segunda-feira, 31 de maio de 2010

Insônia.

Havia roubado a caixa de remédios para dormir de sua mãe e tomou um para combater aquela lancinante falta de sono que deixava os sentimentos a flor da pele, e fazia as  lágrimas caírem soltas ao vento.
Eram 5h da manhã e o coração estava aos pedaços quando resolveu tomar a medicação, tomou e foi deitar com sua mãe.
Acordou no dia seguinte no meio da tarde, como se estivesse bêbada, sem ter muita noção de seus sentidos, sem lembrar de como havia dormido, mas havia! Isso era bom.
Estava com fome. Levantou.
Colocou um atum que estava aberto na geladeira no meio de um pão preto, encheu de catchup da melhor qualidade que seu papai comprava e comeu.
Foi para o computador, viu umas fotos e resolveu ver um filme na tv a cabo.
Sua mãe estava saindo para ir no médico, mas estranhamente sua mãe não falava com ela, nem olhava para ela.
Ela não ligou, preferia que ninguém soubesse da sua existência... Preferia não ver ninguém, nem saber de ninguém.
Queria mesmo era viver num submundo sozinha, longe de tudo.
Seu lindo cachorro preto estava no seu colo, dormindo, e ela se perguntava como podia ter ficado tanto tempo longe desse cachorro que ela amava tanto.
Estava com o cachorro, mas longe do homem que ela amava tanto. Como poderia aguentar?
Mas estranhamente dessa vez não doeu, nem sentiu a dor, nem uma lágrima se corrompeu.
O dia passou, o filme acabou, ninguém havia aparecido ou ligado, e quando o telefone tocou ela deixou tocar até cair.
Sua mãe voltou pra casa da consulta longa e exaustiva. Parecia não notar mais a sua presença naquela casa, simplesmente entrou, largou suas coisas na sala e entrou no quarto dela.
Ela viu que sua mãe falava sozinha no quarto e depois começou a gritar histérica, mas devia ser pelas roupas espalhadas e picadas em pedaços no chão, brincadeirinha de ontem a noite, na insônia desgraçada.
Como mamãe não parou de gritar e saiu correndo do quarto, ela resolveu perguntar o que estava acontecendo, mas ninguém a escutava, nem sequer notava a presença dela, e ela ignorou tudo e voltou pra frente da tv, se sentindo ridícula:
"Pronto, só porque voltei pra casa voltaram a me tratar como uma criança e não me contam mais nada", ela pensava.
Quando a polícia e a ambulância chegaram ela achou o cúmulo não saber o que se passava ali, na casa dela, e foi ver o que estava acontecendo.
Todos estavam entrando no quarto de novo, e quando ela entrou mais atrás só pode ouvir o paramédico dizendo ao policial:
- Foi suicídio ocasionado por excesso de medicação, pelo que pudemos constar... Ela teve uma overdose, e os frascos de Prozac e Rivotril estão aqui... vazios.
Sua mãe ajoelhada na porta chorava copiosamente e estava prestes a ter uma crise nervosa.
E ela estava vendo seu próprio corpo frágil e a pele muito branca naquela cama, sendo examinada pelos paramédicos, e via isso parada em pé da porta do quarto.
Então lembrou da noite anterior;
Tomou todo o frasco para que a dor parasse, a dor do sentimento corrompido. E parou.
Ela estava ali, morta vendo seu corpo estendido e estava feliz. A dor parou.
Deu gargalhadas que ecoaram pela eternidade.
Só o cachorro ouviu.
Não me contem piadas,
porque eu não vou rir delas.
Não me mostrem a luz da lua ou do sol,
Porque a minha própria luz se escondeu numa ratoeira dentro de mim.
Não me mostrem a beleza da vida,
Eu não vejo mais beleza em nada, e assim a morte se torna mais fascinante.
Não sintam pena de mim,
Eu não sinto, e acho que ninguém tem o direito de sentir isso de outra pessoa.
E por tudo que eu vivi,
Pelos dias felizes que eu passei,
Por um sorriso verdadeiro vindo de mim...
Por favor,

NÃO ME FAÇAM PERGUNTAS.
Eu jamais vou respondê-las,
e vou sair correndo quando elas forem feitas.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Só um pouco do que eu sinto e o que será até o meu fim... Te amo até o fim!








