sábado, 14 de fevereiro de 2015
Em outros tempos eu estaria de malas prontas.
O dia passaria voando e logo seriam 22 Horas.
A viagem era longa, mas o sono seria tranquilo.
O sol timidamente nasceria e eu já poderia sentir o cheiro da minha terra.
Gostava de fazer surpresas, mas era como se sempre estivessem a minha espera.
Eu sei que chegaria em frente a sua casa e você faria aquele olhar de alegria. Com o sorriso mais lindo, mais sereno.
Você já estava acordado para abrir o portão, com o mate na mão e se não fosse surpresa, certamente a mesa estaria pronta, com aquele salame que você comprou na estrada e os melhores pinhões que você pôde encontrar.
Nós pegariamos o carro que você carinhosamente nomeou de "mimosa" e subiriamos a serra.
Serração alta naquela hora da manhã e muito campo por onde passamos. Você suspiraria feliz e diria como sempre: "eu amo esse meu Rio Grande!". E nós compartilhariamos daquela paz com longos sorrisos e meu olhar de gratidão por você me mostrar as belezas da vida de uma maneira tão simples. Você me agradeceria novamente, como tantas vezes, por ter colocado no mundo o " homem da sua vida" em forma de neto.
Mas hoje as malas não estão prontas.
Teu olhar e teu sorriso viverão eternamente na minha memória.
E não se preocupe,
eu cuidarei dele.
Como você sempre cuidou.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
O caco que se esvai.
Mas sempre chega a hora de acordar, e a gente percebe que um sonho, por mais profundo que seja, sempre é um sonho. Um vislumbre de uma realidade que gostaríamos de estar vivendo. E como eu te queria aqui agora. Como eu queria. Eu tenho estado exausta, dormindo muito tarde e acordando muito cedo, com o fantasma das lembranças. Chorando escondida cada vez que tomo banho e fazendo forças sobrenaturais para ser forte e não pensar em ti a todo momento, porque quando isso acontece lágrimas escorrem deliberadamente no meu rosto.
Eu tenho sorrido até demais, pra esconder o vazio gigante que ficou aqui dentro de mim e a verdadeira face da dor que a minha face tem. Então eu resolvi que vou começar a escrever sobre ti, e essa postagem de hoje é apenas o prefácio. Quero te tornar imortal através das tuas histórias.
Eu tenho pensado no teu sorriso, em como tu me deu de herança aquela doçura e aquela mania chata de amar o mundo inteiro. De saber confiar nas pessoas, e de trabalhar muito duro pra se conseguir tudo aquilo que se quer. Nisso eu posso dizer que puxei a ti. Tu sempre foi tão engraçado. Divertia nossos churrascos de família, e falando nisso, QUE CHURRASCO tu fazia! Tu sempre ria do modo como eu sou estabanada, e costumava achar que eu era a guria mais linda do Rio Grande, e quando dizia isso, sempre me fazia corar. Eu me lembro quando eu tinha 13 anos e corri para a garagem nos fundos da casa pra chorar escondido o primeiro amor adolescente. O filho do prefeito de uma cidadela tão pequena que a avenida principal era só uma rua. Eu chorei muito, e tu, como todo pai que ama seus filhos incondicionalmente, deixou de lado o fato de que eu estava proibida de namorar, ou que ele era 5 anos mais velho, e então me abraçou muito apertado, pediu calma e disse que faria qualquer coisa para me ver feliz. Logo, começou a contar suas piadas e eu já estava rindo enquanto tu ia passar café e fazer torradas, como era de costume nosso de todas as tardes. Eu nunca vou me esquecer daquele ombro amigo vindo de ti, na minha primeira dor de amor. Tu, que costumava odiar meus namorados secretamente, que fazia qualquer coisa para me ver feliz, que se dobrava em cinquenta para conseguir fazer da nossa vida mais confortável. E foi tão confortável, pai, que agora eu nem sei mais onde piso, porque me falta o chão sem tu por aqui. Me falta um pedaço de mim. Me falta tua ligação em plena segunda feira de manhã me dizendo que ia me levar pra almoçar. Dói tanto não te ter por aqui.
Segunda-feira vai fazer um mês que tu partiu deste mundo, e com o tempo as pessoas sentem mais dificuldade para lembrar do rosto, da voz, do coração de quem já partiu.
