domingo, 8 de agosto de 2010

Estou longe.

Quero dizer, ainda estou aqui, em tese.
Meu corpo ainda permanece no mesmo lugar.
Continuo aqui não conseguindo dormir todos as noites nesta mesma cama do quarto da infância.
Continuo a subtrair virtudes parada no tempo de uma cidade sem ofertas.
Mas minha mente voa como um pássaro que foge pela primeira vez do ninho.
Faço meus planos, compartilho segredos, tenho medo, tenho vergonha, tenho vontade, tenho coragem.
É uma sensação de roubar um carro velho abandonado, ele já não tem mais dono, mas ainda é roubo, dá um misto de emoção e culpa.
Estou aqui, distante nas relações.
Com os amigos, sou fria, sou sorriso Monalisa, ninguém sabe o que dizem meus olhos.
Com os homens.... bom, estes só encontrarão em mim além de vazio, desprezo.
Não por nada, não que eu me ache importante, apenas pelo fato de que ficar sozinha é a terapia mais eficaz para mim nesse momento.
Tenho gostado de me encontrar absolutamente sozinha no meu quarto ouvindo música e conjecturando com meus botões.
Mas só a conjectura em nada me satisfaz. Quero as minhas ações, quero a  efetivação dessas minhas idéias!
Eu quero mais e mais da vida!
Mas enquanto isso, não há Rivotril que tire essa insônia,
não há temporal que faça essa vontade de voar passar.


sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O sonho secreto de toda mulher louca como eu, é morrer cantando e gargalhando na fogueira inquisidora!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Eu fui feita pra não dar certo. Pra ser leve, intensa e passageira, como uma música, e comum, feito uma bossa.
O tipo de pessoa que ninguém estranharia, se te deixasse, plantado no altar.
E ainda sim, me vejo mais romântica que uma foto velha do Rio de Janeiro, mais ingênua que uma radionovela dos anos 30 e mais imbecil que um poema choroso cravado na porta do banheiro feminino.
Eu fui feita pra esquecer a chave, o celular, o casaco, o amor, a razão. E se você achar meus pertences pelo chão, use. Até porque a venda não renderia muito.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010


Tá certo que o nosso mal jeito foi vital pra dispensar o nosso bom.
O nosso som pausou.
Tá certo que a nossa vida a gente juntou, e depois desjuntou.
 Mas eu sei que tenho aqui em mim um alguém que te faz rir.
E você bem sabe que tem em mim alguém que te guardou.
Eu sou aquela que sendo tua  me faz ter um belo coração.
Você tem tudo que eu quis.
E a gente pausou naquele dia triste rasgando sentimentos..
Estou aqui,
Como uma sinfonia paralisada esperando o play de um botão de luz.
Como um telefone que não liga e espera tocar.
Como um parabéns que eu nunca vou dar.
Porque o meu  amor é maior que qualquer lamento.
Eu sei,
Teus olhos me viram triste, olhando pro infinito..
Olhando pra garganta, tentando ouvir o meu sussurro mudo.
Olhando pro tempo, querendo fazer parte do paraíso.
Acariciando segredos, te amando no silêncio obtuso.
E mesmo que eu fosse abstrata ou mesmo que eu fosse reta, sempre fui tua...
E ainda estou aqui no meu mal jeito querendo ser aprendiz,
Ainda estou aqui ouvindo aqueles teus conselhos pra me fazer escritora.
Ainda estou  a acreditar em ti, a querer te fazer feliz.
Ainda estou a espera,
Ainda estou aqui.
E ainda espero tanto ser aquela tua,
Aquela,
Aquela tua aquarela com mil cores gentis.
Aquela que a presença te faz feliz.

São elas [as minhas lágrimas] que ditam.


O que faz o beija-flor ter vontade de voar?
E o que me faz ter vontade de partir?
Qual o segredo, o botão que me ativa a ir?
Por que me vem tão cedo essa mania de querer viver só?
Por que me vem assim essa sede de me querer satisfazer?
Por que, mas por que eu vou ir e deixar aquelas velhas lágrimas de mãe?
E ao mesmo tempo, quando dentro de mim aquele arrepio de felicidade faz surgir, vem uma tristeza...
A de pra ser feliz, ter que partir...

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Gaiola aberta.