(I love you till the end - the pogues)

Te Amo Até o Fim - The pogues
Eu só quero ver você
Quando você estiver sozinha
Gostaria apenas de ter você se eu puder
Eu só quero estar lá
Quando a luz da manhã explode
No seu rosto, que se irradia
Eu não posso escapar
Eu te amo até o fim
Quero apenas dizer-lhe nada
Do que você não quer ouvir
Tudo o que eu quero, é para você dizer
Por que você não me leva
Para onde eu nunca estive antes
Eu sei que você quer me ouvir
Prender meu fôlego
Eu te amo até o fim
Só quero estar lá
Quando estivermos presos na chuva
Eu só quero ver você rir, não chorar
Eu só quero te sentir
Quando a noite colocar seu disfarce
Estou sem palavras, não me diga
Porque tudo o que consigo dizer:



Eu te amo até o fim

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Se tiver que ir, vai.


O que fica para trás, não sendo mentira,

não racha,

não rompe,

não cai.

Ninguém tira.

Já que vai, segue se depurando pelo trajeto,

para desembarcar passado a limpo,

sem máscara,

sem nada,

sem nenhum desafeto.

Quando chegar, sobe ao ponto mais alto do lugar,

onde a encosta do mundo faz a curva mais pendente.

E então acena.

De onde estiver, quero enxergar esse momento em que você vai constatar

que a vida vale grandemente a pena

terça-feira, 25 de maio de 2010

Por que que Deus criou a dor emocional?
Por que que a gente não podia ter só a dor física pra se proteger das coisas que machucam, e esse seria o mais próximo que a gente chegaria do inferno?
Mas não.
Ele inventou a maldita dor no peito, que abre um buraco entre o colo e o umbigo e faz a gente se sentir vazio.
VAZIO.
E aí como se isso já não bastasse esse buraco profundo começa a doer!!!
Meu Deus, de onde, mas de onde vem uma dor tão forte???
Quase dá um infarto em mim de tanto que dói!


Por que que Deus não nos fez todos iguais?
Por que eu tive que nascer cheia de idéias próprias e contestáveis e  cheia de mim?
E por que todo mundo é assim?
Por que a gente não podia ser uma séride de humanóides todos iguais que quando se apaixonassem poderiam se conectar com aqueles rabos-de-cavalo que a gente viu em Avatar e aí...pronto!
Seriam felizes para sempre, sem brigas, sem idéias diferentes... os dois seriam um, uma conexão interligada de um só pensamento, um só coração, uma só vida.
E quando o outro sentisse essa dor e esse vazio que eu agora tô sentindo, ela pudesse ser dividida, recortada no meio e compartilhada com o seu par (pelos rabos-de-cavalo) e aí tudo ficaria mais leve e mais fácil de aguentar.


Por que o mundo não pode ser utópico e cheio de flores e borboletas e céu azul e sol claro?
Por que tem que existir ratos, baratas, esgotos, cinza, preto, fedor, sujeira, dentes podres e flamenguistas?
Por queeeeeeeeeeeeeeeeee meu deus?
Eu não páro de me perguntar e questionar Deus.

Eu queria mesmo era morrer e viver no céu, onde não existe fossa, só sorrisos e amor.

Ah, o amor.

Por que mesmo que Deus inventou o amor?