Mas eu ainda estarei aqui, neste blog, contando as tuas histórias para que o teu nome seja eternizado, teus atos de bondade, honra e amor, e também de como tu era engraçado, para que as pessoas sempre lembrem da pessoa incrível que tu foi, e das coisas incríveis que tu fez, da vida plena que tu levou e como tu partiu com a missão cumprida.
Te amo para sempre,
Da tua namorada eterna, e filha.
Bárbara Langsch
(Paulo Ricardo Langsch, vulgo Caco, foi engenheiro civil, e faleceu em 02.01.2015 vítima de um infarto fulminante, aos 52 anos.)
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
Felicidade.
Que está de volta me abraçando como se nunca tivesse partido.
Senta aqui, eu faço café.
Vou te contar por onde estive, e da falta que você fez.
-Oh. Você veio acompanhada de um metro e noventa de sorrisos!
Que bom.
Gratidão.
Ela estava nessa estrada a muito tempo. Opaca, foi deixando suas cores pelos lugares que passou. Sentia certa saudade, mas já estava condicionada ao bege.
Ele apareceu com seu sabre de luz, deu um sorriso iluminado como o sol e com apenas um movimento rápido, a libertou totalmente de seus grilhões.
Ela viu o mundo girar, porque tudo mudou muito rápido para a condicionada.
Mas ao sentir dentro do peito aquele calor familiar e luzes e cores intensas novamente, uma sensação enorme de conforto e felicidade a invadiu.
Como quando olhamos pro céu e sentimos o calor do sol no rosto em um dia muito frio.
Agradecida, ela olhou pra ele com muita ternura e percebeu que um tênue fio de luz os ligava. Era amor puro.
- Agora que você está de volta e já tiramos a poeira das suas asas, voe livre! - ele disse sorrindo.
Virou as costas para partir.
Mas ela deu a mão pra ele.
E desde então eles voam juntos, com irresistiveis sorrisos compartilhados.
Quando um cai, o outro ajuda a levantar. Voam lado a lado, que é pra sempre um ao outro iluminar.
São livres.
São uno.
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
terça-feira, 29 de julho de 2014
Amolenga
Abraços com jeito de borboletas no estômago. Beijos com sabor de chocolate em calda quente.O coração entregue, fremente.
Amarelado
Numa camiseta cinza
Perdida em meu armário
Tinha o odor embolorado
Ocre musguento e fétido
De amor esquecido há tempos
Na geladeira
Um solitário nômade no moinho.
As distâncias são grandes, muito grandes. E as viagens são muito longas e cansativas.
Não pensar o por quê de querer ficar é quase como ignorar o percurso do tempo, que ele insiste em jogar na cara, dando tapas que doem. E que esses sim, permanecem.
Não adianta olhar para o retrovisor e ver uma bela cidade iluminada, querer ficar, e seguir em frente.
Devorar livros para esquecer o presente, se jogar no trabalho que antes satisfazia e hoje em nada ajuda a rotina para desviar o trajeto maldoso que a mente insiste em procurar.
Comer tudo o que der vontade, lutando contra o funcionamento daqueles órgãos já escaldados pelo excesso.
Fugir. Daquela casa, daquela cidade, daquele estado, daquele país.
Olhar o gordo contra-cheque e não conseguir imaginar um sequer motivo para sorrir.
E aquelas velas numeradas em cima do bolo sentenciando o tempo de morte.
Fracassar sem entender. Se esforçar e perder. Traduzir a bíblia do latim para o francês, para que a saudade não sufoque, para que o coração não congele dentro da fogueira.
Depois de tanto vazio, só resta vazio. Mesmo que os dias passem e a estopa seja grossa, o vazio continuará lá, determinando para sempre a existência destes dias cruéis.
Procura-se um esboço de sorriso no espelho, mas é o travesseiro quem limpa as lágrimas recorrentes.
Solidão e medo na sempre companheira mala pequena.
De tudo, apenas dois trunfos. Dois companheiros.
Então ama, bebe e cala.
Vai, pára na esquina, passagem na mão, olhos na cidade. Acende seu cigarro de palha.
E anda.
Pedido negado.
Ontem te amei, hoje já acordei sem te gostar.
Tanto fiz em te elogiar que repudiei.
Você sempre igual, pontual em rimas sem par.
-
Eu a festejar o meu atraso, e você a me encarar.
Eu a procurar passar os ponteiros rapidamente,
Você num suspiro conta os segundos devagar.
Eu pele e cheiro, você relâmpago a se apagar.
-
Eu com medo do tempo não passar.
