Somos espectros,
mecanismos,
organismos inteligentes
perigosos.
Máquinas de orgulho,
Artistas da vaidade,
Máscaras do engulho,
Poetas da disparidade.
Egoístas.
O eu caminha à frente.
Dissimulados.
A verdade se faz ausente.
Somos feios, porém narcisistas.
Somos podres, porém maquiados.
Somos meramente fruto de um universo paciente.
E assim que o gigante acordar, seremos escravos.
Escravos de nossa mente doente.
Putrefarão-se as agulhas, adagas e adornos.
Caírão os sugadores, senadores e subornos.
Equipararão-se os mendigos, magnatas e subalternos.
Reinarão os artistas, os poetas e os loucos.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Das dores.
Você não sabe, mas hoje mais uma vez, eu comecei a escrever e na metade apaguei tudo, arrependida de retomar a escrita por você.
Quantas palavras se perderam no tempo, e em frágeis flores de algodão que se consomem com o vento, elas caíram antes de chegar a você.
Vamos vivendo com a ausência, em meio ao desespero da sociedade, a angústia da humanidade, cercados de regras sociais das quais não queremos seguir.
Não nos vimos, não nos conhecemos, apenas passamos um pelo outro em metrôs lotados prestando mais atenção na música do fone de ouvido do que em qualquer fantasma que por ali passava vestido de pessoa.
Não te conheço, e também não sei quem eu sou. Mas acho que no lugar onde estou estraguei a chance de ficarmos juntos desta vez.
Minha esperança é que leia minhas palavras, ou meu desespero, ou a tristeza espampanante em meu rosto, e talvez, algum dia, me encontre aqui nesta praia cheia, onde me encontro vazia.
(Out/10)
....
Com a falsa perspectiva de que só nós reencontraríamos na morte, as esperanças de ter você aqui, nesta vida já me escorregavam pelos dedos como a areia da praia em que estou sentada escrevendo isso.
Porém, em um pedido de socorro atendido pelo universo, nos encontramos.
Esta mesma praia em que vim parar pelo destino, era sua casa desde sempre.
E hoje vivemos juntos, arrecadando gestos de ternura em meio ao desespero da sociedade, a angústia da humanidade, cercados de regras sociais das quais não queremos seguir.
Sorrisos não são mais falsos. Gritos em mesas de bar não são mais necessários. Viver com você só me faz ser mais eu, mais sutil.
Hoje enfim pude completar esta carta, há tanto tempo já escrita, que nem lembro mais do gosto das lágrimas que me escorriam. Eram doces ou ardis?
Só me lembro da tarde de sol no Arpoador, o papel e a caneta na mão, e depois, a lembrança de você caminhando até mim, me trazendo redenção.
(Fev/11)
Quantas palavras se perderam no tempo, e em frágeis flores de algodão que se consomem com o vento, elas caíram antes de chegar a você.
Vamos vivendo com a ausência, em meio ao desespero da sociedade, a angústia da humanidade, cercados de regras sociais das quais não queremos seguir.
Não nos vimos, não nos conhecemos, apenas passamos um pelo outro em metrôs lotados prestando mais atenção na música do fone de ouvido do que em qualquer fantasma que por ali passava vestido de pessoa.
Não te conheço, e também não sei quem eu sou. Mas acho que no lugar onde estou estraguei a chance de ficarmos juntos desta vez.
Minha esperança é que leia minhas palavras, ou meu desespero, ou a tristeza espampanante em meu rosto, e talvez, algum dia, me encontre aqui nesta praia cheia, onde me encontro vazia.
(Out/10)
....
Com a falsa perspectiva de que só nós reencontraríamos na morte, as esperanças de ter você aqui, nesta vida já me escorregavam pelos dedos como a areia da praia em que estou sentada escrevendo isso.
Porém, em um pedido de socorro atendido pelo universo, nos encontramos.
Esta mesma praia em que vim parar pelo destino, era sua casa desde sempre.
E hoje vivemos juntos, arrecadando gestos de ternura em meio ao desespero da sociedade, a angústia da humanidade, cercados de regras sociais das quais não queremos seguir.
Sorrisos não são mais falsos. Gritos em mesas de bar não são mais necessários. Viver com você só me faz ser mais eu, mais sutil.
Hoje enfim pude completar esta carta, há tanto tempo já escrita, que nem lembro mais do gosto das lágrimas que me escorriam. Eram doces ou ardis?
Só me lembro da tarde de sol no Arpoador, o papel e a caneta na mão, e depois, a lembrança de você caminhando até mim, me trazendo redenção.
(Fev/11)
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Contigo aprendi, enfim.
Eu te amo como você é, como você busca achar seu próprio modo especial para se relacionar com o mundo. Eu honro suas escolhas para aprender do modo que você sente que é certo para você.
Eu sei que é importante que você seja a pessoa que você quer ser e não alguém que os outros ou eu pensamos que você deveria ser. Eu percebo que eu não posso saber o que é melhor para você, embora talvez às vezes eu pense que eu saiba. Eu não tenho estado no mesmo lugar que você, vendo a vida do seu ângulo. Eu não sei o que você escolheu aprender ou como escolheu aprender, com quem ou em que período de tempo.
Neste lugar onde eu estou, eu vejo que há muitas maneiras para perceber e experimentar as diferentes facetas de nosso mundo. Eu aceito, sem reservas, as escolhas que você faz em cada momento. Eu não faço nenhum julgamento disto. Se eu negasse seu direito à sua evolução, então eu negaria o direito para todos os outros e para mim mesmo.
Eu sei que é importante que você seja a pessoa que você quer ser e não alguém que os outros ou eu pensamos que você deveria ser. Eu percebo que eu não posso saber o que é melhor para você, embora talvez às vezes eu pense que eu saiba. Eu não tenho estado no mesmo lugar que você, vendo a vida do seu ângulo. Eu não sei o que você escolheu aprender ou como escolheu aprender, com quem ou em que período de tempo.
Neste lugar onde eu estou, eu vejo que há muitas maneiras para perceber e experimentar as diferentes facetas de nosso mundo. Eu aceito, sem reservas, as escolhas que você faz em cada momento. Eu não faço nenhum julgamento disto. Se eu negasse seu direito à sua evolução, então eu negaria o direito para todos os outros e para mim mesmo.
E com grande amor eu reconheço seu direito de determinar seu futuro. É em humildade que eu me curvo à percepção de que o modo que eu vejo como melhor para mim não tem que significar que também é certo para você. Eu sei que você é conduzido como eu sou, seguindo a excitação interna para saber seu próprio caminho.
Eu sei que as muitas raças, religiões, costumes, nacionalidades e convicções dentro de nosso mundo, nos trazem riqueza e nos permitem o benefício de ensinamentos de tal diversidade. Eu sei que cada um de nós aprende de nosso próprio modo.
Eu não só o amarei se você se comportar da forma que eu acho que você deve ou acreditar nas coisas que eu acredito. Eu o amarei por ser quem você é, pelas suas convicções e personalidade marcantes. Pelo seu jeito de agir. Eu te amarei por ter escolhido me amar.
Eu sei que as muitas raças, religiões, costumes, nacionalidades e convicções dentro de nosso mundo, nos trazem riqueza e nos permitem o benefício de ensinamentos de tal diversidade. Eu sei que cada um de nós aprende de nosso próprio modo.
Eu não só o amarei se você se comportar da forma que eu acho que você deve ou acreditar nas coisas que eu acredito. Eu o amarei por ser quem você é, pelas suas convicções e personalidade marcantes. Pelo seu jeito de agir. Eu te amarei por ter escolhido me amar.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Onde está o amor?
Estou perdida. Nas minhas palavras, na minha vida.
Não sei quem eu sou, para onde vou, não sei a hora exata de partir.
Mas sei que nada é permanente, que ao meu redor há o caos e a forte mordida da cobra.
As pessoas estão tão frágeis, frágeis como leve copo de cristal perante a maldade.
A cidade mostrando suas paisagens implorando para que a olhem e sintam um pouco mais de paz.
Mas são todos tão egoístas. Todos tão perfeitos em si, tão mergulhados em seu próprio orgulho que não aceitam mais aprender uns com os outros. Todos com tanto medo de perdoar, de se entregar, de amar que mergulham em um mar de frustrações e reclamações, bolando ardis estratagemas para arremessar outros ao seu próprio lodo.
Pessoas que conhecíamos e não reconhecemos mais.
Somos julgados uns pelos outros pelo simples fato de perdoar quem estava errado, somos levados à fogueira gelada e intrépida do ódio por sermos empáticos, somos taxados, rotulados e alvos de injúrias e palavras que afetam tanto nosso corpo quanto nossa alma, pelo simples fato de querermos uma vida de paz perante aos outros, perante ao mundo, perante a nós mesmos.
Como um vírus que se propaga, o ódio é lançado de um em um e forma uma sociedade em que cão mata cão, em que "olho por olho e dente por dente" não se torna só viável, mas sim necessário para que sobrevivam.
Eu não vou nem comentar sobre a política corrupta, sobre os policiais que só protegem aqueles que dão propina, sobre os juízes assassinos que mandam matar outros juízes, sobre os deputados que exalam de sua boca o fétido preconceito, sobre a Comlurb que só tira o lixo de frente de restaurantes da Av. Copacabana mediante propina, e quando a polícia é acionada, mais propina, sobre os donos de morro assassinos, corruptos, lagartos de um submundo que dão um frio tiro na testa tomando o café da manhã, sobre a crise das pessoas que não sabem estar no poder e quando chegam lá, só querem mais.
Não, eu definitivamente não vou falar sobre isso, eu estou falando sobre nós, reles trabalhadores na sociedade. Porque foi daqui que saíram todos eles, foi aqui que tudo começou.
Onde estão os pais que ensinavam os filhos a respeitar o coleguinha?
Onde estão os pais que davam tanto amor e carinho que o filho passava isso adiante?
Onde estão os pais que ensinavam a não ter preconceito? A respeitar o professor?
As nossas crianças estão sendo o fruto de pais perdidos, sem valores, sem moral, sem ética, que nada tem a ensinar a uma criança.
Tanto que elas acham normal dar um tiro pelas costas no professor em sala de aula, elas acham normal matar a menininha de 13 anos que disse "não" ao pedido de namoro, elas acham normal começar a fazer sexo com 10 anos.
A sociedade de amanhã está se tornando mais perigosa ainda que a que temos hoje. Nossos adultos de amanhã estão despreparados para viver. Despreparados para amar, para respeitar uns aos outros.
Condições básicas que eram ensinadas a nós desde que nascíamos, parecem perdidas em um passado romântico.
Amigos, DESPERTEM!
Somos nós os responsáveis por isto, somos nós que estamos em frente a televisão olhando os crimes hediondos feitos pelas pessoas com naturalidade. ISTO NÃO É NATURAL!
Temos que lutar para fazer o mundo sobreviver, para ensinar uns aos outros, para que não tenhamos vergonha de sermos ensinados por outros. O amor universal é uma lei, devemos ser capazes de amar uns aos outros assim como somos capazes de respirar.
Se cada um fizesse sua parte, nós estaríamos iniciando um "movimento do bem". Para os que estão cansados demais para levantar da cadeira e fazer alguma coisa pelo mundo, já vou dizendo: não é dificil!
Basta tratar os outros como você gostaria de ser tratado, com sorrisos, com simpatia, sem enganar, sem cobrar mais por um serviço... o nome disso é empatia.
Basta não ter medo de mostrar as pessoas que elas estão erradas, chamar num cantinho e dizer bem baixinho o que ela fez, sem que ninguém mais ouça. O nome disso é sabedoria.
Basta não aceitar certas facilidades, como um dinheirinho a mais para dar mais atenção e crédito a certo cliente. O nome disso é ética.
Basta ensinar ao filhinho, que os outros humanos são iguaizinhos a ele, e que não se deve fazer mal, pois existe sim o certo e o errado. E é errado machucar alguém. O nome disso é respeito.
Basta despir-se de preconceitos criados pelos monstros da sociedade do século passado, que são o machismo e a escravidão, pois todos somos iguais perante a Deus. O nome disso é igualdade.
Basta viver acreditando que cada ser humano deve ser respeitado como ele é, e vivendo sua vida de maneira que não afete negativamente a dos outros. Se você fizer coisas boas às pessoas, você vai receber coisas boas delas, isto é um ciclo do bem que deveria ser compreendido, pois ele transforma vidas. Aceite cada um como ele é, faça coisas boas, doe sorrisos, seja gentil.
O nome disso é amor.
Não sei quem eu sou, para onde vou, não sei a hora exata de partir.
Mas sei que nada é permanente, que ao meu redor há o caos e a forte mordida da cobra.
As pessoas estão tão frágeis, frágeis como leve copo de cristal perante a maldade.
A cidade mostrando suas paisagens implorando para que a olhem e sintam um pouco mais de paz.
Mas são todos tão egoístas. Todos tão perfeitos em si, tão mergulhados em seu próprio orgulho que não aceitam mais aprender uns com os outros. Todos com tanto medo de perdoar, de se entregar, de amar que mergulham em um mar de frustrações e reclamações, bolando ardis estratagemas para arremessar outros ao seu próprio lodo.
Pessoas que conhecíamos e não reconhecemos mais.
Somos julgados uns pelos outros pelo simples fato de perdoar quem estava errado, somos levados à fogueira gelada e intrépida do ódio por sermos empáticos, somos taxados, rotulados e alvos de injúrias e palavras que afetam tanto nosso corpo quanto nossa alma, pelo simples fato de querermos uma vida de paz perante aos outros, perante ao mundo, perante a nós mesmos.
Como um vírus que se propaga, o ódio é lançado de um em um e forma uma sociedade em que cão mata cão, em que "olho por olho e dente por dente" não se torna só viável, mas sim necessário para que sobrevivam.
Eu não vou nem comentar sobre a política corrupta, sobre os policiais que só protegem aqueles que dão propina, sobre os juízes assassinos que mandam matar outros juízes, sobre os deputados que exalam de sua boca o fétido preconceito, sobre a Comlurb que só tira o lixo de frente de restaurantes da Av. Copacabana mediante propina, e quando a polícia é acionada, mais propina, sobre os donos de morro assassinos, corruptos, lagartos de um submundo que dão um frio tiro na testa tomando o café da manhã, sobre a crise das pessoas que não sabem estar no poder e quando chegam lá, só querem mais.
Não, eu definitivamente não vou falar sobre isso, eu estou falando sobre nós, reles trabalhadores na sociedade. Porque foi daqui que saíram todos eles, foi aqui que tudo começou.
Onde estão os pais que ensinavam os filhos a respeitar o coleguinha?
Onde estão os pais que davam tanto amor e carinho que o filho passava isso adiante?
Onde estão os pais que ensinavam a não ter preconceito? A respeitar o professor?
As nossas crianças estão sendo o fruto de pais perdidos, sem valores, sem moral, sem ética, que nada tem a ensinar a uma criança.
Tanto que elas acham normal dar um tiro pelas costas no professor em sala de aula, elas acham normal matar a menininha de 13 anos que disse "não" ao pedido de namoro, elas acham normal começar a fazer sexo com 10 anos.
A sociedade de amanhã está se tornando mais perigosa ainda que a que temos hoje. Nossos adultos de amanhã estão despreparados para viver. Despreparados para amar, para respeitar uns aos outros.
Condições básicas que eram ensinadas a nós desde que nascíamos, parecem perdidas em um passado romântico.
Amigos, DESPERTEM!