PURA SA-CA-NA-GEM COM A PORRA DA HUMANIDADE!
AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!














quero morrer.

domingo, 23 de maio de 2010

Era como um ciclo vicioso,
ou um vício cicloso.
E seria eterno,
enquanto durasse.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Fuga (z)

Ei, Pasárgada, vou deixá-la outra vez.
Não preciso mais de sonhos e maluquices de quem não cresce.
Não preciso mais fingir felicidade e sorrir amarelo pra quem me olha.
Minha cordialidade devastou-se em teus rios,
E teus pássaros me levam de volta ao sossego.
Coisa mais chata era ter que fingir todo o tempo.
A boa moça, a querida e a sorridente.
Então me deu vontade de sair e estou aqui.
Numa realidade muito, mas muito contundente.
Se um dia eu fui o próprio rei,
quando construia castelos no ar e sonhava alto;
Hoje eu já não quero mais te reinar, Pasárgada.
Tudo que eu quero já está aqui comigo.
Eu não preciso mais chorar escondido.
Porque a tristeza se perdeu num vale verde no mato.
E por algum tempo ela perdeu meu rastro.
Até chegar o lancinante dia em que eu voltarei;
E irei tomar café com a tristeza em uma manhã fria.
Esperando passar a banda na minha frente que gritará:
- Pasárgada tem de volta seu rei!

terça-feira, 11 de maio de 2010

E daí hoje eu acordei toda inspiradíssima!
Cheia de idéias novas, projetos e milhões de luzinhas faíscantes dentro do meu cérebro!
Mas não tenho tempoooo pra parar o mundo e pôr minhas idéias no papel.
O dia é corrido demais aqui dentro desse escritório confortável e gelaaado e de noite a internet que eu roubava não pega mais.
Tenho passado meu tempo livre dormindo muito e vendo muitos filmes em dvds piratas que eu compro na esquina de casa.
E como todos podem ver, virei uma pessoa menos solícita e mais ilícita, que rouba a internet dos outros, compra dvd pirata e ainda fala tudo isso aqui, numa boa.
Nos finais de semana eu gosto de fugir do sol, passear um pouco e dormir mais um pouco e mais um pouco ainda.
(Sem internet é #$%@!)
Nada de muito novo no front, só as idéias que começaram a surgir, e me agonia muito não ter tempo pra colocá-las no ar.
Com a internet só no trabalho, mal consigo comentar nos blogs amigos, como o do Stanis, que teve uma das postagens mais incríveis de todos os tempos, dividida em dois blocos sensacionais,  e eu NÃO PUDEEE AINDA COMENTARRRRR... E eu me odeio por isso!
Não consigo responder meu orkut, meus emails e minha mãe deixou um enorme puxão de orelha público  dizendo que sou desnaturada por não responder os recados e os emails que ela manda.
Meus amigos não me mandam mais nada e já desistiram de me cutucar no facebook, porque eu nunca respondo.
Mas tenho tido tempo pra me ver, e adivinhem?
Tõ aprendendo beeeem devagarzinho a crescer na cabeça e no coração.
Tô aprendendo a ter paciência em cada coisa que eu for fazer, nem que seja plantar um pé de feijão, tô me forçando a aprender a ser mais gentil, mais educada e ser paciente comigo e com os outros.
Tô fazendo um esforço enormeee pra conseguir entender algumas pessoas que eu nem conheço direito e me fazem sofrer sem querer, (há de se entender, pessoas magoam sem querer o tempo todo), e eu tento mesmooo tentar entender, porque o tempo todo eu também magoo, sem perceber.
To aprendendo que tem gente que é anjo mesmo, que a gente vê só uma vez e se sente tocado, e a partir daí a gente sabe que a gente vai continuar a caminhada de outra perspectiva (uma mais feliz e menos solitária).
E eu acho sei que me odiar até as vísceras vez em quando é normal tanto quanto aqueles dias em que eu rio pro espelho.
To percebendo que tem tanta coisa que eu ainda tenho que aprender, perceber, discutir e fazer e que eu tenho tantos defeitos quanto um queijo que tem tantos furos.
E eu não sei se fico triste ou feliz por ter percebido tanta coisa sobre mim.
E eu descobri também que meu pai e minha mãe são meus heróis mais que nunca, porque eu nunca consegui aprender ou explicar como, mas cooooomo eles arrumavam tempo pra trabalhar, cuidar da casa, fazer compras, lavar roupas, se divertir e ainda cuidar de dois filhos capetas!?
Eu jamais teria conseguido.
Crescer exige tempo e habilidade?