Mas você é o dono do tempo.
O mensageiro que veio me avisar.
Que hoje as horas serão do vento;
-
Oh, meu caro amigo!
Faz do meu castigo alento,
Meu relógio querido
Faça, por favor, as horas passar.
Ambiguidade
Tenho estado calado.
de tal modo que paro.
Meio morta, meio interrogação.
Ninguém agora faz a menção
Dos dias desiguais que se passam.
A porta do quarto que não fecha.
O buraco da fechadura macabro
Que aos poucos me revela.
E o destino que é traçado,
naquele mapa amassado
Foi descoberto, foi amaldiçoado.
Por mil bruxas e profetas
Que ao meu lado,
De anjos andam disfarçados.
Au moment de mon départ.
Eu encontrei este espaço
Entre o amor e a dor
Entre a cruz e a majestade
Por dias e noites indaguei
Que sentimento ardente seria este
E vieram anjos que disseram:
"Chame, oh Deus, de saudade."
É por isto, senhoras e senhores
Da cidade pequena com língua grande
Das casas com ouvidos gigantes
Com avidez pela novidade
Que lhes digo, estou de partida
Vou e não volto para este circo brilhante
Deixo para trás o futuro que não chegou
Os dias contados de um caminhante
Deixo a inveja, a cobiça e algumas cartas de amor
Deixo a rotina, o amor de uns, a razão que não me quis
Vou-me de mochila, de ansiedade, e piso no acelerador
Vou com a sina de ser mais que aprendiz
Vou e vou de uma vez,
Por isso dou esta festa
Não chore e conte até três
Beba com pressa, depressa
Brinda ao deboche e ao calor
Que o álcool afrouxa o entendimento
Das coisas do coração, da paixão, do amor
Aprisiona a mente e devora o pensamento
Faz o melhor papel de apaziguador
Não toque, não impeça, não minta assim
Me deixa ir e ser feliz, por favor
Que agora me despeço de ti e de mim
segunda-feira, 7 de julho de 2014
Para Gui.
Chorei de saudades de você, de te ouvir me chamar de minha nega, de ficar horas pendurada no telefone com você, você me fazendo rir feito louca e eu no meu pequeníssimo apartamento sorrindo só por ter você na minha vida.
Saudades dos açaís que eu e você tomamos juntos, só nós dois. E do quanto você me ensinou sobre a sua vida de artista. Daquele dia que carregamos aquelas molduras de 100kg -cada- por Copacabana inteiro, porque você precisava delas com urgência. E com pena, você pegou 4 das 5 e me deixou com uma só, apesar de seus músculos não serem tão fortes. Você tremia e suava, mas não deixou eu carregar nada mais do que uma pequena moldura.
Saudades dos seus abraços, e de quando beijava minha bochecha. Saudades do seu sotaque baiano e quando falava de mim como se eu fosse uma terceira pessoa:
-Bárbara é linda. Bárbara quando entra, chama a atenção. Bárbara é estabanada.
Saudade de uma amizade que, como eu sempre disse, eu jamais havia visto igual. Amor verdadeiro, amizade verdadeira, tua alma de artista preenchendo minha branca tela. Teu amor, teu afeto, teu carinho.
Saudades de como sentávamos naquela boteco de Copacabana pra tomar um suco e depois íamos pro seu apê comendo aqueles biscoitos alemães que seu namorado comissário trazia toda a semana.
Saudades das tantas vezes em que me vi perdida, e você me dava a mão, os braços e abraços e eu me encontrava com a sua ajuda, com a sua seta, com o dinheiro que você me emprestava ou com a proposta de emprego que você me fez e que não deu tempo de colocarmos em prática.
Saudades de ter você por perto, mesmo longe, em seus infinitos telefonemas e emails, com seus maravilhosos conselhos, com nossas idas aos teatros e galerias de arte. Eu sinto falta de trazer uma nova pedrinha a cada vez que volto do Sul, pra complementar a sua coleção, que hoje já deve ter virado pó.
Saudades daquele "adeus ano velho, feliz ano novo" que cantamos só eu e você, desertos por dentro em uma praia lotada.
Saudades daquele áudio que gravamos no celular juntos e eu perdi quando o aparelho quebrou no meio. Saudades de te ouvir cantar e das músicas que você lindamente fazia.
Mas eu sei que sua morte não foi em vão, porque em mim você sempre estará eternizado. Falarei de você e do seu sucesso artístico e pessoal para meu filho, para meus netos.
