Certa vez perguntei a um sábio:
Como faço para viver nesse mundo?
Como faço para crescer, caminhar, falar, me relacionar?
Como faço para ser bem sucedida?
Como posso amar e ser amada?
Entre essas e mais mil e doze perguntas que fiz, ele me respondeu com seu jeito calmo, tranquilo e sempre sereno, com voz mansa e sabedoria secular da alma:
- Minha filha, seja sempre quem você é.
Não mude pra agradar outros.
Seja sempre verdadeira.
Ame com toda a tua força pelo tempo que te convier.
Nunca perca a sua fé.
Seja correta e idônea em todas as situações.
Voe junto com tuas borboletas.
E por fim, viva sem se preocupar.
Se assim for, você chega lá.
O sabio homem disse essas palavras em muitos momentos de minha vida.
Além de sábio era anjo,
Quando ele me ensinou a não julgar os outros, eu ainda engatinhava.
Quando eu caí da bicicleta pela primeira vez e muito chorei, veio ele com passos largos e voz mansa me abraçar.
Quando eu tive a primeira desilusão amorosa na pré adolescência, ele me viu chorando escondida, e me abraçou mais uma vez.
Quando eu estive doente, veio o meu sábio com seus chás medicinais e me curou.
Num abraço ele me deu o mundo, num afago me fez conhecer o amor.
E é sempre esse abraço e esse colo que eu procuro quando me sinto em agonia.
E mesmo quando criança (e criança nunca tem problemas), eu gostava de me sentar no colo dele e ouvir aquela voz mansa com os meus ouvidos grudados na barriga dele.
Só pra ouvir, e dormir ouvindo o timbre daquela voz serena.
Sábio sereno dono do meu amor descompensado.
Professor, médico e juiz de meus passos sem compassos.
Um amor de sempre, e para sempre.
De meu amor que a ti foi subjugado com tuas armas de amor e paz.
Caro, idolatrado, estimado, namorado:
Pai.