Somos nós os responsáveis por isto, somos nós que estamos em frente a televisão olhando os crimes hediondos feitos pelas pessoas com naturalidade. ISTO NÃO É NATURAL!
Temos que lutar para fazer o mundo sobreviver, para ensinar uns aos outros, para que não tenhamos vergonha de sermos ensinados por outros. O amor universal é uma lei, devemos ser capazes de amar uns aos outros assim como somos capazes de respirar.
Se cada um fizesse sua parte, nós estaríamos iniciando um "movimento do bem". Para os que estão cansados demais para levantar da cadeira e fazer alguma coisa pelo mundo, já vou dizendo: não é dificil!
Basta tratar os outros como você gostaria de ser tratado, com sorrisos, com simpatia, sem enganar, sem cobrar mais por um serviço... o nome disso é empatia.
Basta não ter medo de mostrar as pessoas que elas estão erradas, chamar num cantinho e dizer bem baixinho o que ela fez, sem que ninguém mais ouça. O nome disso é sabedoria.
Basta não aceitar certas facilidades, como um dinheirinho a mais para dar mais atenção e crédito a certo cliente. O nome disso é ética.
Basta ensinar ao filhinho, que os outros humanos são iguaizinhos a ele, e que não se deve fazer mal, pois existe sim o certo e o errado. E é errado machucar alguém. O nome disso é respeito.
Basta despir-se de preconceitos criados pelos monstros da sociedade do século passado, que são o machismo e a escravidão, pois todos somos iguais perante a Deus. O nome disso é igualdade.
Basta viver acreditando que cada ser humano deve ser respeitado como ele é, e vivendo sua vida de maneira que não afete negativamente a dos outros. Se você fizer coisas boas às pessoas, você vai receber coisas boas delas, isto é um ciclo do bem que deveria ser compreendido, pois ele transforma vidas. Aceite cada um como ele é, faça coisas boas, doe sorrisos, seja gentil.
O nome disso é amor.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Para você.
Que a tua sorte seja a sorte de um rei, que tua rainha seja a dona do bem, que teu amor seja canalizado num só raio, e ilumine teu quarto, tua vida, tua carreira, teu sucesso.
Que o passado seja colocado de lado, para que possamos dar as mãos e em unissono cantar uma bonita oração. Que sejamos antes de amigos ou inimigos, irmãos.
Que tua luta em voz alta seja cessada, trocada por sussuros aureados de bondade.
Que teu caminho seja pleno de uma afinação perfeita em calmaria.
Que a força da fé mate a saudade.
Que os corações de todos nós vibrem em perfeita sintonia.
Que esta pequena prece por você te traga , iluminada, a verdade.
Do todo unido em busca de uma nova realidade.
Que o passado seja colocado de lado, para que possamos dar as mãos e em unissono cantar uma bonita oração. Que sejamos antes de amigos ou inimigos, irmãos.
Que tua luta em voz alta seja cessada, trocada por sussuros aureados de bondade.
Que teu caminho seja pleno de uma afinação perfeita em calmaria.
Que a força da fé mate a saudade.
Que os corações de todos nós vibrem em perfeita sintonia.
Que esta pequena prece por você te traga , iluminada, a verdade.
Do todo unido em busca de uma nova realidade.
domingo, 17 de julho de 2011
Absurdos cobertos.
Depois de teu assassinato, sai em disparada sem olhar para trás.
As vozes tristes e sombrias de um fantasma recém atingido ainda ecoavam em meu ouvido.
Seu corpo havia morrido, mas você não.
Como presença palpável você me seguia, e por descuido, eu te deixei me assombrar.
Sua matéria espanpanante me entrelaçava e sugava, e eu não podia mais me desvencilhar.
De nada adiantou uma mortal espada, um enterro sombrio numa fortaleza.
Sua presença sempre estaria em mim, e me assombraria em cada minuto desatento em que minha guarda estivesse baixa.
O quão tolos somos nós, em achar que podemos matar nossos próprios fantasmas?
Pois deles somos feitos, e com eles somos ensinados.
Foi assim que descobri que não adianta te matar.
O ódio não pode ser vencido, apenas ignorado.
Pois ignoro-te, fantasma pueril de minha alma, servindo a senhora de teu destino,
a honestidade.
As vozes tristes e sombrias de um fantasma recém atingido ainda ecoavam em meu ouvido.
Seu corpo havia morrido, mas você não.
Como presença palpável você me seguia, e por descuido, eu te deixei me assombrar.
Sua matéria espanpanante me entrelaçava e sugava, e eu não podia mais me desvencilhar.
De nada adiantou uma mortal espada, um enterro sombrio numa fortaleza.
Sua presença sempre estaria em mim, e me assombraria em cada minuto desatento em que minha guarda estivesse baixa.
O quão tolos somos nós, em achar que podemos matar nossos próprios fantasmas?
Pois deles somos feitos, e com eles somos ensinados.
Foi assim que descobri que não adianta te matar.
O ódio não pode ser vencido, apenas ignorado.
Pois ignoro-te, fantasma pueril de minha alma, servindo a senhora de teu destino,
a honestidade.
terça-feira, 12 de julho de 2011
Absurdos descobertos.
Somos como Musashi e Sasaki.
Por isso ontem eu a chamei, a senhora de teu destino.
Ela veio.
E me contou quem você é de verdade.
E os segredos seus e dela.
Chorei.
Puxei minha espada, te matei.
E nas sombras de um enorme castelo, finalmente eu te enterrei.
Por isso ontem eu a chamei, a senhora de teu destino.
Ela veio.
E me contou quem você é de verdade.
E os segredos seus e dela.
Chorei.
Puxei minha espada, te matei.
E nas sombras de um enorme castelo, finalmente eu te enterrei.
sábado, 2 de julho de 2011
Ou sont-ils a present, a present mes vingts ans?
E hoje eu acordei com uma falta,
uma saudade,
uma vontade de reviver momentos,
de criar uma máquina do tempo.
Ah, se eu pudesse.
Ah. Se eu soubesse.
Me falta o cheiro, o abraço.
Me falta o colo, a conversa.
Me falta a tranquilidade daquele bar...
Me falta a música, o riso, a omnisciência dos bêbados.
Me falta o café, o vinho barato.
Me falta o apelido, o afeto, o arpejo do violão.
A rua dos dois algarismos, os vinis do melhor amigo, a última mesa que canta música para se ouvir.
Me faltam os passos tortos e felizes, a magreza da maldade.
Me falta tudo, menos vontade.
uma saudade,
uma vontade de reviver momentos,
de criar uma máquina do tempo.
Ah, se eu pudesse.
Ah. Se eu soubesse.
Me falta o cheiro, o abraço.
Me falta o colo, a conversa.
Me falta a tranquilidade daquele bar...
Me falta a música, o riso, a omnisciência dos bêbados.
Me falta o café, o vinho barato.
Me falta o apelido, o afeto, o arpejo do violão.
A rua dos dois algarismos, os vinis do melhor amigo, a última mesa que canta música para se ouvir.
Me faltam os passos tortos e felizes, a magreza da maldade.
Me falta tudo, menos vontade.
_______________________________________________
Ontem ainda, eu tinha vinte anos
Acariciava o tempo e brincava de viver
Como se brinca de namorar
E vivia a noite
Sem considerar meus dias que escorriam no tempo
Eu fiz tantos projetos que ficaram no ar
Alimentei tantas esperanças que bateram asas
Que permaneço perdido sem saber aonde ir
Os olhos procurando o céu mas, o coração posto na terra
Desperdiçava o tempo acreditando que o fazia parar
E para retê-lo, e até ultrapassá-lo
Eu só fiz correr e me esfacelar
Ignorando o passado, que conduz ao futuro
Eu desprendia de mim qualquer conversação
E opinava que eu queria o melhor
Por criticar o mundo com desenvoltura
Ontem ainda eu tinha vinte anos
Mas perdi meu tempo a cometer loucuras
Que não me deixa, no fundo nada realmente concreto
Além de algumas rugas na fronte e o medo do tédio
Porque meus amores morreram antes de existir
Meus amigos partiram e não mais retornarão
Por minha culpa eu criei o vazio em torno a mim
E gastei minha vida e meus anos de juventude
Do melhor e do pior, descartando o melhor
Imobilizei meus sorrisos e congelei meus choros
Onde estão agora, meus vinte anos?
[Aznavour]
domingo, 29 de maio de 2011
Não roubarás.
"Caio, devolve já o lápis do Pedrinho!"
-Mas, mãe, é tão bonito!
"Caio, DEVOLVE AGORA o dinheiro da minha carteira!"
-Mas, mãe, é pro meu lanche!
"Caio, CADÊ O MEU CARTÃO DE CRÉDITO?"
-Mas, mãe, são pros livros da facul!
"Caio, que tipo de amigo você é? Achei que éramos sócios nisso!"
-Olha, querida, eu fiz tudo, a alma desse negócio sou eu, fui EU o criador da idéia e sou EU a capa que vende isto. Portanto, eu MEREÇO todo o dinheiro que lucramos, er...quer dizer, que lucrei.
-Mas, mãe, é tão bonito!
"Caio, DEVOLVE AGORA o dinheiro da minha carteira!"
-Mas, mãe, é pro meu lanche!
"Caio, CADÊ O MEU CARTÃO DE CRÉDITO?"
-Mas, mãe, são pros livros da facul!
"Caio, que tipo de amigo você é? Achei que éramos sócios nisso!"
-Olha, querida, eu fiz tudo, a alma desse negócio sou eu, fui EU o criador da idéia e sou EU a capa que vende isto. Portanto, eu MEREÇO todo o dinheiro que lucramos, er...quer dizer, que lucrei.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Mavis.
Há quem diga que a felicidade exarcebada é um modo de voltar a ser criança.
Há quem diga que é uma máscara.
Aliás, há tantos para dizer, sem sequer entender!
Pois eu digo que não é nem um, nem outro.
Felizes demais são aqueles com o jeito MAVIS DE SER.
...Um jeito que a maioria das pessoas não entende.
Pois elas não entendem como uma pessoa pode acordar todos os dias dando BOOOM DIAAAA às flores do jardim.
Como alguém pode fazer da vida uma festa de criança, com balões, parabéns e bolo de chocolate.
Como alguém pode amar tanto o ser humano.
Não entendem que este alguém tem capacidade de lembrar momentos passados, não com tristezas, mas com alegrias, como se aqueles momentos ainda fossem acontecer.
Não entendem este alguém que se ajuda e se deixa ajudar, alguém que sabe ler e entender os olhos dos outros e que ama o sol tanto quanto a lua e as estrelas.
Pessoas assim como tu, que vibram de maneira feliz a cada dia, que extraem um sorriso do mais carrancudo ser, só por passar saltitando, são pessoas especiais!
Feito "doutores da alegria", que vieram ao mundo somente para sorrir, para FAZER sorrir.
E é isso que a maioria não entende, pois queriam ter cada molécula do seu corpo vibrando em alegria a cada dia, assim como as tuas.
Por isso se algum dia alguém te julgar, faça o que tu faz melhor... Sorria.
Com certeza é só disso que elas precisam.
Eu te amo mãe.
Há quem diga que é uma máscara.
Aliás, há tantos para dizer, sem sequer entender!
Pois eu digo que não é nem um, nem outro.
Felizes demais são aqueles com o jeito MAVIS DE SER.
...Um jeito que a maioria das pessoas não entende.
Pois elas não entendem como uma pessoa pode acordar todos os dias dando BOOOM DIAAAA às flores do jardim.
Como alguém pode fazer da vida uma festa de criança, com balões, parabéns e bolo de chocolate.
Como alguém pode amar tanto o ser humano.
Não entendem que este alguém tem capacidade de lembrar momentos passados, não com tristezas, mas com alegrias, como se aqueles momentos ainda fossem acontecer.
Não entendem este alguém que se ajuda e se deixa ajudar, alguém que sabe ler e entender os olhos dos outros e que ama o sol tanto quanto a lua e as estrelas.
Pessoas assim como tu, que vibram de maneira feliz a cada dia, que extraem um sorriso do mais carrancudo ser, só por passar saltitando, são pessoas especiais!
Feito "doutores da alegria", que vieram ao mundo somente para sorrir, para FAZER sorrir.
E é isso que a maioria não entende, pois queriam ter cada molécula do seu corpo vibrando em alegria a cada dia, assim como as tuas.
Por isso se algum dia alguém te julgar, faça o que tu faz melhor... Sorria.
Com certeza é só disso que elas precisam.
Eu te amo mãe.
quarta-feira, 11 de maio de 2011
O sorriso do dálmata.
Pois sim, confesso que mudei.
Os dias passaram, vi a geada pela janela, vi a chuva que corria dos meus olhos, vi os filmes que me desabaram, vi o frio que enfraquecia minha coberta e enfim, me vi levantar da cama.
Vi sim, com muita vergonha, as mentiras que contei, as gafes que cometi, os passos tortos, o copo cheio, os neurônios às traças.
Encontrei a verdade dentro de mim, e acima de tudo, a sinceridade para com os outros. Saí. Fui por aí comemorar o meu encontro com uma melhorada eu. Uma eu mais especial.
No dia que vi o dálmata não fazia idéia de como minha vida ia mudar. Tudo ainda estava meio confuso, meio preto e branco, igualzinho o pêlo do cão.
E mais uma vez eu deixei a correnteza me levar. Só que dessa vez adicionada em mim minhas novas características.
E não é que funcionou?
Desde o dia em que vi o dálmata eu falei a verdade, mesmo aquela que dói, porque faz alguém chorar. E doída ou não, eu falei.
Então eu passei a ser um pouco mais racional em algumas ações.
Claro que minhas asinhas libertárias ainda estão aqui! Porém, a diferença agora é que eu não preciso mais voar para ser livre e nem ir às nuvens harpo-sonoras para ter paz. Hoje em dia, a liberdade e a paz fazem parte de mim, estão em mim como um todo que me completa, aonde quer que eu esteja.
Tanto entendimento e organização em tão pouco tempo para uma cabeça como a minha!
Parece que foi ontem que o, ou melhor, A dálmata se aconchegou em meu colo pela primeira vez. Estávamos na sala, e era a primeira vez que eu a via, eu estava muito nervosa e com muitas dúvidas, então delicadamente ela subiu no sofá e me afagou, colocando a cabeça em meu colo, o que me acalmou profundamente.
Bonito mesmo foi quando ela sorriu pra mim... Simples assim, abriu a boca, mostrou os dentes, balançou o rabo e sorriu. Me fazendo sentir pertencente àquele lugar.
E é de maneira simples que pretendo aprender tanto mais sobre essa
minha passagem terrena.
E há tanto ainda a ser aprendido!
O mundo é um lugar tão bom de morar... existem pessoas tão boas que fazem tanta difereça em nossas vidas. Tantos corpos emanando boas energias, tanta gente dando a mão, se despindo de preconceitos, ajudando quem pode como pode.
Podem me chamar de Pollyana, de hipócrita, de cega, mas eu acho que a verdadeira cegueira está em quem vê só o sensacionalismo Global, a tragédia natural, o terrorismo pessoal.
Há tanto tão mais bonito e colorido pra se enxergar!
Como o simples sorriso de um dálmata, que por pura coincidência, se chama "Hope".
Os dias passaram, vi a geada pela janela, vi a chuva que corria dos meus olhos, vi os filmes que me desabaram, vi o frio que enfraquecia minha coberta e enfim, me vi levantar da cama.