Como eu sinto a sua falta, meu amigo.
Eu amo você, para sempre amarei. E estas lágrimas que caem hoje desesperadamente são apenas gratidão por eu ter tido a sorte de um dia ter tido você bem perto de mim.
Hoje, um ano e quatro meses sem você, e eu só precisava desabafar.
Daqui te mando um abraço muito apertado, igual os que você costumava me dar, com todo o amor do mundo.
Da sua neguinha.
In memorian de Fagner Fonseca - Gui.
quarta-feira, 2 de julho de 2014
quinta-feira, 26 de junho de 2014
Você sumia, ia desaparecendo no horizonte, caminhando no seu passo lento e calmo e suspirando paz como só você sabe fazer.
Eu fitava a cena, o horizonte, os pássaros e a chuva de uma manhã clara que alumiava os meus fartos pensamentos distorcidos. Dá uma puta dor fodida isso, de doer os ossos como naquela noite fria em que tínhamos poucas cobertas e as janelas estavam com lençóis pendurados pra impedir, sem sucesso, que o vento entrasse em nosso bagunçado quarto provisório. Uma puta dor fodida.
Eu tinha gravado na minha memória aquela tarde de muito calor e sol, em um verão divertido, que eu tomei 3 ou 9 banhos de mangueira e onde bebemos cerveja quente e falamos sobre bebidas, cigarros, cabelos, falta de cabelos, Ozzy, tornozelos torcidos, amor, sexo e bilhetes em papéis de pão. E rimos como crianças, escrevemos nas mãos como crianças, bebemos como se o mundo fosse acabar.
Enquanto eu via você sumir naquela estrada linear, eu pensava naquela tarde de sol, e confesso, senti agulhadas sutis em determinado lugar dentro do peito.
Por um breve momento, eu quis esquecer, mas Bon Iver invadiu o fone de ouvido.
''Amor magrelo, dure pelo menos até o final do ano'', e eu lembrei que aquele sofá-cama azul marinho era tão duro que ainda havia um calo em minhas costas desde a noite em que você subiu em cima de mim ao som de ''Losing my religion". Eu lembro de rir mentalmente de tamanha ironia, eu perdendo minha religião, tentando me igualar a você, e eu sei que não consigo fazer isso. E a sua religião, que eu me lembre, é amor. Um amor bonito.
E no auge da minha agonia, eu citava Shakespeare, porque realmente, não há Pepsi-Cola que sacie a delícia dos seus beijos. Eu sinto tanto por ter alguém roubando o melhor de você. Eu, um sócio, os cigarros ou o álcool.
Ne me quitte pas. E o quentão desceu tão redondo quanto aquela vodka gelada da primeira noite em que eu não descansei enquanto não bebi o resto do litro. O quentão aqueceu a pele, a alma e as partes mais geladas dentro do peito. Mais uns goles, subiu um negócio aqui dentro que me fazia querer te beijar e eu te vi ali, lindo me olhando, enquanto entalava dentro da minha garganta um pedaço de cravo que desceu arranhando até os ossos. Eu ri, pra disfarçar, parecendo uma gazela bêbada fazendo sons esquisitos, e enquanto o cravo desaparecia de vista, a sanidade tomava de novo seu lugar em meu cérebro.
Isso me lembra que só dessa vez, só nessa história, não fui eu quem vomitou no primeiro beijo ou ao ouvir eu te amo, e sim você, ao ouvir um abafado James Reyne. O que torna tudo mais diferente ainda.
Hoje a noite não tem luar, então nós dançamos em um quarto escuro, com a música baixinha e os pés lentos. Me abraça forte e diz mais uma vez que estamos bem. E nós abraçamos.
"Olha: o cachorro voltou a latir, eu catei os papéis do banheiro, você não volta mais, eu gosto de Pantera, eu também, mas porque caralho tem tanta Adele aqui? Galinha poedeira, não quebrei nada ainda, vou no mercado comprar água, esqueci a água, quero café, tô com azia, beijei a Paula, soquei a Renata, casei com Antônio, ainda vejo Roberto, acabou a bateria, os cigarros, o café. Arruma a cama, liga o carro".
Num movimento brusco, um abraço muito forte e um beijo longo, pra logo em seguida tomar mais cautela, virar o rosto e falar de como aquele sofá-cama pode ser duro. Num movimento brusco, um resquício, uma fagulha de alguma coisa doce saindo dos olhos. Num movimento nem tão brusco, o aperto e o desespero de arregalar os olhos para ir ao banheiro.