Eu não sei,
to aprendendo também.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Fênix.



Como aquele pássaro forte eu renasci das minhas cinzas.
Me conheço, me emociono, te conheço.
Faço um mantra todos os dias de equilíbrio.
Fiz um acordo comigo de libertação.
E hoje sou, estou, (res)surgi.
Das cinzas quentes do meu vulcão.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Último.

Desisti do blog,
só vim dar uma meia-explicação,
pois não haverão mais postagens por aqui.
Não vou excluí-lo porque gosto de visitar o "painel" e ver as postagens incríveis dos amigos.
Obrigada pelos comentários sempre estimulantes, pelas visitações, e pelo simples marcador "lindo", que em um clique tanto me fez sorrir.

Beijos a todos.

Eu tenho vergonha pelas pessoas...



Eu tenho medo de gente "pseudo".

Pseudo-apaixonada;
Pseudo-amante;
Pseudo-mulher;
Pseudo-bruxa.

Medo sim.
Porque essas pessoas não sabem que fungos e monstros habitam dentro de suas mentes insanas.
Um belo dia elas olham para alguém e resolvem que ali está a solução de todos os problemas. 
Então sugam toda a energia e a alegria desta pessoa, como uma sanguessuga que só descrava os dentes da sua perna se você a queimar com um fósforo.
A pessoa se esvai do melhor jeito que a sanguessuga puder fazer:

Se você é sentimental, será uma escrava sentimental.
Se é alcoólico, será alcoolátra.
Se é pobre, ganhará tudo que puder te dar avareza.

Tudo isso para que você dependa da sua sanguessuga.
E você será submisso a ela.

Até que num outro belo dia você olha a sua volta e não vê mais ninguém.
Seus amores e amigos já foram embora, e sua sanguessuga já cansou de brincar de ioiô com seu corpo e com sua alma, e vai atrás da próxima paixonite-vítima que terá energias suficientes para seu vampirismo.

E você?


Será um eterno arrependido.

sábado, 24 de abril de 2010

Carta para meu irmão.

Mano,

É tanta saudade desse sorriso lindo e dessa doçura no olhar.


Tua presença grita na tua ausência!

Cada gosto, cheiro ou coisa que eu vejo e me lembre de ti, me faz pensar em como sou abençoada por Deus em ter um serzinho tão especial na minha vida.

Ontem mesmo me lembrei das tantas vezes que tu me fez travessuras, e em tantas outras que me fez mergulhar na doçura de uma infância querida bem tratada e cuidada pelos teus abraços e sorrisos, mano querido que me ensinou a arte da alegria e da estrepolia...

Um anjinho endiabrado, que muito levado, me fez hoje lembrar... Das muitas vezes que a culpa era minha e ele sorria ao ser castigado e das outras vezes que o teu sorvete era mais gelado e assim sendo me doava de bom grado.

Das vezes que eu merecia, e nem por isso teu rosto de raiva se enchia, de como aprendi contigo maninho querido, a viver a vida de um jeitinho mais levinho, bonitinho e sempre com um sorrisinho que é pra tristeza e a cara feia do pobre de espírito afugentar.

TE AMO.
 
 
 
(Antigo)
 
 
 

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Contos de Rei Arthur.

