tinha me esquecido de como era bom, e você me lembrou.
E se o amor é fantasia, eu me encontro ultimamente em pleno carnaval.
Ainda sinto o teu cheiro distante.
E quero ele na minha pele, em minh'alma.
Sou a menina das palavras.
Sou muito, mas muito estabanada com as ações.
Mas por ti, bicho querido.
Eu vou ao palato do mundo e o transformo mudo com minhas rimas.
Eu vou ao leão e o transformo camundongo com meus chicotes.
Eu vou a Judas e o condecoro Czar.
Eu vou a Deus e o faço trocar com Satanás.
Eu vou a Vinicius e o faço gargalhar.
Eu vou a você e te roubo pra mim com minhas ações,
Com minhas reações, criações,
Vou a você e te dou o que me dói, o que me trái, o que me ri, o que me satisfaz:
Amor por ti.



terça-feira, 10 de agosto de 2010

Tanto.

Querido,
Chorar por tudo o que passou não me transforma em alguém melhor.
Aprender com o que me dissestes, sim.
Tenho me estabanado tanto nas prateleiras da minha própria vida que não sei mais distinguir o que é vidro e o que é plástico.
Acontece que sempre precisei de ti pra me alcançar o que não quero quebrar.
E vou andando neste mundo como um tartamudo que tateia até chegar no seu  lugar.
Me parece tanto que meu lugar é um poço escuro!
Mas escutar tua voz me ditando palavras de um futuro me fazem alforriar a loucura.
É, parece que pra mim também haverá um brasão, umas flores, um amor e muita ternura.
Querido, mesmo assim, cada vez mais sinto aquele arrepio de que te falei...
Sinto minhas pálpebras tremendo e  minha boca seca te dizendo todas as verdades inatingíveis que eu tenho. Pois te disse, sim, todas elas, mesmo que não acredites!
Já que és o meu eunuco dourado, porque não ouvir minhas histórias verdadeiras?
Me tens para sempre, para sempre serei tua...
então escute o que meu passado te diz.
Querido, se for pra falar em futuro, me vejo agonizando secretos sonhos estrelados!
Que só tu e eu secretamos, mas que ainda me pegam de surpresa vez que outra fazendo a barriga estremecer de friiio,
Estou aqui lastimando agora, porque, mas porque não estou aí?
Querido...
Há tanta história de nós dois!
 Há tantas camas quebradas, risos na madrugada, salgados de almoço, janta e café.
Há tantos beijos cálidos, sexo sem segurro, paixão sem escuro, amor válido.
Houve tanto um te quero, te amo, te espero, te deixo.
Querido, há tanto ainda a perdoar, a tanto ainda a entender, há tanto a explicar, a agir, a escrever...
Há tanto de nós dois que nem entendo como este tanto não cobre o mundo e ninguém vê.
Talvez porque este nosso tanto, seja um tanto tão eficaz e tão forte que cresça a cada canto, a cada luz, a cada palavra.
Que cresça, esqueça e faça:

nós dois outra vez!

domingo, 8 de agosto de 2010

Estou longe.

Quero dizer, ainda estou aqui, em tese.
Meu corpo ainda permanece no mesmo lugar.
Continuo aqui não conseguindo dormir todos as noites nesta mesma cama do quarto da infância.
Continuo a subtrair virtudes parada no tempo de uma cidade sem ofertas.
Mas minha mente voa como um pássaro que foge pela primeira vez do ninho.
Faço meus planos, compartilho segredos, tenho medo, tenho vergonha, tenho vontade, tenho coragem.
É uma sensação de roubar um carro velho abandonado, ele já não tem mais dono, mas ainda é roubo, dá um misto de emoção e culpa.
Estou aqui, distante nas relações.
Com os amigos, sou fria, sou sorriso Monalisa, ninguém sabe o que dizem meus olhos.
Com os homens.... bom, estes só encontrarão em mim além de vazio, desprezo.
Não por nada, não que eu me ache importante, apenas pelo fato de que ficar sozinha é a terapia mais eficaz para mim nesse momento.
Tenho gostado de me encontrar absolutamente sozinha no meu quarto ouvindo música e conjecturando com meus botões.
Mas só a conjectura em nada me satisfaz. Quero as minhas ações, quero a  efetivação dessas minhas idéias!
Eu quero mais e mais da vida!
Mas enquanto isso, não há Rivotril que tire essa insônia,
não há temporal que faça essa vontade de voar passar.


sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O sonho secreto de toda mulher louca como eu, é morrer cantando e gargalhando na fogueira inquisidora!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Eu fui feita pra não dar certo. Pra ser leve, intensa e passageira, como uma música, e comum, feito uma bossa.
O tipo de pessoa que ninguém estranharia, se te deixasse, plantado no altar.
E ainda sim, me vejo mais romântica que uma foto velha do Rio de Janeiro, mais ingênua que uma radionovela dos anos 30 e mais imbecil que um poema choroso cravado na porta do banheiro feminino.
Eu fui feita pra esquecer a chave, o celular, o casaco, o amor, a razão. E se você achar meus pertences pelo chão, use. Até porque a venda não renderia muito.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010