Vi sim, com muita vergonha, as mentiras que contei, as gafes que cometi, os passos tortos, o copo cheio, os neurônios às traças.
Encontrei a verdade dentro de mim, e acima de tudo, a sinceridade para com os outros. Saí. Fui por aí comemorar o meu encontro com uma melhorada eu. Uma eu mais especial.
No dia que vi o dálmata não fazia idéia de como minha vida ia mudar. Tudo ainda estava meio confuso, meio preto e branco, igualzinho o pêlo do cão.
E mais uma vez eu deixei a correnteza me levar. Só que dessa vez adicionada em mim minhas novas características.
E não é que funcionou?
Desde o dia em que vi o dálmata eu falei a verdade, mesmo aquela que dói, porque faz alguém chorar. E doída ou não, eu falei.
Então eu passei a ser um pouco mais racional em algumas ações.
Claro que minhas asinhas libertárias ainda estão aqui! Porém, a diferença agora é que eu não preciso mais voar para ser livre e nem ir às nuvens harpo-sonoras para ter paz. Hoje em dia, a liberdade e a paz fazem parte de mim, estão em mim como um todo que me completa, aonde quer que eu esteja.
Tanto entendimento e organização em tão pouco tempo para uma cabeça como a minha!
Parece que foi ontem que o, ou melhor, A dálmata se aconchegou em meu colo pela primeira vez. Estávamos na sala, e era a primeira vez que eu a via, eu estava muito nervosa e com muitas dúvidas, então delicadamente ela subiu no sofá e me afagou, colocando a cabeça em meu colo, o que me acalmou profundamente.
Bonito mesmo foi quando ela sorriu pra mim... Simples assim, abriu a boca, mostrou os dentes, balançou o rabo e sorriu. Me fazendo sentir pertencente àquele lugar.
E é de maneira simples que pretendo aprender tanto mais sobre essa
minha passagem terrena.
E há tanto ainda a ser aprendido!
O mundo é um lugar tão bom de morar... existem pessoas tão boas que fazem tanta difereça em nossas vidas. Tantos corpos emanando boas energias, tanta gente dando a mão, se despindo de preconceitos, ajudando quem pode como pode.
Podem me chamar de Pollyana, de hipócrita, de cega, mas eu acho que a verdadeira cegueira está em quem vê só o sensacionalismo Global, a tragédia natural, o terrorismo pessoal.
Há tanto tão mais bonito e colorido pra se enxergar!
Como o simples sorriso de um dálmata, que por pura coincidência, se chama "Hope".
domingo, 17 de abril de 2011
Meditação.
E aqui, na paisagem panorâmica de minha mente em quietude, percebo que no silêncio profundo de minhas montanhas, o canto da cigarra perfura até as rochas.
sábado, 16 de abril de 2011
Chaos
Na mente suburbana
O raio de luz em frente
O cálice sagrado no céu
A palavra mente
Assobios e sussurros
Uma louca noite
A melancia estragada
O gozo e o escuro
Mentiras no chapéu
Falsidade na maquiagem
O sorriso congelado
O olho ao léu
Uma escura manhã
O doce veneno da cobra
Um suposto prazer
O pacto com Leviatã
...
E segue escolhendo
O próximo a morrer
Seja em vida, seja em morte
Em seu bel prazer
Um menino meio bobo
Tão pequeno, tão vazio
Sai pelo mundo matando
E nem vê que caiu
Se olhasse no espelho
Veria a carência, o desespero
Um pouco de ego e duas caras
Um frio e gelado medo
Caos e confusão
Cinzenta e insalubre mente
Piedade de todos ao olharem
Para o bobo menino doente
Fugiu de casa e dos amigos
Para que ninguém visse e soubesse
Do psicopata frio interno
E do suicídio iminente.
O raio de luz em frente
O cálice sagrado no céu
A palavra mente
Assobios e sussurros
Uma louca noite
A melancia estragada
O gozo e o escuro
Mentiras no chapéu
Falsidade na maquiagem
O sorriso congelado
O olho ao léu
Uma escura manhã
O doce veneno da cobra
Um suposto prazer
O pacto com Leviatã
...
E segue escolhendo
O próximo a morrer
Seja em vida, seja em morte
Em seu bel prazer
Um menino meio bobo
Tão pequeno, tão vazio
Sai pelo mundo matando
E nem vê que caiu
Se olhasse no espelho
Veria a carência, o desespero
Um pouco de ego e duas caras
Um frio e gelado medo
Caos e confusão
Cinzenta e insalubre mente
Piedade de todos ao olharem
Para o bobo menino doente
Fugiu de casa e dos amigos
Para que ninguém visse e soubesse
Do psicopata frio interno
E do suicídio iminente.
quarta-feira, 6 de abril de 2011
terça-feira, 29 de março de 2011
Canção do desespero.
Ouvi o gemido da dor incessante
Ouvi o fio da navalha no apogeu
Corri em busca da dor lacrimejante
Encontrei com sangue as mãos d'um ateu
Ouvi ao longe o seco estampido
Caminhei dentre a curiosa multidão
Olhei com gosto o rosto do mendigo
Morto de graça pelo policial ladrão
Fui ao quarto de um apático senhor
Família reunida em contínua oração
Uma vida cansada de luxos, gula e dor
Agora anestesiada com a minha canção
Segui o passo do garoto ligeiro
Correndo pelas ruas com seu carrão
Pegou o túnel escuro sem freio
E perdeu sua vida por opção
Estou cansada do ser humano imprudente
Que menospreza a vida e tenta me enganar
Estou cansada de encontrar crianças
Que cedo demais tenho que buscar
Quero sossego, quero férias!
Minha foice cegou de tanto trabalhar
Gosto do sangue das pessoas intrépidas
Mas dos inocentes quero cessar
E num apelo desesperado em poesia
Peço, dêem um pouco de atenção à vida
Pois esta, minha rival conhecida
Está numa rede a descansar
Enquanto eu, poderosa Morte
Nem suspiro, nem respiro
Apenas espero teu ansioso pedido
Para, num sorriso, te ceifar.
Ouvi o fio da navalha no apogeu
Corri em busca da dor lacrimejante
Encontrei com sangue as mãos d'um ateu
Ouvi ao longe o seco estampido
Caminhei dentre a curiosa multidão
Olhei com gosto o rosto do mendigo
Morto de graça pelo policial ladrão
Fui ao quarto de um apático senhor
Família reunida em contínua oração
Uma vida cansada de luxos, gula e dor
Agora anestesiada com a minha canção
Segui o passo do garoto ligeiro
Correndo pelas ruas com seu carrão
Pegou o túnel escuro sem freio
E perdeu sua vida por opção
Estou cansada do ser humano imprudente
Que menospreza a vida e tenta me enganar
Estou cansada de encontrar crianças
Que cedo demais tenho que buscar
Quero sossego, quero férias!
Minha foice cegou de tanto trabalhar
Gosto do sangue das pessoas intrépidas
Mas dos inocentes quero cessar
E num apelo desesperado em poesia
Peço, dêem um pouco de atenção à vida
Pois esta, minha rival conhecida
Está numa rede a descansar
Enquanto eu, poderosa Morte
Nem suspiro, nem respiro
Apenas espero teu ansioso pedido
Para, num sorriso, te ceifar.
segunda-feira, 14 de março de 2011
É uma direta, e não uma indireta.
Passos largos para pessoas de refrações pequenas
Inóspitas decisões, que se tomadas por sí divagam
Sutileza exorbitante na busca da razão desconhecida
Perfeito sistema auditivo que busca o desdém.
Lógica da razão de um só que se aproveita
Anos de convivência reduzido a uma frase ou ditame
Convés da injustiça, doloroso Platão, seu criador
Pense por sí só desiludido feitor.
Lembra do passado, dos ditos e feitos
Acha em tua mente as respostas ja respondidas por outrem
Eleva teu espirito e foge da mentira desvairada
Mentira essa não só dita para ti, mas como para mim
Pessoa maravilhosa essa tua amiga, que tem objetivo claro
Preto no branco sempre o percorreu, observado
Não atingindo-o apela desesperado para o fruto de tua inocência
Acorda pessoa vivida, não caia em truques fajutos
Entenda que existe uma única versão, a verdade
Em meu mundo, negar verdade não existe, ciente
Atitude de um homem é aceitar o erro e o acerto
E lembre-se, não é uma indireta mas sim uma direta.
(Eric Araujo)
Inóspitas decisões, que se tomadas por sí divagam
Sutileza exorbitante na busca da razão desconhecida
Perfeito sistema auditivo que busca o desdém.
Lógica da razão de um só que se aproveita
Anos de convivência reduzido a uma frase ou ditame
Convés da injustiça, doloroso Platão, seu criador
Pense por sí só desiludido feitor.
Lembra do passado, dos ditos e feitos
Acha em tua mente as respostas ja respondidas por outrem
Eleva teu espirito e foge da mentira desvairada
Mentira essa não só dita para ti, mas como para mim
Pessoa maravilhosa essa tua amiga, que tem objetivo claro
Preto no branco sempre o percorreu, observado
Não atingindo-o apela desesperado para o fruto de tua inocência
Acorda pessoa vivida, não caia em truques fajutos
Entenda que existe uma única versão, a verdade
Em meu mundo, negar verdade não existe, ciente
Atitude de um homem é aceitar o erro e o acerto
E lembre-se, não é uma indireta mas sim uma direta.
(Eric Araujo)
quarta-feira, 9 de março de 2011
Das gavetas.
Teve sol e teve chuva.
Eram santos e pagões.
Escolhiam as vestes para o dia.
Eram lagoas, outrora vulcões.
Nunca haverá alteregos tão opostos
Como tinham aqueles dois.
Eram santos e pagões.
Escolhiam as vestes para o dia.
Eram lagoas, outrora vulcões.
Nunca haverá alteregos tão opostos
Como tinham aqueles dois.
quarta-feira, 2 de março de 2011
O encontro da manhã.
São sete horas da manhã e eu estou tomando um forte café.
Vou para a janela olhar a praia, e o mundo lá fora já acordou.
Menos eu.
Ele pára ao meu lado e eu não olho em sua direção, com medo dele desaparecer outra vez.
Só vejo a ponta de sua longa e brilhante túnica alva, com o canto do olho.
Árabe, moreno, e de traços muito bem definidos, ele nada diz.
Apenas me toca com seu silêncio e compreensão, com sua magnitude e luz.
Fitando o nada, minha mente começa a trabalhar ligeiramente, vasculhando gavetas do subconsciente.
Eu tenho que fazer alguma coisa, eu sei que eu tenho, mas não me lembro o quê. Não consigo lembrar!
Este é o homem que caminha ao meu lado mesmo quando eu não quero, mesmo quando sinto vergonha de mim.
Esteve comigo no meu Chernobyl, e me deu a mão mesmo sabendo que os fluidos radioativos provinham de meu corpo e mente.
Agora, neste instante pausado da manhã, ele estava aqui ao meu lado para me dizer alguma coisa da qual eu não conseguia escutar.
Decidi então sair da janela, me retirar da podridão e da poluição lá de fora para me focar na podridão fétida que provinha de mim.
Um fio tênue de luz, como uma linha de nylon nos envolvia, traçando uma linha de amor que nos fazia pai e filha, mestre e aprendiz.
Havia muitos anos em que eu não via ele, mesmo ele estando ao meu lado.
E agora ele estava aqui, com sua enorme e brilhante presença desnuda para minhas pobres pupilas.
Chorei. Sorri. Emocionei.
Então decidi caminhar na busca de mim mesma, e descobrir a chave do meu mistério:
O que eu tenho que fazer? Sei que tenho que fazer alguma coisa, mas não consigo me lembrar o quê.
Vamos então ter uma longa conversa de 48 horas.
Sei que vou levar grandes lições de moral por ter ficado estagnada tanto tempo, mas que me sirva de lição.
Preciso caminhar, preciso ir, preciso seguir em frente...
Meus passos estão pesados tamanha a carga que carrego...
Devo deixar tudo para trás, devo abandonar o peso e carregar só o que é leve e o que poderá me nutrir daqui em diante.
Fechei meus olhos, mas a luz continuava lá.
Que agora eu possa me levantar, que eu possa seguir, que eu tenha força e coragem para continuar.
Que os corpos se levantem da preguiça,
Que as mentes acordem do sono pesado,
Que o altruísmo renasça nos corações,
Que haja fé,
Que não haja religião superior a verdade,
Que os mestres dêem lições verdadeiras aos alunos,
Que a bondade perdure mesmo nas sombras,
Que ninguém tenha medo do amanhã,
Que você também acredite,
Que os próximos dias sejam de paz,
E que a paz esteja com você.
Vou para a janela olhar a praia, e o mundo lá fora já acordou.
Menos eu.
Ele pára ao meu lado e eu não olho em sua direção, com medo dele desaparecer outra vez.
Só vejo a ponta de sua longa e brilhante túnica alva, com o canto do olho.
Árabe, moreno, e de traços muito bem definidos, ele nada diz.
Apenas me toca com seu silêncio e compreensão, com sua magnitude e luz.
Fitando o nada, minha mente começa a trabalhar ligeiramente, vasculhando gavetas do subconsciente.
Eu tenho que fazer alguma coisa, eu sei que eu tenho, mas não me lembro o quê. Não consigo lembrar!
Este é o homem que caminha ao meu lado mesmo quando eu não quero, mesmo quando sinto vergonha de mim.
Esteve comigo no meu Chernobyl, e me deu a mão mesmo sabendo que os fluidos radioativos provinham de meu corpo e mente.
Agora, neste instante pausado da manhã, ele estava aqui ao meu lado para me dizer alguma coisa da qual eu não conseguia escutar.
Decidi então sair da janela, me retirar da podridão e da poluição lá de fora para me focar na podridão fétida que provinha de mim.
Um fio tênue de luz, como uma linha de nylon nos envolvia, traçando uma linha de amor que nos fazia pai e filha, mestre e aprendiz.
Havia muitos anos em que eu não via ele, mesmo ele estando ao meu lado.
E agora ele estava aqui, com sua enorme e brilhante presença desnuda para minhas pobres pupilas.
Chorei. Sorri. Emocionei.
Então decidi caminhar na busca de mim mesma, e descobrir a chave do meu mistério:
O que eu tenho que fazer? Sei que tenho que fazer alguma coisa, mas não consigo me lembrar o quê.
Vamos então ter uma longa conversa de 48 horas.
Sei que vou levar grandes lições de moral por ter ficado estagnada tanto tempo, mas que me sirva de lição.
Preciso caminhar, preciso ir, preciso seguir em frente...
Meus passos estão pesados tamanha a carga que carrego...
Devo deixar tudo para trás, devo abandonar o peso e carregar só o que é leve e o que poderá me nutrir daqui em diante.
Fechei meus olhos, mas a luz continuava lá.
Que agora eu possa me levantar, que eu possa seguir, que eu tenha força e coragem para continuar.
Que os corpos se levantem da preguiça,
Que as mentes acordem do sono pesado,
Que o altruísmo renasça nos corações,
Que haja fé,
Que não haja religião superior a verdade,
Que os mestres dêem lições verdadeiras aos alunos,
Que a bondade perdure mesmo nas sombras,
Que ninguém tenha medo do amanhã,
Que você também acredite,
Que os próximos dias sejam de paz,
E que a paz esteja com você.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Causidicus.
De terno de linho,
uma pasta na mão
Fones no ouvido,
olhar ao chão.
Levanta a cabeça,
dança com minh'alma,
que gira pra te ver chegar.