A melhor coisa da vida é realizarmos os sonhos que temos em nós.
Não para que tenham sucesso, não para que tenham lucro.
Mas para satisfazermos o nosso "eu" interrompido, banido, flagrado por nós em qualquer momento.
Por satisfazer os meus muita gente sofre e se machuca.
Por não satisfazê-los, arde em mim e nunca cicatriza a ferida.
Mas que fique bem claro,
Não é uma questão de magoar quem eu amo com minha ausência ou nitidez.
É só uma questão de me fazer feliz.
Há em mim aquele medo de morrer arrependida por não ter feito o que quis.
Há também a necessidade de impedir que isso aconteça.
Claro que mais necessidades e surpresas virão.
Virão também as gotas em meu rosto quando o mundo apertar a saudade e o apego no coração.
Mas viver calada  num eterno "e se..." em nada edifica minha coragem.
Já que se é para viver nesse mundo medíocre, como uma pessoa medíocre, que não seja numa (sub)vida medíocre.
Aqueles que me tem, sempre me terão.
Não serão quilometros que farão o amor mudar.
Meus braços foram feitos com asas.
Agora me diga,
Por que não voar?

domingo, 25 de julho de 2010

EX.orcizado.

O que me irrita é quando ele fala Dele.
E quando finge que são duas almas irmãs.
O problema é que eu conheço Ele.
E o outro finge que é uma almã cristã.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Palhaça da vez.









Em toda canção, o palhaço é um charlatão
Nessa, eu sou a atração
Eu sou no vício, a delícia de se saber
Eu sou a boneca que se pode matar sem sofrer.


- Veja o que me cantam sem saber, sem me ver:


Mas ela é tão dada, tão amada, tão feliz!
Esparrama tanta gargalhada da boca pra fora
Faz do grito um aprendiz
Porque não usá-la, não fazer dela um ouvidor?

Porque não matá-la, não usá-lá com sua dor?
Já que seu coração pintado toda tarde de domingo chora;
Já que a palhaça, nossa graça, tem a caixa de pandora.
Já que pinta o nariz, e ainda assim tem o meu amor;

Já que não sente, nem ressente muito a nós.
Não nos dá bola, nem sua corda se da nó
Dentro do seu coração de pano, um pano que nos rende;
Um pano que nos fantasia, um pano que nos prende;
Ah, há um plano que nos anuncia!

Ah, a palhaça se partiu. E partiu.
Partiu-se em dois, sumiu, e ainda assim seguiu.
Seguiu sua estrada e nem sequer nos viu.
A palhaça era a nossa, a nossa vida!

A nossa grande estrela. A nossa ida.
O nosso falatório agora é uma falsa língua.
Aonde vamos sem a palhaça que nos redigia?
Sem saber, sem querer nos guiava e a gente falava.

Dentro dela sai mais uma canção, agora sem agonia.
E um coração folgado, diferente da nossa rua baldia.
Ah, que inveja da palhaça que eu tanta invejava!
Ah, vamos falar da vida daquela palhaça vadia?


Ahhhh...

Vamos!

Já que a vida é uma monotonia.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Haja haja.

Haja lágrima pra caber as minhas poças.
Haja coração.
Haja fantasia pra decorar um futuro.
Haja inspiração.
Haja hoje pra tanto ontem.
Haja malícia pra ver a maldade.
Haja tentação.
Haja tino pra entender.
Haja estopa pra encher o buraco no meu peito.
Haja morfina pra ter efeito.
Haja dor.
Haja conselho pra ouvir.
Haja maturidade pra saber.
Haja amor.
Haja bebida que cale e transforme minha solidão.
Haja mágoa pra fechar um coração.
Haja fogo.
Haja vitória pra tanto jogo.
Haja castelo pra tanto bobo.
Haja palhaço pra tanta paixão.
Haja concreto pra construir uma ilusão.
Haja sorriso pra enfeitar o choro.
Já há, haja.
Haja lodo.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Num dado momento, quando tudo ficou quieto, eu morri. De dor, de amor, de dissabor e de vida mesmo.
Morte morrida.

domingo, 11 de julho de 2010

Meus pedaços, numa carta.