Tá certo que o nosso mal jeito foi vital pra dispensar o nosso bom.
O nosso som pausou.
Tá certo que a nossa vida a gente juntou, e depois desjuntou.
 Mas eu sei que tenho aqui em mim um alguém que te faz rir.
E você bem sabe que tem em mim alguém que te guardou.
Eu sou aquela que sendo tua  me faz ter um belo coração.
Você tem tudo que eu quis.
E a gente pausou naquele dia triste rasgando sentimentos..
Estou aqui,
Como uma sinfonia paralisada esperando o play de um botão de luz.
Como um telefone que não liga e espera tocar.
Como um parabéns que eu nunca vou dar.
Porque o meu  amor é maior que qualquer lamento.
Eu sei,
Teus olhos me viram triste, olhando pro infinito..
Olhando pra garganta, tentando ouvir o meu sussurro mudo.
Olhando pro tempo, querendo fazer parte do paraíso.
Acariciando segredos, te amando no silêncio obtuso.
E mesmo que eu fosse abstrata ou mesmo que eu fosse reta, sempre fui tua...
E ainda estou aqui no meu mal jeito querendo ser aprendiz,
Ainda estou aqui ouvindo aqueles teus conselhos pra me fazer escritora.
Ainda estou  a acreditar em ti, a querer te fazer feliz.
Ainda estou a espera,
Ainda estou aqui.
E ainda espero tanto ser aquela tua,
Aquela,
Aquela tua aquarela com mil cores gentis.
Aquela que a presença te faz feliz.

São elas [as minhas lágrimas] que ditam.


O que faz o beija-flor ter vontade de voar?
E o que me faz ter vontade de partir?
Qual o segredo, o botão que me ativa a ir?
Por que me vem tão cedo essa mania de querer viver só?
Por que me vem assim essa sede de me querer satisfazer?
Por que, mas por que eu vou ir e deixar aquelas velhas lágrimas de mãe?
E ao mesmo tempo, quando dentro de mim aquele arrepio de felicidade faz surgir, vem uma tristeza...
A de pra ser feliz, ter que partir...

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Gaiola aberta.

A melhor coisa da vida é realizarmos os sonhos que temos em nós.
Não para que tenham sucesso, não para que tenham lucro.
Mas para satisfazermos o nosso "eu" interrompido, banido, flagrado por nós em qualquer momento.
Por satisfazer os meus muita gente sofre e se machuca.
Por não satisfazê-los, arde em mim e nunca cicatriza a ferida.
Mas que fique bem claro,
Não é uma questão de magoar quem eu amo com minha ausência ou nitidez.
É só uma questão de me fazer feliz.
Há em mim aquele medo de morrer arrependida por não ter feito o que quis.
Há também a necessidade de impedir que isso aconteça.
Claro que mais necessidades e surpresas virão.
Virão também as gotas em meu rosto quando o mundo apertar a saudade e o apego no coração.
Mas viver calada  num eterno "e se..." em nada edifica minha coragem.
Já que se é para viver nesse mundo medíocre, como uma pessoa medíocre, que não seja numa (sub)vida medíocre.
Aqueles que me tem, sempre me terão.
Não serão quilometros que farão o amor mudar.
Meus braços foram feitos com asas.
Agora me diga,
Por que não voar?

domingo, 25 de julho de 2010

EX.orcizado.

O que me irrita é quando ele fala Dele.
E quando finge que são duas almas irmãs.
O problema é que eu conheço Ele.
E o outro finge que é uma almã cristã.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Palhaça da vez.









Em toda canção, o palhaço é um charlatão
Nessa, eu sou a atração
Eu sou no vício, a delícia de se saber
Eu sou a boneca que se pode matar sem sofrer.


- Veja o que me cantam sem saber, sem me ver:


Mas ela é tão dada, tão amada, tão feliz!
Esparrama tanta gargalhada da boca pra fora
Faz do grito um aprendiz
Porque não usá-la, não fazer dela um ouvidor?

Porque não matá-la, não usá-lá com sua dor?
Já que seu coração pintado toda tarde de domingo chora;
Já que a palhaça, nossa graça, tem a caixa de pandora.
Já que pinta o nariz, e ainda assim tem o meu amor;

Já que não sente, nem ressente muito a nós.
Não nos dá bola, nem sua corda se da nó
Dentro do seu coração de pano, um pano que nos rende;
Um pano que nos fantasia, um pano que nos prende;
Ah, há um plano que nos anuncia!

Ah, a palhaça se partiu. E partiu.
Partiu-se em dois, sumiu, e ainda assim seguiu.
Seguiu sua estrada e nem sequer nos viu.
A palhaça era a nossa, a nossa vida!

A nossa grande estrela. A nossa ida.
O nosso falatório agora é uma falsa língua.
Aonde vamos sem a palhaça que nos redigia?
Sem saber, sem querer nos guiava e a gente falava.