Processa meu corpo,
por tanto te amar.
uma pasta na mão
Fones no ouvido,
olhar ao chão.
Levanta a cabeça,
dança com minh'alma,
que gira pra te ver chegar.
Processa meu corpo,
por tanto te amar.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Na verdade a culpa é sua, meu caro. Se você não queria uma mulher que sambasse, jamais deveria tê-la chamado para dançar.
Veja o meu caso, nós dois sambamos, nós dois bebemos, nós dois cantamos, nós dois sentamos, nós dois rimos e nós dois também vamos embora juntos.
Porque isso é o que o amor faz.
Mas você meu caro, esqueça essa coisa de poder. Isso não existe, você só terá alguém do seu lado desse jeito que você me disse que almeja, se souber entrar na dança. Se sambar também, sem esperar nada em troca.
Se você sambar, ela vai sentir prazer em dançar a valsa que você tanto gosta e ela detesta.
É simples assim.
Com o tempo você vai notar que para você vai ser tão prazeroso o samba quanto a valsa.
E você vai ver, aos poucos você vai notar... que nenhum dos dois vai ter poder, que não haverá brigas sobre quem pode mais.
Meu caro, você vai ver que amar é tão simples quanto sambar.
Basta se entregar.
Veja o meu caso, nós dois sambamos, nós dois bebemos, nós dois cantamos, nós dois sentamos, nós dois rimos e nós dois também vamos embora juntos.
Porque isso é o que o amor faz.
Mas você meu caro, esqueça essa coisa de poder. Isso não existe, você só terá alguém do seu lado desse jeito que você me disse que almeja, se souber entrar na dança. Se sambar também, sem esperar nada em troca.
Se você sambar, ela vai sentir prazer em dançar a valsa que você tanto gosta e ela detesta.
É simples assim.
Com o tempo você vai notar que para você vai ser tão prazeroso o samba quanto a valsa.
E você vai ver, aos poucos você vai notar... que nenhum dos dois vai ter poder, que não haverá brigas sobre quem pode mais.
Meu caro, você vai ver que amar é tão simples quanto sambar.
Basta se entregar.
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Quinoterapia :)
Para visualizar, clique com o botão direito em cima do quadrinho e em seguida "abrir link em nova guia".
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Antes de partir.
Eu não costumava ser assim. Eu até falava bastante de mim antigamente, adorava explicar as minhas teorias e falar do meu passado. Mesmo porque o meu passado é uma delícia. Não sei se foi um fato pontual que me calou por enquanto. Também não sei se é só por enquanto. Mas o meu passado continua bonito, continua mesmo. Eu é que fiquei um pouquinho mais medrosa. Cuidadosa, talvez. Prometo que qualquer dia desses eu falo um pouco mais. Só que não gosto de falar muito. Eu sempre me arrependo depois, fico achando que estou nua. Que você pode rir da minha participação insignificante no mundo. Ou que você pode achar tudo isso um pouco bagunçado demais, você que é arrumadinho. Eu amo você, e quando eu gosto de alguém eu fico morrendo de medo de ouvir "eu preciso ir embora." Pra mim isso é pior do que um "eu nunca te amei." Eu supero não-amores, mas despedidas eu não sei. Fica tudo meio engasgado, eu fico perdida no meio da rua da minha cabeça. Quantas vezes já escrevi sobre adeuses? Eu acabo indo embora antes de ser abandonada, não consigo. Devem ter sido muitos desencontros. Tenho medo de virar aquelas pessoas que não se apegam, porque tiveram que desapegar demais. Mas com você é diferente. Eu já não posso mais partir de você, se algo acontecer, acho que é você que terá que ir. Será que você vai mesmo embora? Se for, não deixe de perguntar mais uma ou duas coisas sobre mim, para você eu quero falar.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
A leveza da minha alma.
Sumida. Reclusa. Incomunicável.
Colocando as minhas coisas no lugar. Arrumando minha bagunça, organizando o quarto da minha alma. Tirando um tempo para me estudar.
Varrendo o chão, tirando o pó.
São nestes dias silenciosos de faxina, onde as coisas velhas, as bicicletas de rodinhas, as flores murchas e os papéis velhos são jogados fora sem dó. Emagreci onde eu estava mais pesada.
Agora cansei de limpar. Tudo está brilhando. Tudo pronto para despejar aqui novas idéias, novos projetos, novos sentimentos.
Alguns não joguei fora. Foram reciclados. E estes estão muito bem guardados.
No mais, flores na janela, vento na varanda, cheiro de hortelã na cozinha, mirra plantada no jardim, incenso aceso na sala e calça jeans no armário.
Nunca estive tão em paz.
Colocando as minhas coisas no lugar. Arrumando minha bagunça, organizando o quarto da minha alma. Tirando um tempo para me estudar.
Varrendo o chão, tirando o pó.
São nestes dias silenciosos de faxina, onde as coisas velhas, as bicicletas de rodinhas, as flores murchas e os papéis velhos são jogados fora sem dó. Emagreci onde eu estava mais pesada.
Agora cansei de limpar. Tudo está brilhando. Tudo pronto para despejar aqui novas idéias, novos projetos, novos sentimentos.
Alguns não joguei fora. Foram reciclados. E estes estão muito bem guardados.
No mais, flores na janela, vento na varanda, cheiro de hortelã na cozinha, mirra plantada no jardim, incenso aceso na sala e calça jeans no armário.
Nunca estive tão em paz.
sábado, 22 de janeiro de 2011
O homem que era menino.
O vento que soprou e parou na janela era forte e suave. As avenidas correndo ali embaixo, as luzes reacendendo e a vida que passava tão depressa, tão forte.
Já é dia 6. Já são doze horas. Já está na hora. E há horas a hora já passou.
Na janela em frente, mais um a observar. O movimento, a ação, o grito, o sol que tanto brilha e num segundo a noite chega. Hora de deitar.
Mas o sono ficou lá fora, junto com a paisagem. A noite traz companhia ao concreto, ao asfalto, e às cadeiras daquele restaurante simpático em frente.
Cansado pela perda de meu sagrado sono, apenas observo o pincel de Rembrant no sorriso da moça loira que bebe a cachaça barata do outro lado da rua. Penso que deveria ir falar com ela.
Vou dormir.
Acordo. Me encontro em mais um dia, e os ponteiros viram atemporais quando a janela se fecha.
Ah, o tempo. Em que fase da vida obtemos a noção de tempo? Esta coisa invisível e palpável. Olho para o relógio. Meu relógio não é o tempo, mas um mensageiro pragmático dele.
E esta noção real de tempo vai mudando ao longo dos anos, pois eis que cada um tem seu próprio tempo, seu tempo psicológico.
O passar das horas por exemplo. Para mim, naquele momento, pareciam dias.
Eu estava ali do outro lado do vidro sem vida, num corpo também sem vida afogado em ilusões. Mas o vidro era meu amigo, e me protegia dos perigos de tão extensa e movimentada avenida. Mesmo nos dias mais bonitos, que era quando a avenida tinha um movimento atípico de felicidade momentânea, eu não saía de lá. Apenas observava os sorrisos, e também sorria. Pensando que talvez algum dia eu pudesse sair.
E assim passaram-se os anos que eu não vi. Na avenida as pessoas que eu não conheci. No sorriso da menina, a doçura que eu não provei.
Decidi então lavar o corpo e esfregar bem, para ver se os medos escorreriam pelo ralo. Amanhã, eu pensei, amanhã eu saio para viver.
Acordei animado com tamanha atitude em encarar o mundo real e desistir do meu mundinho. Acordei pensando no sorriso de Mona Lisa da moça loira do restaurante. Acordei pensando em viver.
Mas antes que eu pudesse alcançar a porta de saída senti uma dor muito intensa, súbita e fulminante no meio do peito e por mais que eu lutasse contra ela, ela tomou conta de meu corpo e me derrubou ao chão.
Sem ninguém para pedir socorro e sem voz para gritar, meu desespero foi abafado pela dor e pela visão turva.
E foi assim que eu morri, há dois passos de começar a viver...
Já é dia 6. Já são doze horas. Já está na hora. E há horas a hora já passou.
Na janela em frente, mais um a observar. O movimento, a ação, o grito, o sol que tanto brilha e num segundo a noite chega. Hora de deitar.
Mas o sono ficou lá fora, junto com a paisagem. A noite traz companhia ao concreto, ao asfalto, e às cadeiras daquele restaurante simpático em frente.
Cansado pela perda de meu sagrado sono, apenas observo o pincel de Rembrant no sorriso da moça loira que bebe a cachaça barata do outro lado da rua. Penso que deveria ir falar com ela.
Vou dormir.
Acordo. Me encontro em mais um dia, e os ponteiros viram atemporais quando a janela se fecha.
Ah, o tempo. Em que fase da vida obtemos a noção de tempo? Esta coisa invisível e palpável. Olho para o relógio. Meu relógio não é o tempo, mas um mensageiro pragmático dele.
E esta noção real de tempo vai mudando ao longo dos anos, pois eis que cada um tem seu próprio tempo, seu tempo psicológico.
O passar das horas por exemplo. Para mim, naquele momento, pareciam dias.
Eu estava ali do outro lado do vidro sem vida, num corpo também sem vida afogado em ilusões. Mas o vidro era meu amigo, e me protegia dos perigos de tão extensa e movimentada avenida. Mesmo nos dias mais bonitos, que era quando a avenida tinha um movimento atípico de felicidade momentânea, eu não saía de lá. Apenas observava os sorrisos, e também sorria. Pensando que talvez algum dia eu pudesse sair.
E assim passaram-se os anos que eu não vi. Na avenida as pessoas que eu não conheci. No sorriso da menina, a doçura que eu não provei.
Decidi então lavar o corpo e esfregar bem, para ver se os medos escorreriam pelo ralo. Amanhã, eu pensei, amanhã eu saio para viver.
Acordei animado com tamanha atitude em encarar o mundo real e desistir do meu mundinho. Acordei pensando no sorriso de Mona Lisa da moça loira do restaurante. Acordei pensando em viver.
Mas antes que eu pudesse alcançar a porta de saída senti uma dor muito intensa, súbita e fulminante no meio do peito e por mais que eu lutasse contra ela, ela tomou conta de meu corpo e me derrubou ao chão.
Sem ninguém para pedir socorro e sem voz para gritar, meu desespero foi abafado pela dor e pela visão turva.
E foi assim que eu morri, há dois passos de começar a viver...
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Submerso.
Na verdade costumo encontrar-te sempre mesmo em cima das minhas pálpebras, a escorregar para a aflição.
As mais das vezes descortino a tua imagem por detrás do coração, imersa no desejo de te afogares nele.
E, eu confesso, deixo-te ficar lá, mesmo quando lá me arranha.
Re-postagem, de algum dia no passado.
As mais das vezes descortino a tua imagem por detrás do coração, imersa no desejo de te afogares nele.
E, eu confesso, deixo-te ficar lá, mesmo quando lá me arranha.
Re-postagem, de algum dia no passado.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
A graduação
Ela olhava aquela foto cor-de-rosa e agradecia. Agradecia a ele, aquele homem fantástico que foi seu professor, seu mestre.
No início ela não havia entendido o sentido do aprendizado nem a didática daquele pequeno grande homem barbudo que mostrava as coisas agindo, e não falando ou escrevendo, como a maioria dos professores. Não entendia bem os testes malucos, que testavam na verdade sua capacidade, seus atos. Foi reprovada muitas vezes. Sofreu e fez sofrer com a rebeldia de uma aluna desobediente.
Porém, após as aulas terminarem, ela sentiu muita falta dele.
Descobriu a verdade certa vez quando sentada na areia num momento crucial de sua vida um outro grande homem lhe diria uma das coisas mais importantes que ela precisava ouvir. Sentiu-se confortável e segura. Neste momento, ela fitava e desnudava sem escrúpulos as ondas em sua dança para Iemanjá, e conseguia entender tudo aquilo que o antigo professor, agora gravado na memória e na foto rosa, havia lhe dito.
Nas aulas, tudo isso era apontado de maneira sutil sem que ela percebesse. A vontade dela em ser o que queria, sua rebeldia, seu fantasioso riso gritante, suas frágeis mentiras, a vaidade que ela tinha em dizer 'te amo' milhares de vezes e acariciar cem vezes seguidas a mesma bochecha, achando que este era o certo. Tudo uma grande ilusão de uma cabeça infantil em um corpo de mulher.
Seu mestre só queria ensiná-la a crescer, e em sua infinita sabedoria fez isso de modo extraordinário: fez com que ela entendesse por suas ações, por suas reações, pelo tempo despendido de sua vida. Ela entendeu, e foi nesse momento sentada na areia de mãos dadas com alguém que ela se descobriu mais velha. A idade era a mesma, mas ela já sentia a primeira ruga de seu longo caminho.
Não sentia mais a necessidade de dizer "eu" o tempo todo. Não precisava nem queria rir à plenos pulmões na mesa do bar. Não queria mais sorrir para quem não merecia. Não gostava mais de ser imprudente com sua responsabilidade. Aprendia a agir com mais racionalidade, menos impulsividade. Basicamente entendeu coisas muito importantes. Entendeu que quando se ama de verdade, não se deve tentar provar isso para a outra pessoa a todo minuto com palavras ou gestos fulgazes, mas sim nos momentos em que esta pessoa realmente precisar de você ao lado dela.
Entendeu que amor não são lençóis, beijos e brigas. Mas sim companhia, crescimento, soma.
E mesmo depois de tanto tempo sem aquelas importantes aulas que ela tanta amava com sua paixão juvenil, e sem o professor com quem ela ria e gritava, como toda mulher jovem que parece um avestruz com cãibra, ela agora havia aprendido a lição mais importante que o professor da foto rosa poderia ter ensinado: ela gostava dela. Não havia mais razão para ser insegura.
Ela, pela primeira vez juntou o preto e o branco, o frio e o quente, o doce e o salgado. Virou equilíbrio, virou harmonia...
Como a harmonia daquela bossa que o professor cantou no primeiro dia de aula, e que agora ela escutava, enquanto lembrava dele com carinho e olhava seu diploma, o sucesso.
No início ela não havia entendido o sentido do aprendizado nem a didática daquele pequeno grande homem barbudo que mostrava as coisas agindo, e não falando ou escrevendo, como a maioria dos professores. Não entendia bem os testes malucos, que testavam na verdade sua capacidade, seus atos. Foi reprovada muitas vezes. Sofreu e fez sofrer com a rebeldia de uma aluna desobediente.
Porém, após as aulas terminarem, ela sentiu muita falta dele.
Descobriu a verdade certa vez quando sentada na areia num momento crucial de sua vida um outro grande homem lhe diria uma das coisas mais importantes que ela precisava ouvir. Sentiu-se confortável e segura. Neste momento, ela fitava e desnudava sem escrúpulos as ondas em sua dança para Iemanjá, e conseguia entender tudo aquilo que o antigo professor, agora gravado na memória e na foto rosa, havia lhe dito.
Nas aulas, tudo isso era apontado de maneira sutil sem que ela percebesse. A vontade dela em ser o que queria, sua rebeldia, seu fantasioso riso gritante, suas frágeis mentiras, a vaidade que ela tinha em dizer 'te amo' milhares de vezes e acariciar cem vezes seguidas a mesma bochecha, achando que este era o certo. Tudo uma grande ilusão de uma cabeça infantil em um corpo de mulher.