Um dia, o jovem rei Arthur foi surpreendido pelo monarca do reino vizinho enquanto caçava em um bosque de sua propriedade. O Rei vizinho poderia tê-lo matado no ato, pois tal era o castigo para quem violasse as leis da propriedade, contudo se comoveu ante a juventude e a simpatia de Arthur e lhe ofereceu a liberdade, desde que no prazo de um ano trouxesse a resposta a uma pergunta difícil.
A pergunta era: O que realmente as mulheres querem? Semelhante pergunta deixaria perplexo até o homem mais sábio. Ao jovem Arthur pareceu impossível respondê-la. Todavia, aquilo era melhor do que a morte, de modo que regressou a seu reino e começou interrogar as pessoas. A princesa, a rainha, as prostitutas, os monges, os sábios, o palhaço da côrte, em suma, todos, e ninguém soube dar uma resposta convincente. Porém, todos o aconselharam a consultar a velha bruxa, porque somente ela saberia a resposta. O preço seria alto, já que a velha bruxa era famosa em todo o reino pelo exorbitante preço cobrado pelos seus serviços. Chegou o último dia do ano e Arthur não teve mais remédio, a não ser recorrer à feiticeira. Ela aceitou dar-lhe uma resposta satisfatória, com uma condição: ela queria casar-se com Gawain, o cavaleiro mais nobre da Mesa Redonda e o amigo mais íntimo do Rei Arthur! O jovem Arthur a olhou horrorizado: era feíssima, tinha um só dente, desprendia um fedor que causava náuseas até a um cachorro, fazia ruídos obscenos, nunca havia conhecido uma criatura tão repugnante! Se acovardou diante daperspectiva de pedir ao seu melhor amigo para assumir essa carga terrível. Não obstante, ao inteirar-se do pacto proposto, Gawain afirmou que não era um sacrifício excessivo em troca da vida de seu melhor amigo e a preservação da Mesa Redonda. Anunciadas as bodas, a velha bruxa, com sua sabedoria infernal, disse: "O que realmente as mulheres querem é serem soberanas de suas próprias vidas"! Todos souberam no mesmo instante que a feiticeira havia dito uma grande verdade e que o jovem Rei Arthur estaria salvo. Assim foi: ao ouvir a resposta, o monarca vizinho devolveu-lhe a liberdade. Porém, que bodas tristes foram aquelas! Toda a côrte assistiu e ninguém se sentiu mais desgarrado, entre o alivio e a angústia, que o próprio Arthur. Gawain se mostrou cortês, gentil e respeitoso. A velha bruxa usou de seus piores hábitos, comeu sem usar talheres, emitiu ruídos e um mau cheiro espantoso. Chegou a noite de núpcias, quando Gawain, já preparado para ir para a cama, aguardava sua esposa. Mas ela apareceu como a mais linda e charmosa mulher que um homem poderia imaginar! Gawain ficou estupefato e lhe perguntou o que havia acontecido. A jovem lhe respondeu com um sorriso doce: como havia sido cortês, com a metade do tempo ela se apresentaria com aspecto horrível e a outra metade com aspecto de uma linda donzela. Então ela lhe perguntou: Qual ele preferiria para o dia e qual para a noite? Que pergunta cruel! Gawain se apressou em fazer cálculos: poderia ter uma jovem adorável durante o dia para exibir a seus amigos e à noite na privacidade de seu quarto uma bruxa espantosa, ou quem sabe ter de dia uma bruxa e uma jovem linda nos momentos íntimos de sua vida conjugal. Vocês, o que teriam preferido? O que teriam escolhido? 


 
O nobre Gawain respondeu que a deixaria escolher por si mesma. Ao ouvir a resposta de Gawain, ela anunciou que seria uma linda jovem de dia e de noite, porque ele a havia respeitado e permitido ser dona de sua vida.
 

Moral da história: Não importa se a sua mulher é bonita ou feia, chata ou compreensiva.
No fundo, sempre é uma bruxa.


Ela se transformará de acordo com a forma que você a tratar.





(Desconheço o autor)

terça-feira, 6 de abril de 2010

Enquanto é escuro lá fora e a chuva derruba o lar e a vida de alguém, você pode parar e olhar para o seu lado? Você pode dar a mão ou a passagem para alguém pulando uma poça? Você pode deixar para olhar seu umbigo depois que você chegar na sua casa quente, tomar o seu banho quente, tomar o seu café quente, enquanto as pessoas aqui fora não tem mais uma casa, estão à deriva num rio que deveria ser uma estrada...e já não sabem definir a palavra "quente". Quem é você, senão mais um suscetível a ser o próximo a pedir ajuda?