Dentro dela sai mais uma canção, agora sem agonia.
E um coração folgado, diferente da nossa rua baldia.
Ah, que inveja da palhaça que eu tanta invejava!
Ah, vamos falar da vida daquela palhaça vadia?


Ahhhh...

Vamos!

Já que a vida é uma monotonia.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Haja haja.

Haja lágrima pra caber as minhas poças.
Haja coração.
Haja fantasia pra decorar um futuro.
Haja inspiração.
Haja hoje pra tanto ontem.
Haja malícia pra ver a maldade.
Haja tentação.
Haja tino pra entender.
Haja estopa pra encher o buraco no meu peito.
Haja morfina pra ter efeito.
Haja dor.
Haja conselho pra ouvir.
Haja maturidade pra saber.
Haja amor.
Haja bebida que cale e transforme minha solidão.
Haja mágoa pra fechar um coração.
Haja fogo.
Haja vitória pra tanto jogo.
Haja castelo pra tanto bobo.
Haja palhaço pra tanta paixão.
Haja concreto pra construir uma ilusão.
Haja sorriso pra enfeitar o choro.
Já há, haja.
Haja lodo.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Num dado momento, quando tudo ficou quieto, eu morri. De dor, de amor, de dissabor e de vida mesmo.
Morte morrida.

domingo, 11 de julho de 2010

Meus pedaços, numa carta.

Não é fácil mesmo enxergar beleza na tristeza... tudo que ela me parece é um poço, não uma porta aberta.
Pois é a esta minha dor que não ameniza com os prazeres mundanos a que devo todas as minhas lágrimas, a esta dor que não tem nome, que eu não sei de onde veio, pronde vai, o que faz, onde me toca pra doer tanto que devo todos os meus dias cinzentos e meus dias negros mesmo, como aqueles em que a morte atrai todas as ilusões. A ela, essa ceifadora sem nome, que devo tudo isso, mas não a ti.(...)
E quando eu digo que meu lugar é no mundo e não é aqui, fazem de mim a palhaça do circo sem lona.
Quero sair. Nasci com a mente livre, sem essa gaiola de rotina que querem me impor. Eu nunca quis isso! Eu quero mais, eu quero ser diferente, eu quero ser eu em qualquer lugar, sem fantasias.


sexta-feira, 9 de julho de 2010

A vida é um contínuo destruir, e os sonhos a gente deixa tombar, já que se é inevitável.
Como se estivéssemos vendo nossa maloca caindo ao chão, com um cobertor e um travesseiro na mão, de tudo que nos restou.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O texto batido

Você não pode me dizer
O que traz  no peito
Você não pode compreender
A cicatriz e o desejo
Você vive a contemplar
Seu universo alheio
Solto ao ar
Não se preocupa com eu

Talvez um dia eu volte pra casa
Talvez, talvez...

Você teima em repetir
Sempre as mesmas palavras
Em um espelho doloroso
Num reflexo teimoso
Você me engana quando diz
Que não gosta do beijo
Que acabo diluir
Junto na tua comida

Talvez um dia eu volte pra casa
Talvez, talvez...



Letra e música de Stanis Soares.



Linda, linda! Gamei.

quarta-feira, 7 de julho de 2010




















Tenho sentido ojeriza frequentemente.
Um bom bocado de frio e calor por ninguém.
Tenho medo que eu a use espampanantemente.
De ficar no escuro e perder o trem.
Ainda bem que no fim nos acontece;
Uma Maria José ou um João Alguém.


segunda-feira, 5 de julho de 2010

Pretos olhos negros.

A quietude das minhas asas,
Meus sentimentos em rebeldia.

Sou agora a (cru)eldade devolvida;
Sou agora negação.

Não, não se mata um coração assim.
Você o deixou para sempre naquela rua baldia.

Não, que ninguém venha até mim.
Sou o algoz do jocoso sem saída.

Nos teus tenros olhos pretos o escuro.
Um negro fiel à tua melancolia.

E que não haja em mim mais agrura.
Minha mente cosmopolita, tenra ilusão.

Viver sem nascer, morrer por axiologia.
Engodo puro.



quinta-feira, 1 de julho de 2010

Afogado.

Faz tempo que teus olhos tinham luz.
E iluminavam os caminhos alheios, e os anseios.

Faz tempo que limpavam a passarela,
dos caminhantes sem prumo, sem rumo.

Hoje afogam-se em maresia, heresia.
Dos mares do teu corpo em tempestade.

Não demora agora, vai surgir do fogo meu pó
E de novo, ao fogo sucumbir sem gemido.

Faz tempo que meu lápis não tem mais ponta,
E que a verdade deu um nó, na boca.

Faz tempo que meu corpo só sente, pressente.
As dores de um surdo-cego caindo no mar.

Faz tempo que águas calmas me afogam, borbulham.
Dá-me um tempo, lento.

Dá-me um tempo pra morrer sem lamento,
Um tempo pra desforra, alforria.

Dá-me um tempo.
Tempo.