Seu mestre só queria ensiná-la a crescer, e em sua infinita sabedoria fez isso de modo extraordinário: fez com que ela entendesse por suas ações, por suas reações, pelo tempo despendido de sua vida. Ela entendeu, e foi nesse momento sentada na areia de mãos dadas com alguém que ela se descobriu mais velha. A idade era a mesma, mas ela já sentia a primeira ruga de seu longo caminho.
Não sentia mais a necessidade de dizer "eu" o tempo todo. Não precisava nem queria rir à plenos pulmões na mesa do bar. Não queria mais sorrir para quem não merecia. Não gostava mais de ser imprudente com sua responsabilidade. Aprendia a agir com mais racionalidade, menos impulsividade. Basicamente entendeu coisas muito importantes. Entendeu que quando se ama de verdade, não se deve tentar provar isso para a outra pessoa a todo minuto com palavras ou gestos fulgazes, mas sim nos momentos em que esta pessoa realmente precisar de você ao lado dela.
Entendeu que amor não são lençóis, beijos e brigas. Mas sim companhia, crescimento, soma.
E mesmo depois de tanto tempo sem aquelas importantes aulas que ela tanta amava com sua paixão juvenil, e sem o professor com quem ela ria e gritava, como toda mulher jovem que parece um avestruz com cãibra, ela agora havia aprendido a lição mais importante que o professor da foto rosa poderia ter ensinado: ela gostava dela. Não havia mais razão para ser insegura.
Ela, pela primeira vez juntou o preto e o branco, o frio e o quente, o doce e o salgado. Virou equilíbrio, virou harmonia...
Como a harmonia daquela bossa que o professor cantou no primeiro dia de aula, e que agora ela escutava, enquanto lembrava dele com carinho e olhava seu diploma, o sucesso.
domingo, 9 de janeiro de 2011
Nau[frágil].
Eu não sei exatamente quem eu sou. Nem se o rumo que tomei é o caminho certo pra seguir. Eu não sei bem como tudo começou, nem se ainda tenho coragem de partir. Ficar? Já nem sei mais onde estou. Já nem sei quantas cervejas tenho que tomar para vestir o sorriso guardado no armário. Não lembro qual foi a última vez que sorri sem que me pedissem, ou que disse palavras doces sem pensar no frio e ocre, que normalmente é nublado pela vodca quente. A verdade é que para o mundo, nada é o bastante. Ele sempre quer algo de mim, algo em troca pelo seu trabalho árduo. Ele sobrevive a mim, contanto que eu corresponda a altura. E eu vou.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Feliz ano novo.

Feliz excesso na bebida,
Feliz abraço fingido no parente insuportável.
Feliz nova esperança, que já é amarela de tão antiga.
Boa sorte nas sete ondas,
Boa sorte na próxima vida.
Que é o próximo ano que ronda,
Como se fosse uma outra partida.
Mas no fim são sempre os mesmos dados,
A mesma sorte.
Que se divide quando os minutos mudam.
Boa sorte na hipocrisia,
de que um novo ano será um ano novo.
E feliz morte!
Do velho, ocre e fétido.
Que deixas ir em partida,
Enquanto o vento sopra e bate na porta,
A esperança que brota desinibida.
Falsa.
Porém, protegida.
Por estar presente em todos neste último dia.
Ah, os dias finais.
Sua data preferida.
Pois faz somente o que lhe é capaz,
Estancar o sangue da ferida.
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
À tout le monde
À todo mundo.
Não me lembro onde eu estava
Eu percebi que a vida era um jogo
Quanto mais sério eu entendi as coisas
Mais difíceis as regras se tornaram
Eu não tinha idéia do que isso custaria
Minha vida passou diante de meus olhos
Descobri o quão pouco eu realizei
Todos os meus planos negaram
Então enquanto estiverem lendo isso, saibam meus amigos
Que eu adoraria ficar com todos vocês
Por favor sorriam quando pensarem em mim
Meu corpo se foi, isso é tudo
A todo mundo
A todos meus amigos
Eu os amo
Eu devo partir
Essas são as ultimas palavras
Que irei sempre falar
E elas irão me libertar
Se meu coração ainda estivesse vivo
Eu sei que certamente ele partiria
E minhas recordações deixadas com você
Não há mais nada a dizer
Seguir adiante é uma coisa simples
O difícil é, o que deixar para trás
Você sabe, o sono já não sente mais dor
E a vida está cicatrizada
A todo mundo
A todos meus amigos
Eu os amo
Eu devo partir
Essas são as ultimas palavras
Que irei sempre falar
E elas irão me libertar
Então, enquanto você lê isto fique sabendo, meus amigos
Eu gostaria de estar com vocês todos
Por favor, sorrir, sorrir quando você pensa em mim
Meu corpo se foi e isso é tudo
A todo mundo
A todos meus amigos
Eu os amo
Eu devo partir
Essas são as ultimas palavras
Que irei sempre falar
E elas irão me libertar
(Megadeth).
Não me lembro onde eu estava
Eu percebi que a vida era um jogo
Quanto mais sério eu entendi as coisas
Mais difíceis as regras se tornaram
Eu não tinha idéia do que isso custaria
Minha vida passou diante de meus olhos
Descobri o quão pouco eu realizei
Todos os meus planos negaram
Então enquanto estiverem lendo isso, saibam meus amigos
Que eu adoraria ficar com todos vocês
Por favor sorriam quando pensarem em mim
Meu corpo se foi, isso é tudo
A todo mundo
A todos meus amigos
Eu os amo
Eu devo partir
Essas são as ultimas palavras
Que irei sempre falar
E elas irão me libertar
Se meu coração ainda estivesse vivo
Eu sei que certamente ele partiria
E minhas recordações deixadas com você
Não há mais nada a dizer
Seguir adiante é uma coisa simples
O difícil é, o que deixar para trás
Você sabe, o sono já não sente mais dor
E a vida está cicatrizada
A todo mundo
A todos meus amigos
Eu os amo
Eu devo partir
Essas são as ultimas palavras
Que irei sempre falar
E elas irão me libertar
Então, enquanto você lê isto fique sabendo, meus amigos
Eu gostaria de estar com vocês todos
Por favor, sorrir, sorrir quando você pensa em mim
Meu corpo se foi e isso é tudo
A todo mundo
A todos meus amigos
Eu os amo
Eu devo partir
Essas são as ultimas palavras
Que irei sempre falar
E elas irão me libertar
(Megadeth).
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Um solitário nômade no moinho.
Já não há mais motivos para querer ficar, querer voltar, querer estar.
As distâncias são grandes, muito grandes. E as viagens são muito longas e cansativas.
Não pensar o por quê de querer ficar é quase como ignorar o percurso do tempo, que ele insiste em jogar na cara, dando tapas que doem. E que esses sim, permanecem.
Não adianta olhar para o retrovisor e ver uma bela cidade iluminada, querer ficar, e seguir em frente.
Devorar livros para esquecer o presente, se jogar no trabalho que antes satisfazia e hoje em nada ajuda a rotina para desviar o trajeto maldoso que a mente insiste em procurar.
Comer tudo o que der vontade, lutando contra o funcionamento daqueles órgãos já escaldados pelo excesso.
Fugir. Daquela casa, daquela cidade, daquele estado, daquele país.
Olhar o gordo contra-cheque e não conseguir imaginar um sequer motivo para sorrir.
E aquelas velas numeradas em cima do bolo sentenciando o tempo de morte.
Fracassar sem entender. Se esforçar e perder. Traduzir a bíblia do latim para o francês, para que a saudade não sufoque, para que o coração não congele dentro da fogueira.
Depois de tanto vazio, só resta vazio. Mesmo que os dias passem e a estopa seja grossa, o vazio continuará lá, determinando para sempre a existência destes dias cruéis.
Procura-se um esboço de sorriso no espelho, mas é o travesseiro quem limpa as lágrimas recorrentes.
Solidão e medo na sempre companheira mala pequena.
De tudo, apenas dois trunfos. Dois companheiros.
Então ama, bebe e cala.
Vai, pára na esquina, passagem na mão, olhos na cidade. Acende seu cigarro de palha.
E anda.
As distâncias são grandes, muito grandes. E as viagens são muito longas e cansativas.
Não pensar o por quê de querer ficar é quase como ignorar o percurso do tempo, que ele insiste em jogar na cara, dando tapas que doem. E que esses sim, permanecem.
Não adianta olhar para o retrovisor e ver uma bela cidade iluminada, querer ficar, e seguir em frente.
Devorar livros para esquecer o presente, se jogar no trabalho que antes satisfazia e hoje em nada ajuda a rotina para desviar o trajeto maldoso que a mente insiste em procurar.
Comer tudo o que der vontade, lutando contra o funcionamento daqueles órgãos já escaldados pelo excesso.
Fugir. Daquela casa, daquela cidade, daquele estado, daquele país.
Olhar o gordo contra-cheque e não conseguir imaginar um sequer motivo para sorrir.
E aquelas velas numeradas em cima do bolo sentenciando o tempo de morte.
Fracassar sem entender. Se esforçar e perder. Traduzir a bíblia do latim para o francês, para que a saudade não sufoque, para que o coração não congele dentro da fogueira.
Depois de tanto vazio, só resta vazio. Mesmo que os dias passem e a estopa seja grossa, o vazio continuará lá, determinando para sempre a existência destes dias cruéis.
Procura-se um esboço de sorriso no espelho, mas é o travesseiro quem limpa as lágrimas recorrentes.
Solidão e medo na sempre companheira mala pequena.
De tudo, apenas dois trunfos. Dois companheiros.
Então ama, bebe e cala.
Vai, pára na esquina, passagem na mão, olhos na cidade. Acende seu cigarro de palha.
E anda.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Iminência
O quase é corrosivo o suficiente para me causar dor. A incerteza e o talvez são crueis demais. Palavra contra palavra, eu não quero acreditar. Prefiro continuar submersa na argila. Não posso suportar o confronto pueril que me faria pequena demais, pequena demais para continuar. O grito continuará estancado logo abaixo de minhas cordas vocais, serei forte e cuidadosa para não deixá-lo escapar. Por mais que meu coração sufoque, por mais que o enjôo tome conta de mim, não vou me submeter. Estou cansada demais, carente demais, sozinha demais.
domingo, 12 de dezembro de 2010
Rosa dos ventos.
O tempo parou encravado no ponteiro
Num número que não significa nada
Não dá o norte, nem a direção da fada.
Não diz o dia, não diz a hora,
Nem sei se bate o coração
Se o dia nasceu, ou não
Lá fora, continua o turbilhão
Da massa de um mundo incansável
Que pisa tudo, tudo é chão!
A hora, por certo, já passou
O dia nasceu, entardeceu
Tudo é igual, nada mudou.
A escrita continua a percorrer o mesmo caminho
A erguer-me, a empurrar meus passos
Num rumo incerto, talvez sem destino.
Meus pés já denotam o cansaço.
E meu rosto esconde-se
Nas pinturas coloridas, disfarçado de palhaço
Onde todos riem e o resto pouco importa
E a sorte faz o resto
E o futuro fica longe, ou fica perto?
Talvez seja hoje e nem reparei nos ponteiros.
Talvez dê ouvidos ao vento norte.
Talvez volte a rolar, os dados da sorte!
Num número que não significa nada
Não dá o norte, nem a direção da fada.
Não diz o dia, não diz a hora,
Nem sei se bate o coração
Se o dia nasceu, ou não
Lá fora, continua o turbilhão
Da massa de um mundo incansável
Que pisa tudo, tudo é chão!
A hora, por certo, já passou
O dia nasceu, entardeceu
Tudo é igual, nada mudou.
A escrita continua a percorrer o mesmo caminho
A erguer-me, a empurrar meus passos
Num rumo incerto, talvez sem destino.
Meus pés já denotam o cansaço.
E meu rosto esconde-se
Nas pinturas coloridas, disfarçado de palhaço
Onde todos riem e o resto pouco importa
E a sorte faz o resto
E o futuro fica longe, ou fica perto?
Talvez seja hoje e nem reparei nos ponteiros.
Talvez dê ouvidos ao vento norte.
Talvez volte a rolar, os dados da sorte!
sábado, 4 de dezembro de 2010
A hora do pranto.
Foi apenas lendo.
Li e senti o coração na garganta. O choro veio forte e rápido, num suspiro dolorido de quem sente saudades.
A voz dele agora tão distante parecia estar gritando em meu ouvido uma de suas músicas.
Ele cantava a minha dor.
Ele sorria, ria em uma imagem em minha cabeça.
Seus quatorze diferentes personagens secretos eram conhecidos apenas por mim.
E naquele momento, ele estava lá, na distância de um abraço de partida, em sua grama verde e com seu
rouxinol na gaiola escrevendo coisas sobre mim.
Peculiar em todos os aspectos. Na escrita, na música, na beleza, na juventude e na senescência, na quietude e no grito. No metamorfo que só eu reconheceria mesmo que mascarado. Se estivesse rindo e o coração em lágrimas, eu saberia. Se estivesse cantando um samba, mas sofrendo, eu saberia.
Porque ele sempre foi alma de minha alma. A dura carne dividida. A roda do caminhão que carrega minha cruz. Meu amigo, meu irmão, meu chão.
E aquelas letras formariam palavras, que formariam frases, as tais que me fizeram chorar.
Chorar de saudade, chorar da falta daquela [in]sanidade. Chorar pela tua perspicaz filosofia.
Dividir o pão, dormir no chão, abraçar a dor em tardes frias.
Chorar pelo que não veio, gozar do anseio, beber a harmonia.
Temer o vazio, criar o mundo, pintar o quadro da alegria.
Sermos dois, sermos um, não saber viver sem a tua companhia.
Sem você, gélidos momentos de agonia.
Em que a carne não suporta o sobreviver da espada dentro do coração.
Metal que inflama com a saudade, e faz arder a crua lágrima.
Faz o mundo girar lento.
Perde o equilibrio meu peão.
http://matheusocon.blogspot.com/2010/11/minha-janis-minha-joplin.html
Oh Lord, won't you buy me a Mercedes-Benz?
My friends all drive Porsches, I must make amends
Worked hard all my lifetime, no help from my friends
So Lord, won't you buy me a Mercedes-Benz?
Li e senti o coração na garganta. O choro veio forte e rápido, num suspiro dolorido de quem sente saudades.
A voz dele agora tão distante parecia estar gritando em meu ouvido uma de suas músicas.
Ele cantava a minha dor.
Ele sorria, ria em uma imagem em minha cabeça.
Seus quatorze diferentes personagens secretos eram conhecidos apenas por mim.
E naquele momento, ele estava lá, na distância de um abraço de partida, em sua grama verde e com seu
rouxinol na gaiola escrevendo coisas sobre mim.
Peculiar em todos os aspectos. Na escrita, na música, na beleza, na juventude e na senescência, na quietude e no grito. No metamorfo que só eu reconheceria mesmo que mascarado. Se estivesse rindo e o coração em lágrimas, eu saberia. Se estivesse cantando um samba, mas sofrendo, eu saberia.
Porque ele sempre foi alma de minha alma. A dura carne dividida. A roda do caminhão que carrega minha cruz. Meu amigo, meu irmão, meu chão.
E aquelas letras formariam palavras, que formariam frases, as tais que me fizeram chorar.
Chorar de saudade, chorar da falta daquela [in]sanidade. Chorar pela tua perspicaz filosofia.
Dividir o pão, dormir no chão, abraçar a dor em tardes frias.
Chorar pelo que não veio, gozar do anseio, beber a harmonia.
Temer o vazio, criar o mundo, pintar o quadro da alegria.