Eu fico apavorada, quando num momento em que todo mundo precisa de ajuda, as pessoas só pensam nelas mesmas.

Terrível!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

És tu, ó impiedoso vilão, o algoz que agora me fere os olhos tal qual punhal!
És tu, minha mente nublada de raiva e rancor.
És tu o amargo deste licor venenoso que me tira a vida.
Caio na noite cálida, com faces da cor da lua,
obra do veneno que sorvi com o gosto amargo da tua traição.
Me despeço da vida agora, como quem se despede de seu carrasco,
e faço de ti o único culpado desta juventude interrompida pelo amor
que não me deste e dedicaste a outra senhora.
Quando te vi no alpendre a soprar no pé do ouvido de Aurora tuas juras,
não pude mais continuar a viver.
Para sempre vou te amar,
Joana.


Inácio terminou de ler a carta com as mãos trêmulas e as lágrimas rolando maçãs abaixo.
Lembrou-se das duas noites anteriores, quando Aurora apareceu em sua casa para lhe pedir ajuda, pois estava apaixonada por seu primo, Felício, e não sabia como dizê-lo.
Ele, que conhecia Felício há tantas primaveras sabia que Aurora seria a candidata perfeita, e cochicou em seu ouvido o dia, a hora e o local que ele havia bolado um plano para os dois se encontrarem.
Assim que Aurora saiu Inácio riu sozinho e lembrou-se de sua linda e amada noiva, Joana. Iriam se casar dali a 2 meses, e ele estava muito feliz.
Mas agora, lendo aquela carta e vendo o miúdo, gelado e branco corpo de sua amada ao seus pés, nada mais tinha sentido. A culpa e as dúvidas foram como uma névoa em sua cabeça, deixando-o cada vez mais confuso.
Ele havia dado todas as provas de que a amava! No primeiro instante que a viu ele se apaixonou por ela, e ela sabia disso. Deu presentes, cartas, juras e a pediu em casamento uma semana depois de conhecê-la.
Como esta tenra criatura poderia ter cometido tal desatino apenas por ter visto uma cena comprometedora?
Oh, Deus, porque ela não havia falado com ele, batido nele, gritado, terminado o compromisso?
Tudo menos isso....
Pegou nas mãos de Joana com carinho, fechou seus olhos vagarosamente, disse um "eu te amo" pela última vez com o pesar que agora trazia em seu coração, e olhou para o céu, fazendo uma sentida interrogação que assolaria sua mente pelo resto de sua vida:
"- Oh, Deus! Será que algum dia um homem conseguirá provar a uma mulher que a ama?"

domingo, 4 de abril de 2010

"E quero que todos saibam que o meu verdadeiro código,
é o amor."



Francisco CÂNDIDO Xavier

quarta-feira, 31 de março de 2010

Sylvia.