Lobo da estepe acredito na tua dor, chorava o celular enquanto eu te olhava dormir. Um anjo. Até começar a roncar feito o motor do caminhão das galinhas.
"Esse azar sobre você, como uma nuvem que não chove", eu ouvia. E ria.
"Você lembra de tudo?" - Incontáveis vezes você perguntou.
Memórias presentes, ausentes, vívidas e póstumas.
Eu avisei, ela avisou, eles avisaram, você mesmo se avisou.
É essa minha puta necessidade de ir embora. Esse taquicardia que começa quando se prolonga o tempo nesse lugar onde eu morri pela primeira vez.
Essa corrida contra o ostracismo dos amores e tudo que deles provém. Mágoas, dores, rotinas e excessos.
Pode ser que eu não encontre nessa ponte o endereço.
Fugaz! Cara, é isso.
É o fugaz que me comove, que me faz querer ficar só um pouco mais nessa estrada linear, pra ver o pôr-do-sol do horizonte enquanto você caminha pra longe de mim e eu jogo a bituca ainda acesa no chão, queimando qualquer coisa por perto. O fugaz e o café.
É tudo tão inconstante e breve, mas bonito, como a rima interna daquele samba que você odiou enquanto eu ouvia, branca de nostalgia.
Mas pelo menos dessa vez não ouve meias verdades ou uma fé imensa.
Amo, bebo, calo e vou embora. Porque nosso amor que não esqueço, e que teve seu começo numa festa de São João, morre hoje sem foguete, sem retrato e sem bilhete. Sem luar, sem violão. Mas sobrou aquele Camel amassado, um isqueiro roubado e aquele calo dolorido nas costas.
E mais uma vez, como em outras histórias antigas, eu volto a cantar 'Somebody that I used know', enquanto andamos lentamente em direções contrárias nessa estrada.
Eu de casaco xadrez pra aquecer do frio. Você com a cabeça nua, pra gelar a alma.
(Eu roubei esses versos musicais como quem rouba pão da padaria).
quarta-feira, 18 de junho de 2014
Que tu m'aimais encore
C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore
Serait ce possible alors
Mais qui est ce qui m'a dit que toujours tu m'aimais
Je ne me souviens plus c'était tard dans la nuit
J'entend encore la voix, mais je ne vois plus les traits
Il vous aime, c'est secret, lui dites pas que j'vous l'ai dit
terça-feira, 10 de junho de 2014
Assisti a um documentário sobre crianças psicopatas e descobri uma banda nova por sugestão do youtube. Tomei remédio pontualmente ao meio dia, como nunca faço. Quis beber cerveja no almoço. Entendi, mais uma vez, porque pessoas se drogam quando estão tristes. Embora eu não adie meu sofrimento. Cheguei à conclusão que a intensidade da dor ameniza o tempo que ela permanece na cabeça. E não vou chorar. Porque não consigo. E prefiro evitar o assunto.
Passei batom vermelho, mas escolhi um brinco pequeno. Dei bom dia ao meu irmão, as plantas do jardim. Fui feliz por cinco segundos. Pensei em sorvete de pistache, putaria, Tom Waits, teoria da conspiração e Ask. Comprei um quilo de patinho. Abri a geladeira, bem rápido, porque está frio e tive aquele medo absurdo de que eu congelasse. Joguei fora uma banana preta, que eu comprei há três semanas. Dormi três horas. Olhei pro celular algumas vezes, até que finalmente ele descarregou. Por fadiga, desprezo, medo, mentira, desinteresse, outra mulher mais gostosa ou algo que eu tenha feito e não saiba. Mas não vou pensar nisso. Nem beber em homenagem a isso. Por que não quero valorizar o momento. E também não quero falar sobre ele.
Escrevi uma poesia. Apaguei a poesia. Me olhei no espelho por mais tempo do que o normal, procurei brilho no meu rosto; nada. Me senti mais cansada do que o normal, com menos fome do que o normal e meu humor estava cabisbaixo. Tive medo de morder pessoas. Pensei mais do que escrevi. Escrevi mais do que falei. Baixei três episódios de uma série. Aquela. Aquela que. Esquece. Não quero resgatar nada. Nem falar de nada. Quero acordar no mês que vem. Quero acordar livre disso. Queria poder ligar o som para ouvir uma música animada. Mas.