Sermos dois, sermos um, não saber viver sem a tua companhia.
Sem você, gélidos momentos de agonia.
Em que a carne não suporta o sobreviver da espada dentro do coração.
Metal que inflama com a saudade, e faz arder a crua lágrima.
Faz o mundo girar lento.
Perde o equilibrio meu peão.
http://matheusocon.blogspot.com/2010/11/minha-janis-minha-joplin.html
Oh Lord, won't you buy me a Mercedes-Benz?
My friends all drive Porsches, I must make amends
Worked hard all my lifetime, no help from my friends
So Lord, won't you buy me a Mercedes-Benz?
domingo, 21 de novembro de 2010
Entrei naquele bar sozinha. Era um lugar bonito, com mesas e cadeiras feitas de madeira nobre e escura. A meia luz me deixava confortável, apesar daquela sensação de que algo aconteceria naquela noite.
Sentei na mesa e pedi um dry martini, porque estava uns graus a menos do que habitual para aquela cidade tropical e eu preferia um drinque do que a cerveja de costume. Passou por mim um homem bonito, como aqueles homens dos filmes antigos que tem rostos de porcelana e traços bem traçados e masculinos, uma típica estátua de deus grego. Ele me olhou e sorriu, parou e sentou sem pedir licença na cadeira ao lado. Ele era inteligente, interessante, bonito e tinha a etiqueta de um cavalheiro inglês. Bom demais para ser verdade.
Pediu uma garrafa do melhor vinho ao garçom, e antes mesmo que eu pudesse terminar o meu martíni, ele pediu outro para mim. Perguntou meu nome e o que eu fazia ali sozinha numa noite de sábado, e com cuidado e cordialidade, me disse que moças não devem sentar sozinhas, por isso ele gostaria de sentar e conversar, se assim eu quisesse. Não respondi de imediato, olhei incrédula para aquele ser tão nórdico e educado, e sabendo que nada de tão interessante poderia acontecer, respondi em afirmativa.
Perguntei seu nome com curiosidade extrema, de alguma forma ele me instigava com seu jeito misterioso. Com a sua elegância peculiar, ele sorveu um gole de seu vinho tinto e mudou de assunto, descobrindo com perguntas os segredos de meu complexo âmago.
Tivemos uma longa conversa agradável. Conversamos muito sobre a cidade, sobre filosofias, sobre o futuro, sobre redenção.
Estranhamente ele sabia mais de mim do que podia, sabia coisas obscuras que minha boca não proferia nem a um padre na hora da morte. Sabia se o que diria me afetaria, sabia que se o dissesse de outra forma não, como um psicólogo que examina seu paciente a cada movimento de mãos, braços e pernas, a cada nova expressão facial. Estranho, mas surpreendente.
Meus olhos se perdiam entre as pessoas na meia luz, e por minutos fiquei vidrada naquela vitrola antiga que servia de enfeite e tornava o ambiente aconchegante, vidrada nela, mas com pensamentos longíquos e quinze imagens diferentes passando na minha mente como fotografias.
Mesmo com o meu silêncio, as horas de conversa iam se estendendo com o único objetivo de descobrir o que havia debaixo da máscara silenciosa que encobria meu rosto. Havia em mim um lago cristalino, e a cada gole sorvido de seu vinho tinto ele nadava mais fundo, se aproximando da área remota e muito escura de sua imensidão.
Pediu ao graçom mais um drinque para mim e colocou na junkie box uma das mais tristes bossas para que meus pensamentos se perdessem no vento e meus olhos ficassem distantes mais uma vez.
Como alguém tão estranho poderia saber tanto sobre mim?
Ele discutia sobre assuntos diversos, mas quando falava de mim, sempre tinha uma teoria, então às vezes eu o achava chato, certas vezes irritante, às vezes eu concordava com ele. Mas de certa forma, ele sempre estava certo.
O ponteiro passava rápido, mas o tempo parecia estagnado. Eu não conseguia mais parar de prestar atenção em seus olhos, sua psiqué, sua dialética. E seus argumentos estavam sendo imprescindíveis para a decisão de tantos dos meus planos!
Ele sabia tudo sobre mim, e eu sequer sabia seu nome, mas isso não importava mais. Eu só queria que ele estivesse perto de mim para sempre como naquele dia ele estava. Eu queria suas idéias.
Na verdade, comecei a perceber que eu necessitava delas para a minha sobrevivência.
Onde ele esteve esse tempo todo? Em que lugar escondido do mundo ele estava para que esse encontro acontecesse somente nesta noite solitária?
- Eu sempre estive mais perto do que você pensa. - Ele disse com seu charme antológico e seu sorriso torto.
Apaixonante.
Quando enfim o garçom recolheu o último copo vazio e a música parou de tocar, eu perguntei o seu nome nervosa e titubeando:
- Quem é você, afinal? -
- Eu sou parte de você, sou um pedaço de sua alma, sou a qualidade da sua mente, eu sou suas três dimensões...
Eu sou a sua consciência.
Sentei na mesa e pedi um dry martini, porque estava uns graus a menos do que habitual para aquela cidade tropical e eu preferia um drinque do que a cerveja de costume. Passou por mim um homem bonito, como aqueles homens dos filmes antigos que tem rostos de porcelana e traços bem traçados e masculinos, uma típica estátua de deus grego. Ele me olhou e sorriu, parou e sentou sem pedir licença na cadeira ao lado. Ele era inteligente, interessante, bonito e tinha a etiqueta de um cavalheiro inglês. Bom demais para ser verdade.
Pediu uma garrafa do melhor vinho ao garçom, e antes mesmo que eu pudesse terminar o meu martíni, ele pediu outro para mim. Perguntou meu nome e o que eu fazia ali sozinha numa noite de sábado, e com cuidado e cordialidade, me disse que moças não devem sentar sozinhas, por isso ele gostaria de sentar e conversar, se assim eu quisesse. Não respondi de imediato, olhei incrédula para aquele ser tão nórdico e educado, e sabendo que nada de tão interessante poderia acontecer, respondi em afirmativa.
Perguntei seu nome com curiosidade extrema, de alguma forma ele me instigava com seu jeito misterioso. Com a sua elegância peculiar, ele sorveu um gole de seu vinho tinto e mudou de assunto, descobrindo com perguntas os segredos de meu complexo âmago.
Tivemos uma longa conversa agradável. Conversamos muito sobre a cidade, sobre filosofias, sobre o futuro, sobre redenção.
Estranhamente ele sabia mais de mim do que podia, sabia coisas obscuras que minha boca não proferia nem a um padre na hora da morte. Sabia se o que diria me afetaria, sabia que se o dissesse de outra forma não, como um psicólogo que examina seu paciente a cada movimento de mãos, braços e pernas, a cada nova expressão facial. Estranho, mas surpreendente.
Meus olhos se perdiam entre as pessoas na meia luz, e por minutos fiquei vidrada naquela vitrola antiga que servia de enfeite e tornava o ambiente aconchegante, vidrada nela, mas com pensamentos longíquos e quinze imagens diferentes passando na minha mente como fotografias.
Mesmo com o meu silêncio, as horas de conversa iam se estendendo com o único objetivo de descobrir o que havia debaixo da máscara silenciosa que encobria meu rosto. Havia em mim um lago cristalino, e a cada gole sorvido de seu vinho tinto ele nadava mais fundo, se aproximando da área remota e muito escura de sua imensidão.
Pediu ao graçom mais um drinque para mim e colocou na junkie box uma das mais tristes bossas para que meus pensamentos se perdessem no vento e meus olhos ficassem distantes mais uma vez.
Como alguém tão estranho poderia saber tanto sobre mim?
Ele discutia sobre assuntos diversos, mas quando falava de mim, sempre tinha uma teoria, então às vezes eu o achava chato, certas vezes irritante, às vezes eu concordava com ele. Mas de certa forma, ele sempre estava certo.
O ponteiro passava rápido, mas o tempo parecia estagnado. Eu não conseguia mais parar de prestar atenção em seus olhos, sua psiqué, sua dialética. E seus argumentos estavam sendo imprescindíveis para a decisão de tantos dos meus planos!
Ele sabia tudo sobre mim, e eu sequer sabia seu nome, mas isso não importava mais. Eu só queria que ele estivesse perto de mim para sempre como naquele dia ele estava. Eu queria suas idéias.
Na verdade, comecei a perceber que eu necessitava delas para a minha sobrevivência.
Onde ele esteve esse tempo todo? Em que lugar escondido do mundo ele estava para que esse encontro acontecesse somente nesta noite solitária?
- Eu sempre estive mais perto do que você pensa. - Ele disse com seu charme antológico e seu sorriso torto.
Apaixonante.
Quando enfim o garçom recolheu o último copo vazio e a música parou de tocar, eu perguntei o seu nome nervosa e titubeando:
- Quem é você, afinal? -
- Eu sou parte de você, sou um pedaço de sua alma, sou a qualidade da sua mente, eu sou suas três dimensões...
Eu sou a sua consciência.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Prata.
Um par de dedos enfeitados.
A chuva, a melancolia, o concreto, o azul discreto, a salina na boca, o tempo correndo com o vento.
Tudo fica tão mais bonito com meu coração batendo no ritmo do teu peito.
Com tua mão direita pesando na minha mão direita, guiando os passos também direitos que damos em direção à nós mesmos.
Nossa juventude contra a direção, nosso riso deitado no colchão, nosso amor em teu lençol azul cor-de-giz.
Nossa matéria se desfaçelando em mil grãos desabotoando o terno italiano, despindo a saudade.
Nossa maestria nos dedos carinhosos, majestosos de quem sabe ser em dupla aprendiz.
A ti, minha lealdade.
domingo, 14 de novembro de 2010
Subliminar.
Eu parto do pressuposto espiritual de que se estamos neste planeta é porque somos seres involuídos.
Morar aqui é queimar karma, só pode.
Por sermos seres involuídos e infinitamente inferiores, sentimos raiva, paixão, ciúme e (por que não?) inveja. Sim, todos sentimos inveja, uns mais, outros menos.
Tem gente que libera isso em forma de olho gordo, tem gente que aceita a inveja e guarda. Eu não tenho muitas invejas negras, a maioria delas são brancas e brandas, como dos moradores de jericoacoara ou de Paris, ou de quem tem tatuagens lindas, ou de quem sabe se vestir bem.
Mas ele me causa uma inveja negra fudida, não sei nem medir esse tamanho de inveja profunda e raivosa que se alimenta dos meus mais genuínos e puros desejos.
Me peguei o xingando outro dia, só porque tenho inveja.
Tenho inveja que ele fica o dia inteiro escrevendo, tenho inveja que os pais dele têm dinheiro para mantê-lo em casa com a mais bela biblioteca do mundo, com os mais nobres autores lhe fazendo companhia em sua cadeira confortável de 2678 dólares e com os mais sofisticados utensílios de escrita.
Morro de inveja quando pego meu laptopzinho que me irrita com suas teclas falhas ou quando eu não tenho internet para fazedr pesquisa, morro de inveja quando quero ler aquele livro raro que só se encontraria em algum lugar nórdico inacessível e ele tem em casa e nunca leu, tenho inveja que ele não precisa trabalhar pra pagar as contas e, por isso, tem tempo de fazer leituras, releituras e poesias lindas e saborosas que enchem os olhos e o coração com tanta beleza 'degustável'.
Só pra constar, a gente não se conhece.
Se eu o conhecesse, a inveja se transformaria em orgulho, porque é isso que eu sinto pelos amigos que fazem coisas legais.
Mas eu sei umas coisas da vida dele, eu sei que ele é sociofóbico e tem poucos amigos, eu sei que ele tem depressões e angústias gigantescas, eu sei que a felicidade dele é abstrata e distante. agora me pergunta se eu troco a minha vida de pobre que pega o ônibus todo dia e atrasa faturas e contas, mas que tem amigos tão amigos que lêem qualquer porcaria que eu faço – e ainda elogiam – pela vida dele?
Não troco, não troco, não troco.
Não troco minha vida suada pela vida “fácil” dele por nada neste mundo. não troco as festas frenesi na casa da Kaká ou do Diego, não troco as jantas com 30 pessoas que dividem pratos e talheres sem nojinho, não troco as baladas de 20 reais (e ainda assim bem bêbadas), não troco esse riso frouxo que ganha o coração de sogras e crianças, não troco as noites frescas na varanda movidas a piadas e bobagens por uma vida glamurosa e solitária na super biblioteca nem a pau.
Eu não sei quem me falou um dia que nosso espírito vem ao mundo sabendo do nosso destino. Eu acredito tanto nisso, principalmente quando acontecem dejà vús intensos.
Pelo jeito eu escolhi ter amigos de verdade. E isso não tem conta bancária no mundo que compre.
Aliás, do que eu tava sentindo inveja mesmo?
Nada, absolutamente nada mesmo, paga uma discussão entre eu, Matheus e Zanow sobre as teorias e os teóricos e os paralelos dos escritores da antiguidade para os modernos. Com gente assim na vida, quem precisa de uma Saraiva em casa?
Morar aqui é queimar karma, só pode.
Por sermos seres involuídos e infinitamente inferiores, sentimos raiva, paixão, ciúme e (por que não?) inveja. Sim, todos sentimos inveja, uns mais, outros menos.
Tem gente que libera isso em forma de olho gordo, tem gente que aceita a inveja e guarda. Eu não tenho muitas invejas negras, a maioria delas são brancas e brandas, como dos moradores de jericoacoara ou de Paris, ou de quem tem tatuagens lindas, ou de quem sabe se vestir bem.
Mas ele me causa uma inveja negra fudida, não sei nem medir esse tamanho de inveja profunda e raivosa que se alimenta dos meus mais genuínos e puros desejos.
Me peguei o xingando outro dia, só porque tenho inveja.
Tenho inveja que ele fica o dia inteiro escrevendo, tenho inveja que os pais dele têm dinheiro para mantê-lo em casa com a mais bela biblioteca do mundo, com os mais nobres autores lhe fazendo companhia em sua cadeira confortável de 2678 dólares e com os mais sofisticados utensílios de escrita.
Morro de inveja quando pego meu laptopzinho que me irrita com suas teclas falhas ou quando eu não tenho internet para fazedr pesquisa, morro de inveja quando quero ler aquele livro raro que só se encontraria em algum lugar nórdico inacessível e ele tem em casa e nunca leu, tenho inveja que ele não precisa trabalhar pra pagar as contas e, por isso, tem tempo de fazer leituras, releituras e poesias lindas e saborosas que enchem os olhos e o coração com tanta beleza 'degustável'.
Só pra constar, a gente não se conhece.
Se eu o conhecesse, a inveja se transformaria em orgulho, porque é isso que eu sinto pelos amigos que fazem coisas legais.
Mas eu sei umas coisas da vida dele, eu sei que ele é sociofóbico e tem poucos amigos, eu sei que ele tem depressões e angústias gigantescas, eu sei que a felicidade dele é abstrata e distante. agora me pergunta se eu troco a minha vida de pobre que pega o ônibus todo dia e atrasa faturas e contas, mas que tem amigos tão amigos que lêem qualquer porcaria que eu faço – e ainda elogiam – pela vida dele?
Não troco, não troco, não troco.
Não troco minha vida suada pela vida “fácil” dele por nada neste mundo. não troco as festas frenesi na casa da Kaká ou do Diego, não troco as jantas com 30 pessoas que dividem pratos e talheres sem nojinho, não troco as baladas de 20 reais (e ainda assim bem bêbadas), não troco esse riso frouxo que ganha o coração de sogras e crianças, não troco as noites frescas na varanda movidas a piadas e bobagens por uma vida glamurosa e solitária na super biblioteca nem a pau.