Carlos era um bom homem.
Mas ele estava apaixonado por um robô.
Ou quase um robô.
Ele comprou pela internet um software, em que você cria o seu robô na tela do seu computador, e ele faz o que você quiser pra você, em vídeos. Como um tamagosh, ou uma realidade virtual.
Todas as noites ele ia para a tela do computador e despia seu robô, enquanto Marina dormia.
Ficava imaginando cenas eróticas com Sylvia,e ele tinha dado esse nome à ela inspirado em sua atriz pornô preferida.
Fez vídeos virtuais dela nua, e sua mente dava tropeços enquanto olhava pasmo aquele corpo escultural e aquela mulher depravada.
Oh, como queria poder tocá-la!
Enquanto isso, Marina dormia. Ela era boa esposa, carinhosa, prestativa, bonita e educada. E ela amava ele.
Mas Carlos já havia se apaixonado por seu robô.
Um dia Marina desconfiou.
Checou e confirmou: Carlos tinha uma namorada virtual, uma robõ nua e depravada que fazia sexo oral no vídeo quando e como ele queria!
Primeiro ela não disse  nada. Ficou à espreita toda vez que ele ia pra frente daquele computador. As reações dele a fizeram corar de ódio e uma nuvem negra pairou sobre ela. Ficou assim mais uma semana, só observando ele nas madrugadas. Via ele rindo, se deliciando com as imagens e dizendo:
- Sylvinha, te amo minha gata gostosa!
No domingo, com as malas prontas anunciou o fim do casamento de 20 anos deles, e explicou o porquê.
Carlos, pasmo, perguntou como ela tinha coragem de terminar uma relação estável por causa de uma mulher que nem existe na vida dele!
Ele disse ainda: Meu amor, não faça isso comigo, Sylvia não existe na realidade. Não é muito melhor assim do que se eu saísse, entrasse na primeira porta e transasse com uma mulher de verdade, te traindo?
Marina, com os olhos estalados, olhou incrédula pra ele e simplesmente respondeu,
- Claro.
Mas seus pensamentos diziam:
"como ele tem a coragem de desbravar um diálogo desses comigo? Então é isso realmente que ele quer, outra mulher além de mim apenas, e faz isso virtualmente pra que não escorregue na vida real? Será que ele não entende a minha humilhação ao perder para essa mulher sem gorduras e sem celulite que faz loucuras na cama? Será que ele não entende que eu perco toda a minha auto estima quando ele deixa de se deitar comigo para apenas olhar para ela? Será que eu não sou boa o bastante? Será que foi a minha barriga ou as minhas coxas grossas? Meu deus, o que foi que eu fiz de errado!?Há anos não ouço um elogio, ou um simples 'te amo' que saia dessa boca e esse tempo todo que eu me detonei achando que tinha que melhorar por ele, pra conquistar de novo os olhares dele, ele dizia isso a um robô."
Pegou as malas, confirmou a reserva no hotel e saiu.
E já que estava no hotel mesmo, resolveu que ia tirar umas férias.
Oh, mas Deus recompensa! Apesar da saudade de Carlos e do coração ferido por Sylvia, Marina estava vivendo os seus melhores dias de liberdade! Desde os tempos de solteira não sentia isso.
Tomava banhos de sol, banhos de piscina, água de côco, fazia sauna, massagem...tudo que podia.
Até que ela conheceu Ricardo.
Ricardo estava no mesmo hotel. Não era bonito, mas era engraçado e simpático. E principalmente, fazia ela se sentir uma princesa, dizia coisas doces a ela, como se ela fosse a mulher mais linda do mundo. Oh, fazia tempo que ela não se sentia tão adorada, e como toda mulher, adorou isso.
Começou a namorar Ricardo, e estava mais feliz do que nunca. Amou muito Carlos, mas ele não havia dado valor a ela, ou, pelo menos nunca demonstrou isso.
Marina e Ricardo foram morar juntos. Um dia, assistindo a um noticiário, viram Carlos na TV.
A notícia era:
"Homem com problemas mentais tenta entrar em computador"
Ele estava no hospital psiquiátrico machucado porque havia tentado este feito fantástico.
Depois que Marina se foi ele viu que Sylvia jamais poderia satisfazê-lo de verdade, e que sua ex-mulher era sim muito importante para ele. Viu que a vida real não tinha mais sentido sem Marina e "inventou" uma máquina para "entrar no computador" para poder viver com a sua ardente Sylvia.
Pobre Carlos, viveu até o fim da vida no Pinel.
Vez em quando Marina levava frutas e doces a ele, conversava com ele, e mesmo louco ele sabia reconhecer isso e agradecia, às vezes chorava de saudade do tempo em que viviam juntos. Em momentos de lucidez pedia desculpas por ter estragado tudo, mas nesse ponto ele estalava o olho e dizia a ela:
-Ahhh... Mas que a Sylvia era muuuuito gostosa, isso ela era.