Não é fácil mesmo enxergar beleza na tristeza... tudo que ela me parece é um poço, não uma porta aberta.
Pois é a esta minha dor que não ameniza com os prazeres mundanos a que devo todas as minhas lágrimas, a esta dor que não tem nome, que eu não sei de onde veio, pronde vai, o que faz, onde me toca pra doer tanto que devo todos os meus dias cinzentos e meus dias negros mesmo, como aqueles em que a morte atrai todas as ilusões. A ela, essa ceifadora sem nome, que devo tudo isso, mas não a ti.(...)
E quando eu digo que meu lugar é no mundo e não é aqui, fazem de mim a palhaça do circo sem lona.
Quero sair. Nasci com a mente livre, sem essa gaiola de rotina que querem me impor. Eu nunca quis isso! Eu quero mais, eu quero ser diferente, eu quero ser eu em qualquer lugar, sem fantasias.


sexta-feira, 9 de julho de 2010

A vida é um contínuo destruir, e os sonhos a gente deixa tombar, já que se é inevitável.
Como se estivéssemos vendo nossa maloca caindo ao chão, com um cobertor e um travesseiro na mão, de tudo que nos restou.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O texto batido

Você não pode me dizer
O que traz  no peito
Você não pode compreender
A cicatriz e o desejo
Você vive a contemplar
Seu universo alheio
Solto ao ar
Não se preocupa com eu

Talvez um dia eu volte pra casa
Talvez, talvez...

Você teima em repetir
Sempre as mesmas palavras
Em um espelho doloroso
Num reflexo teimoso
Você me engana quando diz
Que não gosta do beijo
Que acabo diluir
Junto na tua comida

Talvez um dia eu volte pra casa
Talvez, talvez...



Letra e música de Stanis Soares.



Linda, linda! Gamei.

quarta-feira, 7 de julho de 2010




















Tenho sentido ojeriza frequentemente.
Um bom bocado de frio e calor por ninguém.
Tenho medo que eu a use espampanantemente.
De ficar no escuro e perder o trem.
Ainda bem que no fim nos acontece;
Uma Maria José ou um João Alguém.


segunda-feira, 5 de julho de 2010

Pretos olhos negros.

A quietude das minhas asas,
Meus sentimentos em rebeldia.

Sou agora a (cru)eldade devolvida;
Sou agora negação.

Não, não se mata um coração assim.
Você o deixou para sempre naquela rua baldia.

Não, que ninguém venha até mim.
Sou o algoz do jocoso sem saída.

Nos teus tenros olhos pretos o escuro.
Um negro fiel à tua melancolia.

E que não haja em mim mais agrura.
Minha mente cosmopolita, tenra ilusão.

Viver sem nascer, morrer por axiologia.
Engodo puro.



quinta-feira, 1 de julho de 2010

Afogado.

Faz tempo que teus olhos tinham luz.
E iluminavam os caminhos alheios, e os anseios.

Faz tempo que limpavam a passarela,
dos caminhantes sem prumo, sem rumo.

Hoje afogam-se em maresia, heresia.
Dos mares do teu corpo em tempestade.

Não demora agora, vai surgir do fogo meu pó
E de novo, ao fogo sucumbir sem gemido.

Faz tempo que meu lápis não tem mais ponta,
E que a verdade deu um nó, na boca.

Faz tempo que meu corpo só sente, pressente.
As dores de um surdo-cego caindo no mar.

Faz tempo que águas calmas me afogam, borbulham.
Dá-me um tempo, lento.

Dá-me um tempo pra morrer sem lamento,
Um tempo pra desforra, alforria.

Dá-me um tempo.
Tempo.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Quando quiser compartilhar da infelicidade alheia, dá uma passadinha rápida pelos arredores do meu coração. De mim sempre terá um sorriso largo e uma gargalhada alta, mas felicidade não.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A condição do ser gente.

As pessoas confundem as energias, morrem cegos e só vêem no clarão do último suspiro.
Envergonham-se pelo abraço do pai que não fala, mas cada prazer abdicado para pagar a próxima mensalidade do colégio é um grito de eu te amo.
Escondem-se para falar de amor, e se for que só seja no escuro de um quarto sem janelas.
E teimam nos erros incertos para um sorriso fulgaz.
Ficam sozinhos quando o mundo tem tantos outros sozinhos.
Se houvesse um gigante nos observando sem tomar partido, diria:
- Estão perdidos.
E eu sou uma delas, perdida.