Eu não sei quem me falou um dia que nosso espírito vem ao mundo sabendo do nosso destino. Eu acredito tanto nisso, principalmente quando acontecem dejà vús intensos.
Pelo jeito eu escolhi ter amigos de verdade. E isso não tem conta bancária no mundo que compre.
Aliás, do que eu tava sentindo inveja mesmo?
Nada, absolutamente nada mesmo, paga uma discussão entre eu, Matheus e Zanow sobre as teorias e os teóricos e os paralelos dos escritores da antiguidade para os modernos. Com gente assim na vida, quem precisa de uma Saraiva em casa?
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Desate os nós.
Eu tinha quase trinta anos quando cometi um dos maiores erros da minha vida.
Eu era um rapaz bonito, bem-sucedido e que tinha muitos amigos, eu era conhecido e reconhecido.
Porém, minha mãe e eu não nos falávamos mais. Por motivos que até hoje não entendo quais são, ela deixou de me amar. Não me olhava mais nos olhos e queria muito que eu saísse de casa para não ter mais que me aguentar. Eu estava triste, cabisbaixo, e chorava muito por aqueles dias.
Eu tinha uma linda namorada com quem eu compartilhava a minha tristeza. Mas a minha mãe proíbia a entrada dela na minha casa.
Haviam dias em que eu chegava em casa cansado do trabalho, e a única coisa que eu queria era um pouco de atenção e carinho, carinho esse que eu sempre recebi dela, antes da ojeriza. Eu nem exigia tanto, apenas atenção, conversação me bastariam.
Mas tudo o que eu via era o seu olhar de desprezo para mim.
Pouco tempo se passou assim até que a raiva que ela sentia de mim se propagou, e eu além de tristeza, passei a odiar a mulher que eu mais amei na minha vida.
Foi com ela que dei meu primeiro passo.
Foi ela que cortou a minha primeira mecha de cabelo loiro.
Foi ela que fez da colher um avião para que eu sentisse prazer em comer gororobas de beterraba.
E hoje, ela não significa mais nada pra mim.
Como é triste lembrar do bonito que algo ou alguém foram quando esse bonito começa a se deteriorar irremediavelmente.
Um dia, cheguei em casa perdido. Eu tinha discutido com meu chefe, estava triste, minha namorada não atendia o telefone e pra piorar eu havia comido e deixado o meu prato na pia.
Pronto. O prato na pia virou escândalo. Minha mãe me atirou ofensas como quem acerta um punhal no peito alheio, e meu corpo começou a chorar por inteiro de suor e lágrimas.
Já não suportava mais aquela situação.
Corri para o meu quarto e chorei copiosamente. Não conseguia entender porque aquilo estava acontecendo comigo. Liguei o som no mais alto que minhas caixas aguentavam e coloquei a música mais pesada que eu conhecia. Nuvens negras entravam em meu quarto e tomavam conta de meu cérebro, me deixando cego.
Fui até a gaveta onde meu pai guardava seus objetos mais pessoais, peguei seu antigo 38 e com elegância e graça dei um tiro na cabeça, deixando apenas um bilhetinho:
Grande parte da vida que eu possuía foi roubada, vendida ou doada.
Quanto aos meus restos mortais, suplico encarecidamente; não o torturem com choros, rezas ou velas. É apenas a minha matéria e imploro que a deixem degradando-se em paz. A putrefação não é degradante. Se a humanidade permitisse que a natureza tomasse o seu curso, seria o renascimento da matéria.
Eu renasceria no vento que passa a murmurar, nas folhas que farfalham, no solo que abriga e alimenta milhares de seres vivos, na água que corre para o mar nas chuvas que regam os campos, no orvalho que cintila ao luar, nas grandes árvores que abrigam ninhos de passarinhos e que vergam a passagem dos ventos fortes, nos pequenos arbustos que escondem a caça do caçador...
Céus! Eu me vingaria se apenas uma de minhas partículas participasse do desabrochar de uma flor ou do canto de um pássaro.
Romântico? Não!
Foi o mundo, a política, meu educador, mas principalmente... foi o seio que aconchegou a criança que vinha lhe contar as suas tristezas, mágoas, alegrias, pensamentos, e seus desejos íntimos... suas esperanças.
A criança crescida quer voltar para lhe contar seus sofrimentos, desilusões, a morte de suas esperanças... para encontrar novamente o aconchego onde poderá descansar sua cabeça cansada e abatida e onde poderá, enfim, chorar as suas lágrimas que não encontram mais onde chorar.
Volto derrotado porque não fui capaz de viver. Trabalhar e estudar não foram suficientes para mim. E foi tudo o que me restou. Prefiro morrer do que viver com a morte dentro de mim.
É melhor queimar do que se apagar aos poucos.
Perdoem-me.
Minha mãe nunca se perdôou e viveu em depressão em cima de uma cama de hospital durante 9 anos, até falecer de desgosto.
Mas ela teve milhões de chances de se redimir, e eu também.
Com apenas duas palavras: Me perdoa?
E nós dois não o fizemos. Me arrependo amargamente de ter interrompido uma vida frutífera por mágoas. Me arrependo de não tentar conversar com ela mais vezes sobre essa morte do amor dela por mim.
É triste morrer sem entender. É triste perder alguém sem entender.
Eu era um rapaz bonito, bem-sucedido e que tinha muitos amigos, eu era conhecido e reconhecido.
Porém, minha mãe e eu não nos falávamos mais. Por motivos que até hoje não entendo quais são, ela deixou de me amar. Não me olhava mais nos olhos e queria muito que eu saísse de casa para não ter mais que me aguentar. Eu estava triste, cabisbaixo, e chorava muito por aqueles dias.
Eu tinha uma linda namorada com quem eu compartilhava a minha tristeza. Mas a minha mãe proíbia a entrada dela na minha casa.
Haviam dias em que eu chegava em casa cansado do trabalho, e a única coisa que eu queria era um pouco de atenção e carinho, carinho esse que eu sempre recebi dela, antes da ojeriza. Eu nem exigia tanto, apenas atenção, conversação me bastariam.
Mas tudo o que eu via era o seu olhar de desprezo para mim.
Pouco tempo se passou assim até que a raiva que ela sentia de mim se propagou, e eu além de tristeza, passei a odiar a mulher que eu mais amei na minha vida.
Foi com ela que dei meu primeiro passo.
Foi ela que cortou a minha primeira mecha de cabelo loiro.
Foi ela que fez da colher um avião para que eu sentisse prazer em comer gororobas de beterraba.
E hoje, ela não significa mais nada pra mim.
Como é triste lembrar do bonito que algo ou alguém foram quando esse bonito começa a se deteriorar irremediavelmente.
Um dia, cheguei em casa perdido. Eu tinha discutido com meu chefe, estava triste, minha namorada não atendia o telefone e pra piorar eu havia comido e deixado o meu prato na pia.
Pronto. O prato na pia virou escândalo. Minha mãe me atirou ofensas como quem acerta um punhal no peito alheio, e meu corpo começou a chorar por inteiro de suor e lágrimas.
Já não suportava mais aquela situação.
Corri para o meu quarto e chorei copiosamente. Não conseguia entender porque aquilo estava acontecendo comigo. Liguei o som no mais alto que minhas caixas aguentavam e coloquei a música mais pesada que eu conhecia. Nuvens negras entravam em meu quarto e tomavam conta de meu cérebro, me deixando cego.
Fui até a gaveta onde meu pai guardava seus objetos mais pessoais, peguei seu antigo 38 e com elegância e graça dei um tiro na cabeça, deixando apenas um bilhetinho:
Grande parte da vida que eu possuía foi roubada, vendida ou doada.
Quanto aos meus restos mortais, suplico encarecidamente; não o torturem com choros, rezas ou velas. É apenas a minha matéria e imploro que a deixem degradando-se em paz. A putrefação não é degradante. Se a humanidade permitisse que a natureza tomasse o seu curso, seria o renascimento da matéria.
Eu renasceria no vento que passa a murmurar, nas folhas que farfalham, no solo que abriga e alimenta milhares de seres vivos, na água que corre para o mar nas chuvas que regam os campos, no orvalho que cintila ao luar, nas grandes árvores que abrigam ninhos de passarinhos e que vergam a passagem dos ventos fortes, nos pequenos arbustos que escondem a caça do caçador...
Céus! Eu me vingaria se apenas uma de minhas partículas participasse do desabrochar de uma flor ou do canto de um pássaro.
Romântico? Não!
Foi o mundo, a política, meu educador, mas principalmente... foi o seio que aconchegou a criança que vinha lhe contar as suas tristezas, mágoas, alegrias, pensamentos, e seus desejos íntimos... suas esperanças.
A criança crescida quer voltar para lhe contar seus sofrimentos, desilusões, a morte de suas esperanças... para encontrar novamente o aconchego onde poderá descansar sua cabeça cansada e abatida e onde poderá, enfim, chorar as suas lágrimas que não encontram mais onde chorar.
Volto derrotado porque não fui capaz de viver. Trabalhar e estudar não foram suficientes para mim. E foi tudo o que me restou. Prefiro morrer do que viver com a morte dentro de mim.
É melhor queimar do que se apagar aos poucos.
Perdoem-me.
Minha mãe nunca se perdôou e viveu em depressão em cima de uma cama de hospital durante 9 anos, até falecer de desgosto.
Mas ela teve milhões de chances de se redimir, e eu também.
Com apenas duas palavras: Me perdoa?
E nós dois não o fizemos. Me arrependo amargamente de ter interrompido uma vida frutífera por mágoas. Me arrependo de não tentar conversar com ela mais vezes sobre essa morte do amor dela por mim.
É triste morrer sem entender. É triste perder alguém sem entender.
Não deixe que as mágoas, o rancor e a raiva tomem conta da sua vida.
Não construa paredes, muros e edifícios em volta de você, abra-se. Deixe-se ser descoberto.
Perdoe-se, perdoe aos outros. Desate os nós. E seja feliz.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
La foul.
Ouvindo Piaf senti isso, essa coisa fria que me arrepiou, la foul.
Deprimente, porém bonito. São as marcas dos nossos tropeços doendo que nem cicatriz em dia de chuva.
Deprimente, porém bonito. São as marcas dos nossos tropeços doendo que nem cicatriz em dia de chuva.
E assim, ouvindo o som que entrava suave aos meus ouvidos, e aquele sotaque que parecia ter sido meu em alguma outra vida, chorei. Chorei durante 23 minutos. Engoli a cerveja, desliguei a vitrola e saí para me divertir.
Com o pensamento distante, quase perdido, eu parecia uma autista passeando pelas ruas do Leblon.
Com o pensamento distante, quase perdido, eu parecia uma autista passeando pelas ruas do Leblon.
Em um vazio me faço gente, mas dois passos depois e me perco de novo na imensidão caótica da minha mente. Minha dura carne que me trai.
Mas como a tudo se supera, um pouco antes de o sol nascer, a dor já havia sido retirada como se a cerveja fosse morfina, e a ferida devidamente estancada.
Difícil é quando a gente bate no machucado vez que outra e ele volta a sangrar, nos lembrando de como somos frágeis quando sentimos dor.
Até lá, eu vou fingindo que ele não existe, coloco umas ataduras por cima pra disfarçar, viro o rosto, ponho meu salto alto e vou beber, rir e dançar.
Alors, sans avoir rien
Que la force d'aimer,
Nous aurons dans nos mains,
Que la force d'aimer,
Nous aurons dans nos mains,
Amis, le monde entie!
domingo, 31 de outubro de 2010
Sonhos de Margarina...
...Eu já tive.
Já me vi com uma bela família, em torno da mesa de café da manhã, tal qual mostra o comercial. Mas na vida real os sorrisos harmônicos não são eternos.
Aprendi então a comemorar os instantes felizes. Uma noite, um café, uma bossa, um beijinho, o riso.
Aqueles instantes salvadores, cuja natureza efêmera não permite grandes vôos, muito embora nos deixem quase sempre no céu.
A vida é feita de instantinhos.
Já me vi com uma bela família, em torno da mesa de café da manhã, tal qual mostra o comercial. Mas na vida real os sorrisos harmônicos não são eternos.
Aprendi então a comemorar os instantes felizes. Uma noite, um café, uma bossa, um beijinho, o riso.
Aqueles instantes salvadores, cuja natureza efêmera não permite grandes vôos, muito embora nos deixem quase sempre no céu.
A vida é feita de instantinhos.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Metafórico.
Parei pra pensar no processo de perda da rastejante, ignorante e terminal taturana que pensava que seu fim tinha chegado quando na verdade ela estava se preparando para seu grande momento de amadurecimento.
Ela perderia todas aquelas patas e ganharia duas lindíssimas asas.Ela perderia peso e ganharia leveza. Ela só tinha a ganhar e a coitada se lamentava iludida e sofrida com a passagem.
Era o bom e velho jogo do "quem perde ganha". Do menos, é mais.
Claro que não é a primeira vez que passo por um processo desses, mas parece que a vida não dá folga: é como um videogame que cria maiores dificuldades quanto mais você vai vencendo.
Acho que a lição é conseguir aprender a viver sem depender de nada nem ninguém, mas ao mesmo tempo dependendo de tudo e de todos.
Em palavras mais simples, a solução é confiar em si mesmo e no processo que estamos passando no momento.
Ela perderia todas aquelas patas e ganharia duas lindíssimas asas.Ela perderia peso e ganharia leveza. Ela só tinha a ganhar e a coitada se lamentava iludida e sofrida com a passagem.
Era o bom e velho jogo do "quem perde ganha". Do menos, é mais.
Claro que não é a primeira vez que passo por um processo desses, mas parece que a vida não dá folga: é como um videogame que cria maiores dificuldades quanto mais você vai vencendo.
Acho que a lição é conseguir aprender a viver sem depender de nada nem ninguém, mas ao mesmo tempo dependendo de tudo e de todos.
Em palavras mais simples, a solução é confiar em si mesmo e no processo que estamos passando no momento.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Boneca de lata.

A desagradava aquele percurso nítido em meio à multidão. Olhava o rosto dele vindo de longe, que com carinho lhe fitava. Mas a moldura que via em sua mente do quadro que iria surgir nos próximos minutos era de vidro e corte, sangramento e dor.
Ele sentou com ela na porta de um botequim qualquer já fechado. Ela apertou as pontas do casaco contra o peito, acendeu seu cigarro e sorriu, olhando para ele.
- Que foi? - Ele perguntou.
E ela pediu:
- Deixa eu ser tua amiga?
Ele deu uma alta gargalhada e a beijou ligeiramente.
- Mas que bobagem, nós já somos amigos, somos mais que amigos!
Ela sorriu com apenas um canto da boca e tragou em silêncio olhando para uma árvore qualquer, com cem milhões de pensamentos na cabeça.
- Não é isso, é que eu não quero isso pra mim. Essa relação que a gente tem tá ficando cada vez mais séria. E relacionamentos só complicam. Eu gosto tanto de você, mas não posso mais continuar com isso. Acho melhor sermos só amigos.
Lágrimas corriam nos olhos dele, que virou o rosto para que ela não visse a fragilidade que aquelas duras palavras haviam lhe causado, mas enfim a deu um beijo na bochecha, levantou e partiu com o coração quebrado e deixando o silêncio mudo e indiscreto tomarem conta dos pensamentos dela.
Ela sorriu, tragou seu cigarro e foi para casa dormir seu sono pesado.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
IGREJA CATÓLICA
1) Calou a boca na 2a guerra e não fez nada contra Hitler e Mussolinni.
2) Apoiou a ditadura no Brasil abertamente
3) Bento XVI até agora não fez NADA realmente contra os padres pedófilos.
4) São contra o uso da camisinha.
5) Recomendam voto em José Serra.
Nem Dilma, nem Serra, nem Igreja Católica.
Meu voto vai para a paz. O vazio. O branco invadindo as cidades como uma tsunami. Recomeço. Consciência. O povo precisa.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Caro Sr. X,
Lamentamos informar-lhe que você foi desclassificado e considerado desqualificado por perda de encanto mútuo, destruição da magia de primeiros encontros, infenso à paixão, corrobora o nosso asco por romantismo exarcebado. Obrigada pela tentativa, esperamos que tenha mais sucesso na sua próxima jornada em busca do surreal e inexistente conto de fadas.
Att,
Empresas Bárbara's destroyers.
#prontofalei.
Yeah, yeah, yeah... babe.
Eu levo uma vida desregrada, com muito álcool e vida noturna.
Acordo às 4h da tarde de terça com o barulho do aspirador e uma dor de cabeça dos diabos. Só tenho flashbacks da noite anterior e fico sabendo o que fiz pelos amigos.
Não me assusto mais por ser abordada por pessoas desconhecidas que sabem até o nome do meu papagaio japonês sem asa e que não cansam de falar das altas conversas e filosofias que eu disse numa festa que nem sei qual é.
Eu não pergunto nem onde é a balada, mas o que vai ter pra beber e o quanto, e prefiro ficar na rua com uma garrafa de qualquer coisa na mão do que ir à exposição de um escultor do Alberjistão do Norte que todas as pessoas dizem ser maravilhosa. Conheci todos os namorados em festas e só quero ter como amigo as pessoas que conseguem virar vodca quente tão rápido quanto eu.
E, sim, meus queridos, eu tenho meu nome associado ao quanto eu bebo, eu conheço todos os donos dos bares, eu tenho conta neles. Eu conheço pessoas estranhas, pessoas loucas, pessoas felizes.
Eu não quero namorar, eu não quero casar, eu não quero me apaixonar, eu não quero um compromisso com ninguém. Hoje em dia, tenho fissura pela racionalidade sentimental.
Sim, sou taxada de LOUCA pela sociedade moralista. Mas uso meu livre arbítrio todo santo dia para fazer o que eu quero, para fazer bem para os outros, para ser feliz, e se eu estiver me fazendo mal, aguento as minhas consequências.
Que você fale, diga e pense, querido... o que bem entender de mim. Eu sei exatamente quem sou, e tenho muito orgulho, pois estes são os melhores anos da minha vida!
Acordo às 4h da tarde de terça com o barulho do aspirador e uma dor de cabeça dos diabos. Só tenho flashbacks da noite anterior e fico sabendo o que fiz pelos amigos.
Não me assusto mais por ser abordada por pessoas desconhecidas que sabem até o nome do meu papagaio japonês sem asa e que não cansam de falar das altas conversas e filosofias que eu disse numa festa que nem sei qual é.
Eu não pergunto nem onde é a balada, mas o que vai ter pra beber e o quanto, e prefiro ficar na rua com uma garrafa de qualquer coisa na mão do que ir à exposição de um escultor do Alberjistão do Norte que todas as pessoas dizem ser maravilhosa. Conheci todos os namorados em festas e só quero ter como amigo as pessoas que conseguem virar vodca quente tão rápido quanto eu.
E, sim, meus queridos, eu tenho meu nome associado ao quanto eu bebo, eu conheço todos os donos dos bares, eu tenho conta neles. Eu conheço pessoas estranhas, pessoas loucas, pessoas felizes.
Eu não quero namorar, eu não quero casar, eu não quero me apaixonar, eu não quero um compromisso com ninguém. Hoje em dia, tenho fissura pela racionalidade sentimental.
Sim, sou taxada de LOUCA pela sociedade moralista. Mas uso meu livre arbítrio todo santo dia para fazer o que eu quero, para fazer bem para os outros, para ser feliz, e se eu estiver me fazendo mal, aguento as minhas consequências.
Que você fale, diga e pense, querido... o que bem entender de mim. Eu sei exatamente quem sou, e tenho muito orgulho, pois estes são os melhores anos da minha vida!
sábado, 9 de outubro de 2010
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
.
Choveu. como havia de ser, choveu.
Choveu. pra coroar todo o fluxo de pensamentos, pra lavar todos os nossos pecados. para nos trazer de volta antigos sabores, para nos fazer sentir alguma coisa quando toca coldplay e quando a gente vê tocar no barzinho aquela música de MPB que nos traz um gosto de cítrico na boca.
E aquele moço que falava estranho parado me olhando e riscando no papel com seu lápis os traços que ele via em mim. O grafite que me via era mais bonito que a pele propriamente dita que eu carregava.
A cerveja, o cigarro, o rock, a bossa.
O irmão de minha alma que me acompanhava, com seus olhos brilhantes de artista, e cantava as dores do mundo sem filosofia.
E um único gesto insensato trouxe aquele gosto de saudade na boca. Uma saudade de um lugar que não estava ali, de uma música que não poderia ser tocada, de um grupo de amigos que não chegaria nunca.
Um único gesto insensato havia me custado a sanidade naquela noite.
E havia ainda a vontade de vê-lo. Não sabia o que me afligia mais o coração, se era aquela vontade louca de ver ele, ou o abismo enorme que nos separava. Ele estava bem, mas do outro lado do país. Como era de se esperar, mais um ato insensato. E eu escrevi aquelas linhas em dois minutos, escrevendo tudo que meu coração bêbado poderia dizer. Em minutos, a resposta veio, com amor saindo por todos os cantos daquele aparelho tecnológico bendito.
E então a minha noite mudou.
Sem arrependimentos, apenas uma constatação.
Você é um grande homem.
Eu sempre vou te amar.
Obrigada pelo amor dedicado.
Obrigada pela amizade.
Obrigada por perdoar os meus erros infantis.
Obrigada por todos aqueles anos maravilhosos comigo.
Obrigada por ter me amado e cuidado de mim.
Obrigada por ter me amado e cuidado de mim.
Obrigada por continuar cuidando.
E mesmo quando você não está aqui, você é o mais presente
nas noites de medo do escuro, nas praias, nas pescas, nos sushis.
Você é o homem dos sonhos.
E agradeço por ter participado da minha vida,
me ensinando e somando.
Juntos construímos só coisas boas.
O tempo acabou, mas o momento será eterno.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Cócegas.Comer.Carinho.Cabelos.Caso.Carne.Cama.
O ser humano necessita do prazer.
Aquele bichinho que caminha pelo corpo, percorrendo as entranhas com suas garras que fazem cócegas.
Sem ele, nada feito, adeus mundo cruel e um tiro no pulso na cabeça para despedir-se.
É por isso que eu repito [e repito, e repito]:
Um brinde aos prazeres que a vida oferece. Aos atos mundanos.
E viva a manteiga! ;)
O mensageiro dos bons ventos.
Pela sua valentia e ousadia sem porém. Pela sua voz doce que canta, me encanta, e tudo bem. Me faz tremer diante dos teus olhos verdes, me faz sorrir e gargalhar diante da tua sem vergonhice.
Pelas cicatrizes da estrada, pela pele bronzeada, pelos beijos com sabor de morango mordido. Pelos teus pedaços sortidos que com calma eu roubo, pouco a pouco, como uma gatuna discreta, até chegar a hora certa que todos os teus pedaços estarão comigo.
Por tudo isso não sinto mais saudades daquele tempo em que meu corpo entrava em ebulição, em que eu acreditava na paixão, em que eu tinha esperanças, sonhos malucos e rendição.
Depois daqueles tempos, eu tive o meu tempo, e então, tive você.
Depois disso, as pessoas ficaram mais bonitas, os sorrisos mais sinceros, a esperança cor de águas claras, os sonhos mais concretos, a paixão na porta de casa, o vulcão em erupção, o rouxinol cantando a sua canção, os outdoors mostrando você.
O mensageiro indiscreto do meu bel-prazer.
;)
Pelas cicatrizes da estrada, pela pele bronzeada, pelos beijos com sabor de morango mordido. Pelos teus pedaços sortidos que com calma eu roubo, pouco a pouco, como uma gatuna discreta, até chegar a hora certa que todos os teus pedaços estarão comigo.
Por tudo isso não sinto mais saudades daquele tempo em que meu corpo entrava em ebulição, em que eu acreditava na paixão, em que eu tinha esperanças, sonhos malucos e rendição.
Depois daqueles tempos, eu tive o meu tempo, e então, tive você.
Depois disso, as pessoas ficaram mais bonitas, os sorrisos mais sinceros, a esperança cor de águas claras, os sonhos mais concretos, a paixão na porta de casa, o vulcão em erupção, o rouxinol cantando a sua canção, os outdoors mostrando você.
O mensageiro indiscreto do meu bel-prazer.
;)
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Roda gigante.
Àa vezes a gente cansa da hipocrisia do mundo, da falsidade das pessoas, de ter que sorrir quando se quer mesmo é socar e dar um tiro de bazuca.
Às vezes o trabalho maravilhoso fica chato e a gente finge que aguenta enquanto estamos tendo uma síncope por dentro.
Às vezes a gente sente vontade (muita, mas muita vontade) de colocar pasta de dente no travesseiro daquele colega de apartamento que tem em seu coraçãozinho os sete pecados capitais e cospe fogo aos quatro cantos do mundo.
O que fazer?
Colocar os pés num balde de água quente e pedir ao papai do céu paciência. (Sim, meus queridos, pa-ci-ên-cia, porque se ele me der forças eu bato até matar).
Porque em pouquíssimo tempo vai chegar a hora que uma coisa simples, porém incrível particularmente pra mim vai acontecer e eu vou sorrir e relaxar, gozando cada minuto daquele momento celeste. A paz que estas tenras e doces horas me trazem acalmam e clarificam as águas do meu oceano. E eu já não ligarei mais para todo aquele resto que me inquietava.
A vida é assim meio roda gigante, só nos resta abrir os braços e aproveitar o frio na barriga quando estamos no ponto alto dela.
E assim seremos grandes.E assim sempre teremos forças para suportar o ponto mais baixo da nossa roda da vida.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
J’aurais besoin d’un aller simple, s’il vous plait.
Era fria como um destes continentes árticos que faz nossa pele agulhar de dor.
Tinha cubos de gelo incrustados na carne, e sentia orgulho de ser assim.
Ela era também fulgaz como aquele vento frio que bagunça nossos cabelos e faz nosso nariz ficar vermelho.
Perpendicular a isso, era afável. Intensa.
Doava carinhos demais, palavras doces, sorrisos. Gostava de recebê-los.
Tinha sempre estes dois lados, e os dois eram fortes demais para que um aparecesse mais que o outro, então os dois eram predominantes. Ela era duas, e estas duas tinham pólos opostos.
Difícil entendê-la.
Era agridoce. Discreta e estabanada. Intensa e sutil. Um pouco louca, um pouco sanidade. Um quadro típico metamórfico de dualidades reversas. E adorava ser isso.
Era aventureira, gostava do perigo, do risco, de se atirar de um avião com um pára-quedas e de cair em queda livre. Amava sentir correndo em suas veias a adrenalina. Idolatrava o prazer de viver intensamente.
Mas com amor não podia .Não queria. Temia.
Ela era a fuga do fulgaz prazer que o amor oferecia. Era fugitiva.
Não era do tipo que andava de mãos dadas como discretas algemas cabíveis na sociedade. Não gostava de receber flores bonitas que já estavam morrendo com o passar das horas. Não queria a luz das velas que se apagariam com o sopro de um sussurro.
Quando isso acontecia, ela desaparecia.
Deixando para trás algumas lembranças doces do seu jeito maluco, dos seus rastros de lama no tapete, do perfume de flores no casaco, dos fios de cabelo no sofá, da música que cantava sem saber, das gargalhadas banais, da alegria medonha de quem faz o errado parecer certo e faz o certo de forma errada.
Estas lembranças ficariam guardadas nas memórias ou nas gavetas de alguém.
E ela voltaria a aparecer, gargalhar, cantar pelas avenidas de outro alguém.
E quando tudo parecesse maravilhoso de novo naquele novo mundo, algo a inquietaria, a faria mover os pés, as pernas e os braços sem olhar para trás em direção ao cais, ao aeroporto.
Mostrando o passaporte ela novamente diria sorrindo:
- Preciso de uma passagem só de ida, por favor.
Tinha cubos de gelo incrustados na carne, e sentia orgulho de ser assim.
Ela era também fulgaz como aquele vento frio que bagunça nossos cabelos e faz nosso nariz ficar vermelho.
Perpendicular a isso, era afável. Intensa.
Doava carinhos demais, palavras doces, sorrisos. Gostava de recebê-los.
Tinha sempre estes dois lados, e os dois eram fortes demais para que um aparecesse mais que o outro, então os dois eram predominantes. Ela era duas, e estas duas tinham pólos opostos.
Difícil entendê-la.
Era agridoce. Discreta e estabanada. Intensa e sutil. Um pouco louca, um pouco sanidade. Um quadro típico metamórfico de dualidades reversas. E adorava ser isso.
Era aventureira, gostava do perigo, do risco, de se atirar de um avião com um pára-quedas e de cair em queda livre. Amava sentir correndo em suas veias a adrenalina. Idolatrava o prazer de viver intensamente.
Mas com amor não podia .Não queria. Temia.
Ela era a fuga do fulgaz prazer que o amor oferecia. Era fugitiva.
Não era do tipo que andava de mãos dadas como discretas algemas cabíveis na sociedade. Não gostava de receber flores bonitas que já estavam morrendo com o passar das horas. Não queria a luz das velas que se apagariam com o sopro de um sussurro.
Quando isso acontecia, ela desaparecia.
Deixando para trás algumas lembranças doces do seu jeito maluco, dos seus rastros de lama no tapete, do perfume de flores no casaco, dos fios de cabelo no sofá, da música que cantava sem saber, das gargalhadas banais, da alegria medonha de quem faz o errado parecer certo e faz o certo de forma errada.
Estas lembranças ficariam guardadas nas memórias ou nas gavetas de alguém.
E ela voltaria a aparecer, gargalhar, cantar pelas avenidas de outro alguém.
E quando tudo parecesse maravilhoso de novo naquele novo mundo, algo a inquietaria, a faria mover os pés, as pernas e os braços sem olhar para trás em direção ao cais, ao aeroporto.
Mostrando o passaporte ela novamente diria sorrindo:
- Preciso de uma passagem só de ida, por favor.
(Mas hoje eu acordei com vontade de correr. De ir embora, de ficar. De nunca mais ter que brigar e fazendo tudo que eu prometi nunca mais fazer.
Minha dualiade não machuca ninguém mais do que a mim. Eu sou confusa, perdida, intrusa em mim mesma. Sei o que é certo mas acabo fazendo tudo errado. Eu sou o erro encarnado. O medo, o anseio, a tia do menino de olhos azuis que precisa sempre sorrir de volta.
Eu quero que passe logo, quero ser jovem pra sempre, quero ter maturidade, quero parar de me machucar e de machucar quem gosta de mim. Quero parar de me defender atacando e de chorar em propagandas de margarina..
Não quero ser eu.)
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